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Especiais Opinião

Eu assisti aos programas do Letterman e do Leno

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Bruno Motta na frente do Ed Sullivan Theater em Nova York

Estive nos EUA mês passado e assisti a gravação do Late Show com Dave Letterman em Nova York, e de seu principal concorrente, Jay Leno, que comanda o Tonight Show diretamente de Los Angeles. Embora arqui-rivais e gravados em regiões diametralmente opostas os programas são, em resumo, muito semelhantes – tanto no processo de gravação quanto em conteúdo.

De cara, a principal diferença: assistir ao Letterman é muito, muito dificil. Como eu não pertencia a nenhuma “caravana” previamente agendada, tive que tentar uma vaga reserva ligando para um número de telefone num horário pré-determinado (11h da manhã). Conseguir falar no tal número é tão dificil como tentar uma participação ao vivo num programa de prêmios.

Tentei, tentei, tentei… às 11h09, exatamente, consegui falar com uma humana, que logo após perguntar meu nome, me avisou que eu deveria responder uma pergunta-trivia para ter direito ao convite. Juro que chutei qualquer coisa meio enrolada, quando ela me perguntou quem era uma determinada pessoa no show. A resposta foi um confuso: “… writer… producer!” E devo ter acertado, já que ganhei um numero (27) e um aviso: estar pontualmente as 15hs na loja ao lado do teatro. Chegando, descubro 26 outros fãs no banco de reserva, todos já melhores amigos dividindo suas histórias. Havia quem estava tentando pela quinta, sexta vez. Gente de fora da cidade, do Estado, de outros países. Uma dinamarquesa tentava pela sétima vez. Nessa oportunidade, depositava suas esperanças no fato de ter o número mais baixo de todas as outras vezes: 29. Dois a mais que eu. Tive sorte.

Os jovens produtores, provavelmente estagiários, todos vestindo a jaqueta do programa, ensaiam e instruem a platéia na calçada. Nós não fazemos parte desse privilegiado grupo. Pesquisando, descubro a convidada da noite (Renée Zellweger) e que normalmente apenas 10 pessoas na minha situação entram no auditório, às vezes nem isso. Esperamos. Até que, as 15h30, em fila indiana, somos contados (25, no total. Alguns desistiram) e conduzidos até uma segunda fila. A dinamarquesa comemora: nunca havia passado para essa “fase”. Os estagiários se espantam: 25 pessoas da lista de espera vão entrar hoje? Isso não é comum!

Já para a gravação de Leno foi tudo bem mais fácil. Durante o típico passeio turístico na Universal Studios de Los Angeles, uma pequena cabine oferece tickets pra alguns programas de TV. Quantos você quiser, para o dia que quiser. Assim, na moleza, levei um par de ingressos cor-de-rosa com entrada garantida para assistir ao Tonight Show, dos estúdios da NBC. O convidado principal era Dennis Quaid, nos informa o site com instruções de como chegar em Burbank, à meia hora da calçada da fama, onde também é gravado, entre outros, o programa da Ellen Degeneres. Tentei ingressos para o programa da loira (do qual sou verdadeiramente fã) mas parece que, mesmo não sendo uma atração do horário nobre, é um dos mais concorridos. Apenas por telefone e com grupos maiores que 10 pessoas. Pelo menos a Warner já começou a transmitir o programa no Brasil, uma das atrações mais simpáticas da TV americana dos últimos anos.

Além da distância geográfica entre NY e LA, pouca diferença. Os dois apresentadores conversam e aquecem a platéia antes de tudo, garantindo, dessa forma, que o audiência presente no estúdio esteja do lado deles – e assim fica explicada a euforia da platéia no vídeo, mesmo diante de piadas que não tem assim tanta graça. O programa é feito numa técnica chamada por eles de “live on tape”, isto é, é tudo feito como se fosse ao vivo, sem interrupções. Ao contrário do Brasil, essa metodologia é levada a sério: ambos os shows começam pontualmente às 17hs, e um relógio no canto do estúdio marca o compasso da gravação. Sem cortes, sem edição, sem parar nem pra ir ao banheiro (a platéia é avisada antes: ou vai agora ou vai depois!).

Confesso que sou Letermanista, e toda a história de como Jay Leno ocupou o Johnny Carson, tomando a vaga que seria de Dave teve grande importância em minhas preferências. Leno, porém, é bastante simpático com a platéia. Seu carisma, ao vivo, é impressionante – talvez porque tenha exercitado muito mais seu lado de comediante stand up do que Letterman, que cedo deixou os palcos pra se dedicar a TV. Mas isso é ao vivo. No ar, a coisa muda: toda a contenção e a ironia seca de Letterman são muito mais aproveitados no vídeo, chegando integralmente pra quem está em casa. Já o charme de Jay Leno fica nos estúdios, e pouco disso passa para o telespectador. Leno parece, pela TV, um cunhado, um tio engraçadinho. Letterman aparece sempre ácido, irônico, dividindo com o espectador reações de espanto, surpresa e deboche – mesmo que seu gênio ousado e irreverente tenha diminuido substancialmente com o passar dos anos.

Bruno Motta nos estúdios da NBC em Los Angeles

Outros registros da viagem do Bruno Motta podem ser lidos em seu weblog no endereço BrunoMotta.com.br

19 Comments

  1. Carina Medeiros

    Inveja branca (isto existe?). Que sorte vc conseguir ir para o David (do qual, particularmente, adoro!)!! :))

  2. Patinha

    É impressão minha ou o Programa do Jô é uma imitação escrachada do programa do do Letterman? O cenário, as piadas, a interação direto com o público presente, a banda à esquerda do vídeo, a interação com essa banda, o sofazinho dos entrevistados, a caneca etc. etc. etc.

    Ou só sou eu que reparo essas coisas?

  3. Rafael B.

    nunca cheguei aver um programa completo do jay leno, só algumas entrevistas e achei bem massa. e o letterman não tem o que fala MUITO ENGRAÇADO. e ellen to vendo todo dia desde que começou na warner, o melhor do programa dela é que tudo eles dão prêmios, viagens, tevês e etc…

  4. Rafael B.

    e respondendo a pergunta, o programa do jô é uma clara tentativa de um programa de entrevistas como o do jay leno, letterman, jimmy kimel… que clatamente não deu certo.

  5. Paulo Antunes

    Patinha,
    A fórmula do talk show, que o Jô segue tal e qual, vem do Tonight Show, quando era apresentado pelo Johnny Carson, que o Bruno cita no texto.

    O que se diz é que todos apresentadores de talk show (do Letterman ao Jô) devem muito ao Carson.

  6. Paulo Antunes

    Rafael B.
    Que maldade: o programa do Jô está no ar há mais de 20 anos, somados SBT e Globo. É um sucesso incontestável.

  7. Patinha

    Paulo, obrigada pelo esclarecimento. Uma perguntinha: não foi o Tonight Show que “revelou” Jerry Seinfeld? By the way, eu amava o seriado Seinfeld!

    E, Rafael, concordo com o Paulo, imitação ou não, o tempo de “estrada” do Jô e seu público cativo são provas inegáveis de que o programa dele é sim um sucesso, goste-se ou não do formato ou do apresentador.

  8. Paulo Fiaes

    bom texto,
    n vou mentir q desde q vi studio60(a série com Mathhew Perry), eu me vejo trabalhando como roteirista em algum programa(ou série) grande lá fora. Quem sabe um dia isso não acontece.
    abraços!

  9. Bruno Motta

    Legal que todo mundo gostou! Mais tarde eu volto e comento mais, pq to viajando. Se quiserem, podem fazer perguntas que eu mato as curiosidades. Detalhe: a banda do Jo, este ano, mudou para a direita.

    E sim, eu comprei uma caneca do Letterman!

  10. Pingback: Teleseries via Rec6

  11. Giselle

    Muito legal Bruno. Bacana o seu relato.
    Quando eu estive em NY bati uma foto em frente do teatro aonde é gravado o Late Show mas infelizmente não tive a oportunidade de ver uma gravação mas um dia eu chego lá.
    Também pretendo conhecer LA e quem sabe eu não vejo o Jay Leno?
    Parabéns Bruno!

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