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Reviews

Review: Friday Night Lights – Blinders

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Cena de Blinders
Série: Friday Night Lights
Episódio: Blinders
Temporada:
Número do Episódio: 15
Data de Exibição nos EUA: 7/2/2007
Data de Exibição no Brasil: 21/9/2007
Emissora no Brasil: Sony

Semana passada, em Upping the Ante, critiquei Friday Night Lights por abordar de forma trivial o tema banal da popularidade. Agora as coisas mudaram. Em Blinders, a série se arrisca a abordar um tema é quase um tabu para os dramas teen americanos: o racismo.

Se a questão do racismo é difícil de ser abordada em qualquer série de TV, imagine então junto ao público jovem. As questões de raça em dramas teen geralmente são deixadas de lado ou acabam maquiadas, sendo abordadas como questões de conflito social.

Foi assim por exemplo com a moralista Barrados no Baile. Em um arco da terceira temporada da série havia um conflito entre os ricos estudantes da West Beverly e os pobres da Shaw High – resolvida em um tenso mas pacífico baile coordenado por Brandon Walsh. O mesmo acontece em Veronica Mars. Os oprimidos da escola Neptune High são os bikers latinos e o negro de classe média Wallace Fennel. Mas o conflitos na escola giram mais em torno deles estarem à margem por serem pobres (ou no caso de Wallace por ser um calouro) do que necessariamente por serem latinos ou negros.

Friday Night Lights topou o desafio de abordar o assunto de frente, aprofundando outro tema também aparecia de forma latente nos outros episódios da série e que também está presente na obra de H.G. Bissinger (que gerou o filme e a série). Aqui ele nasce de um comentário infeliz do auxiliar técnico Mac McGill e explode em um motim organizado por Smash.

A trama é corajosa e duvido que ninguém tenha ficado empolgado com o cliffhanger lançado para a próxima semana. Mas a isca lançada para abordar a questão é realmente frágil, e isto é uma pena. Repare, os Panthers estão nos playoffs, venceram uma grande partida, o clima era de festa, e naquele momento nem o mais sacana dos jornalistas conduziria uma entrevista daquela forma e nunca que um profissional veterano se deixaria conduzir por uma entrevista daquele jeito. Como disse, a questão da raça é recorrente em Friday Night Lights mas nunca se fez manifesta de forma que justificasse este episódio – por exemplo, se havia algum tabu em se escalar um QB negro ela tinha que ter sido abordada quando Voodoo estava chegando ao time, não uma dezena de episódios após sua saída.

Cena de BlindersÉ difícil ignorar que o tema do racismo não foi abordado com naturalidade. Ele aparece aqui para movimentar a série, provocar a audiência e ganhar a mídia. E deu certo. O arco formado pelos episódios Blinders e Black Eyes & Broken Hearts colocou alguma luz sobre a série e gerou alguma discussão na imprensa americana.

É mais um sinal de que a série estava reagindo a iminência do cancelamento. É típico da indústria da TV e nem sempre é uma coisa agradável. E aqui até não foi de todo ruim, mas em outras circunstâncias poderia ter sido bem melhor.

***

Pra não dizer que não falei dos outros: tivemos ótimas cenas e situações cômicas decorrentes do tal “jogo pó-de-arroz” (envolvendo Julie e Matt, Julie e o pai, Tyra e Lyla e coach e Landry) e um desperdício de trama na volta de Jason Street a escola – tantas boas formas de fazê-lo se sentir inadequado no ambiente escolar e tudo que os roteiristas foi exibí-lo tendo dificuldades para dissecar um sapo?

MVP: Gaius Charles.

Séries citadas:

É jornalista, pós-graduado em Jornalismo Digital pela Pucrs e trabalha com produção de conteúdo para Internet desde 1995. É editor de internet do Jornal do Comércio, de Porto Alegre. Fundou o TeleSéries em agosto de 2002. Na época, era fã de The West Wing, The Shield, Família Soprano e Ed. Atualmente é viciado em The Good Wife, NCIS, Game of Thrones e Parks and Recreation.

4 Comments

  1. Thomaz Jr

    Minha euforia com FNL diminuiu. Os episódios não estão mto empolgantes.
    O “jogo pó-de-arroz” foi ridiculo. Ache que iriam explorar os contrastes entre Tyra e Julie, isso seria mto bom. FNL tem tanta possiblidades no roteiro, é uma série aberta, os personagens estão lá. E me vem com esse “jogo pó-de-arroz”.
    Apesar de forçada a bordagem racial foi enovadora.

  2. João da Silva

    A série fez certo em mostrar o jogo pó-de-arroz, já que este tipo de jogo realmente ocorre nos EUA (embora não necessariamente exatamente da mesma forma como foi mostrado no episódio).

  3. Pedro Jayme

    E ainda por cima no pó de arroz, cade os planos fechados em Lyla, Julie e Tyra de shortinho? Assim não dá!

  4. Giselle Bauer

    Eu gostei deste episódio foi melhor do que o da semana passada.Tô louca pra ver no que vai dar o motim.E gostei como o racismo foi abordado.E nem
    sabia que existia este jogo pó-de-arroz então pra mim a série fez bem em mostrar.Agora já sei o que é.

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