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Opinião

Smallville em definitivo

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Tom Welling em Smallville

Olhando lá atrás, lembrando da primeira vez que assisti ao piloto de Smallville, a coisa que mais me encantou foi Clark Kent, último filho de Krypton e dono de habilidades sobre-humanas, não conseguir chegar perto da menina pelo qual era apaixonado.

Qual de nós nunca sentiu essa timidez, essa incapacidade de encarar nos olhos a pessoa amada, que gaguejou e virou o rosto? Usando um colar de kryptonita como metáfora, a série conseguiu falar muito sobre um assunto vivido por todos os adolescentes.

O chove-não-molha entre Clark e Lana (que nem sempre foi uma “sonsa – desgraçada – quero-que-você-morra-o-quanto-antes”) era um dos carros-chefes do programa, mas não era o único. Uma das maiores sacadas de Alfred Gough e Miles Millar foi perceber que as origens do Superman estavam bem bagunçadas a algum tempo, o que era uma oportunidade única de criar o seu próprio Canon do personagem. Claro, muita gente torceu o nariz – mas o que certas pessoas pareciam fazer questão de não ver é que: (1) muitas das liberdades criativas mostradas pela série já haviam sido mostradas antes (pelo que me consta, a amizade entre Kent e Lex data de uma HQ dos anos 80) e (2) a série é a visão de seus criadores. Tá escrito lá na abertura: “desenvolvido por Al Gough e Miles Millar a partir dos personagens de Jerry Siegel e Joe Shuster”. É o que eles pensam sobre aquele universo. Não importa que Lex seja aparentemente bem intencionado e que Perry White já conheça Clark antes que o último vá para Metrópolis depois de adulto. Se eles conseguissem tirar algo bom disso, beleza.

E eles conseguiram. A combinação de drama adolescente, cenas de ação com ótimos efeitos especiais, quotes inesquecíveis (“A nossa amizade ainda vai entrar pra história”, etc), trilha sonora viciante e brincadeiras com a mitologia do Super-homem conseguida nos primeiros anos explica com facilidade o sucesso que o programa teve.

Tudo bem que a primeira temporada era meio repetitiva, tendo quase sempre como antagonista um Monstro da Semana (ou em bom inglês, um “Freak of the Week”), cuja anomalia tinha como explicação alterações genéticas causadas por kryptonita (“A verdade está aqui dentro”, diria Fox Mulder). Mas desde aquela época, episódios que fugiam da fórmula tradicional se diferenciavam. Rogue serviu como um prelúdio, ao mostrar que o maior inimigo do Superman pode muito bem ser alguém mortal e não mais uma aberração. Zero é certeiro em mostrar a lealdade (com traços de malícia, fique bem claro) de Lex, e como suas boas intenções acabariam se voltando contra ele em algum momento.

Durante os dois os três anos seguintes, a coisa foi indo em linha ascedente. As arestas iam sendo aparadas: a mala do Whitney foi mandada embora, Lionel foi promovido a personagem regular e passou a ter cada vez mais tempo de tela, vários personagens do universo Superman começaram a pipocar, os diálogos foram ficando cada vez mais apurados (principalmente aqueles entre Lionel e Lex – certa vez um amigo meu disse que um ótimo spin-off de Smallville seria colocar Lionel e Lex em uma sala conversando sobre algum assunto aleatório), entre outros aspectos menores.

Ali em cima eu falei sobre a trilha sonora. E quem acha que Grey’s Anatomy é o state-of-the-art da seleção musical em séries de TV, é porque nunca viu Smallville. Em muitas ocasiões durante os anos iniciais, havia uma verdadeira simbiose entre som e imagem. Aqui vão os cinco melhores exemplos.

01. Johnny Cash – Hurt (3×08 – Shattered) – Ver Lionel encarando o filho dentro de uma camisa de força ao som da voz cansada de Cash é simplesmente de arrepiar cada pêlo do corpo. Detalhe para letra que casa perfeitamente com o momento:

What have I become, my sweetest friend? Everyone I know goes away in the end. You could have it all, my empire of dirt. I will let you down, I will make you hurt. if i could start again, a million miles away. I would keep myself, I would find a way.

02. U2 – Beautiful Day (1×15 – Nicodemus) – é nesse episódio que acontece o histórico streaptease de Lana à beira da piscina (trata-se de uma dublê de corpo, claro. There’s no fucking way da Kristin Kreuk ter aquelas curvas). Mas a segunda melhor cena é a última, com Clark e Lana admirando a vista da cidade, sentados no topo do catavento da fazenda vizinha.

03. R.E.M. (3×04 – Slumber) – nesse episódio, Clark fica preso dentro dos sonhos de uma garota (!), e sempre que ele se encontra nessa situação, é executada uma canção do R.E.M. é executada. Sacou? Não? Então consulte o pai dos burros.

04. Michael Andrews – Mad World (2×11 – Visage) – Tears for Fears é uma das minhas bandas prediletas. E quando vi uma música deles sendo usada num final de episódio (no caso de Smallville, isso corresponde a hierarquia musical máxima) eu quase tive um síncope. Lembro como se fosse hoje, eu na casa da vó, olhos vidrados na tela, vendo Clark e Lana abraçados na caverna (lembram da caverna?) ao som da bela regravação que Andrews dez desse clássico dos anos 80.

05. Evanescence – My Immortal (3×19 – Memoria) – muito difícil conter as lágrimas quando Clark, depois de ter uma visão muito real de sua progenitora biológica, procura aconchego na sua verdadeira mãe. Afinal, como diz o dito popular, mãe é quem cria, certo?

E tem a Chloe, claro. A responsável pelo adiamento da minha desistência da série (que ocorreu oficialmente no começo da sétima temporada). É fascinante ver que dentro de um universo com tantas personagens femininas icônicas, aquela que mais desperta paixões é justamente a criada especificamente para o programa. Chloe sempre foi a sidekick preferencial de Clark (Lana sempre foi muito cú-doce e quando Lois apareceu, o espaço da Srta. Sullivan já estava bem consolidado). Depois de se apaixonar perdidamente por Clark e ser rejeitava (ela lendo a carta em Fever é de cortar o coração), de flertar rapidamente com o lado negro da força, ela assumiu sua função de maneira exemplar. E fazer com ela se tornasse ciente da condição de Clark antes de quase todo mundo, foi uma decisão criativa acertadíssima (uma das últimas, inclusive). E eu não sei foi por causa da simpatia contagiante de Allison Mack (por falar nisso, sabiam que Kristen Bell foi cotada para interpretar a personagem? Não é a toa que sua Veronica Mars lembra tanto Chloe), mas durante boa parte do tempo, ela pareceu estar imune à decadência do show (mas claro, até isso conseguiu ser estragado eventualmente).

A partir da quarta temporada, a participação de Gough e Millar como escritores desaparece por completo (o último roteiro em que eles são creditados é justamente a premiere do quarto ano). E pelo jeito, a presença deles como showrunners, gerenciando a produção de episódios, expirou mais ou menos nessa data, já que o número de besteiras que se sucederam a partir do quarto e principalmente quinto ano foi assustadora (nem vou dar exemplos específicos, se você chegou até aqui, é porque não precisa deles).

Ainda havia coisas que me agradavam bastante na série, como o último episódio que me deixou entusiasmado de verdade, Hidden (5×03) em que basicamente o espírito do Marlon Brando baixou no John Glover (o que deu origem a uma das maiores enrascadas criativas das temporadas posteriores: qual a real relação de Lionel com a consciência de Jor-El? Isso nunca foi respondido satisfatoriamente).

E eis que chega a notícia de que Gough e Millar estão deixando o programa. A explicação dada pelos insiders é que (1) eles estavam demandando um cachê maior e (2) querem se dedicar mais tempo à roteirizar filmes. O problema é: que filmes eles andam escrevendo? Uma rápida procura no IMDB entrega a lista completa (desde 2001, quando a série começou): Showtime (aquele com a dupla De Niro/Murphy), Bater ou Correr em Londres (eles já haviam escrito o primeiro filme), Herbie: Meu Fusca Turbinado e A Múmia 3 (ainda não vi, mas sei que será muito ruim). Eles ainda são creditados como os escritores do argumento de Homem-Aranha 2. Mas eu acredito que os maiores créditos do script do filme venham do veterano Alvin Sargent, vencedor de dois Oscars.

Ou seja, nada de muito relevante. E eu duvido que eles consigam produzir algo que sequer chegue perto do nível de excelência dos primeiros anos de Smallville, principalmente pelo fato que eles jamais serão chamados para projetos que exijam tanto deles quanto reinventar a mitologia do Superman.

E onde entram Todd Slavkin, Darren Swimmer, Kelly Souders e Brian Peterson (os novos showrunners) na história? Visto que eles são os principais responsáveis pelas pataquadas das temporadas mais recentes, é no mínimo justo que eles sejam creditados adequadamente pelas besteiras que vão ao ar semanalmente. Ou então quem sabe, o efetivo controle sobre a produção somado ao fato do próximo ano ser o último da série, faça com que recuperem o brilho perdido. Confesso que não estou disposto a testar essa hipótese.

E o mais triste é que nem o elenco parece agüentar mais. O encerramento do show terá participações reduzidas de Michael Rosenbaum (o que não faz o menor sentido narrativamente, mesmo com a lógica bagunçada dos últimos anos) e Kristin Kreuk (levando em conta que perderam completamente a mão com a personagem faz um bom tempo, essa até faz sentido). Os únicos do elenco original que estrelarão as oito temporadas serão Tom Welling (que invariavelmente ficará marcado pelo personagem pelo resto da vida, nessas horas seria bom não ser um ator medíocre) e Allison Mack (acho que isso aqui resume tudo – pelo menos espero que ela esteja ganhando muito bem). O último que sair apague a luz, por favor.

(Haverá pelo menos mais um texto, que versará sobre a minha relação com a série de uma forma mais pessoal. Achei melhor dividir pra facilitar a leitura. Mas não tenho idéia de quando será publicado.)

Séries citadas:

60 Comments

  1. Anikki

    Eu vejo Smallville desde as primeiras temp, mas confesso que não me agrada mais. porem eu tb naõ consigo largar a serie. Eu tenho q ver até o final pra ver a bosta que vão fazer com o mito superman. O Tom Weelling é sofrivel e os roteiros ainda mais, a 7° temp só melhorou com Traveler e Veristas (q foi mais u menos) e descent, q falaram q ia ser o eps que o Lex se tornaria ruim, foi regular, o unico destaque é o Michale Rosembaum que consegue tirar leite de pedra com roteiros ridiculos q dão pra ele.
    Mas ainda ssime u vejo, e vou ver ate o final. Enfim, coitado do SuperMan!

  2. Flavio Ferreira Leite

    Cara eu fico ansioso que chegui o domingo para assistir smallville , não perco um só episódio … adoro!!!.estou ansioso pela oitava temporada se estiver é claro.

  3. Fabio Mattos

    Estacionei no 7×03 e até agora estou reunindo forças para continuar a caminhada. Pelo sorriso de Allison Mack, hei de chegar até o fim desta temporada!
    O quê?! O fim da série é ano que vem?
    Eh, tá brabo de aturar as interpretações ridículas do Tom Welling! Bom, pelo menos ainda tenho o sorriso da Srta. Sullivan…

  4. Davidson

    Concordo com quase tudo que você escreveu, mas não dá para chegar tão longe, resistir tanto tempo e simplesmente abandonar a série. Os últimos episódios estão sensacionais, não sei no que vai dar ou aonde vai parar, mas vou pagar para ver, sugiro que faça o mesmo.

    Eu tive por abandonar a série por diversas vezes mas não tive coragem, do episódio 14 até o 17 (24/04/2008) o orgulho pela série voltou.

  5. Rodrigo Rabello

    Tom Welling talvez não seja um ótimo ator e já disse que não era fã do Superman,mas como fã do personagem fiquei muito satisfeito com o “produto final” e ele é perfeito como Clark Kent.Eu já afirmei e digo de novo:desde o último filme em 1987 todos nós ficamos esperando algum sinal de Superman que não fosse nos quadrinhos.Smallville é perfeita desde 2001 até hoje no que diz respeito a herança deixada por Reeve nos 4 filmes,e isso é fato(Quem é fã de verdade me entende).Como por exemplo a timidez do personagem,a vida pacata,sua relação com os pais adotivos e com a descoberta dos poderes.Claro que a origem é dos quadrinhos,mas ficou forte quando colocado nos filmes…Quero dizer que mesmo perdendo um pouco da qualidade inicial e não tendo um ator digno de Oscar,Smallville já deixou sua marca na mitologia do Superman e gostaria que durasse mais 2 temporadas pelo menos!Com a Allison Mack,claro!

  6. PAOLA

    Bem sobre o texto, concordooooo plenamente.
    no início não me interessava nem um pouco pela série, mas meu noivo comprou todas as temporadas e comecei a seguir da 3 pra frente com ele…

    Bem aí foi dificil deixar, ainda estou no inicio da setima (estamos baixando).rsrsrs!!!!

    Sobre os personagens… Hã !

    LANA (você tem mais que razão) ela pra mim é uma Luthor legítima, só pensa no seu próprio umbigo, ela é chata,fresca e escolheram uma atriz muito boa… (Pq passa sua antipatia).Rs
    NADA CONTRA A ATRIZ!
    Clark – pra mim ele é um jovem com boas intenções…
    Mas totalmente imaturo da vida e das decisões, sempre precisa de ajuda (Chloe / Seus pais / Lionel / até do Lex).
    Axu q ele precisa de usar mais Kriptonita vermelha as vezes… apesar de exagerar … é a unica hora que ele se expõe de verdade, diz o que pensaaaa e mostra que não é tão panaca assim…rsrs
    LIONEL – Pra mim é um homem esperto (Axei muito estranho os autores o transformarem em Oráculo, pq ele era um vilão e agora é amigo intimo do Jorel) DDDOIDEIRAAAAAA! RS!
    CHLOE – No inicio não gostava dela, axava folgada espaçoza,espertinha… Lembrando que peguei da 3 temporada pra frente em gente!
    MAS DEPOIS ME ENCANTEI COM ELA, SEMPRE AMIGA DE TODOS… VERDADEIRA. INTELIGENTE. MADURA. ESPERTA. Sempre ajuda o Clark em todas…
    Tá ali pra tudo e todos…
    E ela e seu namorado… que fofos!!!
    Ela sim… é uma mulher e tanto! Adoro a personagem!
    Os pais do Clark, pra mim são exemplo de caracter,dignidade,amor…
    São uns meigos, admito que quase deixei a serie quando o pai do Clark morreu, foi muito triste…
    Admito tb que chorei no capitulo sequente… quando o Clark aparece com relogio dele no braço e vê um video que sua mãe estava assitindo da familia
    FOI MUITO TRISTE… EMOCIONANTE!
    Pra mim eles são um exemplo de família!
    A Loies – Nem tenho que falar mt? Axu ela, divertida,entrona… fala o que quer…
    (Tenho pena dela, só envolve com super heróis) Coitada!!! Tão gatos, mais tão complicados…
    O engraçado é saber que ela vai fiká com Clark…
    Acho que eles tentam passar um amor platonico na serie, mas… num cola bem não!
    KKKKKKKKK!
    Agora de todos os personagens temporários, nada melhor do que o :
    ARQUEIRO VERDE : Gato, inteligente, só pensa no bem, custe o que custar! (As vzs exagera), mas ele é D+!
    Muito melhor que o Clark, desculpe os fãs…
    Mas o pouco que vi dele… Axei ele mais que super!
    PQ? Ele não tem superpoderes, mas se dedica ao bem comum… e é garanhão e esperto… Coisa que o Clark passa longe…
    Lindoooooo, com aquele macacão verde…
    Adorei d+, gostaria de uma serie dele… Seria mt legal tb!
    AGORA MINHA OPINIÃO SOBRE A MENTE MAIS BRILHANTE QUE EXISTE EM ESMALLVILLE :

    LEX LUTHOR : Ele é inteligente, voraz, capaz, se tivesse os poderes do Clark e não fosse louco e maníaco, seria o Herói mais que perfeito…
    Adoro suas frases … suas discussões com seu pai.
    Seu jeito superior.
    Sei que ele é vilão por sua própria vontade.. Tendo em vista que ele poderia ter escolhido outra vida…

    Mas todos acredito que concordam que ele é Sensacional.
    Adoro o personagem, mas tô triste de ver que ele tá se tornando um monstro…
    Não me contem as monstruosidades que ele ainda vai aprontar (acredito que ele vai).
    Mas fazer o que , pra mim ele é o que que pq tem o pai que tem…Rs

    É engraçado, como nos deixamos envolver pelas histórias… seus personagens…
    Isso mostra que SMALLVILLE tem qualidade,as vzs aparecem umas doideras, vacilos dos autores, mas nada que comprometa tanto sua idéia principal.
    QUEM GOSTA, SEMPRE GOSTARÁ!!!

    E eu torço pra que ainda consigam segurar a peteca…

    MAS sem Lex (será impossível)!

    Abraços a todos que tb adoram SMALLVILLE!!!

  7. Celeida

    Adorei o texto e os comentários dos fãs, assim como a maioria adoro o LEX, pelo personagem fiel a si mesmo (ter poder). Clark, muitas vezes é imaturo, sim, talvez pq azer o certo é mais complicado, pesa mais. Ele acaba sendo escravo de si, de sua bondade, de sua justiça. Em muitos episódios sinto pena dele, por ser incapaz de ser uma pessoa comum (ele não é!).
    Enfim, sem LEX acredito que a série fique menor.

  8. ernesto

    cuando aparesera la siguiente temporoda para y en que capitulo van y cuando termina la serie

  9. Ludmila

    Gostaria de entender pq nao existe cenas mais carinhosas como beijos na boca entre Clark e Lana, afinal de contas se amam e queria que esse amor continuasse.Gostaria que ela e Clark ficassem juntos

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