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True Blood – You Smell Like Dinner

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Série: True Blood
Episódio: You Smell Like Dinner
Temporada:
Número do Episódio: 4×02
Data de Exibição nos EUA: 03/07/2011

E não é que gostei deste segundo episódio de True Blood? Bem melhor do que o primeiro, soube usar de forma mais inteligente os personagens e conectar as tramas, sem falar que pareceu corrigir alguns erros que vinham me incomodando há tempos na série.

O principal deles era a personalidade da Sookie. A garota era totalmente dependente de Bill, fraca e submissa demais. Um péssimo exemplo para as mulheres aí afora que se encontram enredadas em relacionamentos abusivos. Mas nesse episódio Sookie se mostrou muito mais com o tipo de mulher que eu espero que ela seja. É claro que ninguém muda da água para o vinho da noite para o dia (precisava mesmo procurar a ajuda de Bill para se livrar de Eric?), mas ela esteve muito mais palatável.

Essa mudança na postura da personagem refletiu até na sua beleza exterior. Sookie deixou de parecer aquela mulher simplória do interior (que não sei por que motivo o povo insistia em vestir muito, muito mal) e irradiou simpatia e teimosia. Gostei de como se desculpou com Sam, pois ele sempre esteve ao lado dela e merecia mais do que mentiras (ela ainda não falou a verdade, mas pelo menos disse que um dia, quando pudesse, contaria o que de fato aconteceu). Também aplaudi o reencontro com Tara, que pode ser uma personagem que eu desprezo, mas que esteve dentro do esperado para uma amiga de longa data e como prima fiel com Lafayette.

Já a reação de Sookie com as investidas de Eric me incomodou um pouco, mas isso é porque eu sempre achei que os dois se completam e ficam muito melhores juntos do que ela com Bill. A verdade é que a implicância de Sookie com o vampiro louro tem tudo a ver com a relação dos dois até agora na série. Ele investe no que quer e não desiste, ela é teimosa como uma mula e não tem tantos motivos assim para confiar em Eric.

Mesmo assim não gostei da insinuação dele de que o interesse que tem em Sookie vem apenas do seu sangue de fada. Tampouco gostei de como a fizeram como uma humana fraca, com idéias e desejos patéticos, mas com um outro lado forte só por ser parte fada. Isso diminui a pessoa que Sookie é e o caráter que ela tem. Inclusive, se há uma coisa pela qual jamais perdoarei Alan Ball é por ter adiantado tanto a inclusão das fadas na história (ou melhor, da consciência da garota sobre o que é de verdade). Elas podem até ser um bom recurso no que diz respeito à guerra entre as facções pró e contra humanos, mas estragaram muito o crescimento da personagem principal da série. De alguma forma Sookie ficou reduzida a ‘sangue de fada’ aos olhos dos vampiros e isso diminui sua credibilidade como pessoa de caráter forte capaz de fazer os vampiros se interessarem por ela.

Bill me surpreendeu no episódio. Tenho que admitir que o reinado lhe fez muito bem, pois o vampiro está muito mais bonito do que nas três temporadas anteriores. Talvez tenha a ver com a mudança na sua expressão facial. Ninguém mais agüentava aquela cara de limão azedo, de quem sofria horrores por ser vampiro e não poder mudar a situação. Pela primeira vez Bill parece ter abraçado o que realmente é e, embora ainda esteja longe de ser o vampiro ideal, pelo menos tem usado melhor o que a sua condição lhe permite.

Fiquei triste pela destruição de Sophie-Ann, principalmente porque eu a adoro nos livros onde ela tem uma personalidade bem marcante e um poder seguro com mãos de ferro (foi em homenagem a ela que nomeei a minha gata), mas a verdade é que a personagem era bem patética na série e indigna de respeito ou admiração. Mesmo assim foi forte vê-la sendo destruída por humanos, em uma traição óbvia de Bill.

O legal foi perceber que Bill está mancomunado com Nan e a alta liderança vampírica desde a década de 80. Só espero que isso não acabe colocando Bill no topo do governo dos vampiros (mais do que já está), porque ele pode ter melhorado um pouco neste episódio, mas não quero nem imaginar como seria uma sociedade vampírica dirigida por um ser que odeia o que é (embora esteja tentando agir de forma mais condizente com a sua natureza).


Ainda é estranho ver Eric sob o comando de Bill, mas faz sentido que ele não se submeta de verdade, só quando coincide com seus interesses.

Agora, o que será estranho mesmo, é ver Eric desmemoriado. Morro de medo que ele vire um pateta como Bill nas primeiras temporadas. Mas tiro o chapéu (que expressão mais antiga!) para Alexander Skarsgård no episódio. Ele sabe mostrar perfeitamente as nuances de Eric e o que vimos no final foi um personagem completamente diferente do que estamos acostumados. Estou curiosa para saber como farão Sookie lidar com a situação.

E embora esse novo plot tenha se originado no coven das bruxas, continuo não gostando muito dessa história. Talvez se não tivessem colocado Lafayette e Jesus no meio eu não teria torcido tanto o nariz. Mas sei lá, as cenas dos dois tem sido muito aquém do que eu esperava e o envolvimento deles com a magia parece muito fundo de quintal para mim. Ou pode ser pura implicância minha mesmo. Eu imaginava a história das bruxas um pouco diferente, mas esses poderes da Marnie têm feito me lembrar demais do fiasco Mariann da segunda temporada. Talvez por isso eu esteja com os pés atrás com essa história em particular.

O que achei bem feito foi o motivo do Bill estar preocupado com o coven. Se as bruxas forem poderosas o suficiente elas terão domínio sobre os mortos, ou seja, sobre eles. E a preocupação pode ter sido de Bill, mas foi Eric quem pagou o pato. Quem mandou chegar lá todo cheio de pose e arrogância? Pagou o preço.

Os dois outros núcleos, de Sam e de Jason, não me despertaram interesse ainda. Eu amo o Sam, é um dos personagens que eu mais gosto desde o início e isso não mudou, mas as pessoas com quem ele anda, e por conseqüência as histórias nas quais ele está envolvido são sempre tão chatinhas que não dá para ficar realmente interessada. Suponho que essa lenda dos skinwalkers que a moça contou vá trazer alguma conseqüência para a temporada, mas por enquanto os shifters ainda não me prenderam (embora seja bom ver o Sam andando com os seus iguais pra variar).

Já Jason é um personagem que eu nunca gostei. Muito tem a ver com a sua personalidade e a forma como o representam como um rapaz meio burro, mas muito tem a ver com o próprio Ryan Kwanten. Não é que eu não goste do ator, só acho que essa impressão de estupidez que o Jason traz na série é em sua maior parte culpa de quem o interpreta.

Mas mesmo Jason está crescendo. Ele tem demonstrado uma maturidade e seriedade que não tínhamos como conectar ao personagem um ano atrás e isso é muito bom. Só não consegui engolir essa história de Crystal se unir a Felton para transformar Jason em um deles.

E para que eles abrem as roupas antes de se transformar, se quando se transformam as roupas desaparecem do nada? Que tirassem tudo ou nem começassem a tirar, porque do jeito que foi feito ficou risível.

Por fim há Jessica, a baby-vamp preferida de 10 entre 10. Acho lindo o seu amor pelo Hoyt, mas é bem oportuno explorarem esse outro lado dela. Jess pode ser um amor de pessoa, com um caráter invejável, mas ela é sobretudo vampira, e como toda vampira, tem instintos de caçadora e precisa da emoção da caça. Quero muito saber o que vai sair desse conflito entre suas duas naturezas, a da moça delicada e envolvida com Hoyt , e a da criatura da noite que sente-se instigada pela aventura e pela emoção.

Sem falar, é claro, que eu quero muito vê-la se aproximando mais de Pam.

O próximo episódio é escrito pelo próprio Alan Ball. Vamos ver o que nos espera para a próxima semana. Eu sinceramente espero e torço que esse episódio tenha sido o recomeço de uma ótima fase para a série. É muito melhor escrever quando se tem o que elogiar.

Séries citadas:

Michele Reis Martins, a Mica, é advogada e mantém o blog Esperando o Esperado. Fã de Arquivo X, Highlander, Buffy, Doctor Who e sci fi em geral.

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