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Opinião

Eu adoro Lost

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Cena de Lost

Quantas séries gostariam de ultrapassar a barreira de mero produto de entretenimento para chegar a legítimas representantes do imaginário pop mundial? A resposta é simples: todas. Mas a missão não é fácil, o que tornou o lançamento – e consequente sucesso – de Lost um estudo de caso.

Pode-se argumentar que o irresistível hype foi a base que angariou uma legião de fãs que formaram uma massa fiel; mas isso seria reducionista e injusto. Ao misturarem-se inúmeras referências, a série conseguiu agradar aos mais diferentes públicos, que viam na telinha uma salada pop nada indigesta.

A premissa era irresistível: sem muita explicação, alguns passageiros acordaram em meio ao caos, em uma ilha misteriosa, o que, de cara, mostrou semelhanças com o cultuado game Myst. Sem instruções. Apenas ande, pesquise e explore. As respostas não tardarão a aparecer, ou não. Outras surgiram, como Julio Verne e seu clássico “Viagem ao Centro da Terra”, responsável pelas teorias que tentam explicar a ilha e suas misteriosas características; filosofia, representada pelos nomes dos personagens que efetivamente seguem as idéias e preceitos de seus “homenageados”. John Locke é um formalista, que respeita as regras do jogo e prega a democracia, assim como a selvagem Rousseau – a referência à ideia do “Bom Selvagem” de Jean-Jacques Rousseau é óbvia.

Tantos “easter-eggs” poderiam criar uma sensação de profundo embaralhamento; ao contrário, criaram uma experiência imersiva que vai muito além de apenas sentar e assistir ao episódio. Criaram comprometimento, já que a narrativa não-linear impossibilita a compreensão do telespectador eventual – e o afasta.

Uma jogada de alto risco, o que, por si só, já é digna de aplausos.

Claro que algumas soluções vão desagradar aos fãs mais xiitas. Alguns personagens e situações eram dispensáveis (Santoro? A volta de Michael?). Mas até isso serve como combustível para discussões acaloradas, que levam os fóruns da internet à loucura.

Todas essas qualidades fizeram com que eu me apaixonasse pela incrível experiência que é sentar e dissecar um episódio de Lost. Já encontrei Nirvana e Stephen King, “O Mágico de Oz” e Charles Dickens, Bíblia e The Beach Boys. Está tudo lá, basta ter um pouco de paciência e revê-lo. Definitivamente, não é para iniciantes. JJ Abrams, inconscientemente, vingou todos os nerds. Ou conscientemente, sei lá, afinal ele dirigiu a nova versão de “Star Trek”. Quer coisa mais nerd do que isso?

* * *

A quinta temporada de Lost estreia nesta segunda-feira, dia 9 de março, às 21h no AXN.

Leia também o artigo Eu não suporto Lost.

Séries citadas:

23 Comments

  1. Tula

    >basta ter um pouco de paciência
    ???!!!
    Um pouco soa estranho, a série é maravilhosa mas é preciso ter muito mais do que “um pouco de paciência”.

    >>Definitivamente, não é para iniciantes.

    Aí sim! Concordo com você! ;)

    Gostei da idéia de mostrar os dois lados da moeda, digo, a sua opinião e a da Simone.

    Bjssss…

  2. Carla

    Eu sou uma confessa fã viciada em Lost e sei, com certeza, q somente qm ficou desde o começo com o seriado e acompanhou ele 100% consegue ver e entende o seriado hj em sua 5 temp (acompanho com a transmissão americana).

    Eu sempre vi Lost lendo blogs, procurando easter eggs, tentando criar as minhas teorias do q aconteceu e do q aconteceria, etc. Acredito q qm não fez isso, acabou se perdendo na trama – a 5 temp, em especial, foi feita exclusivamente para nós fãs!

    Adorei teu post, Osório! Mas sou obrigada a fazer uma observação/opinião: JJ não é Lost mais (abandonou o seriado a mto tempo, só deu pitaco lá no começo), se tem uma dupla de nerds q vingou a tds, esses são Damon Lindelof e Carlton Cuse, a dupla de produtores executivos e também roteiristas responsáveis pelo seriado! A dupla “Darlton”, os TPTB, é a alma de Lost, as idéias mais originais e os roteiros dos melhores eps são deles (vide o final da 3ª temp).

  3. Fernando dos Santos

    Eu sou fã de Lost, mas acho que a trajetoria da série teria sido melhor se desde o início ela tivesse apenas 13 ou 16 episódios por temporada.
    Uma história como esta pode se desgastar muito rapidamente dentro do velho esquema de 22 episódios por temporada, não por acaso a série passou por problemas no segundo e no terceiro ano e com isso perdeu grande parte do seu publico.

  4. Ângelo Romão

    Belo texto, Osório.

    Culturalmente falando…

    eu odeio viver num mundo onde Grey’s Anatomy é considerada algo de qualidade. Onde Ghost Whisperer atinge 10 milhões de telespectadores. Onde House se torna caricata e rasa. Onde o Bryan Fuller não consegue manter seus projetos no ar. Onde Charmed conquista 8 temporadas enquanto Veronica Mars vai para o limbo. Onde Big Brothers e American Idols se aproximam de uma década de existência.

    Mas aí eu lembro que vivo num mundo onde Gilmore Girls atingiu sete temporadas, onde LOST virou fenômeno mundial, onde a Megan Mullally ganhou dois Emmys, onde Joss Whedon reinou um império cult por oito anos consecutivos… E tudo fica bem de novo.

    Além do mais, só em meio à mediocridade é que damos o devido valor as coisas boas.

  5. Silvia_05

    Nunca fui fã xiita de Lost. Tem vários “furos” e aquela 3a.temporada foi de doer.

    Sempre defendi a idéia de que se os criadores da série tivessem permanecido fiéis à ideia original, o sucesso a aceitação de Lost seria uma unanimidade. E a idéia original era contar uma história com início, meio e fim durante “apenas” 3 temporadas.

    Mas aí o sucesso subiu à cabeça. Inventaram um outro grupo de pessoas, sobreviventes do mesmo acidente, no lado oposto da ilha. Só prá engordar a série. Não precisavam disso. Daí a inevitável queda no número de fãs.

    A 4a. temporada serviu prá correr atrás do prejuízo. Então, quem resistiu a isso tudo, chegou até aqui – uma 5a. temporada burilada e capaz de dar as explicações de maneira criativa e emocionante.

    Amarrar uma série como essa é prá poucos. Erros são inevitáveis. Mas o maior trunfo de Lost foi saber manter o mistério, buscar simbologias de outras culturas e explicações da ciência, mostrar seus personagens em uma situação crítica, dissecar suas personalidades e questionar o eterno conflito entre o bem e o mal e o livre arbítrio.

    E sem dúvida, grandes interpretações. Se esses personagens não nos emocionassem, certamente não estaríamos ainda torcendo por seus destinos.

    Eu, particularmente, curto a psicologia da série. Fazer escolhas, nunca saber se fizemos o certo, perceber o quanto é difícil “mudar” na vida e como é duro ficar sozinho, que não é fácil convencer os outros a ficarem do nosso lado, que nada é mais importante do que “amigos”, que além da sobrevivência, a gente acredita em certos valores que dão sentido a estar vivo, que se a gente voltasse no tempo gostaria de mudar as coisas. Lost sabe como explorar nossa condição humana.

    Uma coisa é certa: assim como foi Arquivo X, Lost é uma nova referência no mundo televisivo. Até pros que não gostam da série.

  6. Claire

    Nossa Silvia,eu não faria melhor!você escreveu exatamente tudo o que penso,concordo 100%.Adorei o texto,definitivamente esse tipo de série não agradaria a todos mesmo…como já disseram aqui ainda adoro Lost e também vou até o fim!

  7. Luciana

    Osório, o apaixonado por música??
    Bom, eu também adoro Lost. Pra mim, o único crime grave que a série já cometeu foi ter botado o Santoro ali – no papel mais constrangedor da história da tv. E o menino é tão bom, ô desperdício!
    E o que mais gosto em Lost são os personagens. Impossível não ficar de boca aberta com a evolução deles, palmas para os roteiristas e atores. Está tudo tão perfeito que eu quase quero que não acabe…

    Beijos!

  8. Osório Coelho

    Obrigado pelo apoio. Somos maníacos por Lost e não desistimos nunca – apesar de alguns deslizes. E quem, como eu, é apaixonado por música, não pode deixar de acompanhar a quantidade de referências pop que pipocam em cada episódio. Vamos assumir nossa nerdice, vai…

  9. Fabio Peixoto

    Não desmerecendo o Osório (ótimo texto, a propósito), mas a Silvia_05 matou a pau :D

  10. Flávia

    E que série não tem deslizes? Eu às vezes me irrito com aquele monstro de fumaça, Jacob, urso polar e outras baboseiras que considero desnecessárias. Mas o jeito como eles lidam com tempo e espaço compensa qualquer furo. E os episódios com Desmond como centro são, sempre, redentores.
    Lost é icônica, como Arquivo X.

  11. Roosevelt Barros

    Ângelo Romão, belo txto é o seu. Assino embaixo…(2)

  12. Patricia E.

    Comecei a ver a série um tanto desconfiada. A primeira temporada me fisgou, as demais caíram um pouco. Quase larguei, mas agora, assim como a Mica, viciei de novo. :D E o lado bom é que a série já tem data pra terminar — não há o risco de se arrastar por anos e anos como outra série que adorava (Arquivo X). Agora se o final será bom ou não… não sei, mas essa trama está ficando tão louca que quero mais é ver no que vai dar. :D

    E, assimo como o Osório, uma das coisas com as quais me divirto na série são as referências pop. Sawyer e seus apelidos ainda me arrancam boas risadas.

  13. xaropinha

    Ótimo texto, com nível e conteúdo. Como sempre, você arrebenta! Parabéns!
    Beijos

  14. Clóvis Tayllon

    – A quinta temporada é só para fãs e está dando explicações de forma criativa e empolgante.

    – A primeira e a segunda me fisgaram. A terceira quase me fez desistir, deu um nó tão grande no estômago que eu comecei a assistir a quarta apulso, só pra ver aonde ia dar a história do resgate. A quarta e a quinta me surpreenderam e me viciaram de novo.

    -Amarrar uma série como essa é pra poucos. Erros são inevitáveis. Mas o maior trunfo de Lost foi saber manter o mistério, buscar simbologias de outras culturas e explicações da ciência, mostrar seus personagens em uma situação crítica, dissecar suas personalidades e questionar o eterno conflito entre o bem e o mal e o livre arbítrio.

    – Um pouco soa estranho, a série é maravilhosa mas é preciso ter muito mais do que “um pouco de paciência”.

    – Definitivamente, não é para iniciantes.

    – A entrada dos sobreviventes da cauda e dos Outros na trama não foram um desperdicio de tempo, acrescentaram muito a trama da série.

    – E que série não tem deslizes? Eu às vezes me irrito com aquele monstro de fumaça, Jacob, urso polar e outras baboseiras que considero desnecessárias. Mas o jeito como eles lidam com tempo e espaço compensa qualquer furo. E os episódios com Desmond como centro são, sempre, redentores.

    – E sem dúvida, grandes interpretações. Se esses personagens não nos emocionassem, certamente não estaríamos ainda torcendo por seus destinos.

  15. Brenda

    Ao contrario de muitos a 3ª temporada pra mim é otima, uma das melhores. Cheia de surpresas e reviravoltas.
    A 1ª e a 2ª sem comparação, excelentes, mostra o dia-dia dos sobreviventes, tem aquele clima de suspense, e a luta pela sobrevivência.
    A 4ª eu tive um pouco de receio no inicio pq tava muito diferente das outras tres, mas o excesso de ação e suspense, me pegou e me fez achar a 4ª temporada a melhor de todas.
    A 5ª pra mim é a PIOR, muito sem sentido, completamente chata, alguns ep quase me fizeram dormir.
    Espero que a 6ª e ultima nao me decepcione e espero que Sawyer e Kate fiquem juntos *-*

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