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Opinião Spoilers

Spoiler – 24: Redemption, a busca por redenção de 24 Horas

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24: Redemption

24 Horas iniciou em 2001 com uma premissa inovadora, e depois de várias temporadas com altos e baixos (alcançando o auge em sua quinta temporada com o Emmy de Melhor Drama) passou por um momento questionável com seu terrível sexto ano, quando a produção atingiu o fundo do poço criativamente, com histórias que pareciam criadas de última hora.

O sétimo ano da série prometia ser então “tudo ou nada” para 24 Horas, que já se arriscava muito ao, segundo mostrado em suas promos, promover Tony Almeida (Carlos Bernard), personagem que teria morrido no quinto ano, como um dos vilões desse último dia. Mas essa aposta arriscada teve que esperar mais de um ano, graças à greve dos roteiristas que interrompeu a produção do retorno de Jack Bauer (Kiefer Sutherland) à televisão.

E depois de tanto tempo, um dos personagens mais icônicos de todos os tempos volta à televisão no telefilme de duas horas 24: Redemption, exibido dia 23 de novembro nos Estados Unidos. E após a exibição, a pergunta que nos fica é: 24 Horas conseguiu mesmo sua redenção?

A greve é coisa do passado (se bem que é bom lembrarmos isso ao sindicato dos atores) e a produção voltou com um bônus do qual nunca teve em mãos: tempo. O seriado, que tem como premissa a narração de histórias com ação, espionagem e jogo político num espaço de 24 horas, teve mais de um ano para poder delinear seus arcos e não repetir erros do passado – quando as histórias principais terminavam no meio da temporada e o restante parecia ação criada à esmo. E nesse meio tempo – até a estréia do sétimo ano em janeiro – a produção teve tempo de realizar um prequel para esse novo dia, tendo como objetivos não apenas saciar nossa vontade de ouvir novamente o tic-tac do relógio, mas para nos colocar a par do que aconteceu na série depois do sexto ano.

Pessoalmente, sou fã da série e acompanhei todos seus episódios, mas depois de tanto tempo fica difícil se lembrar com exatidão onde a história parou. Eu tinha certeza que depois de rever Audrey (Kim Raver) surtada, Bauer resolveu sumir. Mas o atual presidente dos Estados Unidos e a situação dos coadjuvantes – exceção da favorita Chloe (Mary Lynn Rajskub), que eu sei estar grávida – é um completo nevoeiro em minha cabeça. Bem, o telefilme, que se passa tanto no fictício país de Sengala quando em Washington, nos dá essa ajuda – e de uma maneira talvez até didática demais.

Noah Daniels (Powers Boothe), que era vice do irmão de Palmer, está nas últimas horas como presidente e prestes à passar seu cargo para a senadora Cherry Jones (Allison Taylor), sósia descarada de Hillary Cinton. E nesse período de transição, óbvio, há espaço para manobras políticas dúbias, como a rejeição do presidente em enviar tropas para a defesa civil de Sengala, prestes a ser tomada por um golpe militar que, como nos mostrado na forte abertura do filme, é covarde: os generais do país estão usando crianças em seu exército, e com lavagem cerebral, convencendo-as participar da luta.

De curioso nesse ponto, fica o detalhe de que a história é corrida: em apenas duas horas (na verdade temos uns absurdos 40 minutos de intervalo comercial) os militares recrutam as crianças e já estão prontos pra tomar o país. Claro, houve eventos anteriores à isso (os primeiros minutos do filme não são em “tempo real”) mas fica meio difícil acreditar que o governo ou a população local só descobrisse esse recrutamento uma hora antes do ataque. Certo, há apoio de americanos nessa empreitada (John Voight é do mal) e a ONU tenta se manter neutra (aquele motorista não foi “muito francês” não?), mas Jack Bauer não tinha como saber disso não?

Há, sim: temos Jack Bauer.

24: Redemption

O cara é icônico, e mesmo você que não goste de 24 Horas, não tem como escapar da popularidade de Jack Bauer, que hoje, talvez rivalize com James Bond e Jason Bourne nesse gênero. MacGyver não é referência até hoje? Bauer anos à frente será mais ainda.

Enfim, depois de rodar o mundo (e ter tempo de comprar um tecido indiano pra filha) mas sem ter vontade de voltar aos EUA, Jack se assentou em Sengala, ao lado de seu amigo Carl Benton (Robert Carlyle), provável ex-colega dos tempos de guerra. Lá, Bauer fazia trabalhos menores na escola criada pelo amigo e procura por sua redenção, até que um oficial americano (Gil Bellows) passa entregando-lhe uma intimação: Jack tem que comparecer nos EUA pra responder às torturas que fez em seus interrogatórios. Pronto pra fugir novamente, a revolta militar chega até à escola, com o exército pretendendo seqüestrar as crianças para serem usadas no golpe militar.

Insisto: Bauer e seu colega trabalhavam numa escola e não sabiam desse recrutamento? Tudo bem. Há pouco tempo pra ser explorado e Jack ainda não matou ninguém. E era algo que eu esperava à muito tempo! Até mesmo o “damn it” com 10 minutos de projeção me fez feliz. E me chamem de sádico, mas ninguém mata como Jack Bauer: apenas ele tem “cheat de head shot” (o cara não erra um tiro!) e consegue desviar de todos os inimigos, mesmo estes tendo uma AK-47 e ele apenas uma pistola. A ação da invasão é no estilo Jack Bauer. Ele mata quase dez, escapa de um míssil, de ser torturado, mata o irmão do coronel Ike Dubaku quebrando o pescoço com o joelho (nice!) e ainda tenta levar as criancinhas até o consulado em menos de uma hora.

24 Horas voltou, e é ótimo rever novamente, mas tenho que admitir: cansei. A conspiração que pode ter o filho da presidente como testemunha foi meio mala, alguns momentos foram ou muito didáticos, ou muito arrastados e… Como sempre, a série dependeu muito dos momentos de Bauer, que perdeu seu colega numa mina terrestre. E com isso, depois de se ver frente à frente com um garoto armado (boa cena!) teve que pessoalmente levar às crianças até o helicóptero do consulado e se entregar pro governo dos Estados Unidos.

A produção foi incrível. Coisa de cinema. A locação da Cidade do Cabo ajudou muito na narração da história e me convenci bastante com as cenas de Washington, mas faltou algo. Claro, essa não é a série, nos fora apresentado uma história de apenas duas horas e tivemos relativamente muito pouco de Bauer, mas faltou algo. Porém, serviu sim – e muito bem – como um aparitivo do prato principal, a nova temporada, que trará Jack Bauer de volta aos Estados Unidos e pronto pra enfrentar o sétimo dia mais longo de sua vida. Aí sim, espero pra confirmar se a série alcançou sua redenção ou não.

Séries citadas:

29 Comments

  1. cavalca

    Gostei das cenas envolvendo a transição presidencial. Cherry Jones é ótima, e se nós supormos que Wayne Palmer era democrata como seu irmão, a presidente Taylor é republicana. Interessante.

    Só achei desprezível o melodrama das crianças africanas (‘paninho comprado na índia/mina’, blablabla).

    Perguntinha: alguém sabe quantos anos (na cronologia da série, claro) se passaram da primeira temporada até a sétima?

  2. Kate

    O mal de muitos é achar que filme é a vida real , que tem que ser 100% verossímel. Filme é filme , sempre vai haver falhas. Pra isso existe a licença poética.
    Estou ansiosa pra ver mas acho que a temporada em si vai ser bem melhor que esse filme, afinal Tony Almeida is back!

  3. Mateus

    Achei sensacional o filme!!!
    O melhor filme que vi este ano.
    Ver Jack em ação em um terreno diferente é bom e ao mesmo tempo somos introzidos na 7º Temp.

    Gostei da /Presidente Cherry Jones e acho que teremos ótimi vilôes (Juma e Jonas e Tony???)

    24 é a melhor série de todos os tempos e Kiefer está barbaro como Jack!!!!!!

  4. Fernando dos Santos

    “Perguntinha: alguém sabe quantos anos (na cronologia da série, claro) se passaram da primeira temporada até a sétima?”

    “Cavalca, aproximadamente 14 anos.”

    Na primeira temporada eu suponho que a trama estava situada no ano 2000, pois trazia o então senador Palmer disputando as primárias(que só acontecem em ano de eleição).
    Isto significa que a sétima temporada terá sua ação passando-se no ano de 2014?

  5. João da Silva

    Então o Jack Bauer sabe antes de nós quem venceu a Copa do Mundo de 2014, sediada no Brasil! :)

  6. Rafa Bauer

    Eu achei mediano. E não acho que a intenção tenha sido mesmo um filme de ação espetacular, porque senão teriam levado pro cinema. A intenção foi só preparar o terreno pra 7ª temporada. Eles já fizeram isso antes, mas eram filminhos mais curtos. Neste, tinham mais tempo, ficaram um “inbetween seasons” mais longo.

    Nota 7.

  7. Camila

    Concordo, o filme não foi isso tudo mesmo. Vale pelo mito Jack Bauer vencendo a tudo e a todos!

    E ainda quero ver como vão explicar o revival de Tony Almeida…

  8. Marcelo Wizard

    NÃO TEM JEITO GALERA, Jack Bauer BATE E ARREBENTA.
    SOU FÃ INCONDICIONAL DA SÉRIE E TENHO CERTEZA QUE A TEMPORADA PROMETE.

  9. Lara

    Eu comecei a assistir a série quando passava na Globo, e por gostar muito não me importava de ficar até tarde na tv, mas depois que o tony e michelly se foram, a historia me pareceu um pouco cansativa. Isso somado ao fato de eu acompanhar pela globo me fizeram desistir da série.

    Mas a verdade é que “ninguém mata como Jack Bauer”!!!!

    Não vi o filme e não pretendo ver a setima temporada, mas que dá saudade de Jack, ahh isso dá!

  10. Cris

    Concordo com Kate. Jack Bauer está de volta, com ou sem falhas, o filme é muito bom, espero que a sétima temporada venha melhor ainda.

  11. Rodrigo B.

    Antes de tudo, belo texto Thiago.

    Pois é…Jack desviando de todos os tiros, mas com a pontaria em dia, amigo legal do Bauer tendo morte heróica, personagem “do mal” infiltrado em algum núcleo…enfim, clichês da série em demasia, mas no final das contas, well…eu gostei.

    E não que eu tenha achado a parte da África ruim, mas eu curti muito mais o que estava rolando em Washington. Ver Noah dificultando as coisas pra nova presidente me faz pensar que ele possa ter alguma coisa a ver com o que acontece em Sangala. Acho que ainda veremos Powers Boothe na sétima temporada…

    E gostei de Allison Taylor. Já começou fazendo o contra-ponto a Daniels, o que é curioso, porque essa é a primeira vez na série que eles colocam o democrata como o “vilão” da questão. E parece ser a primeira vez que um republicano será “tratado bem” pela série, afinal Keeler mal aparecia e Logan se revelou um grande fdp.

    A trama na África foi legal. As conversas entre o Jack e o Carl, as boas sequências de ação, tudo na medida certa. Gostei do que vi, embora sentisse falta do clima “urbano” da série e de outros núcleos com os quais Jack pudesse interagir, e até por isso acho que será uma boa idéia ver Jack em Washington na sétima temporada. A dinâmica da série tem tudo pra ficar melhor ainda concentrando os personagens em uma cidade só.

    Enfim…acho que “Redemption” fez o que seria mais importante nesse momento: matar a saudade dos fãs e lembrá-los de que a série talvez ainda tenha alguma lenha pra queimar. Quer dizer, isso depende das conclusões que cada um tirou do telefime. Eu acho que a série ainda é capaz de fazer alguns roteiros bons, mas acho improvável que ela mantenha uma regularidade depois de tanto tempo. Mas enfim…estarei lá na estréia esperando que a série me dê algum motivo pra continuar sendo assistida.

    Cavalca,

    Realmente, a sua conta parece bem certinha. Tirar pelos mandatos presidenciais foi uma boa idéia. Eu lembro que da nas comunidades da série do orkut as pessoas faziam altas contas pra descobrir quanto tempo se passou, somando quanto tempo a série indicava que havia se passado de uma temporada pra outra, mas esse é um momento em que é bem mais lógico usar a linha de raciocínio que você usou.

    Fernado dos Santos,

    Eu nem acredito muito que a série se importe em estabelecer em que ano as coisas acontecem. Acho que é até meio prejudicial pra eles lidarem com o fato de que os personagens envelhecem. Tipo…o Jack já deve ter lá seus 50 anos, a Kim, se aparecer nessa temporada, já terá 30. Acho que, no fundo, os produtores não tentam se ligar nisso e procuram abstrair isso em nome da história.

    No entanto, uma vez eu li alguém comentar algo interessante: no episódio 2×20, a partir do minuto 17, o Palmer conversa com o Aaron e pergunta há quanto tempo ele está na Casa Branca, e ele responde que chegou no segundo mandato de Reagan(que foi de 88 a 92, certo?). Palmer então comenta depois sobre o fato de ele(Aaron) trabalhar lá há quase 20 anos(“nearly 20 years”).

    Sabemos que a segunda temporada ocorre no ano sequinte a um ano de eleição. Se Aaron diz que chegou em 88, aquele ano só poderia ser 2001 ou 2005, mas eu acho meio difícil que as pessoas se refiram a 13 anos como “quase 20”. Então, eu fico com a suposição que eles estavam em 2005, e que a série teria iniciado sua trajetória em 2004. Portanto, ao meu ver, estaríamos em 2018.

    Quer dizer, como eu já disse, acho que os roteiristas da série não tão nem aí pra isso, e acho que eles até deixaram essa menção a Reagan escapar de bobeira, sem nenhuma pretensão de estabelecer qualquer coisa, mas é inegável que dá pra se fazer suposições a partir dessa fala.

  12. Rodrigo B.

    Aliás, obviamente eu fiz a conta errada. Pelo raciocínio depreendido do post do Cavalca, estaríamos em 2017, não em 2018.

  13. Celso

    Pô pessoal,
    Só pensar, o presidente Noah não conseguiu se reeleger e considerando que ele assumiu no 1o. ano da morte do antigo presidente, portanto temos no máximo 5 anos.
    Vocês viram mesmo o filme ou estão dando opiniões a esmo?

  14. Rodrigo B.

    Celso,

    Não entendi o que você está falando. Como assim 5 anos? Ele assumiu depois que o Wayne saiu(nunca foi falado se ele morreu) e cumpriu o restante do mandato até o final(os 3 anos e pouco que restavam).

    Você entende que os mandatos presidenciais nos EUA duram 4 anos ou está dando opiniões a esmo?

  15. cavalca

    Eles não são presos à situar a história em determinado ano. Honestamente, eu acho que a primeira temporada se passa lá pela metade dos anos 90. A CTU e os equipamentos dela, etc, são bem pobrinhos pra 2001.

  16. Evandro Viveiros

    Galerinha,

    Me teletransportei pros EUA e pude conferir o “filme”…
    É assaz empolgante e não deve ser passar muito depois da sexta temporada pelo que pude ver… no máximo dois anos…
    Não é boring, e abre muitas pontas para a temporada completa de 24…

  17. Leo

    Acabei de ver os primeiros 17 minutos da 7a de 24. Francamente, não tem como não gostar dessa série. A produção é impecável e a historia é super envolvente, mesmo constantemente mudando de personagens. As 1as 5 temporadas são excelentes, e a 6a cai muuuuuito, mas é com certeza uma das melhores séries de hoje e de todos os tempos.

  18. Marcos

    cansou de que? Engraçado, ninguem reclamou que 24 horas tava cansativo depois da magnifica 5a temporada, agora depois da irregular (e horrivel) sexta temporada, todo mundo cai de pau na série. O filme é apenas bom, nada de mais, servia mais como um ”1 ano fora do ar? Vamos dar aos fãs um filminho”, mas funciona perfeitamente como preparativo para 7a temporada. O elenco é de primeira e Jack Bauer é iconico. 24 horas continua sendo uma das melhores e mais populares séries de todos os tempos, e não poderia estar mais ansioso para dia 11 de janeiro.

  19. Fernando dos Santos

    Rodrigo B.,
    achei seu comentário bem fundamentado, quero apenas fazer uma correção.O segundo mandato de Reagan foi de 84 a 88.O mandato seguinte(88-92) foi de George Bush Senior.

  20. Rodrigo B.

    Fernando dos Santos,

    Jurava que Reagan era de 84-92 e que o Bush pai tivesse tido um mandato de 92-96(mas aí era o Clinton, né?). Que vacilo da minha parte. Mas enfim, então é só subtrair 4 anos de tudo que eu falei lá.

    Valeu mesmo pelo aviso, Fernando.

  21. Pingback: A redenção de Jack Bauer | Rodrigo Flausino

  22. Diogo Cardoso

    Com todos os méritos que a produção deste filme tenha, foi um desperdicio de dinheiro. Ritmo lento, falta de acção, história pouco original. Parece impossível que os responsáveis pela 5ª temporada de 24, uma das melhores coisas que já vi em televisão, sejam também responsáveis por essa perda de tempo que foi 24: Redemption. Uma prequela perfeitamente desnecessária e sem qualquer ponto de interesse. Salva-se a fotografia e direcção artística, mas mesmo essas podem ser criticas, por fugirem muito do normal em 24.

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