Log In

Reviews

The Good Wife – The Debate

Pin it

Série: The Good Wife
Episódio: The Debate
Número do Episódio: 6×12
Exibição nos EUA: 11/01/2015
Nota do Episódio: 10

Mais um episódio de The Good Wife, e, assim, quase sem nos darmos conta, ultrapassamos a metade da temporada. E não restam dúvidas: The Debate, episódio que antecedeu um longo hiato para a série, veio enriquecer ainda mais esta temporada, já marcada por tantos episódios extraordinários.

Alicia x Prady.

É chegada a hora do tão esperado debate entre os candidatos à Promotoria. Mas, ao invés de nos entregar um episódio linear, que apenas cumprisse o papel de nos entregar um debate político tradicional, The Good Wife foi além, nos surpreendendo mais uma vez ao inserir neste contexto assuntos controversos – e ainda doloridos – da recente história americana. Junte à isso uma cozinha de hotel repleta de funcionários cheios de opinião (e dúvidas), e você tem, talvez, a medida do sucesso deste episódio.

Já estamos carecas de saber que Alicia tende a ficar dispersa e um pouco perdida quando sente cerceada a sua liberdade de argumentar e se expressar como bem entender. Por isso mesmo, esta tem sido uma jornada dura para ela (e não menos para Eli e Johnny). Os momentos em que a boa esposa cresceu e mostrou a que veio nos debates – tanto no oficial quanto no informal – foram justamente aqueles em que ela se sentiu livre para discutir com paixão, com conhecimento de causa.

E ela foi brilhante em ambos! A realidade de seu casamento com Peter já é assunto batido para ela. Mas vê-la defendendo de maneira tão clara e eloquente a sua privacidade e a de seus filhos, ao mesmo tempo em que apontou que nada do que ela dissesse sobre o assunto poderia ou deveria afetar o seu desempenho como promotora não só me deixou orgulhosa como também foi fundamental para virar o jogo para ela.

Já diante de uma pequena plateia de funcionários do hotel, Alicia deu um show capaz de deixar a equipe de Prady de cabelos em pé. Ao apontar toda a poesia presente no discurso de seu oponente, Alicia mostrou ser a candidata mais apta a assumir o cargo a que concorre. Todo aquele discurso sobre igualdade, sobre erradicar o racismo, de fato é poético e belo, porém utópico. Alicia é muito mais capaz porque entende que consertar tudo o que há de errado no mundo ou mesmo na sociedade em que vive não é função do promotor.

“Eu não estou tentando refazer o mundo. Eu não acho que consiga mudar as pessoas. O que eu acho que consigo fazer é mudar a Promotoria.” – Alicia.

E, mais ainda, ela foi brilhante porque não se escusou de falar sobre Lemond Bishop e seus clientes notoriamente criminosos. Como advogada de defesa, Alicia representou o que de pior a sociedade local tem a oferecer. Saberia, portanto, colocá-los na cadeia como Prady jamais conseguiria. Além disso, por experiência própria – profissional e pessoal, vale dizer –, ela sabe o que existe de mais fétido na Promotoria.

Por que alguém ainda votaria em Prady? É a pergunta que não quer calar.

Peter

Enquanto isso, Peter e Eli estavam em polvorosa justamente tentando lidar com a causa da interrupção do debate entre Alicia e Prady. Por alguns minutos, vimos Chicago se transformar na pequena Ferguson, Missouri, em um caso assustadoramente semelhante ao de Michael Brown. E é por isso que esta série é grandiosa: ela não tem medo de cutucar a ferida, e o faz com uma competência ímpar.

O que ocorre nos bastidores do poder quando uma morte estúpida como esta vem à tona? Eli com sua “nova” assistente negra representou com perfeição esta equação sombria. Abraços na viúva aqui, um discurso apaziguador ali, e a tentativa de conter aquela tal de “rebelião racial” que jamais aconteceu de fato. Tudo isso na presença de dois pastores, pai e filho, em posições fundamentalmente opostas naquele caos.

O júri, por sua vez, não levou mais do que dez minutos para deliberar e inocentar os policiais que tiraram a vida de Cole Willis por motivo algum. Ainda muito próximo da realidade, talvez? Ainda muito dolorido? Com certeza. Mas o fato de os roteiristas terem acertado exatamente qual seria o desfecho desta história tão trágica – que foi escrita e gravada ANTES do veredito de Ferguson, como bem apontado no início do episódio – deixa a todos nós um pouco perplexos e desesperançosos, não?

Ramona, naquele cenário, não passou de um detalhe com péssimo timing. Será que Peter realmente partiu seu coração? Qual o teor daquela conversa misteriosa na limusine? Eu ainda acho que esta história está longe de terminar.

DianeCary

A Florrick, Agos & Lockhart também passou por momentos de tensão, com a perda de Neil Gross e de sua Chumhum, maiores clientes do escritório. Fiquei surpresa com a atitude de Cary e Diane de optarem por trazer David Lee (e sua cretinice) para salvar o dia, principalmente porque, antes de mais nada, isto representa mais uma involução para aquele que deveria ser um “novo escritório”. O nome mudou, é verdade, mas as transformações pararam por aí. O escritório é essencialmente o mesmo. Então de que adiantou dar o grito de liberdade? Está cada vez mais difícil para a Florrick, Agos & Lockhart se desvencilhar dos velhos vícios e hábitos da Lockhart & Gardner…

O drama da Chumhum se desenvolveu longe dos olhos – e ouvidos – de Alicia, e a decisão de trazer David Lee de volta foi tomada com muita naturalidade sem o seu conhecimento. Alicia é sócia e não foi tratada como tal, talvez com uma parcela de sua própria culpa. Não sei se aquela acusação sobre o machismo que ela ousou dizer em voz alta é, de fato, justa, ainda mais quando se trata de Diane. Mas ouvir aquela pergunta foi bastante ofensivo à boa esposa e aos seus tremendos esforços para sair vitoriosa nas eleições. Verdade é que Alicia precisa decidir qual rumo deseja dar à sua carreira: advogada ou promotora? A escolha não é fácil, mas ambos estão rapidamente se transformando em âmbitos mutuamente exclusivos de sua vida. De longe, Alicia observava Cary e Diane, ciente de sua delicada situação. E agora, boa esposa?

Como no ano passado, The Good Wife entrou em hiato e, para nosso sofrimento, retorna apenas no dia 1º de março.

Até lá, pessoal!

PS: E o que dizer do climão com Elfman? Não acredito que Alicia sinta algo por ele – aquele beijo poderia ser dado em qualquer um que aparecesse em sua frente naquele momento! –, mas não sei se o contrário seria verdadeiro. O constrangimento de Johnny era quase palpável!

PS2: Adorei ver Grace no debate apoiando a mãe incondicionalmente. <3

AliciaGrace

Séries citadas:

é Analista de Relações Internacionais, graduada em Direito pela Faculdade de Direito de Curitiba e em Letras pela UFPR. Apaixonada por livros, música e séries de tv, será eternamente uma "Garota Gilmore", mas também assiste The Good Wife, Castle, Orphan Black, Grey's Anatomy, Hart of Dixie, Nashville, Parenthood - entre um milhão de outras - e jura amar todas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Log In or Create an account