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The Newsroom – Run

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Série: The Newsroom
Episódio: Run
Número do Episódio: 3×02
Exibição nos EUA: 16/11/2014
Exibição no Brasil: 30/11/2014
Nota do Episódio: 8

Depois dos acontecimentos em Boston e da cobertura feita pela ACN, os ânimos da redação do telejornal ainda não se acalmaram. O episódio Run já sugere que os espectadores fiquem alerta com o que poderá acontecer com Will, Mackenzie, Neal e os outros personagens da série.

A relação entre Reese e os seus meio-irmãos (possíveis acionistas na empresa ao completar 25 anos), Randy e Blair, aparece nos primeiros momentos do episódio. As cenas que seguem a conversa dos três (e depois dos cinco, com a chegada de Charlie e de Leona) mostram uma tentativa, um tanto desesperada, dos responsáveis pela Atlantis World Media (AWM) de que eles ainda têm credibilidade com sua programação, e principalmente pelo seu telejornal, ainda que a audiência não tenha sido recuperada completamente. Como o próprio Charlie pergunta a Randy e Blair: “O que vocês acham que poderia acontecer com a ACN nas mãos de outras pessoas?”. A resposta de Blair de que seria muito mais rentável vender as câmeras do que continuar gravando com elas expressa que muito dinheiro ainda tem que rolar para que um acordo seja fechado.

run newsroom - reese e irmãos

Em outro ambiente, Will aparece ao lado de Neal antes dos dois conversarem com a advogada Rebecca Halliday sobre o caso de espionagem. Quanto ao caso, três pontos me chamaram a atenção:

A evolução de Neal

Antes achava que Neal era subestimado pelos outros (por ser o “jovem geek”, responsável pelo meio digital), até porque muitos outros personagens também agiam da mesma forma, deixando as pautas dele de lado, desconsiderando algumas ideias mais malucas e sendo um pouco mais pé no chão do que ele. Em Run, ele aparece muito mais centrado, aparentemente mais responsável ou consciente pelos seus atos.

run - neal

Noticiar ou não?

A questão de noticiar ou não a história contida nos relatórios me lembrou um pouco o enredo do filme Faces da Verdade (Nothing but the truth). No filme, a protagonista consegue um furo de reportagem que envolve a identidade de uma agente da CIA. Mesmo sabendo das consequências que isso poderia trazer, ela publica a notícia e acaba sendo presa por não relevar a identidade da fonte que lhe revelou a informação. Nesse caso, a importância do furo para a carreira a protagonista aparece em primeiro lugar, sendo que as consequências para a vida de outros (como a da própria agente da CIA) aparecem em segundo plano.

No seriado, Neal tem essa escolha de pensar o que seria certo ou não fazer, publicar ou não publicar as informações, depois de ele ter incentivado sua fonte a procurar por mais dados sobre a história (o que sugere espionagem, já que ele pediu para a fonte revelar outros documentos secretos).

Acho que, diferentemente do filme, a discussão sobre a importância do história foi muito mais intensa. O que era o de se esperar, já que produtores, editores e o âncora se responsabilizaram pelo poder daquilo que tinham em mãos (tanto pelo valor dos documentos e pela identidade sigilosa da fonte, quanto pela segurança de Neal). Isso resultou em diversos “não vamos dar a notícia”, que foram repetidos várias vezes por Mackenzie, Will e pela advogada. O que eu realmente acreditei que seria mostrado outras várias vezes, até que eles desistissem a possibilidade de noticiar o caso, mesmo que uma amiga de Mackenzie tivesse dito que a Lei de Espionagem fosse “a segunda página de resultados do Google”, que ninguém se importaria com ela.

Neal e Will

Para complementar, Will, que parece muito mais desesperado com a situação, acaba surpreendendo ao se aproximar um pouco mais do jovem jornalista e compreender como ele se sentia. A partir do momento em que ele chamou Neal para conversar, tive certeza de que Will percebeu a dimensão e a importância de a dar a notícia, mesmo que Neal fosse preso temporariamente. Foi aí que o episódio me ganhou, porque muito além do bate-boca sobre a segurança, o “confronto” com o FBI, a certeza e a confiança que Neal teve sobre o assunto foi muito mais longe do que era de se esperar. Foi além do cômodo “deixa o assunto pra lá”, para não queimar o nome da ACN ou de outros envolvidos com o canal.

run newsroom - will e neal 2

Outros personagens

Quanto aos demais personagens, eles aparecem e fazem um balanço no episódio – levando em conta que o caso de espionagem pesa bastante em toda a narrativa. Num tom divertido, Don e Sloan falam sobre o relacionamento deles e o termo “casal” deixa os dois bem assustados com a ideia do settle down (que eu considero como o famoso “sossegar o facho”). Tem até mesmo uma cena em que Sloan questiona Don já que o “sexo é muito bom, obrigado” mas eles continuam com o pé atrás de assumir um compromisso. Na volta para casa, Maggie quase consegue um furo de reportagem, mas acaba tendo uma lição de ética dentro do trem (de um próprio professor de ética, que acaba flertando com ela). Já na redação, Jim e Hallie tem que lidar com um deslize da moça que pode até mesmo custar o seu trabalho.

Run aparece na terceira temporada de Newsroom como um alerta. Apesar do fim estar por perto, muita coisa ainda está por vir e Aaron Sorkin promete trazer muita inquietação para aqueles que estavam de desanimados com o ritmo da série.

Séries citadas:

22 anos, jornalista formada pela Unesp de Bauru. Suas primeiras séries foram: Lois & Clark, Veronica Mars, Gilmore Girls e Smallville. Atualmente acompanha: The Big Bang Theory, The Middle, além dos Top Chefs e Master Chefs.

1 Comment

  1. Starro

    O primeiro da temporada foi muito bom, mas esse episódio eu achei irretocável. É como se Sorkin quisesse calar a boca dos detratores, corrigindo ou melhorando tudo o que criticavam na série, desde as subtramas românticas até a suposta incompetência das personagens femininas (crítica com a qual nunca concordei).Cada uma dessas duas crises que a ACN está enfrentando poderia render uma temporada inteira, e mal acredito que teremos tão poucos episódios para fechar tudo isso.

    É uma pena que Sorkin não queira mais trabalhar na televisão, mas se The Newsroom continuar nesse nível, será uma despedida mais do que digna.

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