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Opinião Spoilers

Spoiler: Doctor Who – The End of Time, a despedida do 10º doutor

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Doctor Who  - The End of Time (Part II)

The End of Time (Part II), episódio especial de Doctor Who exibido no dia 1º de janeiro na Inglaterra foi um marco na série e na memória dos fãs. Não apenas David Tennant se despediu do papel que vem interpretando há quatro anos, como foi o encerramento da participação de Russell T. Davies como showrunner da série e, por conseqüência, foi a nossa chance de dar adeus a todos os personagens maravilhosos que acompanharam o 10º (e por que não dizer também o 9º) Doutor ao longo desses anos.

O especial começa de uma forma bastante diferente. Somos apresentados à Gallifrey, planeta natal do Doutor, e ao plano dos Senhores do Tempo para não serem destruídos na Guerra que travam contra os Daleks. Que o Doutor foi o responsável pela destruição de seu planeta todos já sabíamos, mas os últimos atos de desespero dos gallifreyanos foram novidade para todos nós.

E foi movido pelo desespero (e megalomania, devo acrescentar) que os Senhores do Tempo mexeram com a sua própria linha temporal e implantaram na mente do Mestre ainda menino o famigerado som de tambores para que servisse como uma ponte que permitisse Gallifrey sair do Lacre Temporal no qual seriam aprisionados pelo Doutor. Um plano engenhoso e que nos faz perceber o motivo do Mestre interpretado por Jacobi e posteriormente por John Simm ser tão diferente do Mestre de seus predecessores.

Também nos mostra que os Senhores do Tempo manipularam a história muito mais do que podemos imaginar. E não foi por acaso que o Mestre foi trazido de volta, aprisionado pelos Naismith e agido de forma a modificar toda a humanidade em cópias de si mesmo. Não deixa de ser um tanto triste, pois ele era a peça chave para a ressurreição de Gallifrey, mas após cumprido o seu objetivo seria sacrificado como um cordeiro no matadouro.

O curioso em toda a história é a participação do Doutor. Após a multiplicação do Mestre, o Doutor e Wilf são resgatados pelos Vinvocci, mas para infelicidade dos dois, são transportados para a nave dos alienígenas que sobrevoava a Terra.

Toda a sequência que se passa no espaço foi, para mim, inútil. Quero dizer, serviu para que Wilf encontrasse mais uma vez a mulher de branco (que já havia aparecido para ele na primeira parte do especial) e convencesse o Doutor a lutar contra os gallifreyanos (e apenas a menção da volta dos Senhores do Tempo leva o Doutor a arrancar a arma das mãos de Wilf, o que nos diz muita coisa sobre o horror que foi a guerra que acabou por destruir Gallifrey). Fora isso, foi apenas desperdício de tempo (ou talvez não, já que os Vinvocci eram umas gracinhas de raça alienígena).

É claro que serviu para que o Doutor pudesse avançar com a nave a toda velocidade para a Terra enquanto Wilf e o Vinvocci bancavam Luke Skywalker e atiravam em todos os mísseis lançados contra eles, mas era preciso mesmo o Doutor se lançar da nave a toda velocidade naquela altura? Por mim a regeneração teria começado no exato instante que ele atingiu o chão. Pelo menos ele não conseguiu se mover tão rapidamente como se supunha, e foi até um pouco poético vê-lo estatelado tentando segurar o revólver que daria cabo dos Senhores do Tempo.

O confronto entre Rassilon, o Mestre e o Doutor é memorável. Ver o Doutor apontando a arma para os dois inimigos, sem coragem de realmente atirar, mesmo sabendo que a volta de Gallifrey significaria o fim da Terra, dos universos, e de toda vida existente nos faz lembrar que essa é (ou pelo menos ainda é) uma série feita para a família inteira assistir. E quem não gostou de ver o Mestre mudando a sua lealdade a cada nova frase? O coitado não tinha a menor idéia de qual lado deveria apoiar. Seu amor era por Gallifrey, mas o plano dos Senhores do Tempo (de destruição total e ascensão da raça) nem mesmo ele estava disposto a engolir. Foi curioso vê-lo atacando Rassilon logo após o Doutor destruir o diamante que permitia a conexão entre Gallifrey e as batidas de tambor na mente do Mestre. Curioso também foi saber que apenas dois gallifreyanos votaram contra o plano de Rassilon, e uma delas era a mulher de branco que apareceu para Wilfred.

Doctor Who  - The End of Time (Part II)

E quem não ficou chocado ao perceber junto com o Doutor, que após tudo o que ele havia passado com o Mestre e os Senhores do Tempo e vencido, as quatro batidas que poriam fim a sua vida viriam de quem ele menos esperava? Meu coração ficou pequenininho ao ouvir o toque dos dedos de Wilf no vidro, pedindo para ser retirado da câmara radioativa onde estava preso.

A reação do Doutor foi a mais humana possível. Ele se indignou, ficou revoltado, se auto-penalizou por precisar abdicar da sua vida cheia de coisas importantes a serem feitas para que a vida de um pequeno humano idoso fosse salva. Mas no final fez o que sabia que faria desde o início: entrou na câmara radioativa e libertou Wilfred.

E se a reação do Doutor foi humana e desesperada, quase indigna, a de Wilfred foi belíssima. O avô de Donna aceitou estoicamente a morte para que o Doutor continuasse vivo fazendo o inimaginável. Queria eu que o Doutor tivesse agido com a mesma serenidade. Mas não seria o 10º se ele fosse sereno, porque o 10º se deixa levar pelas emoções. Ele cai, erra, sente remorso, é centrado em si mesmo e egoísta muitas vezes, mas também tem o coração maior do que sua própria existência. Ele tem medo e ama viver e é por isso que o seu discurso é tão próprio dessa encarnação, embora esteja muito longe de todas as regenerações prévias.

Acho que nunca esquecerei do Doutor na TARDIS, dizendo que não queria ir. Eu chorei, realmente chorei. E a explosão de energia durante a regeneração me deixou boquiaberta (novo cenário, nova TARDIS, nova decoração, tudo novo!). Por mais que eu quisesse continuar sofrendo pela partida do Décimo, fiquei tão extasiada com a aparição exuberante do Décimo Primeiro que tudo o que consegui foi ficar pulando como ele, sorrindo como uma idiota na frente da tela, encantada por vê-lo analisando seu corpo, na dúvida se era homem ou mulher.

Mas antes de regenerar o Doutor procurou cada companheiro seu ao longo dos últimos anos. Ele, que sempre se achou solitário, percebeu que no fundo nunca esteve sozinho. Por onde quer que ele passava as pessoas eram atraídas por sua personalidade cativante e ele de fato fez grandes impressões na vida de cada um com quem cruzou.

É bem verdade que eu queria (e merecia) uma despedida de todos esses personagens que eu aprendi a amar, mas confesso não ter gostado da forma como foi feito. Foi tão surreal ver o Doutor procurando um a um. A única explicação plausível é a de que ele pretende jamais reencontrá-los. Ou então, que queria ter uma última lembrança ainda com os sentimentos que guarda como Décimo Doutor, pois sabia que no momento em que regenerasse até mesmo sua forma de ver e sentir seriam diferentes.

Seja como for, eu, como fã, gostei de rever Rose (e para todos que criticam o fato dela não lembrar do Doutor no momento que ele regenerou para o 10º, pergunto se vocês lembram de todas as pessoas desconhecidas com quem esbarram na rua. Eu não.), de rever Martha e Mickey (de onde surgiu o casamento dos dois? Eu gostava de Martha com o médico de quem era noiva!), Sarah Jane e Luke (e tenho a sensação de que Sarah Jane foi a única que percebeu que aquela era uma despedida).

Não me conformo com a atitude covarde de Davies de fazer Donna esquecer quem é e não dar a ela a oportunidade de brilhar nesse episódio. Ela merecia mais. Quanto ao Jack, como estará sua vida depois de Children of Earth? E como ele teria interpretado aquela aparição repentina do Doutor?

Doctor Who  - The End of Time (Part II)

Agora, tudo que sei é que Matt Smith tem um grande fardo nas costas. Os fãs de David Tennant são muitos e irão demorar para aceitar sua partida, mas a verdade é que estou tão ansiosa por conhecer de verdade o novo Doutor que mesmo o meu luto está bem guardado. Todas as aventuras dessa décima regeneração estarão bem seguras em meu coração e memória, mas chegou o fim da humanidade exagerada do Doutor. A ansiedade é em saber como será o Doutor daqui para frente, com novo produtor, novo ator, nova personalidade, novos companheiros (mas mesma trilha sonora, thanks God!). Quando começa mesmo a primavera de 2010?

***

Algumas considerações:

* Muito bonita a visita do Doutor à neta de Joan Redfern, demonstrando que ele não esqueceu o que viveu enquanto John Smith.

* Gostei de ver a participação de Russell Tovey como Alonso (personagem que já apareceu em The Voyage of the Damned, só para lembrar os que tem memória ainda pior do que a minha, coisa que é difícil). Mas era realmente necessário o Doutor aparecer para Jack só para unir os dois? (se bem que, se não fosse por Being Human, eu gostaria de ver Russell em Torchwood na possibilidade de uma próxima temporada).

* Interessante que uma população inteira de Mestres não briguem entre si. Achei legal que todos aceitem o comando do Mestre original. Talvez seja porque eles precisem do Mestre para continuarem existindo.

* Qual era o propósito do tal Joshua Naismith e sua filha mesmo? Eis dois personagens inúteis. Se era só recobrar o portal e usar o Mestre poderiam ter feito de outro jeito.

* O Presidente dos Senhores do Tempo menciona os “weeping angels” velhos conhecidos nossos de Blink. Mas mesmo que não tivesse mencionado, eu teria reconhecido aquela postura dos dois gallifreyanos em qualquer lugar.

* Rassilon é o mesmo Rassilon fundador de Gallifrey ou algum outro Gallifreyano que por “coincidência” tem o mesmo nome?

* Afinal, quem era a mulher que aparecia para Wilf? Achei legal que tenham mantido em segredo. As lágrimas dela, o reconhecimento do Doutor, a votação contrária dentre todos os Senhores do Tempo nos faz pensar em múltiplas hipóteses, mas o legal mesmo foi terem nos deixado no escuro, assim nos dá chance de criar teorias.

A mãe do Doutor? Susan, a neta que foi abandonada em uma Terra pós-apocalíptica (lá na era do Primeiro Doutor)? Donna que não morreu e na verdade regenerou? Romana, a outra Senhora do Tempo que foi companheira do Doutor? The White Guardian? (conhecido para os seguidores de Doctor Who desde o seu início, o que infelizmente não é o meu caso).

E mais importante do que “quem é ela”, mas sim “como ela consegue se comunicar com Wilf?”.

* E Wilfred? Humano normal ou há realmente alguma coisa por trás do avô de Donna?

* Os Odd estão evoluindo para serem os próximos Time Lords (ou algo do gênero)?

Doctor Who  - The End of Time (Part II)

***

As screencaps foram cedidas pelo LiveJournal Rollina’s Gate.

Séries citadas:

Michele Reis Martins, a Mica, é advogada e mantém o blog Esperando o Esperado. Fã de Arquivo X, Highlander, Buffy, Doctor Who e sci fi em geral.

13 Comments

  1. João da Silva

    Foi um excelente episódio. Melhor que a primeira parte. Em relação à primeira parte, acho que poderiam ter usado melhor a Lucy Saxon, ao invés de matá-la logo no início, como fizeram. Em relação à segunda parte, gostei das despedidas, especialmente da despedida da Rose, que se passa um pouco antes dela conhecer o Nono Doutor. Em relação à cena com o Jack Harkness, vimos continuidade com Children of the Earth, pois em seu final vimos o Harkness saindo do planeta.

    Geronimo!

    É uma pena que temos visto em diversos sites as pessoas criticando o Décimo-primeiro Doutor, mesmo ele tendo tido até agora apenas uns poucos minutos de tela. Estou curioso para ver como vai ser a nova companheira, interpretada pela atriz escocesa Karen Gillan.

  2. Fernando dos Santos

    Eu li que esse especial atingiu a marca de 10 milhões de telespectadores, número impressionante para a tevê inglesa.

  3. Bianca Cavani

    Oba, Mica, como foram as férias?
    Belíssima resenha!
    Quanto à Rose, ela não reconheceu O Doctor porque ainda não o conhecia: ele foi vê-la no passado, quando começava 2005, ou seja, Rose estava prestes a topar com o 9o. O Doctor não poderia ir se despedir dela no presente porque Rose está em outra dimensão, que não convém romper (causaria um colapso entre os mundos, lembra-se?)
    Quanto à despedida dos outros companheiros, ele só quis vê-los pela última vez, na forma de 10o., saber que eram felizes, talvez sentir a diferença que havia feito na vida deles. Quando foi procurá-los, o Coctor disse “vou pegar a minha recompensa”.
    Gostei, também, da criação do Russell. Ele quis encerrar com a ameaça mais aterradora, o maior mal que poderia ocorrer no universo: a extinção do tempo, das relações de causalidade, do próprio universo. Como nunca houve nenhuma espécie mais poderosa que os Time Lords, então Russell recorreu a eles para o conflito mais dramático de toda a história da série. Embora tenha destruído Gallifrey (meu mundo perfeito), Russell conseguiu imaginar o horror ilimitado e definitivo.(Mas é claro que o Moffat vai nos maravilhar com outras histórias e perigos inimagináveis!)
    O Mestre arrasou!
    O Matt me encantou com aquele jeito acelerado.
    O Doctor… ficará para sempre no meu coração que, no momento, está completamente despedaçado pela sua partida.

  4. Daniele

    Mica que review maravilhosa parabéns!!!

    Eu não ví o episódio inteiro mas pelo q ví e lí aqui foi o máximo.

    Estes atores arrasaram! Esta série é maravilhosa, na minha opinião a melhor que passa atualmente!

  5. Mica

    Bianca, as férias ainda não acabaram. Negociei com o meu irmão para ele baixar Doctor Who para mim pq a ansiedade era grande demais, hehehe.

    João, acho que o povo está criticando o Eleven porque ainda está muito apegado ao Ten. Mas isso irá passar. E todo mundo sabe (ou deveria saber) que quando o Doutor regenera ele fica meio pancada no início, as vezes dorme, as vezes perde a memória, as vezes fica elétrico demais, enfim, geralmente age diferente de como ele realmente será.
    Eu tenho cá comigo que o Eleven será menos efusivo que o Ten. E talvez seja por conta da aparência do Matt Smith, mas tenho a sensação de que ele será mais alienígena do que o Ten foi.

    Quanto às despedidas, é como eu disse, eu queria uma chance de me despedir de todo mundo, só acho que deveria ter sido feito diferente. Ficou formal demais, formulaico.
    Em relação à Rose, o negócio é o seguinte: o povo tem criticado o fato de que se ela viu o Doutor antes de conhecer o 9º, quando ele se regenerou no 10º ela deveria lembrar dele, afinal, ele havia trombado com ela no ano novo (nós só soubemos disso agora, mas isso está na linha temporada dela).
    Obviamente ela não lembra quando ele regenera (na verdade, ela ficou até com medo dele), mas eu acho que isso é bem natural, porque as pessoas não lembram de todo estranho com quem trombam na rua, mesmo que falem com ele. Eu não lembro. Fala sério, mal lembro qdo esbarro em quem conheço, quem dirá lembrar de desconhecido com quem falei uma única vez um ano atrás!

    Agora, sem sombra de dúvidas as melhores cenas ficaram por conta do Doutor com Wilf, tanto no primeiro quanto no segundo especial. Os dois conversando na lanchonete (o Doutor falando que não queria morrer), o Wilf convencendo o Doutor a pegar a arma e lutar, pois não era justo ele sacrificar a humanidade inteira para manter o Mestre vivo, e por fim o Doutor sacrificando a si mesmo pela vida do Wilf. Foram lindas as três cenas.

  6. João da Silva

    Pois é, Mica. Sempre que o Doutor regenera ocorre essa choradeira. Quando o Nono foi substituído pelo Décimo muitos disseram que iriam parar de assistir Doctor Who. Depois o público se acostuma e passa a gostar do novo Doutor.

    Eu estou muito curioso para ver o episódio da nova temporada em que os weeping angels aparecem. E estou curioso para rever a River Song

    O trailer da nova temporada, disponível no You Tube, está muito interessante.

  7. Bianca Cavani

    Mica, no encontro do Doctor com Rose ele ficou completamente na penunbra, indistinguível. Na verdade, Rose só viu um vulto encostado no muro. (Mas, se fosse eu, jamais esqueceria daquela voz tão linda…)
    Ah, bem lembrado! Quando o Doctor se regenera, ele fica meio destrambelhado. O 11o. hiperacelerado (que, aliás, não difere tanto assim do 10o.) que surgiu da regeneração, não necessariamente continuará desse jeito…
    A cena em que o Doctor se debate com o dilema de viver ou se sacrificar pelo Wilf é tão Hamlet, não?

  8. Marcelo

    Acho que não só o Doutor, mas nós também nos despedimos de alguns personagens (Rose, Martha, Donna, Jack) que foram criados pelo Davis e que talvez não sejam usados pelo novo produtor, que já começou a fazer mudanças e deve criar novos companheiros para o Décimo Primeiro

  9. João da Silva

    Ao menos o Jack ainda vai continuar aparecendo em Torchwood. Bem que poderiam adicionar a Martha no elenco fixo de Torchwood.

  10. Eversmann

    Quando vi que tinha algo do Dr. aqui já pensei: deve ser da Mica, parabéns.
    Bem que a série podia cair nas graças do Scifi Channel do Brasil, que anda fazendo um ótimo trabalho pelo genero na tv.

  11. vania perez

    eu chorei demais quando o doutor david tennant se regenerou no doutor matt smith e até hoje eu choro muito !

  12. Fábio Monsores

    Matt Smith está sendo considerado o melhor Doctor Who, ganhou até prêmios, eu tenho uma curiosidade imensa em ver o David Tennant como Doctor Who, já que a primeira vez que vi Doctor Who já foi com o Matt Smith, foi até um especial de natal que passou na TV Cultura e a segunda vez foi com o Christopher Eccleston. Estou querendo baixar a série com o David Tennant, realmente estou curioso para ver ele no papel do Doutor.

  13. Cecy

    Fabio, no blog “universowho.com” vc encontra todas as temporadas pra baixar, inclusive as clássicas. Além da trilha sonora, e dos spin-off Sarah Jane Adventures, Torchwood e Confidential. Dá uma olhada lá caso ainda não tenha visto e ainda esteja procurando.

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