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Opinião Spoilers

Spoiler: Epitath Two, o fim de Dollhouse

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Dollhouse - Epitath Two

Durante essa temporada, Dollhouse conseguiu se consolidar como meu drama favorito. Eu digo isso porque gosto sempre de deixar os leitores cientes (caso eles ainda não estejam) de como a minha opinião vai interferir diretamente com o corte que eu fiz do episódio e a maneira como eu escolho que defeitos criticar e quais abraçar. E isso se torna ainda mias pungente no caso de uma Series Finale em torno da qual eu tive bastante tempo para construir uma aura de tristeza e perda.

Então sintam-se livres para serem mais críticos que eu, porque as lembranças que vou levar de Epitath Two não vão ser a falta de uma estória ou ao menos uma explicação maior para Alpha e como ele percorreu o longo caminho de sociopata a aliado do pessoal da Dollhouse, ou a falta de um fechamento para Whiskey e Dominic, que sequer apareceram. Não vai ser a maneira corrida como a trama foi conduzida e como eles chegaram a uma solução para o ‘thoutghapocalipse’. Ou o fato de que alguns ganchos de E1 jamais ganharem explicação, como a Caroline querendo matar a Adelle ou mesmo o gancho reverso de E2, como Topher foi capturado pela Rossum.

O que vou levar comigo vai ser o destino triste e poético de Adelle, Topher, Pryia, Antonhy, e até mesmo Echo/Caroline e Paul. Começando pelos dois últimos, que sempre foram os personagens que mais me incomodaram durante toda a série. Aqui eles foram minimizados e isso sempre os favorece. Foi tocante ver a morte repentina de Paul, por mais que eu não gostasse dele. Ele estava até divertido no começo do episódio e de repente, tínhamos o perdido. Para ser honesta, com aquela quantidade de personagens relativamente novos passeando pela tela, eu não esperei que Whedon fosse matar um dos protagonistas.

A morte foi simples e direta. O que na minha opinião, deveria ter sido a maneira como Whedon deveria ter tratado Echo e Paul sempre, com simplicidade. Quanto mais grandiosos eles ficavam dentro da trama, mais irritantes eles se tornavam. Paul era apenas um agente sem muito sucesso, que se tornou obcecado por uma donzela em perigo. E ele foi atrás dela e tentou retirá-la de sua prisão, mas descobriu que naquele mundo as coisas eram um pouquinho mais complicadas que nos contos de fadas. Às vezes é impossível fugir do seu monstro. E que ele tenha morrido tentando retornar todo mundo a salvo para a Dollhouse, a prisão do qual ele tentou libertar Caroline e seus colegas a todo custo, é no mínimo irônico.

Mas ironia é a palavra chave dessa Series Finale. Por que de que outra maneira também descrever o fim de Caroline? A garota idealista que se torna terrorista por discordar das experimentações da Rossum com os seres humanos e que termina escolhendo a Dollhouse para viver – justamente para não deixar de ser a experiência mais bem sucedida da Rossum e voltar a ser simplesmente Caroline? Que usa essa ciência que ela tanto condenava para finalmente deixar o homem que tanto a amou entrar? Aliás, que fique claro que eu achei a idéia maravilhosa, mesmo que piegas, mas odiei a execução. Nós nunca vimos as muitas personalidades da Echo conversando ou sei lá o que, e acho que foi para o melhor, porque a idéia de que Paul está dentro da Echo como entidade e não como uma série de características que ela vai absorver é simplesmente estúpida.

Mas a maior ironia de todas foi a minha personagem favorita, DeWitt, ser a encarregada de sair da Dollhouse e ir liderar a reconstrução do mundo. DeWitt começou a série como a Miss Lonely Hearts, e todos nós sabíamos que o apelido não era em vão. Não importava que ela não pudesse simplesmente se demitir da Dollhouse e fugir. Fugir para onde e para quem? Ela não tinha ninguém e não foi surpreendente que ela tenha se apegado aqueles que a cercavam no trabalho, desde seus chefes de segurança traidores, passando por Victor, que encarnava sua fantasia de companheiro, chegando ao mais importante de todos, Topher.

Whedon não economiza desde The Hollow Men em demonstrar a face mais maternal de Adelle. Suas dolls e seu programador se tornam seus filhos, mas ela tem que enfrentar a morte por sacrifício de um e tem que abandonar os demais, sua família, para poder reparar aquilo que é parcialmente sua culpa.

E falando em Topher, pobre Topher. De gênio a louco, de amoral àquele que morreu para salvar o mundo. Como Topher cresceu e mudou nessa série, e em nenhum momento pareceu forçado. Fran Kranz conseguiu imprimir a melhor performance da noite com a versão perturbada de seu jovem gênio, e isso é um feito notável considerando o quão fantásticos Olivia Williams, Dichen Lachman e Enver Gjokaj estavam.

Os dois últimos aliás acabaram com a trama que imaginávamos que teriam, mas com uma virada. Um filho, uma separação, muito ressentimento. Acho que a trama ficou mais interessante, porque realmente nós já tínhamos visto tudo o que havia para se explorar do romance Pryia/Anthony. Aliás, ficou bem menos interessante no minuto em que eles deixaram de ser simples dolls. Porém, com o pouco tempo de tela que tinham, Whedon acabou se atracando com clichês e ao ponto em que os dois conseguem se reconectar a coisa já estava parecendo um filme ruim, desses que passam na Sessão na Tarde e tem trilhas sonoras melosas.

Dollhouse - Epitath Two

Por último, tivemos o retorno de Alpha, que como mencionado em Epitaph One, passou para o lado do povo da Dollhouse. Apesar de não ser mais psicótico, Alpha ainda é divertido e suas tiradas são as melhores da série, batendo até mesmo as de Adelle. Alan Trudy continua maravilhoso, e a única coisa que eu realmente me incomodou nessa temporada foi como Alpha acabou por se mal usado. Ele é sempre ótimo, mas qual foi a relevância de ambas as duas aparições? Queria um papel mais crucial para Alpha.

Epitath Two encerra precocemente uma aventura que eu queria acompanhar por mais alguns anos ainda. Mas talvez tenha sido para melhor, pois a correria, se acabou por tornar alguns dos episódios finais apressados demais, também acabou por ser a responsável pelo punhado de episódios brilhantes que essa temporada nos ofereceu. E esse último, se não é perfeito, pelo menos encerrou as jornadas daquelas pessoas de maneira digna, mesmo que não possamos exatamente dizer que eles ‘viveram felizes para sempre’.

Séries citadas:

É estudante de comunicação. Não vive sem The Good Wife, Parks and Recreation e 30 Rock. Ah, e Gossip Girl, que apesar do bom senso, ainda nao conseguiu largar.

7 Comments

  1. Bruno

    É triste ver todo o potencial da série sendo espremido nesses últimos episódios corridos..

  2. Thais Afonso

    Isso é verdade, o 2×11 se salvou pela surpresa, mas esses dois últimos foram bastante corridos mesmo. Pra mim o auge da temporada (e da série) foi do 2×04 ao 2×10. Junta o E1, o 1×09 e o 1×12, e é o que a série teve de melhor. Ainda assim acho que fechou bem a série esse E2. Corria o risco de fazerem um episódio maravilhoso, mas nos deixar sem um fechamento, a la Terminator. Acho que prefiro assim.

  3. pedroluiz02

    Dollhouse deixa saudades, para mi o melhor episodio foi ela de guara-costas/backing vocal.Linda.

  4. Paullo kidmann

    Amei dollhouse, Echo e Cia desde o início, um início digamos confuso que deve ter influênciado muito para chegar até aqui…
    Concordo com o texto acima mais concordo em partes.
    tipo sobre a Whiskey o confuso foi ela ter apereçido no Ep1 por que como o Ep1 ele é um episódio que mesmo passando na primeira temporada é um episódio depois de todos acontecimentos da segunda (com exeção do Ep2) para mim já estava bem claro que ela morreu na explosão da Rossum, a pergunta aí é o q diabos ela tava fazendo na Dollhouse se há alguns anos atras ela tinha morrido na explosão da Rossum?
    Sobre Paul devemos lembrar que quando o alpha apareçia ele ficava falando com as outras personalidades dentro dele então faz sentido o final de Paul e Caroline/Echo.
    fiquei triste pelo Topher queria que ele ficasse vivo mais ao mesmo tempo achei interessante pois ele estava correndo atrás do prejuizo, corrigindo algo que ele mesmo fez.
    Eu acho que a fox deveria ter dado mais alguns episódios para a série pode ter mais tempo para explicar mais coisas e não deixar alguns buracos.
    por falar na fox oh emissora estupida, como é que ele resolvem não exibir um episódio da série (Ep1) se o mesmo é a prévia (continuação) da Series Finale????
    no minimo eles devem achar que o telespectador é vidente!! só pode.
    xoxo

  5. Thais Afonso

    Paulo, a Whiskey não fico dentro do prédio da Rossum quando eles saem. Alguém, não lembro quem, diz a Adelle que ela já tinha sido retirada de lá.

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