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Os injustiçados do Emmy: Em Terapia

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Em Terapia

Diferentemente dos últimos Emmy Awards, onde só conhecíamos os cinco finalistas de cada categoria, a Academia este ano liberou uma pré-lista com as 10 séries que continuam no páreo nas categorias de melhor Drama e Comédia. Nas premiações passadas, já ficávamos decepcionados quando uma série, que dávamos como certa, não constava entre as cinco finalistas. Neste ano, a decepção aumentou: não ver sua série nem entre as dez é um baque forte. Baque que senti por Em Terapia (In Treatment).

De maneira oficiosa, algumas outras listas acabaram vazando. Nestas, temos algumas presenças pra Em Terapia. Glynn Turman continua no páreo entre os Convidados em Série Drama. Blair Underwood e Dianne Wiest seguem entre os coadjuvantes e Gabriel Byrne, altamente competente, está entre os possíveis top cinco de Melhor Ator. Houve certo desapontamento de minha parte por Melissa George e a revelação Mia Wasikowska ficaram de fora, mas isso ficou pra segundo plano: Em Terapia não está nem no top 10! Apesar das possíveis quatro indicações, mais a chance de seguir em Direção e Roteiro, ficar de fora em Melhor Drama foi algo tão sem sentido que nem Freud explica.

Ganhar o Emmy de Melhor Drama é uma grande honra. Paulo Antunes, editor do TeleSéries, falou da importância desse prêmio num texto em que ele não deve ter boas recordações. Após ter perdido uma aposta – ele acreditava na vitória de Grey’s Anatomy em 2006 – teve que escrever 50 vezes “Jack Bauer é o cara”, depois da confirmação do prêmio à 24 Horas. E nesse texto, ele observou um padrão nas premiações dessa última década (leia aqui).

ER acelerou o ritmo narrativo das séries televisivas e mudou os dramas médicos. O mesmo que fez Lei & Ordem no ano seguinte para as policiais. As séries de tribunal ganharam uma referência graças à bicampeã O Desafio. A qualidade técnica, roteiros impecáveis e uma ideologia política ideal, mas plausível, fizeram de The West Wing uma tetracampeã, que aumentou o padrão de exigência das “séries que se acham inteligentes”. Família Soprano respeitou esse legado sendo o melhor dos dramas adultos e Lost levou o seu como a série que mais revolucionou a maneira que vemos TV. E em 2006, Grey’s Anatomy, que teria perdido o status de “série fora de série” e caído no lugar comum, enfrentou 24 Horas que estava seu ápice, no melhor exemplo de série que mistura ação, roteiros inteligentes e premissa inovadora.

Apesar de uma ou outra cagada (desculpem o termo, mas nada expressa melhor esses acontecimentos), o Emmy geralmente acerta nas categorias mais importantes. Por que então Em Terapia, com verdadeiro potencial pra merecer esse prêmio com cara de legado, não teve esse reconhecimento?

Quem assiste seriados em syndication, onde reprises de temporadas antigas são exibidas diariamente no mesmo horário – caso de muitos telespectadores aqui no Brasil – não deve ter sentido o impacto do formato de Em Terapia. Então, reforçar não faz mal: os 43 episódios da primeira temporada foram exibidos diariamente, num intervalo de nove semanas. De segunda à sexta, a HBO exibia um episódio inédito dessa série – algo inédito para seriados americanos. Além de inovar no formato, Em Terapia de maneira nenhuma cansou quem resolveu seguir às várias seções do psicoterapeuta Paul Weston. Pelo contrário: na verdade, manteve a atenção do público, que até faria questão de ver toda a temporada num espaço de tempo mais curto ainda.

Sua perigosa aproximação amorosa com Laura, a dificuldade em lidar com Alex, o carinho por Sophie, o complicado casal Jake e Amy, mais suas consultas com Gina e a relação com sua família, satisfaziam de uma maneira muito agradável. E eram de tamanha riqueza tanto em roteiro, direção e atuação, que eu estava certo de estar assistindo à uma série que entraria na história como uma que revolucionou em seu formato e fez história. Quase uma obra-prima. Mas acabou não sendo reconhecida pela Academia.

Talvez sua exibição numa época de greve (onde audiências caíram drasticamente), de maneira diária (nem todos conseguem acompanhar uma série com inéditos todo dia) e seu desfecho nem tão sensacional (comparado com episódios anteriores, a reta final pode até ter frustrado alguns) expliquem a ausência de Em Terapia como Melhor Drama. Há também quem diga que sendo adaptação de outra série – a israelense BetipulEm Terapia não mereceria esse “prêmio legado”. Bem, se The Office (merecidamente) levou o Emmy de Melhor Comédia mesmo sendo uma adaptação, eu acredito que ela mais do que devia levantar a estatueta esse ano. E estranhamente, nem entre as 10 melhores ficou.

Mas não vou precisar fazer tratamento por causa disso. Ainda posso torcer pra que a série leve, pelo menos, quatro estatuetas. Eu queria um Emmy pra Em Terapia, que teve os melhores roteiros e atuações do ano. Mas nós não podemos ter sempre o que queremos.

Séries citadas:

25 Comments

  1. Fernando dos Santos

    A série até recebeu elogios, mas ainda não foi desta vez que a HBO conseguiu emplacar um grande sucesso de público e crítica comparável aos de alguns atrás.

  2. André

    Em Terapia (e a Mia Wasikowska) me deixaram de queixo no chão, acho que nunca vi uma série com personagens tão bem desenvolvidos, é quase como se eu conhecesse eles do avesso. Uma esnobada histórica do Emmy.

  3. Rubens

    Eu ate acredito que In Treatment seja “sucesso de critica” (critico adora uma analise), mas sucesso de publico? A serie é apenas um bla-bla-bla chato e interminavel. Nao acredito mesmo que o grande publico tenha saco pra ficar ouvindo aquele bla-bla-bla onde nada acontece, de segunda a sexta-feira.

  4. Daniela

    Realmente eh uma pena mesmo, eu adoro a serie, nao acho q seja um monte de bla-bla, quanto a Mia, nossa…o personagem dela eh muito bom, assim como a atriz, tambem gosto da Laura.

  5. Ivonete

    Adorei a série, só não entendi porque a última semana rompeu com formato, tendo apenas 3 episódios exibidos a partir desta quarta e deixando dois dias (segunda e sexta) vagos.
    A série tem uma riqueza de diálogos, interpretações e personagens intensos, que não cansaram, apenas nos motivavam a querer saber mais sobre suas vidas.
    Ainda bem, que parte do público tem sensibilidade para entender e gostar.

  6. Rafa Bauer

    Eu já li em algum lugar que dificilmente eles premiam (ou indicam) uma série que ainda se encontra na primeira temporada. Por isso, não ficaria surpreso se, na segunda temporada, In treatment for indicada (o que pode até servir como fôlego para uma renovação para a terceira temporada, pq se a audiência continuar como foi na primeira, ela não passa da segunda…)

  7. Rubens

    Viagem pode até ser, Paulo, mas não com Dr. Who. Acho essa serie muito boboca, infantil demais. :-) Ocorre apenas que eu nao gosto de assistir televisao para me distrair, e nao para ver os problemas dos outros. De problemas, ja chegam os meus. :-)

  8. Rubens

    correcao: “gosto de ver televisao para me distrair, e nao para ver os problemas dos outros.”

  9. Vitor

    Uma pena, e eu ainda não vi os 3 últimos episódios, porque a HBO não vai passar reprise……nada como a internet….

  10. Vitor

    agora que eu vi nos destaques do dia:
    Aviso:
    A série Em Terapia só volta a ter novos episódios na quarta-feira, dia 9 de julho.

  11. Vinicius Silva

    Tem nada nao, Gabriel Bryne leva Melhor Ator e ai tudo fica legal.

    E In Treatment é sim uma obra-prima. Os episódios da Sophie, por exemplo, foram maravilhosos e a atriz que a interpreta, como bem falou o Thiago, nem sequer foi lembrada. Uma pena.

  12. Alessandra

    É difícil acompanhar todos os episódios de uma série diária mas do que vi gostei bastante. É uma série “aparentemente” sem atrativos: um cenário, sem trilha sonora e com duas pessoas conversando ou caladas mesmo. Mas quando uma sessão acabava eu sempre ficava curiosa para ver a próxima sessão. Realmente merecia estar no Top 10.
    Agora é assistir as últimas sessões desta semana e esperar a próxima temporada.

  13. Raquel Perez

    Concordo com Ivonete chamar essa série de infantil, tenha dó! Como já comentei aqui uma vez, desde Família Soprano a HBO não produzia alguma coisa tão brilhante, profunda, sensível e inteligente como In Treatment. O roteiro, a direção e os atores estão SOBERBOS. Vou sentir muita falta de todos os personagens. Agora quem eu mais amava de paixão era o Alex. Aliás o que foi o episódio da última 3ªf. (01/07) com o pai dele. Foi de arrepiar. Será que alguém sabe quem é o ator que fez o pai? Esse cara é excepcional. Apesar de só acabar na 6ªf. já estou me sentindo completamente órfã de série boa.

  14. Silvia_05

    Impossível não se encantar com Sophie. Sua naturalidade impressiona. Gosto dos outros personagens, mas a atuação dela é primorosa.

    O Alex também me surpreendeu e o cara que fez o papel de pai dele, nossa!

    E é claro que Paul (Byrne) está ótimo também.

    Mesmo que In Treatment seja uma versão, o grande trabalho de interpretação dos atores é tudo.

    E prá quem diga que isso é blábláblá, deixe o Paul e vá ver Jack Bauer.

  15. Marcelo

    Bem,muito do que eu falaria já foi dito por aqui.Apenas escrevo para protestar com a exclusão de “Em Terapia” para o Emmy de Melhor Drama e a estúpida não indicação de Mia Wasikowska para o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante.O trabalho dela na série não é superado por nenhuma outra e é uma enorme injustiça ela não estar concorrendo.A série é espetacular,viciante e não vejo a hora de começar a segunda temporada.Abraços a todos.

  16. Thiago

    Notas rápidas antes de sair de casa:

    Cavalca (3) Mia > Melissa

    Rubens (4) Foi você quem disse que terapia é coisa pra maluco, desocupado ou sem amigo, né? Cada vez mais entendemos o critério de suas postagens. Continue assim. E mais uma coisa: cada um tem sua opinião e devemos respeitá-la, mas dizer que essa série só tem blá-blá-blá e não chega em lugar nenhum é uma prova que você não viu mais do que 5 epis. O que a série mais faz é chegar à algum lugar. E não ficam só na conversa…

    Rafa (8) Não é comum mesmo, mas The West Wing, Lost… e nao sei confirmar, O Desafio, ganharam como estreantes. In Treatment foi esnobado mesmo.

    Vinicius (15) Tomara que Mia não suma e consiga logo novos papéis. A menina é uma excelente atriz.

    Raquel (18) esqueci de relacionar o papel, mas o nome do ator tá no texto. O pai do Alex é interpretado por Glynn Turman, que continua no páreo, mas como convidado (Blair Underwood, seu “filho”, também)

    Paulo (21) Foi mal, chefia hauhauhauhuahaua Mas era um texto muito bom que falava de campeões do Emmy. Que que eu podia fazer?

  17. Ivonete

    Por isso falei que ainda bem que parte do público tem sensibilidade para entender e gostar de “In treatment”, a outra parte, aqui representada pelo Rubens, prefere se limitar a acompanhar Jack Bauer e afins.
    Até gosto de “24 horas”, mas não me limito a ver apenas este tipo de filme, somente para “me distrair”.

  18. Túlio

    In Treatmente revolucionou o mundo das séries. O fato de serem episódios de meia-hora com geralmente só duas pessoas conversando merecia um prêmio. Afinal eles fizeram uma coisa que parece chata e entendiante parecer muito interessante. E fizeran 43 vezes!

    A desculpa que uma pessoa já está cheia de problemas e não quer ver a série por isso é no mínimo rasa. Ainda bem que não são todos que pensam assim.

  19. Pingback: Blog Vôo 3800

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