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Opinião

Welcome to The City

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Deep in the City

Adoro Medium, gosto de Out of Practice, respeito Invasion e Everybody Hates Chris, simpatizo com Supernatural e gostaria muito mais de Close to Home se a Annabeth perdesse de vez em quando. Mas tem uma outra série que estreou em novembro no Brasil que simplesmente me empolgou tanto que me fez abandonar o velho hábito de dormir até tarde nos sábados e domingos: Deep in the City.

Deep in the City, ou The City, seu título original, é uma das mais bem acabadas produções da televisão canadense. Teve duas temporadas exibidas entre 1999 e 2000, 33 episódios e vai ao ar no Brasil aos sábados e domingos, às 9h30 da manhã (um episódio diferente a cada manhã) na Warner Channel. O último episódio foi ao ar no sábado e o primeiro reprisou neste domingo. Mas perder o piloto não é o fim do mundo. Eu perdi da primeira vez, mas ainda assim rapidamente captei o espírito da série no segundo programa.

A série segue uma lógica de telenovela, acompanhando a vida de diversos personagens que formam dois ou três diferentes núcleos e que aparentemente tem em comum apenas o fato de viverem na mesma cidade, a gélida Toronto, mas que bem poderia ser qualquer outra metrópole do mundo. Um crime no primeiro episódio, no entanto, cria os laços que amarram as histórias de todos esses diferentes personagens: a rica candidata a vereadora (a maravilhosa Torri Higginson, atualmente em Stargate Atlantis), seu marido empreiteiro (John Ralston), o padre alcoolista e humanitário (o competente Aidan Devide, vencedor de dois Gemini Awards, o Emmy canadense), a jovem mãe solteira e pobre (Robin Brûlé), sua mãe prostituta (Shannon Lawson), o policial violento (Shawn Doyle), um traficante barato (Jody Racicot) e um mendigo que tem a incrível habilidade de estar sempre presente na hora errada (o veterano e excelente Michael Sarrazin), entre diversos outros. Acredite, a série consegue de forma incrível criar tramas para todos estes personagens e costurar todas estas histórias entre si, sem perder a continuidade ao longo dos episódios. Os diálogos são bons, em alguns momentos brilhantes.

A primeira temporada, com 13 episódios, é incrível e tem um ritmo vigoroso, de fazer inveja a qualquer bom seriado americano. No segundo ano o seriado perde a força, desfalcado de parte do elenco (em especial sem Aidan Devine), o que provoca uma série de mudanças. A cidade deixa de ser um organismo vivo e vira um cenário. Com menos personagens, as tramas paralelas diminuem e os episódios tendem a ser fechados em si e temáticos. Pior, logo no início da temporada, Deep in the City dá a impressão de que irá se tornar uma série policial trivial, o que felizmente não ocorre.

Vale lembrar que este foi o mesmo dilema da inesquecível Boomtown, cuja segunda temporada nunca foi exibida no Brasil. E eis aí uma boa definição: Deep in the City é uma espécie de Boomtown, mais novelesca e menos sofisticada.

A segunda temporada, apesar de mais fraca, tem momentos brilhantes: em um episódio o vilão barato Crispin seqüestra um carro forte, mas um segurança se tranca dentro do carro e os dois travam então uma longa guerra psicológica pela liberdade e pelo dinheiro. Em outro, três grupos de personagens que se odeiam ficam presos em um mesmo lugar durante uma tempestade de neve e entram em uma forçada e longa terapia de grupo, que passa a ser também uma luta pela sobrevivência no frio.

Deep in the City tem lá seus furos e seus esquemas, mas é muito bacana. E volta e meia alcança momentos de originalidade como pouco se vê atualmente – acredite, eles exibiram um concurso de strip tease em uma igreja, um episódio sobre funcionários públicos que fazem sexo no elevador da repartição, uma invasão de sem-tetos na prefeitura, um homossexual que apanha do namorado e encerraram a série abordando os traumas que o abuso sexual de menores pode causar. Não é pouca coisa.

Isto é Deep in the City.

Séries citadas:

É jornalista, pós-graduado em Jornalismo Digital pela Pucrs e trabalha com produção de conteúdo para Internet desde 1995. É editor de internet do Jornal do Comércio, de Porto Alegre. Fundou o TeleSéries em agosto de 2002. Na época, era fã de The West Wing, The Shield, Família Soprano e Ed. Atualmente é viciado em The Good Wife, NCIS, Game of Thrones e Parks and Recreation.

1 Comment

  1. Márcia Campos

    No sábado dia 27/01/2007 assisti a um episódio de Deep in the City onde ocorre uma Nevasca.
    O ex marido e o namorado de Katherine ficam presos no elevador juntamente com um homem que está levando um piano.
    Eles cantam uma música onde repetem o trecho “the coldest night of year”, que eu acredito ser o título.
    Alqguém pode me informar qual é a temporada que está passando e onde eu consigo a trilha sonora.
    A música é lindíssima!!!

    Agradeço.

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