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Opinião

‘Unbreakable Kimmy Schmidt’, um balanço da temporada

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Tina Fey se estabeleceu como um dos principais nomes da comédia atualmente, chegando ao ponto de conseguir vender qualquer coisa com seu nome (do mesmo modo que caras como J.J. Abrams e Joss Whedon) e mais uma vez ela acerta em cheio com Unbreakable Kimmy Schmidt, nova série original da Netflix que tem potencial para entrar na lista de maiores comédias da TV americana.

Criada em parceria com Robert Carlock (quem co-escreveu 30 Rock com Tina) a série conta a história de Kimmy Schmidt (Ellie Kemper), uma mulher que ficou presa durante 15 anos em um abrigo subterrâneo criado por um reverendo insano (interpretado brilhantemente por Jon Hamm) que convenceu ela e mais três mulheres de que o mundo havia acabado. A série começa quando ela sai do abrigo e descobre que o mundo ainda existe e está completamente diferente do que ela lembrava, e então acompanhamos sua jornada de adaptação nesse novo e estranho mundo.

Antes de qualquer coisa é necessário dizer: que surpresa ótima! Numa época em que está cada vez mais difícil de se encontrar comédias genuinamente boas na TV e que mereçam respeito, é extremamente reconfortante saber que nem tudo está perdido; Unbreakable Kimmy Schmidt se destaca como uma série puramente engraçada e com uma trama mais que original, que também é um diferencial essencial a se considerar, porque as tramas de comédias estão ficando mais e mais genéricas e cheias de fórmulas prontas – não à toa das várias séries que são lançadas todo ano e pouquíssimas se sobressaem. Depois de deixar isso ressaltado, vamos falar sobre os méritos específicos da série.

Primeiro vamos falar do roteiro que como foi evidenciado no parágrafo acima, é extremamente criativo e original. Abordar uma ex-membro de um culto apocalíptico tentando se readaptar ao mundo moderno já é uma premissa merecedora de aplausos, e fazer isso da forma como fizeram na série merece mais aplausos ainda, pois a série se permite ser nonsense e surreal o suficiente para abordar da melhor forma possível esse enredo nonsense e surreal. Tanto os personagens quanto as situações que eles vivem beiram o absurdo mas você aceita tudo isso tranquilamente porque, por mais absurdo que tudo seja, é tudo tão brilhantemente conduzido que em momento algum você pensa: “isso não faz sentido”.

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Grande parte da boa execução da história deve-se à excelência das performances dos atores. Ellie Kemper nasceu para interpretar Kimmy, capturando toda a ingenuidade e inocência da personagem, mas sem torná-la infantilóide ou irritante, pelo contrário; Kimmy é extremamente adorável e fácil de se apegar, com catchphrases extremamente cativantes (principalmente sua troca de palavrões por palavras mais suaves, como fudge) e seu modo especial e otimista de encarar a vida. Também merecem destaque os grandes coadjuvantes da série: Titus Burgess brilha como Titus Andromedon, o colega de quarto excêntrico de Kimmy que sonha em ser uma estrela da Broadway e que apoia Kimmy em todas as situações (por mais estranhas que elas possam parecer). Também deve-se destacar a incrível Carol Kane que interpreta Lillian, a senhoria do apartamento de Kimmy e Titus, uma senhora completamente louca e sem nenhum tipo de pudor mas que apesar de tudo gosta realmente de seus inquilinos. Mas o destaque com certeza vai para Jane Krakowski (famosa por interpretar Jenna Maroney em 30 Rock) que está simplesmente magnífica como Jacqueline Voorhess, socialite de Manhattan que contrata Kimmy como babá de seus filhos e sua assistente pessoal/melhor amiga e a coloca em situações das mais complicadas. Além de ser também a personagem com o background mais interessante da série (depois de Kimmy é claro): uma nativa americana que se reinventa negando suas origens mas que acaba as reencontrando da forma mais engraçada possível.

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Como as séries da Netflix tem toda a temporada disponibilizada de uma vez, é praticamente impossível resistir a uma maratona, e no caso de Unbreakable eu fiz questão de não resistir e posso afirmar sem medo: é a melhor série cômica estreante do ano e muito provavelmente uma das melhores feitas atualmente. A temporada é um pouco inconstante no quesito criatividade e na metade da temporada você acaba rindo menos, mas em momento algum você pensará “poxa, ficou ruim”. Pelo contrário; todos os episódios apresentam elementos interessantes e chegando no fim da temporada o nível de qualidade dispara, com episódios simplesmente fantásticas e cenas igualmente fantásticas, como o julgamento do reverendo Wayne, cuja advogada de acusação é ninguém menos que a própria rainha Tina Fey, que interpreta majestosamente uma advogada completamente incompetente e sem noção do que fazer. Também deve-se destacar o cuidado dos roteiristas ao introduzir e tirar personagens da trama, fatos que acontecem de forma natural e funcional, sem em momento algum parecer algo forçado.

Unbreakable Kimmy Schmidt teve uma estreia triunfante e tem tudo para se manter como parte do crème de la crème das séries de comédia atuais, e se você ainda não conferiu esse lindeza de série faça um favor a si mesmo e corra até o Netflix para também testemunhar o milagre que é Kimmy Schmidt (e confira a música-tema da série que com certeza vai ficar na sua cabeça por muito tempo).

Séries citadas:

Estudante de Produção Multimídia, cinéfilo de coração e futuro roteirista. Obcecado pelo Reino Unido e tudo que sai daquela ilha mágica, principalmente as séries, em especial Doctor Who, Sherlock e Downton Abbey. Também é apaixonado por animação, e sonha em ser roteirista de uma série animada.

4 Comments

  1. paty

    Não conhecia esta série…e que indicação legal para assistir…é espetacular..to adorando…valeu.

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