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‘Stitchers’: a sinopse empolga, a série não

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Stitchers é a nova série de ficção científica da ABC Family. Como toda série do canal norte-americano (que possui na grade The Fosters e Melissa & Joey), Stitchers é mais voltada para um público infanto-juvenil. Mesmo mostrando o dia a dia de uma agência de investigação secreta, grande parte do elenco é formada por jovens, num claro movimento para estreitar os laços com os telespectadores alvos.

Stitchers tem como protagonista Kirsten Clark (Emma Ishta), que é recrutada para fazer de uma agência de investigação secreta que desenvolveu o programa Stitch. O programa permite que pessoas vivas consigam se conectar ao cérebro de pessoas mortas e entrar dentro de suas memórias, o que ajuda na resolução de assassinatos e outros crimes.

A série começa com a clássica jogada cronológica de começar com uma cena aleatória e logo após retroceder para explicar os fatos que levaram até aquele momento. É um recurso que eu gosto muito, mas que foi totalmente desnecessário para o piloto Stitchers. Se geralmente essa alternativa é usada para instigar e prender a atenção do telespectador, em Stitchers ela só fez confundir e não acrescentou muita coisa depois. Teria sido mais interessante ter seguido a ordem natural dos fatos.

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O primeiro episódio é efusivo e apresenta de uma só vez detalhes da personalidade e da história de Kristen – a tragédia pessoal, o recrutamento e a apresentação à equipe da agência secreta. Tudo isso em menos de 20 minutos. Da metade para o fim do episódio já temos Kirsten embarcando em sua primeira missão como agente. Já segundo episódio começa motivado por este drama pessoal, que depois é deixado de lado e, ao final, percebemos que este ponto não acrescentou em nada a história.

Por ser tudo acontecendo de forma rápida, acabam ficando muitas pontas soltas que poderiam ser melhor aproveitadas e explicadas, como o distúrbio de displasia temporal de Kirsten, por que ela foi a escolhida ou como ela consegue sentir a emoção e não apenas acessar as memórias de quem já morreu durante as sessões de Stitch. Por outro lado, a forma como eles conseguem acessar a memória dos cérebros é explicado de forma rápida, clara e convincente.

Para mim, foi difícil me empolgar com Stitchers. Na verdade, só me animei quando um dos agentes faz uma referência a série Doctor Who. Na teoria, a sinopse de uma série que gira em torno de uma agência secreta que tem a tecnologia para se conectar com o cérebro de pessoas e acessar suas memórias me soa bem interessante. Mas por ser uma produção de um canal voltado para um público jovem, Stitchers não explora a fundo este potencial.

Apesar da série não mostrar seguir esse caminho, eu espero que ela possa ir com mais calma e trabalhar melhor seus personagens e histórias, sem que as coisas sejam explicadas por alto e pela obrigação de estarem lá. Stitchers pode mais, mas para isto precisará se descolar dos entrave de ser uma série de um canal familiar.

* * *

Stitchers estreou nos EUA no dia 2 de junho.

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