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Gastronomia

Tradição à mesa: a gostosa receita de ‘A Grande Família’

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Após mais de uma década no ar, o remake de A Grande Família marcou a sua despedida no início de setembro de 2014. Protagonistas de uma das séries mais populares da televisão nacional, ‘os Silva’ mostravam, semanalmente, que a receita para solucionar todos os problemas está no constante bom humor. Durante 14 temporadas, acompanhamos as diversas fases da agitada rotina da família comandada por Seu Lineu (Marco Nanini) e Dona Nenê (Marieta Severo). Com suas histórias divertidas e inspiradas na vida de pessoas comuns, a série sempre deixou claro que, mesmo com todas as crises e perrengues, tinha amor de sobra no lar dos Silva. E, como em toda grande família, os tempos difíceis poderiam se transformar em uma mesa gostosa e tagarela, cheia de risadas. Por isso, a coluna de Gastronomia deste sábado se lambuza de carinho e alegria para homenagear a cozinha mais ouriçada da teledramaturgia brasileira.

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Se televisão tivesse cheiro, seria difícil assistir aos episódios de A Grande Família sem fazer uma vista à cozinha. Dona Nenê, com o maior estilo mãezona (confira o especial da nossa colunista Gabriela Pagano), comandava as panelas como ninguém. De tão talentosa que era em seu fogão, na última temporada, a dona de casa conquistou o emprego de cozinheira profissional na Adega do Braga, colocando à prova os conhecimentos adquiridos em toda uma vida fazendo delícias para a bagunceira turma formada pelo finado Seu Flor (Rogério Cardoso), Lineu, Bebel (Guta Stresser), Tuco (Lúcio Mauro Filho), Agostinho (Pedro Cardoso) e, mais recentemente, Florianinho (Vinícius Moreno). Cada prato servido era marcado pela expectativa da cozinheira, que adorava ver as caras de satisfação da família. Sempre fazendo parecer que não havia sido trabalho nenhum passar horas a fio sob as panelas, Dona Nenê marcou a série com várias comidinhas. Mas, nenhuma delas ficou tão famosa quanto o cozido, uma tradição que não podia faltar na mesa dos Silva.

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O cozido de Nenê era tão apreciado que, mesmo quando não roubava a cena, corria o sério risco de estar na boca do povo. A estreia do prato na série foi na primeira temporada. O episódio sete, “Cozido é pra Comer Chorando”, apresentou o clássico da família em um almoço de domingo. Lineu, um dos maiores entusiastas do prato, fazia questão de que toda a família estivesse reunida à mesa para degustar a delícia feita por Nenê. A bronca era tão séria, que Agostinho deixou de ir a uma de suas raras chances de emprego por medo da reação do sogro se não ficasse para almoçar.

Nenê: Olha aqui, ó, Agostinho, não é por nada… Sair, você pode até sair, mas é capaz do Lineu trancar essa porta e você não conseguir voltar nunca mais.

Lineu: O Nenê, o Nenê, pode por o cozido, pode sim! Veio, olha aqui, cervejinhas. Ué, Agostinho, você tá todo arrumado. O que que é? Vai sair?

Agostinho: Não. Vou. Ia. Não vou mais.

Bebel: Agostinho, você é um homem ou é um rato?

Agostinho: Não, eu sou um homem. Mas há controvérsias. 

Para Lineu, o cozido era o símbolo da família. Em um saudoso momento de lembranças, no almoço ficamos sabendo que o primeiro cozido da Nenê foi parar na mamadeira do Tuco. E que o prato marcou a primeira vez que Seu Flor dormiu no sofá antes mesmo de ele morar com a filha e o genro. E, ainda, descobrimos que Agostinho já pintava na casa dos Silva desde os 12 anos – e, como riu Seu Flor, ele “foi ficando pro almoço, pra janta e acabou ficando com a Bebel”.

Ao longo dos anos, o prato tornou-se cada vez mais presente na rotina da família e marcou dias memoráveis. Dentre as histórias com cozido, vale muito assistir a Um Homem chamado Flor (s13e16), um episódio especial sobre o falecido pai de Nenê. A Mãe do Ano (s03e05) também é ótima pedida. A história conta o Dia das Mães em que Nenê não quis fazer o cozido e sumiu depois de se desiludir com a surpresa que esperava da família, deixando todos desesperados a sua procura. Se no Dia das Mães o cozido estava em evidência, Ah, Meu Pai! (s05e18) mostrou que no Dia dos Pais também tinha lugar para o prato. E como confusão é marca do seriado, o cozido assistiu à revelação de que Agostinho não podia ter filhos e a uma briga feia de Tuco com Lineu. O cozido também marcou a estreia da penúltima temporada, quando, em Cozido é pra se Comer Brigando (s13e01), Nenê e a filha prepararam o clássico da família juntas para comemorar que Bebel e Agostinho seriam os novos proprietários da casa dos Silva. E, como não poderia deixar de ser, no grande final – o Episódio Um (s14e23) – o que não faltou foi uma mesa farta de cozido.

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Fica! No Teleséries também tem cozido

É isso mesmo. Para fecharmos as despedidas de A Grande Família, nos inspiramos nos segredinhos de Dona Nenê para fazer um cozido delicioso no Teleséries. Antes de mais nada, você precisa saber que a escolha do cozido como prato tradicional da família Silva não é um mero acaso. Digo isso porque o cozido é super presente em muitas casas brasileiras, então, a pedida serviu como um ótimo gancho para a série. De origem portuguesa, o cozido é um caldo substancioso de legumes e carnes que leva um certo tempo de fogo. Como vários hábitos alimentares no Brasil, há diversas receitas de cozido, as quais variam bastante de região para região. No nosso passo a passo de hoje, você vai ver um jeito básico de fazer cozido sem demorar muito tempo na cozinha. Vamos lá?

Cozido de ‘A Grande Família’

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Ingredientes:
250g de músculo
2 batatas pequenas
1 cenoura média
1 folha de couve
1 colher (sopa) de azeite/óleo
1 colher (chá) de açúcar
Sal e alho a gosto
Água (o quanto baste)

Modo de fazer:
1. Esquente a água até levantar fervura. Reserve.
2. Corte a carne em cubos médios.
3. Esquente bem uma panela e coloque a carne. Deixe dourar bem. Adicione o açúcar, deixe a carne dourar mais um pouco e acrescente o azeite, o alho e o sal.
4. Adicione a água à panela até que cubra toda a carne. Baixe o fogo e deixe cozinhar por cerca de vinte minutos. Adicione a batata, cortada em cubinhos, e cozinhe por mais cinco minutos. Coloque a cenoura em rodelas na mistura, deixe cozinhar mais dez minutos e, por fim, adicione a couve picada.
5. Deixe cozinhar por mais cinco minutos e sirva bem quente.

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Em pouco mais de uma hora você terá um ótimo cozido que vai servir de duas a três pessoas. Para complementar, arroz e salada são companhias bem tradicionais para o cozido. A carne de músculo é perfeita para o preparo da receita de hoje pois, sendo mais dura, aguenta mais tempo de cozimento sem desfiar. Além disso, o custo benefício do músculo é ótimo. A quantidade para a receita de hoje (250g) custa menos de R$5,00. Quanto às carnes e aos legumes, você pode dar o seu toque pessoal e incrementar ainda mais o prato. Alguns ingredientes muito comuns em várias receitas brasileiras são paio, repolho, batata doce, mandioquinha e banana da terra. Este último você pode achar estranho, mas a galera garante que a banana dá um toque especial ao prato. O cozido ainda tem a vantagem de ser bem democrático para os vegetarianos: você pode seguir a mesma receita sem as carnes, apenas cuidando a entrada de cada legume, pois há alguns que cozinham mais rápido do que outros. Por fim, sempre cuide a quantidade de água. Quanto mais ingredientes a sua receita tiver, mais líquido você precisará.

Fácil, não é mesmo?

Então, que tal assumir o posto da Dona Nenê e organizar um almoço neste domingo? (:

Séries citadas:

formada em jornalismo, trabalha como revisora e, sempre que tem oportunidade, adora falar, escrever e estudar sobre comida. Nas horas vagas, também gosta de exercitar os talheres e os copos. Compartilha suas receitinhas caseiras no blog Panela de Pau. Saudosa irreparável de Friends e Barrados no Baile, atualmente acompanha Homeland, Suits e House of Cards.

Website: http://paneladepau.com.br

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