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Séries & Eu – A pulseirinha e a Natalie Portman

Quem diria que uma pulseirinha feita de papel vagabundo seria tão valiosa? Esse foi meu tesouro daquele 4 de março, do já longínquo ano de 2006. E apesar do tempo que se passou desde então, eu poderia passar horas descrevendo cada momento daquele sábado incrível, no qual eu fui assistir a gravação do Saturday Night Live.

Há muito, muito tempo, através de um site chamado TVSN, no qual eu escrevia uma série virtual (que reprisamos aqui no TeleSéries, inclusive), eu conheci uma atriz que logo em seguida passei a admirar: Natalie Portman. Sem qualquer pose de diva, Natalie conquistou com sua simplicidade e pela verocidade naquilo que faz, e isso muito antes de ganhar um Oscar por Black Swan.Então, vocês podem imaginar qual foi minha alegria ao descobrir que Portman seria a convidada de um dos meus programas de humor favorito, o Saturday Night Live. Plus: eu estava morando em Boston na época, de forma que eu poderia ver a gravação do programa. Double win.

E foi nesse clima de felicidade que eu sai de Boston em uma sexta-feira à noite com destino a Nova York, onde desembarquei às 3 da manhã. Vagando pela cidade iluminada pelos letreiros da Times Square, venci o medo e o frio de menos 15 graus e fiquei mais de 3 horas na calçada do Rockfeller Plaza, esperando para pegar a senha que me daria acesso à gravação do programa da NBC. E já nessa fila eu encontrei várias pessoas que, além de curtirem o SNL, estavam ali pela Natalie, ou pelo Fall Out Boy, o convidado musical daquele programa.

Depois da viagem e do chá de fila, consegui ficar em 26° na lista de espera. A posição não era lá muito esperançosa, mas depois das peripécias para chegar até ali eu não poderia simplesmente virar as costas e voltar à Boston. Então, mantive a esperança no peito, a cabeça sonhadora erguida e voltei à NBC no horário marcado, na noite de sábado. E ao entrar novamente no Rockfeller Plaza eu comecei a perceber por que, para muitos, aquele era o lugar mais perfeito para passar a noite.

Mas nem tudo eram flores, e a funcionária responsável pela lista de espera não nos deu muita esperança. Diversas vezes eu cheguei a pensar que tudo estaria acabado ali mesmo. Só que a fila andou, reacendendo as esperanças do pessoal, e parou no… 25! Claro! Tinha que ser, né? Meio derrotada, eu fechei os olhos e acabei admitindo para mim mesma que sim, a experiência tinha valido a pena, ainda assim.

Só que eu havia desistido muito cedo: na sequência, fomos informados de que havia mais dois lugares na plateia. E rapidamente eu fui conduzida até o estúdio. Muita correria e uma pulseirinha de identificação depois, lá estava o assento, bem em frente ao palco reservado para alguém importante. Como eu soube disso? Por que fiquei a poucas cadeiras dos pais da Natalie!

Logo Lorne Michaels, o criador do SNL, checou tudo de perto, afinal seu show estava a poucos minutos de começar. A equipe terminava de preparar o cenário quando eu finalmente me sentei. A banda, para aquecer, estava tocando uma música, e uma mulher gritava os minutos decrescentemente.

“15 segundos” – ela grita. Meu coração acelera. Adrenalina e alívio se misturam. Depois de observar atentamente todo o processo de preparação, aos poucos o sonho foi se tornando cada vez mais real. Era aquilo, era ali! Eu estava na NBC, num sábado a noite. E a plaquinha de aplauso piscou quando o show começou, mas aposto que não era preciso que ninguém fosse lembrado de aplaudir.

Após a abertura, Natalie foi anunciada, e eu encarei a porta pela qual ela entraria no palco como se minha vida dependesse daquilo. Alguns pouco segundos depois, ela estava ali, na minha frente. Do jeito que eu imaginei: pequenininha, magrinha, tão branca que até iluminava o ambiente. Aquela era a Natalie das revistas, dos filmes, da tv. Mas havia nela algo de novo: para mim, agora, ela passava a ser uma pessoa como outra qualquer, uma pessoa feita de carne e osso e sem o glamour de Hollywood nas veias.

E a sensação de “velhas amigas” só aumentou quando ela, durante o intervalo antes do anúncio do Fall Out Boy e embora um pouco incomodada com as fortes luzes sobre ela, abriu um sorriso tímido e acenou, soltando um amável “Hi, mommy!”. A platéia reagiu com um sonoro “aaaaaaaaaaaawwww”. A mãe dela mandou um beijinho, e Natalie, sorrindo, falou “I love you” enquanto desenhava um coração no ar. Tem como não amar de montão?

O restante das gravações também foi perfeito. Eu dei muita, mas muita risada. E no meio do riso, me peguei muitas vezes tentando acordar. A boa notícia é que, naquele instante, o sonho havia se tornado realidade.

Infelizmente, fotos eram proibidas dentro do estúdio. E antes das gravações começarem a tensão pela espera e o medo de ficar de fora acabaram fazendo com que eu esquecesse de bater fotos. A única foto que tenho é a que encabeça esse post, do papel vagabundo mais valioso do mundo.

Mas, quer saber? Não importa. Ficou tudo na minha mente. E no meu coração. E desde então eu posso gritar pros quatro ventos “Live from New York that was a Saturday Night que eu NUNCA vou esquecer”.

*Esse texto foi escrito pela Maria Clara Lima, que além de reviewer de Bones aqui do TeleSéries é também fã como a gente. E suas experiências como “tiete” inauguram a nova coluna do site. Se você também tem uma história bacana envolvendo seriados para contar, entre em contato conosco através de teleseries@teleseries.com.br. Vamos adorar publicá-la.

Ah, e em 15 dias tem mais. E dessa vez as lembranças serão de uma fã de Chuck, que conheceu um dos atores do seriado. Curiosos? Até mais!

Séries citadas:

Os textos assinados pela Redaçao TeleSéries são textos de autoria coletiva ou notícias escritas por um redator anônimo, mas sempre revisadas com a máxima precisão jornalística.

4 Comments

  1. pedroluiz02

    Poxa , Clarinha; pena que só o detonaseries tinha o SNL completo; a sony tira 30 minutos de gravação; vc se lembra quem eram do cast principal na epoca ? Teve uma epoca que quase fui no Late Show.. Belo texto..

  2. Maria Clara Lima

    Sim! Era quanto tinha a Amy, Maya, Seth, Kenan, desses eu fiquei pertinho. Eu baixei esse episódio depois, mas não deu para me localizar na plateia pois eu estava na parte de cima. Se você não lembra, esse episódio é o do tal vídeo da Natalie cantando um rap. Hilário.

  3. Raquel Perez

    Maravilha de texto!! Faz a gente ficar torcendo junto com você, segundo a segundo. E que experiência fantástica, Clarinha, ter conseguido ver o programa justo com a Natalie Portman!!

  4. Arthur de Melo

    Gente, que luxo! Hahaha Muito legal essa sua experiência, muito bacana. Nem deu para pegar autógrafo né?

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