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Opinião

Tomorrow

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cena de Tomorrow

Debbie:

Bom dia senhor Presidente.

Bartlet:

‘Dia.

Debbie:

Como você está se sentindo esta manhã?

Bartlet:

Desempregado.

Este diálogo foi legal. Mas é curioso. Tomorrow não foi lá um episódio de grandes diálogos.

E não foram só os diálogos, Tomorrow foi na contramão de tudo aquilo que sempre foi marca registrada de The West Wing. Foi ditado pelo ritmo calmo e lento, por silêncios, por tomadas diferenciadas e por atores trabalhando mais as expressões do que as falas.

Mas a clara intenção era homenagear o universo de The West Wing, reverenciando o fim de uma era política da ficção e histórica da televisão. Apesar do paradoxo acima, o objetivo foi alcançado, com méritos.

Voltando aos diálogos, todos os melhores, curiosamente, acabaram na boca de Teri Polo. Sua Helen Santos teve mais falas que Sam Seaborn, possivelmente mais falas que Josh. E foi também um episódio de destaque para Debbie, que esteve sumida nesta temporada. A gente até esquece que quem está ali é a Lily Tomlin, lenda do stand up e que tem um nome tão poderoso que chegou a ser indicada ao SAG por The West Wing, sem sequer ter o nome nos créditos. E teve cena até para Ronna! E Mallory!

Sim, eu também senti falta de Toby. Mas a vida é assim, às vezes a gente não sai na foto.

Suspiro.

O mérito de Tomorrow é que ele não fez concessões. Nenhuma concessão.

Seria fácil cair no melodrama e nos levar às lágrimas, seria muito fácil. Melhor assim, as lágrimas vieram naturalmente.

The West Wing podia ter se perdido mostrando toda a cerimônia de posse.

The West Wing podia ter acabado com um discurso ufanista de Matt Santos, como no final de Jack & Bobby, apelando para o nosso sentimento patriótico (e que para nós não significaria lá muita coisa, especialmente no dia em que o nosso centroavante gordo chamou o nosso presidente de bêbado).

The West Wing podia terminar com Keb’ Mo’ cantando qualquer canção arrebatadora e ufanista, com imagens dos nossos ídolos entrando ou saindo da Casa Branca.

The West Wing podia terminar com a narração, em off, de Bartlet, lembrando a Santos em seu bilhete para que não esqueça um dia sequer que tem nas mãos o poder para fazer um mundo melhor.

Felizmente, The West Wing resistiu a todas estas tentações, nos premiando com uma despedida de classe.

Confesso que estou meio anestesiado ainda. Talvez não tenha caído a ficha ainda de que a minha série favorita acabou. Porque estou me sentindo realizado, não estou chateado ou triste. Talvez porque a intenção de John Wells tenha sido justamente esta. Acabou uma série, acabou a ficção, como acabam todos discos, os filmes, as telenovelas. O que importa aqui, no momento final, é que as pontas não fiquem soltas, e que o final, seja trágico, seja feliz, esteja simplesmente a altura de todo o seu desenvolvimento.

E eu realmente espero que você, fã de seriados, tenha esta mesma sensação no dia que sua série favorita chegar ao fim: de completude, de admiração, de liberdade e, claro, de saudade. O fim de um seriado não deveria, nunca, ser uma coisa ruim.

Séries citadas:

É jornalista, pós-graduado em Jornalismo Digital pela Pucrs e trabalha com produção de conteúdo para Internet desde 1995. É editor de internet do Jornal do Comércio, de Porto Alegre. Fundou o TeleSéries em agosto de 2002. Na época, era fã de The West Wing, The Shield, Família Soprano e Ed. Atualmente é viciado em The Good Wife, NCIS, Game of Thrones e Parks and Recreation.

12 Comments

  1. Thiago

    Infelizmente, essa foi minha única temporada de TWW. Adorei de paixão, e me arrependo até hoje de pega-la pra ver apenas no seu fim de carreira. Por isso, sem o convívio de 7 anos com os personagens, não sei se posso comentar com enfase aqui, mas… eu me decepcionei. Sei lá. Lembra que eu critiquei o finale de Third Watch por usar poucos os personagens? Esse foi menos ainda, o q é uma pena.
    Eu vi nessa temporada dialogos rápidos e rasteiros: o ‘Tomorrow’ realmente naõ teve nada disso. Foi muito ‘passei muitos anos aqui, e agora vou tocar a vida’. Talvez se eu visse desde o começo, me emocionasse, mas… não achei grande coisa.
    O que eu acho, é que, vai ser mesmo uma PENA não ter uma 8ªtemporada. O Governo Santos ia ter muita bala na agulha. É uma pena…

  2. iTalo

    Eu também gostei justamente por isso. Esse final não forçou emoções exageradas. Gostei também de eles terem dado bem mais destaque ao ultimo dia do governo do Bartlet do que à posse do Santos.

    Uma cena que eu gostei foi a que CJ desliga a TV e mostra em silencio ela na sala…

    E assistindo ao final de Alias eu me senti como você… eu não sei nem como falar, o sentimento de como se finalmente a serie tivesse completa, inteira.. e de que acabou do jeito que devia ser, superou a tristeza por estar terminando.

  3. André

    um final emocionante… como vc falou, não os diálogos ,mas sim, as expressões faciais dos personagens que se sobressaíram… parabéns pra eles!

    acho que todo mundo tá anestesiado e perguntando se acabou msm… mas depois cai a ficha… infelizmente.

    lá se foi uma grande série… agora é se contentar com as reprises e esperar pela essa nova do Aaron Sorkin…

  4. Lucas R.

    Realmente, foi diferente do que esperavamos. Mas eu tb gostei. Se pudesse só mexeria colocando uns 5 segundos de participação do Toby, mesmo que totalmente muda e inútil, só para podermos dizer que apareceu. E daria um jeito de terminar com uma imagem da casa branca. Mas só isso. Bem, também achei que teria sido lwegal ter terminado a cena que começou a temporada, mas aí poderia ficar forçado demais. Mas no geral eu gostei do final.

    9 de 10.

  5. Mônica

    Eu também gostei muito do final. Só não dou nota 10 porque acho também que deveria ter terminado com a cena do início da temporada. E um pouco mais de Josh e Donna. Juntos.
    Mas foi legal. É uma série que irá deixar saudades.

  6. Também estou muito feliz com a maneira como terminou a minah preferida. E especialmente a maneira como este ep foi levado, como uma despedida. Afinal não tinha mais muita coisa para resolver, a não ser o caso do Toby, já que a crise do Casaquistão não se resolveria simplesmente com a posse do Santos. Mais uma vez TWW não se rendeu as soluções fáceis.
    Curiosamente, o que menos gostei deste ep foi a sua marca, os diálogos, poderia ter menos Helen Santos falando. Cenas que amei: Bartlet e Charley se despedindo (banho de Dulé), CJ voltando para a sala de imprensa e a melhor de todas – Debby e Ronna, toda a cena foi ótima mas a parte que Ronna fica parada na porta do salão oval com prasticamente em choque e Debby vem junto dela falando delicadamente foi linda e dando apoio foi a melhor. Resumiu a situação toda.

  7. Liliane

    Estou ummpouco atrasada para comentar sobre o fim de WW, mas, é uma pena que uma série tão intensa tenha chegado ao seu final, acredito que se John Spencer não tivesse falecido, talvez pudéssemos ter mais um ano pela frente, mas, fico pensando, onde poderíamos encaixar Toby, CJ, Charlie, Debby, o ex-presidente? A série não faria mais sentido, infelizmente, os bastidores do poder era uma grande equipe, personalizada por grandes atores que seriam muito difíceis de serem substituídos.

  8. Paulo,
    A resposta da Debbi para o Presidente neste diálogo que vc destacou também foi ótima: “muita gente neste prédio também” (ou algo parecido).

  9. Fábio Vinícius

    Não tenho uma opinião conclusiva sobre o episódio. Concordo com boa parte do que foi dito na crítica, foi realmente um final mais calmo, menos tenso, suave. Não tenho opinião sobre tudo ainda, mas queria deixar registrado minha cena predileta: CJ, antes de ir embora de vez, dá um última parada na tribuna de imprensa, onde é o lugar dela de verdade e onde mais brilhou…

  10. Fábio Vinícius

    Só mais uma coisa que tinah me esquecido. Realmente faltou Toby, mas de certo modo ele teve o seu final e foi bem significativo. Na comunidade West Wing no Orkut vi alguem que achava Toby seu personagem favorito dizer que ele era o mais inteligente e o unico que batia de frente com o Presidente de verdade (eu sei, Leo fazia isso mas Leo nao conta, alem disso Toby sempre batia de frente com Jed de forma mais acintosa), entretanto os dois sempre voltavam a paz. Foi isso que aconteceu quando Jed assinou o perdao com o nome de Toby na lista…

  11. Mayara

    Ok, comentário enorme sobre Toby, depois vem o do episódio mesmo.

    Fábio, fui eu que escrevi isso no Orkut sobre o Toby. Esse é um dos motivos que faz dele o meu favorito. Como fã do Toby, fui assistir ao episódio final um tanto revoltada, já sabendo que Richard Schiff não iria participar. Mas tenho que admitir que minha revolta diminuiu muito depois da cena que Bartlet assina o perdão. Pra mim, foi o melhor momento de Martin Sheen no episódio, e isso não é pouco. Eu gostei de todas as cenas dele desde o início, principalmente a que ele anda pela Ala Oeste e agradece a todos os funcionários(e acerta o nome de todos!). Mas a cena do perdão foi a que mais me agradou, porque desde o início, Bartlet parecia tranquilo e nem um pouco nervoso com seu último grande dia. Isso, até a cena do perdão. Foi uma cena muito bonita, ali Bartlet já não parecia seguro, tinha de tomar uma grande decisão, e como sempre, imposta por seu mais fiel, apaixonado e furioso staffer. Richard Schiff não atuou naquela cena, mas Toby estava ali, de um jeito ou de outro.
    O momento que Martin apóia a cabeça na cadeira e fecha os olhos, foi brilhante, realmente nem sei o que escrever sobre ele. Por mais que eu tenha sido contra toda essa história do Toby ter vasado a notícia; porque pra mim(e também pra Richard Schiff!), ele jamais faria isso; por mais que eu não tenha concordado, fiquei feliz, muito feliz por essa cena. Eu tinha lido em um fórum inglês, o comentário de uma fã que dizia que, no momento em que Bartlet assinou o perdão veio na cabeça dela uma certa cena do episódio número 4 da série, cena aliás de que gosto muito. Mas não liguei muito pra isso.Só sei que quando Eu assisti a cena, essa mesma cena me veio à cabeça, mas no momento que Bartlet fecha os olhos, eu não sei se todos lembram, mas é uma frase clássica do Presidente que ele disse quando estava dopado: “Toby, Toby, Toby, Toby. Toby is a nice name, you know that, don’t you?”
    Outro momento que me lembrou muito o Toby é a cena entre Bartlet e Santos(que eu simplesmente detesto!) no carro. Bartlet diz que aprontou pra ele com os perdões, e Santos pergunta se é a Vovó da erva, ou sei lá o nome dela, aí ele confirma e diz que há mais alguns.Estão falando de Toby, é claro. Mas o que me chamou atenção(pelo menos na minha mente louca pelo Toby), é depois que ele diz isso ele para por um instante, como se tivesse pensando em algo, e em seguida pergunta ao Santos pelo discurso. Foi imposível não pensar de novo no Toby. Pra mim, acho que só pra mim mesmo, me pareceu que ao falar do Toby, ele se lembrou do discurso. Não acho que essa tenha sido a intenção do John Wells ao escrever isso, mas foi impossível não lembrar dos discursos incríveis de Toby e Sam. Esses momentos me deixaram mais tranquila quanto ao final de Toby.
    Porque houve o fim do interminável jogo de xadrez que ele e Bartlet iniciaram no episódio Crackpots and These Women, e que continuou por vários e vários episódios durante todos esses anos, entre eles 17 People e The Two Bartlets. Sem um claro vencedor, mas com esses dois caras que sempre discutiram e se gostaram muito em paz. Não vimos Toby nesse episódio, mas pra mim(e espero que pra mais gente), de um jeito ou de outro, ele esteve lá o tempo todo.

  12. Mayara

    Ok, comentário enorme sobre Toby, depois vem o do episódio mesmo.

    Fábio, fui eu que escrevi isso no Orkut sobre o Toby. Esse é um dos motivos que faz dele o meu favorito. Como fã do Toby, fui assistir ao episódio final um tanto revoltada, já sabendo que Richard Schiff não iria participar. Mas tenho que admitir que minha revolta diminuiu muito depois da cena que Bartlet assina o perdão. Pra mim, foi o melhor momento de Martin Sheen no episódio, e isso não é pouco. Eu gostei de todas as cenas dele desde o início, principalmente a que ele anda pela Ala Oeste e agradece a todos os funcionários(e acerta o nome de todos!). Mas a cena do perdão foi a que mais me agradou, porque desde o início, Bartlet parecia tranquilo e nem um pouco nervoso com seu último grande dia. Isso, até a cena do perdão. Foi uma cena muito bonita, ali Bartlet já não parecia seguro, tinha de tomar uma grande decisão, e como sempre, imposta por seu mais fiel, apaixonado e furioso staffer. Richard Schiff não atuou naquela cena, mas Toby estava ali, de um jeito ou de outro.
    O momento que Martin apóia a cabeça na cadeira e fecha os olhos, foi brilhante, realmente nem sei o que escrever sobre ele. Por mais que eu tenha sido contra toda essa história do Toby ter vasado a notícia; porque pra mim(e também pra Richard Schiff!), ele jamais faria isso; por mais que eu não tenha concordado, fiquei feliz, muito feliz por essa cena. Eu tinha lido em um fórum inglês, o comentário de uma fã que dizia que, no momento em que Bartlet assinou o perdão veio na cabeça dela uma certa cena do episódio número 4 da série, cena aliás de que gosto muito. Mas não liguei muito pra isso.Só sei que quando Eu assisti a cena, essa mesma cena me veio à cabeça, mas no momento que Bartlet fecha os olhos, eu não sei se todos lembram, mas é uma frase clássica do Presidente que ele disse quando estava dopado: “Toby, Toby, Toby, Toby. Toby is a nice name, you know that, don’t you?”
    Outro momento que me lembrou muito o Toby é a cena entre Bartlet e Santos(que eu simplesmente detesto!) no carro. Bartlet diz que aprontou pra ele com os perdões, e Santos pergunta se é a Vovó da erva, ou sei lá o nome dela, aí ele confirma e diz que há mais alguns.Estão falando de Toby, é claro. Mas o que me chamou atenção(pelo menos na minha mente louca pelo Toby), é depois que ele diz isso ele para por um instante, como se tivesse pensando em algo, e em seguida pergunta ao Santos pelo discurso. Foi imposível não pensar de novo no Toby. Pra mim, acho que só pra mim mesmo, me pareceu que ao falar do Toby, ele se lembrou do discurso. Não acho que essa tenha sido a intenção do John Wells ao escrever isso, mas foi impossível não lembrar dos discursos incríveis de Toby e Sam. Esses momentos me deixaram mais tranquila quanto ao final de Toby.
    Porque houve o fim do interminável jogo de xadrez que ele e Bartlet iniciaram no episódio The Crackpots and These Women, e que continuou por vários e vários episódios durante todos esses anos, entre eles 17 People e The Two Bartlets. Sem um claro vencedor, mas com esses dois caras que sempre discutiram e se gostaram muito em paz. Não vimos Toby nesse episódio, mas pra mim(e espero que pra mais gente), de um jeito ou de outro, ele esteve lá o tempo todo.

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