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Especiais Opinião

#TeleSéries10Anos: Eu nasci há 10 anos atrás…

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Em agosto de 2002, quando o TeleSéries nasceu, a forma como acompanhávamos séries de TV era outra. E o site meio que nasceu da ideia de mediar a comunicação entre os canais de TV paga brasileiros e os telespectadores. Não havia outro jeito: não haviam redes sociais, os lançamentos em DVD eram tímidos, as conexões streaming que hoje permitem assistir a seriados em tempo real não existiam e, o acesso a banda larga ainda era restrito, com a transferência de arquivos pelas rede P2P ainda engatinhando (e, derrotado nos tribunais, a primeira grande ferramenta de compartilhamento, o Napster, já saia de cena). As notícias sobre séries na internet eram muitas. Mas em português as fontes eram escassas. Na grande imprensa, os textos sobre o assunto geralmente eram confusos e incorretos.

E a programação?

A temporada 2002/2003 foi a primeira pensada pelos executivos após o impacto dos atentados de 11 de setembro. Os shows de ação que abordavam a temática terrorista (com a rara exceção de 24 Horas) foram se transformando (The Agency voltava repaginada e a contraespionagem de Alias mudaria bastante a partir da metade da segunda temporada) e perdendo espaço. Comédias e shows policiais predominavam a programação dos canais em setembro. Na temporada encerrada em maio, Friends havia se consolidado como o programa mais popular da América e, naturalmente, a NBC construía sua grade em torno da série e lutava nos bastidores para manter os atores sob contrato por mais alguns anos.

CSI, Friends, CSI:Miami

Mas o seriado mais visto de 2002/2003 acabou sendo a policial CSI, da concorrente CBS, que em seu terceiro ano vivia seu auge criativo. E CSI dava frutos, muitos: apesar de alguns problemas na largada, o spin-off CSI:Miami se tornou a série nova mais assistida da temporada; e Jerry Bruckheimer emplacaria ainda mais um procedural drama, Without a Trace. A CBS começava a moldar a grade que logo daria ao canal o apelido de Crime Broadcasting System, por conta do grande número de shows policiais e assim se tornava a emissora mais assistida dos EUA, desbancando a NBC.

Mas não foram as séries os destaques do ano. Em 2002, os reality shows consolidariam seu reinado na TV americana. Dias antes da fall season estrear, o American Idol encerrava sua primeira temporada, exibida no verão, com audiência de expressivos 23,02 milhões de telespectadores. A segunda temporada se tornaria histórica: com média de 21,03 milhões e 38,06 milhões de telespectadores sintonizados na decisão entre Ruben Studdard e Clay Aiken. O canal encontrara sua mina de ouro, iniciando um reinado de altos índices de audiência que duraria uma década. A mesma Fox ainda construiria outro grande hit durante a temporada, este fugaz: Joe Millionaire. Na linha The Bachelor, o programa mostrava a procura do ricaço Evan Marriott por uma esposa. Mas o que as pretendentes não sabiam é que tudo não passava de uma grande pegadinha do canal – Evan era na verdade um operário da construção civil. O episódio de revelação deu ao canal mais de 40 milhões de telespectadores. Sem o elemento surpresa, o show sumiria do ar no ano seguinte.

American Idol, Joe Millionaire, The Sopranos
Na TV paga, a concorrência era menor e não haviam tantos canais produzindo séries, como existem hoje. Quem dava as cartas era a HBO. Depois de um longo hiato de 16 meses, The Sopranos voltava para sua quarta temporada com índices de audiência que humilhavam as grandes redes: 13,425 milhões de telespectadores em 15 de setembro de 2002. O sucesso de Sopranos, Sex and the City e Six Feet Under criava o nicho de mercado pra dramas adultos na TV. E o primeiro canal a buscar uma fatia do mercado foi o FX, que em março de 2002 estreava a realista e sofisticada série policial The Shield.

Ao mesmo tempo, o USA Network criava sua própria fórmula, com Monk. O detetive com transtorno obsessivo-compulsivo de Tony Shalhoub se tornou um fenômeno e abriu caminho pra diversas outras séries que mesclariam humor e investigação policial em doses iguais.

Na premiações, o avanço da TV paga seria sentido imediatamente – em 2002, Sex and the City era e Six Feet Under eram a melhor comédia e melhor drama no Golden Globe e, em 2003, a melhor comédia seria Curb Your Enthusiasm e o melhor drama The Shield. No prestigiado Emmy Awards o reconhecimento vinha nos prêmios técnicos e para os atores destas séries. O posto de Melhor Drama, no entanto, demorou a vir. Tudo porque, até 2003, uma série tinha cadeira cativa na preferência da crítica: The West Wing. O show ambientado nos bastidores da Casa Branca, estreleado por Martin Sheen, dominou por quatro anos a premiação, sedimentando a reputação de Aaron Sorkin como produtor de dramas inteligentes e de diálogos ágeis, influência que se faz presente até hoje em Hollywood.

No Brasil, haviam muito menos canais e menos opções na TV paga. Mas os canais, ah, quanta diferença! A programação em 2002 era basicamente concentrada entre Fox, Sony, Warner e, com menos séries, por AXN e USA. Mas o primetime, ah, era de primeira qualidade. Sony e Warner exibiam três horas de séries inéditas, seis dias por semana. Na Sony, Dawson’s Creek fazia a cabeça dos adolescentes nas noites de segunda-feira. Na Fox, Buffy e Angel formavam uma dupla imbatível nas noites de terça, enquanto que Arquivo X se despedia da TV.

Os canais ainda estava se profissionalizando. A fall season começava em novembro, porque basicamente os episódios chegavam no Brasil em fitas, eram The West Wing, The Shield e Scrubs
legendados no país e voltavam pra a matriz (Miami ou Venezuela) para serem transmitidos. Esta rotina obrigava os canais a uma janela de no mínimo dois meses de exibição em relação aos EUA. As emissoras não observavam o horário de verão – por conta disto, o horário nobre, de novembro a fevereiro, ia das 21h à meia-noite. Em novembro de 2002, a Warner montou uma programação nas noites de quinta-feira que deixou saudades: o canal abria a noite com a exibição de Gilmore Girls, passava pela emocionante estreante Everwood e culminava com a veterana e campeã de audiência ER.

Apesar da base pequena de telespectadores de TV paga no Brasil – éramos apenas 3,5 milhões de assinantes – os investimentos em marketing eram pesados, com a Sony trazendo praticamente todo ano astros de algum show ao país (em 2002, os visitantes foram os atores do elenco de Scrubs, que iniciava sua segunda temporada).

E, claro, na TV por assinatura predominava a programação em inglês, com legendas eletrônicas em português. Hábito que foi se perdendo, ano após ano.

Séries citadas:

É jornalista, pós-graduado em Jornalismo Digital pela Pucrs e trabalha com produção de conteúdo para Internet desde 1995. É editor de internet do Jornal do Comércio, de Porto Alegre. Fundou o TeleSéries em agosto de 2002. Na época, era fã de The West Wing, The Shield, Família Soprano e Ed. Atualmente é viciado em The Good Wife, NCIS, Game of Thrones e Parks and Recreation.

12 Comments

  1. Bruno

    Bons tempos! Amava pegar a programação da net na revista ou ficar esperando no canal que passava a programação pra ter certeza de que as séries iriam passar no horário! E Buffy e Angel na terça? Clássico! Muito amor por essa época!

  2. Thiago Sampaio

    Eu me lembro disso. Por ser nostálgico era melhor, ou antes a TV a cabo tinha canais bons de verdade? A trinca Sony, Fox e principalmente Warner era pedida obrigatória pra mim e, acredito, pra muita gente. Adorava essas quintas da Warner, ver inéditos de Friends… ainda não assistia The West Wing nem Sopranos e simplesmente não sabia o que estava perdendo, tinha minha favorita ER… Bons tempos mesmo. Infelizmente só conheci o Teleseries em 2005… Queria ter vivido essa época aqui “)

  3. Paulo Serpa Antunes

    A ironia é que na época tinha menos canais mas eles pareciam mais diferentes, né? Hoje a TV paga parece menos segmentada do que naquela época. Ou é pura implicância nossa?

  4. Tati Leite

    Nossa, por isso que acabei assistindo Gilmore Girls e assisti pedaços de Everwood mesmo sem gostar. Esperando ER começar. Não lembrava disso.

  5. biancavani

    Quando começou a baixaria de só dublados, eu não quis mais tv por assinatura. Mas antes eu gostava muito mesmo. Adorava o P&A, sobretudo o Changing Rooms, com aqueles arquitetos posh, e What not to wear.
    Amava o AXN. A voz da mulher que anunciava os programas era o máximo, séria, profissional. Tempos de Lost, das primeiras temporadas de NCIS, de Andromeda…
    E a Sony, a Warner, em horários diferentes temporadas diferentes de ER, Friend (naquele tempo não eram repetições exaustivas).
    Bem, sempre me incomodaram muito as interrupções para as propagandas, mas mesmo assim eu deixava pra lá, pois o restante de qualidade superava os defeitos. E as propagandas de perfume eram inebriantes…

    Sim, a TV por assinatura e eu já tivemos ótimos momentos. Ela me fez muito feliz. Então, como acho muito deselegante falar mal de amores do passado, desejo à TV por assinatura muitas felicidades – foi bom enquanto durou.

  6. Bruna

    Nossa, que saudade dessa época da Warner, era bom demais ver Friends, Gilmore Girls, The OC, Two and a half men (as 3 últimas começando em 2002/2003). A WB era o canal que eu mais assistia nessa época, era bom demais. De manhã passava desenho e a tarde seriados. Estava começando a ver ER tbm, e me lembro de ter ficado pra lá de perdida com as reprises e os inéditos haha (mas logo a série se tornou uma das minhas favoritas). Não me lembro de acompanhar as séries da Sony e da Fox naquela época.

  7. paulo chicaroni

    era muito melhor naquela época, menos canais porém mais qualidade na programação , adorava o canal sony no começo , principalmente as terças e quintas de comedia , a warner tambem era melhor .Hoje praticamente eles pegam duas três series e já querem fazer um canal novo , é um saco porque você paga e um pacote com os canais basicos sony , warner e fox e hoje não passa metade da quantidade de series que passavam em 2002 .Por exemplo antes na fox passava simpsons , american dad , family guy , bem os desenhos passavam todos aos domingos , hoje na fox só passa simpsons e futurama , as series estão muito espalhadas por diversos canais.

  8. Pablo Biglia

    2002 foi uma época de ouro dos canais. Era aquela época em que eu ficava esperando novembro pra saber quais séries novas o Sony traria para sua programação vespertina (sempre gostei dessa programação do canal). E foi o ano em que o Sony trouxe Caroline in The City, NewsRadio, Cybill, Wings, Home Improvement, passou a reprisar diariamente minha série mais querida, Felicity.

    E a Warner também tinha uma programação gostosa. As tardes com Suddenly Susan, Veronica’s Closet, Working. Foi o ano em que trouxeram as fantásticas reprises de Growing Pains. A internet ainda era escassa quanto à informação sobre seriados, especialmente no Brasil e ficávamos naquela expectativa gostosa sobre o que viria por aí.

    Hoje em dia temos a opção do download e a TV paga perdeu aquele apelo que tinha, de nos fazer esperar por novidades. Hoje quando uma “novidade” chega ao canal, já estamos anos-luz a frente deles, já temos reviews nos blogs, os spoilers quase não nos atingem mais.

    Saudades daquela época. Foi um tempo bom, foi quando a TV em si ainda era o ponto de encontro dos fãs, da família, quando programávamos o nosso dia em torno dos episódios daquela noite…

  9. ReMonteiro

    Nostalgia sinto da programação legendada, e embora já tenha experimentado a sensação da Biancavani, depois de 20 longos anos continuo com a Sky.

    Mas Paulo, a tv por assinatura mudou, os downloadas se intensificaram, imagino que a forma como o site é feito mudou muito. Não seria legal produzir uma memória desses 10 anos? O que o site abordava no início, o que ele traz agora. Colaboradores antigos que já não estão mais aqui (por um motivo ou outro). Colaboradores antigos que ainda estão por aqui e os que acabaram de chegar. Colaboradores eventuais.

    E o público que frequenta o site? Vejo, pelos comentários, que existem pessoas que frequentam o site há anos!

    De certa forma, sinto que o Teleseries é uma família. É diferente. Raramente vi desrespeito aqui. Já vi discordância, mas isso é saudável.

    O Teleseries tá precisando de um álbum de família. Viajei?

  10. marquinho

    ótimo texto, como é bom recordar bons momentos. eu gostava muito dessa epoca, inicio dos anos 2000 ate mais ou menos 2006. minhas series favoritas sao dessa epoca, fora algumas perdidas dos anos 90 como early edidion, the pretender, party of five, etc. era uma epoca gostosa, vc tinha series na sony, warner, fox e um pouco na axn mas era suficiente. os canais tinham diferenças entre si, nao so de seriados mas de uma forma geral. hj em dia sao varios canais e tudo parece a mesma coisa. seriados estao espalhados por canais q nem tem a ver com seriado, fora que as vezes vc acaba tendo q adquirir um pacote full para ter todas as series que curte. alem disso a tv a cabo no brasil ta toda igual, é oi tv, vivo tv, claro/net tv, sky e os mesmos canais em todas. uma dominacao da globosat e canais estrangeiros como bbc, teledeporte, eurosport, ou varios outros canais estrangeiros que adoraria assistir, nao chegam aqui. realmente ha beneficios hj em dia com o boom da internet, mas eu sou mais daquele tempo, hj em dia é muita coisa e vc nao aproveita tudo q tem. e os melhores seriados sao daquela epoca, perdi muoto o interesse por seriados pq de 2008 pouca coisa me interessou e me prendeu. hj em dia é so assassinatos, series policiais, mais adultas q pouco me atraem. bons tempos q nao voltam mais.

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