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Reviews

Torchwood: Miracle Day – The New World

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Série: Torchwood
Episódio: The New World
Temporada:
Nº do Episódio: 4×01
Data de Exibição nos EUA: 08/07/2011

Torchwood está de volta, e mais sinistra e mudada do que nunca. Não está apenas de casa nova, mas todo o clima     que a cerca está diferente.

Eu vejo a série desde o início, então é claro que a minha visão é a de uma pessoa habituada com esse universo, mas eu acredito que esta temporada, apesar de ser a 4ª da série, foi pensada como um ponto de entrada para novos fãs, já que Torchwood migrou para os Estados Unidos (bom, migrou não é bem a palavra…digamos que ela agora vive na ponte aérea EUA-UK) e, portanto, precisa abocanhar uma nova audiência.

Toda aquela sensação de ‘o que é Torchwood?’, ‘quem é esta mulher que acordou no meio da noite e teve pesadelos com Torchwood?’, ‘como esse homem pode ter o mesmo rosto de alguém que viveu em 1920?’, ‘por que ele está tão preocupado de ter se cortado?’, ‘por que essa mulher e esse homem de sobretudo que apagou a memória da agente estão sendo perseguidos?’ estava ali. E tínhamos até agentes da CIA fazendo as perguntas certas para situar o novo público. Foi quase como voltar a assistir Torchwood desde o início, mas de uma forma levemente (!?) diferente.

Desde a temporada passada o formato da série mudou. Não mais casos isolados (os chamados ‘monstros da semana’), e sim uma única história serializada e muito mais densa do que tínhamos visto nas duas primeiras temporadas.

Os membros da equipe de Torchwood 3 (Cardiff) se foram, já que Toshiko e Owen morreram no final da 2ª temporada e Ianto passou desta para melhor durante Children of Earth (a comentada 3ª temporada) e a própria Torchwood foi desativada. Restou apenas o Capitão Jack Harkness para amargar os resultados de suas decisões, e Gwen Cooper, agora casada, mãe e fugitiva (mas viva, que afinal é o que mais importa).

As coisas não teriam mais como serem as mesmas. Não depois de tantas perdas, sofrimentos e experiências pelas quais Jack e Gwen passaram. Por isso essa interação com os Estados Unidos não soa tão artificial ou absurda. Tudo teria que ser diferente para funcionar, pois não acredito que qualquer ameaça alienígena iria trazer Jack e Gwen de volta.

Os vídeos lançados já demonstravam o que deveríamos esperar desta nova Torchwood e mesmo assim eu não tenho certeza se estava totalmente preparada para a mudança. O que eu vi era Torchwood, e ao mesmo tempo não era. A verdade é que só me senti em casa novamente quando Jack apareceu, e a segurança só voltou quando ele reencontrou Gwen. Até ali eu estava gostando do episódio, mas era quase como se fosse outra série.

Em poucas palavras, a trama é a seguinte: o povo parou de morrer. Simples assim. De uma hora para outra, ninguém mais morreu na Terra. As pessoas continuam adoecendo, envelhecendo, pegando fogo, sendo explodidas, etc e tal, mas ninguém morre. E de alguma forma isso tem ligação com Torchwood, pois a última morte documentada foi no exato instante em que um e-mail com a palavra “TORCHWOOD” foi enviado para todas as autoridades do mundo. Mas mesmo que não tivesse e-mail algum, eu diria que a instituição tem uma ligação com o tal milagre, já que a partir do momento em que os seres humanos pararam de morrer, Jack Harkness tornou-se mortal. E se teve uma coisa que aguçou a minha curiosidade foi a mortalidade do Jack, porque desde a 1ª temporada de Doctor Who, quando ele morreu e retornou eu venho me perguntando (e ele também, diga-se de passagem) o que levou o capitão a se tornar imortal. Será que é desta vez que Russell T. Davies irá nos responder?

E tem mais uma coisa importante: Jack viverá o suficiente para se tornar a Face de Boe (aos não iniciados em Doctor Who, acredita-se que a Face de Boe, uma grande cabeça gigante e mais velha que o tempo, seja na verdade Jack)? Não tem como não pensar em Boe ao ver aquela cena em que Jack sugere que se corte a cabeça do homem que sobreviveu a explosão.

Mas voltando à trama, a imortalidade não é uma coisa tão boa quanto parece em teoria, já que se não houver mortes, em pouco tempo os recursos da Terra se esgotarão e a superpopulação levará a uma guerra sem proporções. E pior, sem baixas, já que ninguém pode morrer.

A CIA se envolve no caso (claro!) devido a curiosidade de uma agente que acaba persuadindo o mais novo não-morto (agente Rex) a pesquisar Jack e Gwen por acreditar que um dos dois terá alguma resposta para o que está acontecendo. E é assim que Rex acaba no País de Gales, onde Gwen e sua família são atacados por algum perseguidor ainda desconhecido, e salvos por Jack.

Agora, rendidos por Rex, que usou de sua autoridade como membro da CIA para comandar a polícia britânica, Jack e Gwen serão extraditados para os Estados Unidos. E que seja o que Deus quiser.

E só um adendo à história toda, a primeira cena da série é a morte por injeção letal de Oswald, um pedófilo condenado e que, como era de se esperar, não morre. E pior, consegue a libertação, já que não pode ser punido duas vezes pelo mesmo crime. Qual será a ligação dele com a história toda eu não sei, mas eu posso dizer que Bill Pullman está assustador como Oswald e que eu ainda não tenho certeza se irei gostar da participação deste personagem nessa confusão toda.

O episódio em si eu gostei bastante. É claro que tiveram coisas que me incomodaram, mas não ao ponto de me fazerem torcer o nariz ao que me foi apresentado. O formato serializado é bem interessante e, embora nos prive daquela leveza que os casos da semana nos permitiam assistir, uma única história torna a coisa toda mais coesa, sem altos e baixos.

O que fez de Torchwood ainda ser Torchwood para mim:

– A hora que Jack aparece pela primeira vez meu coração deu um salto. Posso ter amado cada personagem da série até aqui, mas a verdade é que Jack Harkness é o coração de Torchwood. E foi engraçado ver Esther correndo desesperada ao vê-lo, como um fantasma saído das fotografias que ela bisbilhotava nos arquivos. Gostei da corrida desenfreada dos dois até a queda na fonte, mas gostei principalmente da conversa que tiveram. Uma pena que ele tivesse que usar o retcon na agente. Acho que ele simpatizou com ela e a teria convocado para a Torchwood se esta ainda existisse, ou se ele não tivesse com um peso tão grande nos ombros por todas as mortes que presenciou e pelas quais foi o responsável.

– A menção ao 456.

– As cenas de Gwen com Rhys e com Andy, pois eles continuam essencialmente os mesmos, apesar de toda nova situação que estão vivenciando. E embora Gwen tenha amadurecido muito nos últimos anos e perdido aquela inocência e ingenuidade altruísta, eu não esperaria outra coisa dela que não a de querer fazer algo quando percebesse o quão prejudicial essa imortalidade seria para o planeta.

– Jack se passar por agente do FBI para ver o corpo queimado. Tive vontade de chorar quando vi que ele usou o nome de Owen Harper. O episódio não mencionou os antigos membros de Torchwood nos arquivos que Esther leu, mas foi bonita a homenagem que Jack fez, ainda mais que eu adorava Owen e sofri muito quando (e como) ele partiu.

– O sobretudo de Jack pendurado na parede e que ele voltou a usar quando foi salvar Gwen. E confesso que partiu meu coração vê-lo tão solitário (um exílio auto-imposto) naquele apartamento, eliminando todo e qualquer traço ainda existente de Torchwood dos computadores da Terra. Aliás, por que Jack voltou à Terra?

– A excelente energia que existe entre Jack e Gwen. Os dois funcionam muito bem juntos. Eu odiava quando a série tentava criar uma implicação romântica entre os dois, mas a dinâmica deles como parceiros e como amigos é muito boa.

– Os âncoras dos telejornais. É tão típico de RTD as notícias sendo vinculadas nos telejornais durante o episódio que eu fui obrigada a sorrir. Tem coisas que você só percebe que gosta quando perde e recebe de volta.

– Foi bom usarem os mesmos atores para interpretarem os pais de Gwen. Pequenos detalhes que fazem toda a diferença.

* O que não teve a cara da Torchwood que conhecemos até então, mas funcionou mesmo assim:

– Estar nos Estados Unidos por si só já é estranho, mas até que não foi tão ruim quanto eu imaginava. Tivemos alguns personagens bem interessantes e que chamaram a minha atenção, como Esther (Alexa Havins) e principalmente a médica, Dra. Juarez (Arlene Tur)

– As brincadeiras de Rex com o País de Gales. Não vou dizer que é incrível as pessoas não saberem como funcionam as coisas no Reino Unido, porque….bem, a bem da verdade é que são tantos países no mundo, que ninguém tem a obrigação de saber tudo de todos os lugares. Mas espera-se que um povo que tenha uma ligação tão forte como os norte-americanos e os britânicos saibam um pouco mais do que o restante do mundo, não? Mesmo assim foi divertido ver as exclamações do agente.

– A abertura mudou. Senti falta da antiga, embora a nova tenha tudo a ver com a temporada.

* O que eu não gostei ou ainda não tenho opinião formada:

– Serei sincera, não gosto do Mekhi Phifer e geralmente seus personagens me irritam. Rex Matheson não é tão ruim, mas também não é tão bom a ponto de eu gostar. O que eu gostei nele é que ele é o típico agente preocupado em subir na carreira, sem hipocrisias. Ele acha que merece e se o resto tem que se afundar por isso, que assim seja. Fiquei condoída com ele no hospital, suas dúvidas se irá morrer quando tudo isso acabar ou se permanecerá vivo. Por outro lado, a arrogância americana dele é irritante, e não o perdoarei por ter rendido Jack, Gwen e Rhys ao final.

– Estranhíssima a cena em que Rex sai do hospital (como se fosse assim fácil), entra no avião, atravessa a ponte e chega até a casa de Gwen e Rhys sem sair do telefone. Não sei se a intenção era soar engraçado ou simplesmente mostrar como os agentes da CIA estão acima de tudo e todos, mas seja lá qual foi a intenção, eu odiei a cena e peguei birra com o personagem neste momento. Só gostei mesmo das brincadeiras com Gales.

– Todas aquelas perseguições com explosões e helicópteros e armamento pesado….é tão americano. Não é que seja ruim, pois eu gosto de um bom filme de aventura, mas é que em Torchwood ficou demais.

– A falta de elementos alienígenas. Não sei explicar, mas achei o episódio tão pé no chão que me incomodou um pouco. Quero dizer, toda a terra virar imortal não é exatamente pé no chão, mas faltou aquele ‘q’ de esquisitice que sempre me encantou em Torchwood.

Mas no frigir dos ovos, o saldo do episódio foi positivo. Eu fiquei instigada e não posso reclamar. Tenho medo da perda da identidade da série, mas quero acreditar que aconteça o que acontecer, Russell T. Davies e Julie Gardner não deixarão a série se afundar e nem aceitarão que seus fãs mais antigos fiquem decepcionados.

***

O canal do Starz no youtube tem transmitido a webseries Web of Lies. O primeiro episódio foi ao ar no dia 06/07/11 e traz acontecimentos envolvendo o dia do milagre. Eliza Dushku participa dublando a voz de Holly, irmã de um rapaz baleado em um tiroteio e que não morreu. Vale a pena dar uma olhada.

Séries citadas:

Michele Reis Martins, a Mica, é advogada e mantém o blog Esperando o Esperado. Fã de Arquivo X, Highlander, Buffy, Doctor Who e sci fi em geral.

5 Comments

  1. Anônimo

    o primeiro ep de doctor who  que assisti foi tooth & claw, em que a rainha vitória decide criar torchwood, mas depois não segui mais o spin-off. :(

  2. Anônimo

    Ah, imagine se eu iria perder a review da Mica! Como sempre, ela vai direto na jugular, sem ficar perdendo tempo com picuinhas. A propósito, andei lendo uns comentários que até me deixaram com vontade de não ler mais comentários: criticando Gwen por atirar com o bebê na mão, criticando o cap. Jack por estar velho, criticando a direção, fala sério.
    Quanto ao Mekhi, ele atua segundo o cânone americano; então, está ok para mim. Quanto à arrogância americana, penso que seja até uma gozação dos ingleses envolvidos no programa, e mesmo uma autogozação dos americans. Isso não é inédito nas séries britânicas: na própria série DW houve várias vezes algo semelhante (o advogado de Battlestar Galactica (rsrs) pega uma arma e diz “aqui resolvemos as coisas assim…”; no episódio em que o Master mata o presidente mega-arrogante dos USA, um anime em que o 10o. e Martha estão nos USA). Aquela série Episodes é emblemática dessa, digamos, tendência. Assim, penso que isso tudo esteja mais para sátira do que realmente para coisa a sério. Bem, no decorrer desta 4a. temp. veremos se é isso mesmo.
    Eu gostei bastante. Ficou uma mescla interessante.

  3. Anônimo

    Foi bem legal. Em vários momentos houve essa brincadeira entre britshs e americans: por exemplo, Rex perguntando: o que é MI-5? E depois: “mas quem são vocês, people?”, depois que Gwen explode o helicóptero. Além do espanto a respeito da ponte separando Inglaterra de Wales… Suponho que haverá muitas outras piadas assim. Vou adorar.
    O enredo é bem interessante. O amigo da Gwen especulando sobre a superpopulação, os alimentos acabando, os homens lutando entre si pela comida… E Rhys acenando com a possibilidade de a filha deles ser imortal (é, mais em um mundo horrendo…). E os doentes agônicos que não conseguem morrer e ficam sofrendo terrivel e indefinidamente…
    Acho que tem tudo para dar certo.

  4. Anônimo

    Lunaomi, eu recomendo vivamente esta série. Bem, as duas primeiras temporadas não são tão maravilhosas, mas a terceira é estupenda. Porém, para ir se enturmando com os personagens, é legal ver desde o começo.

    Não tenho nada a reclamar da parceria BBC e a americana. Arejou a série e acho, espero, que vai conseguir ganhar o interesse das pessoas do Novo e do Velho Mundo. Daqui do Terceiro Mundo, nosso voto está garantido.

    A meu ver, Mica, o lance do Rex ir dando ordens na ida ao UK foi para fazer graça. E no meu caso funcionou…

  5. Nat

    Excelente review, Mica! Gostei da versão americanizada (mas não hollywoodiana) da season premiere e da forma como os novos personagens(e os antigos também, para cristãos-novos em TW) foram introduzidos.

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