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‘One Big Happy’, a sitcom que deixaria Silas Malafaia de cabelo em pé

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A grande polêmica do mês de março na TV brasileira foi o beijo das personagens de Fernanda Montenegro e Nathália Timberg na novela Babilônia. A cena provocou reações entre o público conservador e levou o Pastor Silas Malafaia a declarar em um artigo públicado no site Verdade Gospel:

“Nos EUA, que é o país mais democrático do mundo, não existe nenhuma possibilidade que entre às 21h e 22h horas, quando ainda muitas crianças e adolescente estão acordados, a televisão mostre a imoralidade como a TV brasileira mostra.”

O Pastor não sabe de nada e você sabe disto!

Entre às 21h e 22h, e mesmo antes deste horário, o telespectador norte-americano vê regularmente na TV americana personagens gays bem-resolvidos em Modern Family, Grey’s Anatomy, Glee e diversas outras séries.

Em texto publicado no TeleSéries em fevereiro de 2014, fiz um levantamento e mostrei que lá fora o primeiro beijo entre duas mulheres numa série de ficção já tem mais de 24 anos (ou 18 se considerarmos o primeiro casal assumidamente homossexual).

Agora mesmo temos no ar uma nova comédia na TV americana que ofenderia de morte o nosso Pastor e seus fiéis: One Big Happy. Na sitcom, exibida pela rede NBC (na faixa das 21h30!), temos um novo tipo de família disfuncional. A série mostra dois amigos que ao chegar aos 30 anos solteiros decidem ter um bebê juntos por inseminação artificial. A garota é lésbica e o rapaz, sem saber que a inseminação foi bem sucedida, acaba se casando com outra garota. Os três agora vivem sob o mesmo teto e é deste arranjo incomum que a produtora e roteirista Liz Feldman (de 2 Broke Girls) quer fazer humor.

O plot é desafiador e interessante. A execução necessariamente não. A começar pelo elenco. Nick Zano é um ex-galã de séries teen, bonitão e com bom timing de comédia (foi revelado na divertidíssima What I Like about You), mas não me parece uma boa escolha como protagonista. Já Elisha Cuthbert, a ex-irritante filha de Jack Bauer em 24 Horas, já provou que tem timing pra comédia na cultuada Happy Endings. A questão é se ela convence no papel de uma lésbica. Sinceramente? Achei ela deslocada no primeiro episódio, mas bem mais segura no segundo programa.

One Big Happy

Surpresa mesmo foi a escolhida pra fechar este triângulo familiar: a atriz e modelo britânica Kelly Brook. Kelly já tem um bom currículo em TV – começou nos EUA em Smallville – mas é uma novata em comédias gravadas com três câmeras. Sua personagem, Prudence, é extravagante, carinhosa, exagerada (chega a aparecer nua em cena) e ela incorpora o papel com muita graça. Brook é linda, e é grande – especialmente ao lado de Elisha – e me lembrou bastante em cena outra boa atriz de comédia, Bianca Kajlich (de Rules of Engagement e Undateable, série que faz dupla com One Big Happy na grade da NBC).

Recebi One Big Happy sob certa desconfiança. O plot me empolga. Me lembra The New Normal, a comédia do Ryan Murphy que abordava a questão da barriga de aluguel e da adoção homoafetiva. Mas como The New Normal senti que falta um pouco de gás. Por um lado quero ver como a história se desdobra, por outro não me empolguei com os personagens a ponto de me interessar por eles.

onebighappy2

É uma série que precisar ser avaliada um pouco mais. E mesmo que fique pouco tempo no ar (One Big Happy teve uma estreia sólida, mas perdeu uma boa fatia de audiência nas duas últimas semanas), fico feliz que este tipo de construção familiar seja visto na TV, tratado com humor, como um sitcom familiar igual a qualquer outras.

Chupa Malafaia!

* * *

One Big Happy estreou no dia 17 de março nos EUA, pela rede NBC. Ainda não há previsão de exibição no Brasil.

Séries citadas:

É jornalista, pós-graduado em Jornalismo Digital pela Pucrs e trabalha com produção de conteúdo para Internet desde 1995. É editor de internet do Jornal do Comércio, de Porto Alegre. Fundou o TeleSéries em agosto de 2002. Na época, era fã de The West Wing, The Shield, Família Soprano e Ed. Atualmente é viciado em The Good Wife, NCIS, Game of Thrones e Parks and Recreation.

3 Comments

  1. Observador

    O que muitos religiosos conservadores (por que não chamá-los fundamentalistas?) despercebem é que a liberdade de expressão, que eles tanto querem, é para todos e não somente para eles. Caso não queiram assistir algo que viole sua consciência “aprimorada” pela religiosidade, cabe-lhes mudar de canal ou simplesmente desligar o televisor. Sou cristão (não católico ou evangélico, o que é uma falsa dicotomia, pois existem grupos religiosos menores que também afirmam ser cristãos) e procuro ser seletivo naquilo que vejo e escuto. Porém, não me importo se a novela X ou o filme Y contenham uma cena que não está de acordo com minhas crenças. Nenhum cristão deveria impor seu modo de pensar e viver para a sociedade como um todo. A história do primitivo Cristianismo (o do século I, fundado realmente por Jesus Cristo) confirma isso. Embora aqueles cristãos vivessem em um mundo cheio de vícios e excessos que não estavam de acordo com suas crenças e práticas, eles nunca impunham seus valores para a sociedade da época. Viviam suas crenças à nível pessoal e congregacional. Como cristão, procuro fazer o mesmo.

  2. Paullo Mendonça

    Nossa, seu comentário é perfeito! Posso compartilhar?? rsrsrs

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