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Reviews

The Walking Dead – Clear

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Série: The Walking Dead
Episódio: Clear
Número do episódio: 3×12
Exibição nos EUA: 03/03/2013
92.75
4.6
4

Clear pareceu um daqueles episódios que as séries fazem para poupar um dinheiro no meio da temporada. A história se centrou em poucos personagens principais e economizou em elenco, mas por outro lado o que não deve ter sido nem um pouco econômico foi a quantidade de detalhes na direção de arte e o número de figurantes zumbis. O episódio foi vagaroso, é fato, mas rico em detalhes que parecem que foram feitos para os fãs da saga. No entanto, Clear ainda fica muito longe do ritmo imposto por The Walking Dead no início da temporada e que tanto empolgou a audiência.

Nas primeiras cenas Rick, Michonne e Carl passam de carro por um homem peregrinando sozinho e logo depois encontram uma placa destinada a “Erin” e indicando um caminho onde seus familiares ou amigos estavam indo. Logo que chegam perto da cidade, o carro atola e um dos errantes que ataca o carro tem uma pulseirinha que diz “Erin”. Até conseguirem matar os vários errantes e desatolar o carro o homem da estrada reaparece desesperado, mas o trio parte com o carro novamente. Já nas últimas cenas Rick, Michonne e Carl passam novamente pelo homem solitário, mas dessa vez só pedaços de seu corpo estão espalhados pela estrada. O trio volta e pega a mochila abandonada pelo homem.

Foram detalhes como os citados acima que deram um ar diferente para Clear e enriqueceram os detalhes do episódio. No entanto, o ritmo central da história seguiu morno nos 40 minutos em que a saga do trio se arrastou pela cidade armadilha. Apesar de não ter sido um ótimo episódio Clear mostrou que tinha um propósito. A ideia era trabalhar peculiaridades do contexto de The Walking Dead e características específicas dos personagens. A direção optou por não mostrar Rick, Carl e Michonne matando aquela horda de errantes que cercou o carro, optou por trabalhar o psicológico dos personagens.

A desconfiança de Carl sobre Michonne vira uma parceria que possibilitou a conquista do presente de Judith: uma foto de sua família. Rick reencontrou Morgan, que salvou sua vida logo no primeiro episódio da série e agora está quase enlouquecendo nesse mundo tomado de mortos vivos. As armadilhas de Morgan foram interessantíssimas, pela primeira vez vimos em The Walking Dead um planejamento de segurança que realmente é criativo e funciona. Talvez não por um grande período de tempo, mas a ideia central de defesa é vista pela primeira vez com um planejamento interessante.

O resultado da aventura da Carl, Michonne e Rick é a conquista de um maior arsenal de armas, que deve dar mais segurança ao grupo do presídio. No entanto, esse acréscimo ainda não é garantia de que o Governador não tenha vantagem em um confronto direto. Continuo acreditando que para uma vitória do grupo de Rick é fundamental a interferência de Andrea. Já Michonne ganhou mais confiança de Rick depois dessa empreitada e quem vai ganhar com isso é o próprio Rick. Quem não gostaria de ter uma Michonne em seu exército? Se um dia o mundo como conhecemos for dominado por errantes quero encontrar com a Danai Gurira. Só de olhar para o semblante da “Michonne” já me sentiria mais segura.

Como a questão psicológica foi a linha central de Clear, a negação de Rick em ajudar o homem solitário mostra como o grupo está ferido emocionalmente e não sente remorso em não ajudar outro alguém. Depois de tantos problemas com as pessoas que pediam ajuda, Rick e o resto do pessoal do presídio se acostumou a se defender simplesmente, e não tentar ajudar os outros e talvez plantar um problema em seu grupo. Morgan é um exemplo de como a loucura pode afetar uma pessoa que perde a família toda, terrivelmente, para essa praga zumbi. Vivendo sozinho ele não tem mais esperanças de uma vida melhor e nem aceitou seguir Rick para se juntar a turma do presídio.

Clear apresentou uma situação muito interessante que foi o crescimento de Carl como personagem e como figura importante no grupo de Rick. Carl não é mais um menino, atira bem e tem mobilidade nas ações de defesa e ataque. No entanto, ainda é uma criança que precisa de orientações e a parceria dele com Michonne caiu muito bem no episódio.

Outro ponto interessante da terceira temporada de The Walking Dead é a trilha sonora, em Clear mais uma ótima música encerra o episódio. Devemos lembrar também das cantorias coletivas puxadas por Beth em alguns episódios do último ano da série. Em mais uma exibição vagarosa de The Walking Dead, após a sua volta do hiato de final de ano, o episódio destacou os pontos psicológicos dos personagens e isso pode ter uma importância crucial a partir de agora na série.

Rick parece mais são, Michonne já passa a ser mais confiável aos olhos de Carl e Rick, e tudo isso pode refletir nas relações do grupo nos próximos episódios e para o enfrentamento com o Governador, que deve estar bem próximo de acontecer. Podemos ter tido um episódio lento e cheio de carga psicológica envolvida, mas The Walking Dead parece ter reservado muita ação para o embate entre os dois núcleos da série.

Séries citadas:

é Jornalista, Publicitária, Gaúcha, Capricorniana de 84. Além de escrever no TeleSéries, trabalha como coordenadora de imprensa na Prefeitura de Taquari e assessora de imprensa no Campeonato Gaúcho de Rally 4x4. Fã de cinema, esportes, literatura, música e séries de televisão. Começou a assistir seriados com E.R. e Arquivo. X. Gostaria de ter estudado em Hogwarts, jogado quadribol e tomado cerveja amanteigada, mas se contenta com um gol do Grêmio e uma Heineken. Nunca ganhou um prêmio importante, mas já levou pra casa um Kikito de chocolate de Gramado/RS.

Website: http://www.alineben.blogspot.com

3 Comments

  1. biancavani

    Foi muito bom ver Rick menos alucinado. E, como disse Aline, um dos pontos altos do epi foi a atitude impassível diante do homem que implorava por ajuda – e, para culminar -, na volta, vendo o resto das carnes ensaguentadas que sobraram (rs), aproveitaram para pegar a mochila, que devia ter coisas úteis para o grupo de Rick. Qualquer palavra seria supérflua para mostrar como são (e, aliás, devem ser) as regras desse novo mundo. Solidariedade , compaixão, não são mais virtudes, as quais eram a base da antiga sociedade.
    Todavia, ainda não desapareceram por inteiro, haja vista as tentativas de Rick para ajudar Morgan; Carl arriscando a vida para pegar uma fotografia (a memória de um mundo diferente); a dureza de Michone (que foi quebrada pelo gesto de Carl e pela beleza de um brinquedo). Ou seja, ainda há esperança de que o mundo possa voltar a ser o que era….

    Eu achei o máximo!

  2. Aline Ben

    Bem boa essa tua relação dos fatos Bianca. As pessoas tendem a ajudar outras que estão próximas. Quando conseguem construir uma ligação, essa ligação é muito forte e faz de dois estranhos uma família. Ao mesmo tempo tudo que é novo é suspeito e as pessoas não tem mais compaixão gratuita, precisam de uma ligação mais forte para arriscarem a vida por alguém, já que qualquer ato de compaixão pode se tornar um risco à própria vida. Cruzes, também filosofei. Hehehe.

  3. Hugo Bruno

    Eu achei esse episódio sensacional, com um ritmo diferente dos últimos exibidos! Essa carga psicológica que o episódio teve e a aparição de Morgan foram um prato cheio, muito satisfatório.

    Foi bacana ver a Michonne interagindo mais com o Carl e, assim, ganhando mais um pouco a confiança deles. Ela já é um membro importante do grupo, só faltava eles perceberem isso. E ela e a piada do tapete… gente, o que foi aquilo? AHEUAHUEHAUEHAUEAU Eu morri nessa parte. Com a Michonne se abrindo vai ser possível vermos mais cenas assim.

    E ok, já falaram do carinha da estrada. Foi realmente impressionante ver como os personagens mudaram. Eu esperava que ao menos o Carl tivesse dito alguma coisa, mas ele já não é mais uma criança, e pra quem teve que atirar na própria mãe, abandonar um desconhecido na estrada não deve ser nada. Mas mesmo assim ele me surpreendeu se desculpando com Morgan.

    Agora… o Morgan. Não dá nem pra imaginar o que ele passou. Ele deixou de matar a mulher infectada e acabou causando a transformação do filho. Sério, difícil ver isso. Eu já esperava que ele não fosse com o Rick, mas pelo menos esse insistiu (e muito), mesmo sem sucesso.

    E a trilha sonora! Eu fiquei horas com aquela música na cabeça depois de ter visto o episódio. Achei perfeita, super melancólica, mas ao mesmo tempo tinha uma suavidade que casou super bem com o encerramento do episódio. Quero ouvir mais músicas assim. :D

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