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Reviews

The Good Wife – Old Spice, Message Discipline e Red Zone

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Série: The Good Wife
Episódios: Old Spice / Message Discipline / Red Zone
Números dos Episódios: 6×06 / 6×07 / 6×08
Exibição nos EUA: 26/10, 02/11 e 09/11/2014

Hora de ficar em dia com as reviews de The Good Wife… Ou quase isso. Preparados?

Pois bem, mais três episódios se passaram, e a certeza que ficou é que estamos diante de mais uma temporada fantástica desta série que já nos acompanha há seis anos.

E como não começar pela volta de Diane e Alicia à Lockhart & Gardner? A maneira como David Lee e Louis Canning foram despejados dali foi nada menos do que sensacional e me fez gargalhar, mas foi apenas a cereja no bolo. Não faz tanto tempo assim que Alicia saiu daquele mesmo escritório escorraçada por seguranças como um cão sarnento. Em questão de poucos minutos, passou de nova sócia à persona non grata. E o que dizer de Mrs. Lockhart? Sozinha e acuada após a morte de Will, se viu forçada a ir embora do escritório que ela mesma ajudou a criar. Ah, Will… Sempre ele. Há algumas reviews, eu mencionei que a saída de Diane da LG basicamente selava o fim do ciclo do personagem de Josh Charles. Engano meu. Will continua presente na série, aqui e ali, geralmente nos momentos mais cruciais (e emocionais). Lembremos que foi justamente quando Castro mencionou a sua morte que Alicia se viu compelida a concorrer à Promotoria. Agora, Alicia voltou para “casa”, para o lugar que a acolheu quando ela mais precisou. Mas, muito mais do que isso, agora ela é a ocupante do escritório que um dia foi de Will Gardner. A cena foi muito emocionante e me deixou cheia de lágrimas nos olhos. Será que um dia conseguiremos superar esta perda cruel?

“Minha presença física e eu estaremos em meu escritório, se vocês precisarem de mim.” – Howard Lyman

Este “retorno às origens” só não foi lá muito generoso com Cary. Com razão, ele não se sente à vontade em voltar justamente para onde fez questão de sair. Mas sejamos honestos: com a saída de Josh Charles, Robert e Michelle King foram obrigados a dar uma nova guinada nos rumos da série. O arco Lockhart & Gardner x Florrick & Agos ainda poderia render embates épicos e ótimos momentos para The Good Wife, mas sofreu um baque enorme com a partida de um dos personagens mais fundamentais para o seu bom andamento. Alicia, então, foi à luta pela Promotoria. Cary, por sua vez, ganhou destaque sob a forma de uma bela dor de cabeça com a sua prisão e iminente julgamento. Ninguém foi relegado a coadjuvante da própria história. E isso é maravilhoso.

CaryDiane

Acusado de favorecer Bishop na época em que trabalhava para a Promotoria, Cary está, mais do que nunca, correndo o grande risco de passar uma década ou duas na cadeia. O sumiço da cocaína a caminho do laboratório, aquela gravação comprometedora que supostamente o incrimina, e sua própria atitude furiosa e frustrada complementam esta complicada equação, cujo resultado, até agora, não parece muito promissor. Quem pode culpá-lo?

Mais assustadora, entretanto, foi a constatação de que Castro não tem interesse nenhum na resolução do caso ou mesmo em levar Lemond Bishop a julgamento. Pelo menos não quando o caminho que o leve até lá não passe obrigatoriamente por Cary. O jovem advogado é apenas um dano colateral nesta estratégia suja de campanha. Pior para Trey Wagner. Eu não ficaria surpresa se logo descobríssemos um envolvimento de Castro naquele trágico “acidente” de carro.

Ainda bem que Polmar não só matou a charada, como também pediu demissão e contou (quase) tudo para Alicia. Inclusive, eu estou bastante satisfeita com a participação de Matthew Goode na série até aqui, e estou começando a gostar da aproximação de seu Finn com Alicia – e digo isto não necessariamente como um par romântico, mas sinto que o personagem tem sido uma ótima válvula de escape para ela. As cenas dos dois sempre são delicadas e divertidas, e nos proporcionam alguns daqueles raros momentos de leveza de Alicia que tanto adoramos ver.

Mas, apesar da ajudinha indireta de Polmar, Cary ainda não consegue ver uma luz no fim do túnel. E quem diria que sua agente de condicional (e o juiz) concluiriam que a má influência desta história toda é… Kalinda?

KalindaLana

Há tempos que a personagem já não é mais a mesma – estamos cansados de saber, à esta altura do campeonato –, mas sempre que o roteiro fez um esforço para dar à ela algum sentimento ou emoção genuína, a coisa desandou e foi impiedosamente por água abaixo. Kalinda não é e nunca foi dotada de um compasso moral. Perceber que Cary ainda não se deu conta disso, e está magoado e triste com a sua distância e frieza é frustrante e um pouco desesperador, diante das circunstâncias. Mas sério mesmo que Kalinda decidiu se importar justo com Lana, justo agora, ainda mais quando isso significa enfrentar ninguém menos que Lemond Bishop?

(E um pequeno adendo: foi uma brisa de ar fresco ver dois episódios INTEIROS sem que Kalinda usasse seus dotes sexuais para seduzir e manipular qualquer coisa que ande e respire e conseguir exatamente o que quer. Pena que durou tão pouco.)

Advogados são péssimas testemunhas, e Cary não demorou em corroborar esta teoria. Perdido em sua própria raiva e indignação, ele passa uma imagem arrogante, e, com isso, nega ao júri uma chance de enxergar a injustiça de que está sendo vítima. Isto, claro, até o conselho sensato de Alicia mudar a sua perspectiva e o seu comportamento. Há quinze dias de seu julgamento, ainda há esperança. Certo?

Não se depender de Ramona, a nova assistente jurídica de Peter (e que, coincidentemente – ou não? –, é a mãe de ninguém menos que Lauren, a inesquecível estagiária avessa à calcinhas). Irônico pensar que a participação dela nos remete quase que imediatamente à Alicia que conhecemos na primeira temporada. Dona-de-casa e mãe em tempo integral por longos anos, Ramona, assim como Alicia, busca retornar ao mercado de trabalho. Mas… Por que Peter insistiu tanto em trazê-la para sua equipe de governo? Conhecendo o Sr. Governador como o conhecemos, sabemos que ele não dá ponto sem nó. Ramona, para o seu próprio bem, já conseguiu mostrar serviço ao conseguir evitar que Peter depusesse no caso de Cary. Sorte de uns, azar de outros… Aguardemos as cenas dos próximos capítulos!

Enquanto isso, a campanha de Alicia vai (quase) bem, mas não está isenta de dramas e conflitos pessoais.

“Eles merecem conhecer aquela que nós queremos que eles pensem que você é.” – Elfman

Adorei como a questão religiosa foi abordada em Old Spice, mais uma vez trazendo Grace para esclarecer os questionamentos de sua mãe sobre a fé e os princípios cristãos. Ficou muito claro que Alicia não está – e nunca esteve – em conflito com sua convicção religiosa, ela simplesmente é o que é: ateísta; o que a incomoda, entretanto, é ter que fingir ser alguém que não é em nome da política.

GraceAlicia

E nesta mesma política, cujas regras não fazem o menor sentido e tendem a mudar com a mesma constância que a direção do vento, tudo se resume às aparências. Como Eli e Elfman não cansam de dizer, a imprensa não tem qualquer interesse em histórias autênticas, especialmente quando as histórias fabricadas que a alimentam tem um apelo comercial muito maior.

Foi difícil assistir àquela entrevista com o pastor, porque sabíamos que aquela insinuação de que Grace teve algum impacto na fé de Alicia não era verdadeira. E a ironia maior é que a própria menina não vê problema algum nisso, e talvez por esta razão tenha se sentido tão desconfortável quando o seu grupo de reza teceu elogios rasgados ao seu “trabalho bem feito”. Mas não foi só isso: a entrevista também foi especialmente difícil por trazer à tona a morte de Will, e o desconforto de Alicia ao falar sobre o assunto publicamente me deixou com um nó na garganta. No fim das contas, a mensagem foi dada e a moral da história foi: “estou aberta à religião, sou toda ouvidos”. Será suficiente?

AliciaPrady

Mas nada poderia ter nos preparado para aquela cena ÉPICA entre Alicia e Frank Prady. David Hyde Pierce – o eterno Dr. Niles Crane, de Frasier – já chegou em Chicago chutando bundas e mostrando a que veio sem qualquer cerimônia. Foi um alívio ver, enfim, um candidato à altura de Alicia entrando na acirrada disputa – especialmente agora que Castro retirou sua candidatura. Ele só não contava com a coragem de Alicia de enfrentá-lo, também sem qualquer cerimônia, da maneira como ela o fez. Palmas para ela. A Sra. Florrick, talvez para seu próprio desgosto, está aprendendo rápido como jogar este joguinho macabro de regras maleáveis – o que é ótimo. Eli tem razão quando diz que Alicia precisa passar por cima desta ideia equivocada de que é superior – e, sendo esposa de Peter, nem haveria como ser diferente. Fato é que a fatídica entrevista para Prady foi mesmo uma estratégia de campanha, e eu confesso: adorei o “vazamento” daquele texto anti-Israel, que culminou no primeiro duro golpe de uma campanha que sequer havia sido anunciada. (Aliás, como não amar esta série, minha gente? Introduzir uma questão que é sempre tão controversa nesta briga de cachorros loucos não poderia ser mais atual… e genial.)

“Você é tão hipócrita. Você já sabe há dias que vai concorrer, mas me fez correr como uma idiota atrás do seu apoio. […] Não aja como se estivesse tentando mudar o sistema. Você É o sistema. […] Precisa de mais alguma coisa, Sr. Prady?” – Alicia

#EPIC

Mas nem só de campanha eleitoral e liberdade condicional vive a Florrick, Agos & Lockhart. A advogada inata que existe dentro de Alicia não relegou seus clientes e seus litígios à segundo plano. Muito pelo contrário. Nestes três episódios, tivemos um caso de espionagem econômica e um caso de estupro (ou sessenta), além das inestimáveis participações de Elsbeth Tascioni (RAINHA!), Louis Canning (odeio amá-lo, ou amo odiá-lo? Não consigo decidir), e Owen.

AliciaOwen

O irmão de Alicia, inclusive, foi o responsável por trazer mais um assunto atual e polêmico para o universo da série. Red Zone, o oitavo episódio desta temporada, nos presenteou com o caso de uma aluna de Owen que foi estuprada por um colega dentro da universidade onde estuda. Como se não bastasse passar por uma espécie de julgamento às avessas dentro de um bizarro “tribunal universitário”, a menina, como sempre, sofreu as consequências de uma cultura porca, retrógrada e machista de culpar a vítima. Pior do que isso: neste tribunal grotesco, era permitida apenas a presença – silenciosa – de um advogado (!). Coerência manda lembranças. Muito pertinente e condizente com a realidade de milhares de jovens mulheres mundo afora. Acontece lá, acontece aqui, acontece em todo lugar com uma frequência e naturalidade devastadoras.

O estuprador acabou expulso da universidade por motivos escusos e que nada tinham a ver com o abuso sexual si, mas o caso pelo menos deu visibilidade à campanha de Alicia (e trouxe de volta Louis Canning, sua cadeira de rodas, máscara de oxigênio e rins deteriorados, o que é sempre um bônus). A pesquisa entre seus possíveis eleitores, que tanto a assombrou durante o episódio, sofreu uma reviravolta a seu favor, e, de arrogante e egoísta, Alicia passou a (quase) santa. Again.

Pouco ou nada adiantou a sua atitude altruísta de esfregar panelas e servir refeições aos pobres. O que o eleitorado de Cook County quer mesmo é a imagem imaculada de Alicia. Eli não poderia ter dito melhor:

“Pare de agir como se isso fosse sobre você se tornar uma pessoa melhor. É sobre você parecer uma pessoa melhor! É isto o que os eleitores respeitam: as aparências.” – Eli

Para terminar, algumas considerações:

“Hey, I just met you
and this is crazy
but here’s my number
so call me maybe…” – Carly Rae Jepsen

Elsbeth

“Essa música que eu ouvi no radio, Call Me Maybe. Eu adoro ela. É popular? […] Não consigo tirá-la da minha cabeça!” – TASCIONI, Elsbeth.

Eu nunca, nunca, NUNCA MAIS vou ouvir Call Me Maybe sem lembrar de Elsbeth RAINHA Tascioni. E eu nunca, nunca, NUNCA ri tanto nessa minha vida de seriadora, acreditem! É justo dizer que eu levei pelo menos duas horas para conseguir terminar de assistir este episódio, porque assisti esta cena em looping por um tempo considerável! Me julguem, mas… Confessem: vocês fizeram o mesmo, não fizeram? hahaha

As participações de Carrie Preston em The Good Wife são sempre sinônimo de episódios geniais. Neste caso, o “genial” foi o resultado de uma equação disfuncional composta por: espionagem econômica + Elsbeth + Josh Perotti + “in my opinion” + Call Me Maybe. Qual a probabilidade de um arco desses dar errado? #EPIC²

Depois de uma noite de sexo selvagem em sua mesa de trabalho ao som de Carly Rae Jepsen (e não, eu não acredito que acabei de escrever isso), não poderíamos esperar muito mais, certo? ERRADO. Muito, muito errado. Quando pensávamos – nós e Josh – que nada mais poderia acontecer, Elsbeth sambou coletivamente em nossas caras perplexas, e destruiu o caso de seu amante ao consentir a gravação da conversa que o implicava na destruição de provas cruciais para o julgamento.

Ah, Elsbeth… Volte logo, por favor. Não sabemos mais viver sem você, SUA LINDA!

Se você leu até aqui, o meu muito obrigada! Estamos quase em dia com as reviews, meus queridos… Stay tuned.

PS: Por onde diabos anda Robin? Com a saída iminente de Archie Punjabi da série, esperava uma participação mais expressiva daquela que certamente será a sua sucessora. Estou sentindo a sua falta…

PS2: Nossas preces foram ouvidas, e Marissa, a filha baphônica de Eli, está de volta. E com ela, toda a sua deliciosa cretinice. Cheia de opiniões e completamente maluca, não poderia existir uma personal assistant mais perfeita para Alicia, e eu mal posso esperar para ver o que o futuro lhe reserva.

“Todos falam sobre Deus como se ele fosse um tiozão qualquer, que vive escondido no sótão.” – GOLD, Marissa.

I rest my case.

Séries citadas:

é Analista de Relações Internacionais, graduada em Direito pela Faculdade de Direito de Curitiba e em Letras pela UFPR. Apaixonada por livros, música e séries de tv, será eternamente uma "Garota Gilmore", mas também assiste The Good Wife, Castle, Orphan Black, Grey's Anatomy, Hart of Dixie, Nashville, Parenthood - entre um milhão de outras - e jura amar todas.

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