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Torchwood: Miracle Day – Immortal Sins/End of the Road

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Série: Torchwood
Episódios: Immortal Sins e End of the Road
Temporada:
Número dos Episódios: 4×07 e 4×08
Datas de Exibição nos EUA: 19/08/2011 e 26/08/2011

Eu gostaria de saber o que passava pela mente de Russell T. Davies quando  criou o conceito de Miracle Day. Porque com certeza não era esta bagunça que temos aguentado semana após semana. Pergunto-me se ele se sente tão decepcionado quanto eu com o rumo que esta temporada de Torchwood tomou.

Immortal Sins foi, dos oito episódios até agora, o que mais se aproximou do que era Torchwood. Talvez porque tivemos um maior envolvimento de Jack nos acontecimentos, mas principalmente porque a história saiu da escala mundial e genérica para o conflito individual e muito mais próximo do que já estávamos acostumados. E, é claro, porque finalmente vimos um alienígena nesta série que, em tese, é sobre uma organização que foi criada para lidar com as ameaças extraterrestres (em especial o Doutor, mas isso não vem ao caso).

Torchwood gastou um episódio inteiro para nos apresentar Angelo Colasanto, o imigrante ilegal que aportou nos Estados Unidos e acabou apaixonado por Jack Harkness. E sentimento também não faltou da parte de nosso Capitão, já que chegou ao ponto de pensar em tomá-lo como um Companheiro de aventuras, assim como o Doutor costuma fazer com humanos aqui e acolá – sendo Jack um deles, diga-se de passagem.


Por esse motivo, eu esperava que a importância de Angelo fosse muito maior do que realmente foi. É claro que o rapaz foi o responsável pela captura de Jack e toda a tortura que o Capitão sofreu (o que explica muita coisa da personalidade que Harkness vem demonstrando desde o início da série, a qual é bem diferente da que conhecíamos antes da imortalidade atingi-lo como um soco lá no final da temporada de 2005 de Doctor Who), mas a série não precisava de um episódio inteiro só para isso acontecer.

No final das contas, todo o sétimo episódio foi descartável. As cenas no presente, com Gwen capturando Jack não poderiam ser mais inúteis. Se Jack iria com a neta de Colasanto de qualquer jeito (e a mulher não tinha a intenção de machucá-lo), por que todo o esquema com as lentes de contato e o rapto foi necessário? Não seria muito mais fácil ela simplesmente se aproximar de Jack (ou mandar algum de seus empregados) e explicar a situação para ele? Para que, pergunto, precisaram capturar os familiares de Gwen? Só para mostrar que a série continua acontecendo tanto nos EUA quanto no Reino Unido?

Três coisas foram mostradas no episódio, mas, se o povo tivesse bom senso, teriam feito em 15 minutos e não quase uma hora:

– Jack teve um caso com Angelo, mostrou a existência de um universo diferente ao rapaz, que ficou tão encantado que o seguiu de longe por toda a vida e, no caminho, aprender a driblar a imortalidade;

– Gwen sempre se sentiu especial e melhor que os outros por fazer parte de Torchwood e ser a queridinha de Jack, mas o trairia sem piscar (ou pensar em solução melhor) se isso lhe fosse conveniente;

– Ao tomarem conhecimento da imortalidade de Jack, três humanos fizeram um acordo que mudaria o mundo mais de 40 anos depois.

End of the Road, ao contrário de Immortal Sins, não foi um episódio bom. Porque, se o anterior mostrou-se descartável, pelo menos foi interessante de assistir, a despeito dos erros já mencionados. Já End of the Road deu voltas e não chegou a lugar algum. Aliás, uma coisa ele fez, mostrar o quão inútil foi conhecermos a história de Angelo Colasando tão minuciosamente. Porque, sinceramente, para o quê serviu tudo o que soubemos do rapaz?

Oswald Danes é outro que continua sendo um mistério para mim. Não sei o que a tríade (ou os alienígenas, ou seja lá quem está por trás de tudo) viu em um criminoso que sobreviveu à morte. Tanta gente com maior potencial de convencimento junto à população… E era necessária mesmo a cena de Oswald com a prostituta?

Seja como for, ele parece tão descartável quanto qualquer outro na série, o que só aumenta a minha insatisfação diante da falta de utilidade real dos acontecimentos mostrados até agora. Acho que tudo o que importa na temporada poderia ser mostrado perfeitamente em uns quatro episódios e não precisaríamos sofrer durante oito semanas correndo atrás do vento.

Já Jilly Kitzinger continua brilhando a cada cena em que aparece. E, se não dou a mínima para a importância de Oswald com Os Poderes do Miracle Day, o interesse que o grupo mantém em Jilly desperta a minha atenção. Mas, confesso, não acredito que a resposta será assim tão satisfatória. Já não confio que Russell T. Davies conseguirá introduzir qualquer elemento que faça desta temporada aproveitável.

Por ora, ficamos com Jack baleado e Esther desesperada, sem saber para onde ir, já que fugiram da CIA. Dois episódios são tudo o que nos resta e me pergunto se não serão os últimos dois episódios que teremos de Torchwood para todo o sempre. Espero que, seja lá o que fizerem do final desta temporada, abram espaço para Torchwood voltar a ser Torchwood.

Séries citadas:

Michele Reis Martins, a Mica, é advogada e mantém o blog Esperando o Esperado. Fã de Arquivo X, Highlander, Buffy, Doctor Who e sci fi em geral.

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