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Ficção (séries virtuais)

Série Virtual – Outsiders – What After The Storm

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Série: Outsiders
Episódio:
What After The Storm
Temporada:

Número do Episódio:
1×10

CENA 1 – EXT. RANCHO JONES – NOITE
Um carro de bombeiros levanta a poeira da estrada de chão e para bruscamente a frente da casa. Muitos homens saem do veículo e rapidamente começam a direcionar as mangueiras para a casa. Vemos que labaredas saem livremente pelo segundo andar e a parede frontal também está tomada pelas chamas. Dois homens tiram do caminhão um grande bastão de ferro e correm até a porta. Eles arrombam a casa e entram apressados.

 

CENA 2 – INT. RANCHO JONES – NOITE
Vemos EHLIOS desmaiado no chão e um barulho insistente do alarme de incêndio é ouvido. De repente um estrondo imenso assola o local e uma viga cai do teto entre EHLIOS e os bombeiros. Um dos homens escapa por pouco. Os dois olham para o teto que parece extremamente frágil. Eles pulam por cima do fogo e levantam EHLIOS, apoiando os braços do garoto e carregando-o para fora rapidamente.

 

CENA 3 – EXT. RANCHO JONES – NOITE
Os homens carregam EHLIOS pelos poucos degraus da varanda e uma maca aparece rapidamente em cena. Vemos agora que vários outros tentam controlar o fogo.

PARAMÉDICO 1: Ele está vivo?

BOMBEIRO 1: Por pouco. Intoxicação e uma queimadura na perna direita.

Os homens colocam EHLIOS sobre a maca e apressam-se novamente para dentro da casa.

Os paramédicos colocam uma máscara de oxigênio no rosto do garoto enquanto empurram a maca para a ambulância.

Os dois bombeiros chegam aos degraus quando um barulho enorme de algo se partindo é ouvido. Em uma explosão vemos poeira sair pela porta e os vidros da janela do primeiro andar estourarem quando o piso do segundo andar desmorona. Os homens cobrem os olhos.

CORTA PARA:
EHLIOS, em cima da maca, começa a tossir.

PARAMÉDICO 1: Você consegue respirar?

EHLIOS: [desnorteado] Hãn? O que houve com a casa? [ele aperta os olhos] Fogo.

EHLIOS tenta levantar mas acaba caindo de novo na maca, tonto.

PARAMÉDICO 2: Calma, garoto. Você está em choque. Nós o levaremos pro hospital e logo você vai melhorar.

EHLIOS parece alarmado com a situação e com dificuldade levanta da maca.

EHLIOS: [fraco] Não…

Ele tosse muito e solta um gemido de dor quando apóia o peso na perna ferida.

EHLIOS: Eu estou bem. Não preciso ir a hospital algum.

PARAMÉDICO 1: [surpreso] Calma, garoto. Você precisa fazer exames pra saber se sua intoxicação não foi séria.

PARAMÉDICO 2: Nós só queremos nos certificar de que você está bem.

EHLIOS: [irritado e fraco] Eu disse… nada de hospital!

Os dois paramédicos se entreolham. EHLIOS encara os dois, ofegante.

PARAMÉDICO 2: Okay, vamos então pelo menos até a ambulância para colocar um curativo nessa queimadura. Ela não parece ser tão grave.

Ele olha para a ferida e vemos que ela já está menor do que era quando ele saiu da casa. EHLIOS anda amparado até a ambulância onde ele se senta enquanto o paramédico cuida de sua perna. O garoto parece hipnotizado enquanto observa o fogo destruir a casa.

 

[MÚSICA TEMA – LATE GREAT PLANET EARTH, PLUMB]

 

CENA 4 – INT. MANSÃO LIEFIELD – NOITE
A câmera dá um giro pela a sala de estar da mansão e vemos que CATHLEEN está deitada de forma confortável assistindo a tv. A câmera se aproxima, dando um close do rosto da garota, vemos que ela esta com o semblante tenso.

JULIA: [off] Problemas no paraíso, Cathleen?

JULIA se aproxima e se senta no sofá, ao lado de CATHLEEN.

JULIA: Parece que tem algo te incomodando.

CATHLEEN: [revolvendo os cabelos] Se eu te disser que essa calça jeans está apertada me deixa em paz?

JULIA: Acho que seu problema é um pouquinho mais grave do que estar engordando.

CATHLEEN: Ok. O Olho de Thundera já entrou em ação e eu nem percebi. Julia, eu entendo que não foi nada inteligente ter te dado a obra completa de Irvine Welsh, mas essa sua visão trainspotting da adolescência está ultrapassando os limites. E sim. Eu tinha um problema e já resolvi.

JULIA: Você devia fazer teatro, sabia? [se levantando] Vou estar no meu quarto. Se você quiser conversar… Ou “ensaiar”, me procura.

Ela vai em direção às escadas, mas se vira.

JULIA: A propósito, diferente do que você está pensando, eu não entrei na sua mente.

Ela volta a subir as escadas.

CATHLEEN: [dando um tapa no sofá] Como ela me irrita.

 

CENA 5 – INT. QUARTO DE CATHLEEN – NOITE
JULIA tranca a porta de seu quarto. Após retirar a roupa, ela acende uma lâmpada sobre a escrivaninha. A câmera mostra a mulher colocando várias fotos de crianças e de ambientes, de forma desconectada, em cima da mesa. Close no rosto de JULIA. De repente os papéis começam a flutuar tomando várias direções e param no ar, foto por foto vão se encaixando paralelamente uma a outra. JULIA as observa e abre um sorriso de satisfação.

JULIA: Bingo.

CENA 6 – EXT. NARANDA HIGH – DIA
[MÚSICA DE FUNDO – SPACE, BY SOMETHING CORPORATE]
KENNEDY vem andando pelo campus do colégio.

CATHLEEN: [off] Lester!

Vemos CATHLEEN vestida de frente única e uma mini saia, um par de botas cano alto. A imagem parece entrar em tempo slow, alguns rapazes olham pra CATHLEEN, que tenta se exibir sexualmente apelativa. A câmera dá um close no rosto de CATHLEEN e vai descendo até chegar em ângulos moralmente duvidosos.

KENNEDY: Vai ter show da Beyoncé na cidade ou eu to perdendo alguma coisa, Cathleen? São oito da manhã e você já está maquiada pra guerra. Aliás, que marca é esse lápis de olhos que você tá usando?

CATHLEEN apenas sorri enquanto elas atravessam as portas duplas, entrando no colégio. Pelo corredor muitos garotos não tiram os olhos dela. Alguns assobiam e outros gritam. CATHLEEN dá uma voltinha antes de continuar a andar e os gritos se intensificam. Um deles sacode uma nota no ar.

KENNEDY: [indignada] Hey! [apontando] Isso é um colégio e não o Moulin Rouge.

Cathleen continua andando, ignorando Kennedy, que segura seu braço e a encara nos olhos.

CATHLEEN: Qual é o seu problema?

KENNEDY: [séria] Qual é o meu problema? Acho que muita Oprah e Cosmopolitan mexeram um pouco em seu comportamento. Você chorou. E eu nunca tinha visto isso antes, Cathleen. Não sei por que, mas tive a leve impressão que você não tava muito bem com o que aconteceu naquela lanchonete.

CATHLEEN: E você tem PhD em psicologia amorosa, né? Uma garota mimada que nem se sente segura o bastante pra revelar que está namorando um nerd. [irônica] Oh, veja que grande coincidência, este nerd por acaso mora com a Satine aqui. [apontando] E veja só se não é ele que se aproxima. [séria] Vê se cresce antes de querer dar lição de moral, ok?

Cathleen sai andando.

[Música fade out]

A câmera mostra JOEY se aproximando, distraído. Close no rosto de KENNEDY que parece apreensiva. A câmera dá uma volta em 180º no corredor. KENNEDY começa a se esbarrar com várias pessoas que transitavam pelo local. Ela vê uma porta entreaberta e, impulsivamente, passa por entre a mesma. Ao fechar os dizeres “Banheiro dos Professores” toma a tela.

 

CENA 7 – EXT. NARANDA HIGH – DIA
ZACK e EHLIOS estão no pátio, sentados em um banco.

EHLIOS: Mas, de qualquer forma poderíamos ficar na casa da árvore no quintal do Marius até que o Kenny resolva tudo no rancho com o pessoal da seguradora. Não dá nem pra tentar ficar lá em casa. Está completamente inabitável.

ZACK: Mas o que me intriga é como tudo isso aconteceu. Não foi simplesmente um fogo caseiro. [triste] O incêndio acabou com quase tudo.

EHLIOS: Primeiro os bombeiros disseram que pode ter começado [lançando um olhar para Zack] devido a Wafflemaker. Acho que deveríamos ter jogado aquela coisa fora há décadas atrás. A outra hipótese era que alguma fagulha provocada por um aumento de energia mais o ar seco nessa época do ano, também pode ter ocasionado o incêndio.

ZACK: Eu não sei. Pode dizer que tenho mania de perseguição, mas eu não acho que um aparelho daquele tamanho conseguiria destruir uma casa.

ZACK parece desconfortável por alguns segundos e EHLIOS percebe.

EHLIOS: [desconfiado] Você sabe de alguma coisa que eu não sei, Hayes?

ZACK: Provavelmente não é nada.

EHLIOS vira-se mais de frente para ZACK.

EHLIOS: [desconfiado] O quê não é nada?

ZACK: Foi só um comentário que o chefe dos bombeiros fez–

EHLIOS: O que foi?

ZACK: Olha, não vamos transformar isso tudo em uma grande coisa, tá?

EHLIOS: O que foi, Zack?!

ZACK encara EHLIOS por alguns momentos.

ZACK: Ele disse algo sobre como você tinha tido sorte porque não havia nenhum botijão de gás ligado ao fogão na hora do incêndio. Que se houvesse uma explosão todo o segundo andar teria desabado sobre você.

EHLIOS parece reflexivo por alguns segundos.

ZACK: Eu disse a ele que tinha tirado o botijão vazio essa manhã e que só levaria um novo quando chegasse do trabalho. A questão é que…

EHLIOS encara ZACK novamente.

ZACK: … eu não tirei o botijão de gás de lá. Você tirou?

EHLIOS engole a seco e balança a cabeça em negativa.

 

CENA 8 – INT. NARANDA HIGH – DIA
KENNEDY, em passos rápidos, se desloca sorrateira por entre os armários, olhando por todos os lados ao mesmo tempo, como se procurasse por algo.

JOEY: [off] Kennedy?

KENNEDY retorna o olhar e vê JOEY vindo em sua direção.

KENNEDY: [ríspida] O que você pensa que esta fazendo? Estamos em ambiente publico.

JOEY: [franzindo a testa] Que bicho que te mordeu?

KENNEDY: O bichinho da razão.

JOEY: [coçando a cabeça] Como?

KENNEDY: [seca] Eu disse, cai fora!

KENNEDY continua a caminhar rapidamente e JOEY só a encara. CATHLEEN aparece ao seu lado. Ela pega no ombro dele.

CATHLEEN: Joey, sabe aquela velha história, de que populares e perdedores nunca se misturam?

JOEY: O que tem?

CATHLEEN: Pense nisso.

CATHLEEN sai, deixando-o pensativo por alguns segundos. Logo seu semblante se torna triste.

 

CENA 9 – INT. QUARTO DESCONHECIDO – DIA
Um lugar pequeno, escuro e bagunçado, preenchido por um velho beliche e algumas caixas. A porta se abre, e DEVON entra, acompanhado de ZACK e EHLIOS. Os garotos não se mostram muito animados com a vista.

DEVON: Isso aqui costumava ser meu depósito. Da última vez que mudei sobraram muitas coisas. Acho que o beliche vai os ser bem útil.

Os garotos se olham, desconcertados.

DEVON: Bem, está a disposição. [tocando no ombro de Zack] Não esquenta, vocês vão ficar bem.

ZACK: Valeu mesmo.

DEVON sai do quarto. ZACK e EHLIOS andam pelo local, observando. Analisando tudo.

EHLIOS: A casa da árvore era mais arejada.

ZACK: Eu estou preocupado.

EHLIOS: Esquece a Hannover, temos problemas mais sérios.

ZACK: [girando os olhos] Com os documentos de Sarah sobre os outros que se perderam no incêndio. Eu também não achei os desenhos criptografados.

EHLIOS: Ela vai arrancar a nossa cabeça.

Zack empurra o colchão da cama de cima, testando a resistência.

ZACK: Bem, vai se ajeitando aqui. [Ehlios o olha entediado] Ou não. Tanto faz. Eu tenho que ir no correio, avisar pra entregar as correspondências aqui…

 

CENA 10 – INT. AGÊNCIA DOS CORREIOS – DIA
ZACK se dirige diretamente a um guichê próximo dali.

ZACK: Olá, Brown.

BROWN: Zack, eu sinto muito pelo que aconteceu, garoto.

ZACK: Ainda é… [olhando no relógio] 1:30. Por acaso existe alguém que ainda não saiba?

BROWN: Bem, todos sentimos muito. [pegando algo numa gaveta] Se tiver algo que eu possa fazer para ajudá-los…

ZACK: [sorri] Obrigado, Brown, mas nós estamos bem.

BROWN estende um pequeno envelope para ZACK.

BROWN: Isso chegou hoje para Sarah.

Ele o entrega um telegrama.

 

CENA 11 – EXT. LOCAL DESCONHECIDO – DIA
A câmera mostra ZACK tirando um cartão do bolso, close no cartão. Vemos números inseridos no mesmo. ZACK retira um celular de sua mochila e começa a discar os números do cartão.

Em cena ouve-se sonoras de um telefone chamando e de repente um sinal de linha liberada.

ZACK: Código de Acesso, área NN002.

HOMEM: [Voice over] Um momento.

Ruídos de uma conexão sendo estabelecida são ouvidos em cena.

HOMEM: [Voice over] Você poderia olhar para torre do relógio à sua esquerda, por favor?

ZACK, meio confuso, olha pra torre.

HOMEM: [Voice over] Oh, Zack, é você? Como conseguiu esse número de acesso?

ZACK: A Sarah deixou um cartão comigo em casos de emergência. [olhando em volta, desconfortável] Recebi seu telegrama. Você está aqui em Naranda, Kenny?

HOMEM: [Voice over] Não, menino do interior, meu trabalho é como um diretor de um reality show… só que real.

ZACK: Parece trabalhoso.

KENNY: [rindo] Mas, tem suas vantagens… [interrompendo] Meu Deus! O que houve com o Rancho?!

ZACK: Pegou fogo, Grande Irmão, e com eles alguns documentos de Sarah. Ainda não sabemos o que provocou o incêndio e estamos de mãos atadas com a ausência de Sarah.

KENNY: [Voice over] Meu Deus! [aterrorizado] A casa virou cinzas e escombros. [quase gritando] Vocês estão bem?!

ZACK: Sim. Ehlios teve algumas queimaduras nas pernas, mas você sabe que ele cura rápido.

KENNY: [Voice over] Okay, estou depositando em sua conta mil e qui–

ZACK: Nem pense nisso, Kenny. Esse dinheiro é doado por todos para a manutenção dos equipamentos de monitoramento. Ele não é nosso.

KENNY: [Voice over] Zack, você precisa pelo menos de dinheiro para um hotel.

ZACK: Ehlios e eu ficaremos em um quarto nos fundos da lanchonete até que Sarah volte. Eu tentei entrar em contato com ela, mas no hotel pra onde liguei disseram que ela já havia ido embora.

KENNY: [Voice over]  Eu também estou tentando estabelecer contato há mais de uma semana. Pensei que ela já estivesse de volta ao país. Já é a terceira semana que não temos notícia da pequena Anna Montoya.

ZACK: [preocupado] Você ainda não achou os Montoya?

KENNY: [Voice over] Estou tentando, Zack, mas eles não reportaram, mudaram de casa e não deixaram rastros para trás.

Zack vira-se em direção da torre, um pouco irritado.

ZACK: Então ao trabalho, Kenny. Estamos falando de uma garotinha aqui!

A linha fica em silêncio por uns instantes.

KENNY: [Voice over] Eu temo já ter passado muito tempo para acharmos alguma coisa. [pausa] São três semanas, Zack.

ZACK passa a mão nos cabelos, preocupado.

ZACK: Continue tentando entrar em contato com Sarah. Diga que ela precisa voltar ao país com urgência, mas não mencione o Rancho. Não quero que ela chegue aqui enfartada. Assim que ela aparecer nós poderemos ir pessoalmente encontrar os Montoya.

KENNY: [Voice over] Entendido.

ZACK: Se precisar de qualquer outra coisa, ligue para esse celular.

ZACK fecha o aparelho e se afasta rua abaixo.

 

CENA 12 – EXT. RANCHO JONES – DIA
A câmera focaliza a fachada da casa. Vemos que a parte da frente está destruída, mas a parede do fundo da casa e do lado direito ainda estão de pé. Ela desce aos poucos, revelando JOEY e EHLIOS, parados em frente, olhando para a casa. Eles permanecem assim por vários segundos.

EHLIOS: [sem desviar o olhar] Que merda.

 

CENA 13 – INT. RANCHO JONES – DIA
EHLIOS e JOEY sobre os escombros da casa. Eles estão sérios, analisando os estragos do incêndio. Boa parte da casa está destruída.

EHLIOS: Cara, to me sentindo no 11 de Setembro.

JOEY: Lá foi muito pior, acredite. Aqui ainda tem alguma coisa em pé.

EHLIOS: Tadinha da minha casinha.

JOEY: Por que você não usou seus poderes pra sair logo da casa?

EHLIOS: Eu não consigo atravessar corpos com alta temperatura. Sarah disse que é algo relacionado com moléculas super excitadas.

JOEY ri brevemente e EHLIOS olha para o amigo, girando os olhos e logo solta uma risadinha forçada e irônica.

ZACK: [Off] Que estrago.

EHLIOS: Jura? Aonde?

ZACK: Ehlios, eu acho que temos problemas.

ZACK olha pra JOEY por uns instantes.

EHLIOS: O cara se ofereceu pra ajudar. Ele é aliado.

ZACK toma mais um momento, mas volta-se para Ehlios.

ZACK: Kenny disse que não consegue encontrar a Sarah e agora aparentemente temos um desaparecimento pra cuidar.

EHLIOS: Desaparecimento?

ZACK: Duas semanas atrás uma família não reportou na checagem mensal. Semana passada Sarah me disse ao telefone para tentar encontra-la, mas eu e Kenny não saímos da estaca zero. Estamos entrando na terceira semana e Kenny ainda não conseguiu localizar a família da pequena Anna.

JOEY se assusta ao ouvir o nome. Os garotos percebem.

EHLIOS: Tudo bem, cara?

JOEY balança a cabeça, afirmando, tentando se recompor rapidamente.

ZACK: Joey, não preciso dizer que isso aqui é assunto particular, certo?

JOEY: Claro, não se preocupa. Eu… Eu não vou me meter. Isso é coisa de vocês e… Eu entendo. Claro. Sem problemas.

ZACK concorda com a cabeça e olha em volta.

ZACK: Agora, vejamos, como podemos colocar esta casa no jeito?

EHLIOS: Hmmm, derrubando o resto e construindo outra?

CENA 14 – INT. THE ALLEY – DIA
[MÚSICA DE FUNDO – YOU MAKE ME FEEL, JEREMY TOBACK]

A câmera mostra ZACK servindo algumas mesas, ele observa que JULIA esta sentada numa das mesas folheando um jornal.

ZACK: [sério] Em que posso servi-la?

JULIA: [dando um meio riso] Olá, Zack. [olhando o cardápio]: O tempo anda meio quente por aqui, não?

ZACK: Depende pra quem tiver sentindo calor. Já escolheu?

JULIA: [pensativa] Acho que um capuccino seria ótimo. Quente e amargo como a vida. [encara o garoto] Você não acha?

ZACK: [anotando] Pelo visto você ouviu as notícias.

JULIA: Sim, fui informada do incêndio pelo Joey, mas parece que a Cathleen estava tentando fingir o dia todo que não estava preocupada com a noticia, o que me leva a perguntar se houve algo que eu precise saber?

ZACK: Você não sabe?

JULIA: [revolvendo os cabelos] Não pela sua mente. A Sarah soube colocar um perfeito bloqueio em você.

ZACK: Ninguém precisa bloquear nada em mim. Eu não tenho nada a esconder de você.

JULIA: O quê? Não me diga que você tem bloqueio natural?

ZACK apenas olha para ela.

JULIA: [balançando a cabeça positivamente] Impressionante. Bem raro achar um de vocês. Em toda a minha vida eu apenas conheci mais uma pessoa com bloqueio natural. Era um agente melhor eu devo admitir… Mas não terminou muito bem.

Eles dois se encaram por mais alguns momentos.

JULIA: Não que eu esteja desmerecendo o trabalho que a Sarah fez com vocês dois, acho brilhante esta estratégia de servir mesas e invadir bases em horários de folga.

ZACK: [sério] Você poderia ser mais direta?

JULIA: [respirando fundo] Tudo que estou dizendo que às vezes vocês precisam de uma certa ajuda. Eu conheço a Sarah há muitos anos, e não gostaria de ver nenhum dos dela passando por necessidade.

A câmera mostra a mulher tirando um envelope de sua bolsa e jogando o envelope em direção a ZACK.

JULIA: Isso é uma pequena ajuda, pra reparar os estragos que o incêndio fez no rancho. Quando a Sarah retornar de sua viagem eu acerto com ela.

ZACK: E o que te leva a crer que eu vou aceitar esse dinheiro?

JULIA: [séria] Pense bem garoto. Acho que você e seu amigo não têm para onde ir nessa cidade e nós dois sabemos que seria muito desconfortável se você estivesse como hóspede na mansão, então apenas aceite o dinheiro e vá para um hotel, antes que os ratos do balcão te comam durante a noite. Agora traga o meu café.

ZACK apenas a encara por alguns segundos pegando o envelope consigo e indo a direção ao balcão, enquanto em close a mostra JULIA sorrindo, sinceramente, e tapando a visão de seu rosto com o jornal.

 

CENA 15 – INT. MANSÃO LIEFIELD – NOITE
No quarto de CATHLEEN, JOEY anda de um lado para o outro, nervoso. CATHLEEN está na cama, observando entediada.

JOEY: Eu preciso saber. Eu preciso saber.

CATHLEEN: Por que você não pergunta pra eles? Não é mais fácil?

JOEY: Desculpa, mas eu ainda não cheguei a este limite da indiscrição.

CATHLEEN gira os olhos, ainda calada. JOEY olha pra ela, e senta na cama a seu lado.

JOEY: Cathy, você sabe que eu te adoro, né?

CATHLEEN: Eu não vou fazer isso.

JOEY: Mas é o único jeito! E vai ser fácil pra você. Por favor, você sabe como isso é importante.

CATHLEEN: Joey, você que resolve os seus próprios problemas. Eu já tenho os meus. É assim que a natureza funciona, se acostume.

A expressão do garoto endurece e ele encara CATHLEEN.

JOEY: [seco] Okay, Vamos falar sério agora.

CATHLEEN o encara, entediada.

JOEY: Você tem duas escolhas pra lidar com seu problema com o Zack: continuar dando uma de vaca insensível com quem quer te ajudar, ou deixar de ser covarde. Ou seja, se desentocar dessa casa, voltar a ser a antiga Cathy e conversar com ele.

Eles ficam se encarando por alguns segundos. CATHLEEN abre um sorriso malicioso.

CATHLEEN: E a verdadeira Cathleen não era uma vaca insensível?

JOEY pondera e abre lentamente um pequeno sorriso.

JOEY: Bem, eu sobrevivi até hoje.

CATHLEEN pega um travesseiro e joga em JOEY.

 

CENA 16 – INT. NARANDA HIGH – DIA
EHLIOS esta amarrando os cadarços de seus tênis surrados, e a câmera mostra CATHLEEN vindo em direção do garoto que ao se levantar se depara frente a frente com ela.

EHLIOS: [sem jeito com a proximidade] O que você quer?!

Num impulso, CATHLEEN o abraça.

CATHLEEN: Oh, meu Deus, por que a vida é tão horrível? [choramingando] Uma hora você está bem e na outra você está mal. E o pior é não saber o que está acontecendo consigo mesma, não saber o que fazer, e nem pra onde ir. [dando leves socos nas costas dele] É horrível, cara. Horrível.

EHLIOS continua calado, estarrecido. CATHLEEN o solta. Há lágrimas nos olhos, mas ela abre um sorriso amplo.

CATHLEEN: Valeu pela força.

Ela sai, normalmente, enquanto EHLIOS continua observando, totalmente confuso.

 

CENA 17 – INT. MANSÃO LIEFIELD – DIA
JOEY está sentando diante do computador do quarto de CATHLEEN. Em tela podemos ver escrito os dizeres “zona de busca” e “insira os dados que deseja obter”. A CAM mostra JOEY encarando CATHLEEN, que está deitada em sua cama lixando as unhas.

JOEY: [sério] Você tem certeza que esse é o nome?

CATHLEEN: [sem parar de lixar as unhas] Absoluta, honey. Ou você quer que eu durma com ele pra descobrir mais coisas?

JOEY: [torcendo os lábios em desconforto] Diminui na ironia, Cathy.

JOEY escreve o nome “Anna Montoya” na central de dados e rapidamente várias informações são mostradas em tela.

JOEY: Parece que o pai dela é um recém contratado da Hellertech. Foram transferidos de Los Angeles para o Novo México há pouco tempo. Eu preciso de uma foto.

JOEY puxa mais alguns informes no sistema e clica em cima de um arquivo relacionado a exames médicos da família. CATHLEEN levanta da cama e vai observar o monitor por cima do ombro dele.

JOEY: Parece que a garotinha sofre de sérios distúrbios sociais e eles frequentemente iam pra Vegas se consultar com o especialista.

JOEY clica e agora a foto da menina [Abigail Mavity] aparece na tela. Ele fica pálido e catatônico olhando a foto.

CATHLEEN: E? Joey? [sorrindo esperançosa] É ela?

JOEY: [sorrindo] Sim. É ela.

Eles encaram o monitor em silêncio por alguns segundos. CATHLEEN coloca a mão sobre o ombro do amigo.

CATHLEEN: E não parece com você…

JOEY lança um olhar afiado para CATHLEEN.

 

CENA 18 – INT. THE ALLEY – DIA
No apertado quarto de empregados, EHLIOS tenta virar o colchão de um dos beliches. Ele o faz e constata que o outro lado está manchado e rasgado. Ele respira fundo, entediado. E volta o colchão como estava antes. ZACK se aproxima.

ZACK: Tem jeito?

EHLIOS: Pelo menos não está reduzido á cinzas.

ZACK: [sério] Como é que você consegue fazer piada com esse tipo de coisa?

ZACK senta no beliche e passa a mão nos cabelos. EHLIOS o observa por alguns instantes, e se senta do lado dele.

EHLIOS: A Hannover é mesmo uma destruidora, né? Cara, eu acho que ela é meio doida…

ZACK: Você não tem nada melhor pra fazer, não?

EHLIOS: [triste] Ei, cara, não vai ficar assim. Ela não te merece.

ZACK não diz nada, só respira fundo, ainda cabisbaixo. EHLIOS o observa por um tempo e sai do quarto.

 

CENA 19 – INT. MANSÃO LIEFIELD – DIA
Vemos um amplo escritório, bem decorado. Ao longo de todas as paredes uma estante fechada rodeia o local, dando um ar claustrofóbico. Nas paredes vemos um material creme cobrindo-as, um isolamento acústico. Close na porta que se abre e vemos JULIA entrando. A mulher tem um semblante preocupado no rosto. Ela tranca a porta e passa uma tranca manual acima da fechadura.

JULIA atravessa o local, passando por uma cadeira e indo até uma câmera de vídeo posicionada em frente a ela. LIEFIELD aperta um botão no aparelho e se senta na cadeira.

Ela olha parar o chão e se mantém em silêncio por alguns momentos, mas logo encara a câmera com uma expressão decidida.

JULIA: [séria e sem vacilar] Dezembro de 2005. As coisas se complicaram mais do que o previsto. Cathleen parece estar se envolvendo cada vez mais com Hayes apesar dos meus esforços para impedir as conseqüências desse relacionamento. Nesse ponto eu não sei mais se há um caminho de volta ou se seria justo uma intervenção minha em algo que tenho ciência não possuir empecilhos que surtam efeito. Ontem à noite eu… [respira fundo] eu recuperei os desenhos restantes que estavam na posse de Sarah. Ela deve voltar de sua viagem à China nos próximos dias, mas não acredito que Alan consiga voltar com ela. Junto aos desenhos foram por mim encontrados alguns documentos sobre a movimentação dos seus protegidos. [ela engole seco e parece escolher as palavras] Joey… Joey vai achar– [ela recobra seu semblante centrado] Joey vai achar Anna e não há nada que eu possa fazer para impedi-lo. Prevejo que as coisas ficarão ruins, muito ruins depois desse encontro, mas não vejo formas de evita-lo sem levantar suspeitas. Você é Julia Liefield, mora em Naranda, Nevada, com Cathleen Hannover e Joseph Campiti.

JULIA encara a câmera por alguns segundos, incerta.

JULIA: [quase sussurrando] Tenta não estragar tudo dessa vez.

A mulher levanta-se e desliga a câmera. Ela retira a fita e coloca-a dentro de uma VHS. JULIA se dirige a um dos armários e o abre. Vemos que há dezenas de fitas dentro dele e todas elas estão rotuladas com datas. JULIA coloca a fita e tranca o armário.

 

CENA 20 – EXT. NARANDA HIGH – DIA
KENNEDY caminha apressadamente olhando os quatro cantos, quando avista JOEY vindo em sua direção.

JOEY: Kennedy espera.

KENNEDY acelera o passo o garoto começa a se apressar também. A garota então começa a correr em direção ao seu carro.

JOEY: Por que você ta correndo?

KENNEDY: Exercícios?

JOEY: Mas você tá de salto alto!

Eles chegam ao carro e JOEY vira a garota pelo braço, confuso.

JOEY: Por que você tá fugindo de mim, Lester?

KENNEDY: [ofegante e irritada] O que eu já te falei, Joey? Para de ficar perto de mim em publico! Eu já disse! Uma coisa é eu trocar uns beijinhos com você no beco do The Alley outra é eu sair de mãos dadas pelo corredor do colégio na frente das minhas amigas…

JOEY: Olha, eu não to com tempo pra ficar discutindo agora. Eu preciso de seu carro emprestado.

KENNEDY: [sem prestar atenção] Eu sei que nós temos um lance meio animalesco mas foi você quem concordou com os termos desde o… [balançando a cabeça] Como é que é?! Meu carro?! Nunca!

JOEY: [girando os olhos em tédio] Você tem duas opções: ou me empresta o carro ou eu conto pra todo mundo do nosso rolo.

KENNEDY: [pasma] O quê? Você está me chantageando?!

Ela começa a dar tapas sincronizados com as palavras no ombro de JOEY.

KENNEDY: Você… está… me… chantageando?!

JOEY: [esfregando o braço] Aiii!!

KENNEDY: [aponta, indignada] Você não faria isso! O que você ganha contando isso pra todo mundo?

JOEY: [contando nos dedos] Perco meu título – totalmente sem fundamento – de nerd, presencio com satisfação a cara de bunda do Ben Tyler, ganho respeito da ala masculina do colégio por ter pegado a maior “pegadora” de Naran–

KENNEDY: [irritada] Chega! E pra onde diabos você quer ir com o carro?

JOEY: [sorrindo] Vegas.

KENNEDY: [assustada] Vegas?

 

CENA 21 – EXT. RUA DESCONHECIDA – DIA
EHLIOS anda apressado, carregando ZACK pelo braço.

EHLIOS: Tô te dizendo, você precisa ver com os próprios olhos o que o Billy’s está fazendo com as rosquinhas.

ZACK: [confuso] E quem liga pra malditas rosquinhas?

EHLIOS: Zack, onde está sua destreza empresarial? Temos que ficar perto dos inimigos. Se foi o Marlon Brando que disse isso, então deve ser verdade.

 

CENA 22 – EXT. RODOVIA DESCONHECIDA – DIA
Vemos um carro se deslocar velozmente por uma rodovia recortada por um grande deserto.
 

CENA 23 – INT. CARRO EM MOVIMENTO – DIA
A câmera mostra JOEY no volante e KENNEDY no lugar do carona.

KENNEDY: [olhando pra Joey] Sabia que eu podia dar parte de você na policia? Isso em alguns estados é caracterizado como seqüestro.

JOEY: [sem tirar o olho da estrada, apenas sorri] E o que você diria pra polícia? Que você fugiu com uma cara que você tinha um lance meio animalesco?

KENNEDY: [irritada] Não use minhas palavras contra mim, Campiti. Minha eloqüência é uma das minhas principais características pessoais.

JOEY: [irônico] Tô percebendo. Você não calou a boca desde que saímos de Naranda, há umas 2 horas atrás.

KENNEDY: [sarcástica] Há-há-há! Você acha mesmo que eu ia ficar em Naranda e não saber o que você ia fazer em Vegas com meu precioso, luxuoso e altamente confortável carro? Alias, por que você não pegou um dos vários carros da sua mãezinha?

JOEY: [seco] Tô de castigo.

KENNEDY: E você ainda pergunta por que eu não quero ser vista com você em público.

 

CENA 24 – INT. BILLY’S – DIA
[MÚSICA DE FUNDO – NOTHING IS GOOD ENOUGH, AIMEE MANN]

Eles entram no local, e ZACK fica parado de repente. Na câmera subjetiva, ele vê CATHLEEN, sentada em uma mesa mais a frente, tomando um café, cabisbaixa.

ZACK olha sério para EHLIOS.

EHLIOS: Eu soube que ela esteve vindo aqui desde o barraco de vocês dois.

ZACK: Suas piadas andam perdendo a graça.

EHLIOS: Sei o que você tá pensando. Eu também não sei o que me deu, mas por mais que eu a odeie, eu prefiro ver a Cathleen feliz do que você infeliz.

ZACK: Você muda de idéia rápido, hein.

EHLIOS: Eu sei, fazer o quê. Nem sempre eu sou um sábio. E se você gosta dela, vai fundo, cara. Também não acho que ela seja indiferente à você. E se é assim, o resto de bom senso que me sobrou vai me manter longe de atrapalhar isso. [empurrando-o] Anda, vai!

ZACK se aproxima da mesa. CATHLEEN o vê, e desvia o olhar, desconfortável. ZACK se senta a sua frente, ela continua olhando para o lado.

CATHLEEN: Novo sistema de marketing, recolher clientes dentro do concorrente?

ZACK: Você não acha que a gente precisa conversar?

CATHLEEN balança a cabeça em negativa.

ZACK: Mas eu acho. Cathleen, não entendo direito como tudo isso chegou até aqui. Uma hora você tava quebrando copos e na outra eu estava contando os minutos pra ver você quebrando os copos…

CATHLEEN: Legal, vou anotar isso na minha lista de “métodos de conquista”.

ZACK pega na mão dela. O olhar duro dela vacila por um instante, mas logo volta a ser imparcial.

ZACK: Chega de ironia, ok? Eu não sei o que você sente, e não sei o que vai acontecer com a gente. Mas seja o que for, eu vou estar pronto.

Eles ficam se olhando, calados.

ZACK: Você acha que nós podemos dar certo um dia?

CATHLEEN desvia o olhar. Ela chama o garçom e pede a conta. Ela o paga e se levanta. ZACK só a observa.

CATHLEEN: [se levantando] A gente se vê por aí, ok?

Ela passa ao seu lado e ZACK segura a sua mão. Ela para. ZACK se levanta, e a encara nos olhos.

ZACK: Você não respondeu a minha pergunta.

CATHLEEN se aproxima, dá um beijo em seu rosto.

CATHLEEN: [sussurrando no seu ouvido] A gente se vê por aí.

Ela sai, enquanto ZACK permanece lá, parado.

CENA 25 – EXT. RUA DESCONHECIDA – DIA
O carro passa por uma rua de subúrbio, lentamente.

 

CENA 26 – INT. CARRO EM MOVIMENTO – DIA
[MÚSICA DE FUNDO – KISS ON ME, TYLER HILTON]

JOEY ainda dirige o carro enquanto KENNEDY mantém os braços cruzados e uma expressão de birra. Ele olha pra ela e depois pra estrada. Pouco depois olha pelo canto do olho e pra estrada novamente. KENNEDY continua emburrada. JOEY ri da namorada.

KENNEDY: Qual é a graça? Tem algum palhaço na estrada?

JOEY tira as duas mãos do volante em rendição e logo depois as coloca de novo.

KENNEDY: E então, vai me dizer alguma hora o que a gente ta fazendo aqui? Se for alguma namorada sua que quer esfregar na minha cara, eu juro que você vai sentir o quão confortável é viajar no porta-malas.

JOEY: [rindo] Na verdade eu prefiro o banco de trás.

Ela imita o garoto apenas mexendo a boca, com ironia.

JOEY: [rindo] Porque você com tanta raiva, afinal? Eu achei que uma viagem clandestina com um lindo namorado para Vegas fosse algo desejado por 90% das garotas.

KENNEDY: Pois me encaixe na minoria, querido. Eu só vou gostar de um seqüestro o dia que Kiefer Sutherland vier me resgatar. [brava] E pode começar a abrindo o bico. O que diabos estamos indo fazer em Vegas?

A expressão de JOEY fica séria, quase triste.

JOEY: [respira fundo] Você poderia simplesmente…

JOEY balança a cabeça, em confusão.

JOEY: Olha, eu precisava do seu carro, ok? E precisava que alguém viesse comigo. Eu prometo que você estará na sua cama quentinha o mais rápido possível. Sã e salva. Mas por agora você pode simplesmente confiar em mim?

KENNEDY: Eu estava tentada a te torturar pra você me dizer a verdade, mas você é realmente muito bom em chantagem emocional.

Eles ficam em silêncio por alguns segundos e KENNEDY parece desconfortável quando abre a boca para falar algo, mas a fecha novamente. A garota gira os olhos pra si mesma.

KENNEDY: Olha… [suavemente] eu já percebi o quanto é difícil pra você se abrir. Você, Cathleen e Julia, para uma não-família, são parecidos até demais, se quer saber minha opinião. Mas… [ela olha para Joey] Seja o que for… Quero que saiba que também pode confiar em mim.

JOEY: [magoado] Posso? Há algumas horas atrás você fugiu de mim na rua, Kennedy, e agora está aqui pedindo para confiar em você. [engole a seco com os olhos fixos na estrada] Às vezes você parece duas pessoas completamente diferentes.

KENNEDY fica em silêncio, cabisbaixa. JOEY olha pra ela de canto de olho.

KENNEDY: [irritada] Não se preocupe, eu não vou chorar.

JOEY esvazia os pulmões e olha para o alto como se estivesse com raiva de si mesmo.

JOEY: Eu não queria te magoar. Eu simplesmente… Eu só não te entendo as vezes. [ele finalmente olha para a garota] Mas de alguma forma estranha e contraditória eu precisava de você sentada nesse banco hoje.

Nem um dos dois fala nada por alguns segundos. KENNEDY franze o cenho.

KENNEDY: Isso não soou Cathy-Zack-drama-rama demais, não?

JOEY: [respirando aliviado] Com certeza! [sorrindo] Foi sem querer.

KENNEDY sorri e é retribuída pelo garoto. Ela coloca a mão sobre a perna dele e ele coloca a mão por cima da dela, entrelaçando os dedos.

KENNEDY: [sorrindo] Não vamos fazer isso de novo. Mas… Minha oferta ainda tá de pé. Você sabe… Aquela sobre confiar em mim.

JOEY a encara, indeciso por alguns segundos. A garota levanta as sobrancelhas e sorri. O garoto respira fundo.

 

CENA 27 – EXT. RUA DESCONHECIDA – DIA
[MÚSICA DE FUNDO – YUME NO NAKA, KARE KANO THEME]
JOEY encosta o carro e olha por alguns segundos para a casa. O garoto expira pesado e olha para o banco do passageiro. KENNEDY sorri para ele.

KENNEDY: Está na hora.

JOEY continua olhando para ela. JOEY respira sonoramente e seu maxilar está definido.

KENNEDY: É ela, Joey. [sorri] É ela.

JOEY: [passou a mão nos cabelos] Espero que você esteja certa. [quase implorando] Você vem?

KENNEDY sorri e toca a mão do namorado.

KENNEDY: Claro.

Os dois saem do carro e KENNEDY o acompanha enquanto ele avança lentamente pelo caminho que leva do portão à varanda de entrada da casa. Os dois param por um momento e KENNEDY entrelaça os dedos nos de JOEY.

JOEY: Aqui vamos nós.

O garoto fecha os olhos e aperta a campainha. Nervoso, JOEY começa a bater o pé no assoalho de madeira. Alguns passos abafados são ouvidos do lado interior da casa.

MULHER: [em off de dentro da casa] Eu já desci, querido.

A porta se abre revelando uma bela mulher [Kristin Davis]. Ela sorri para os dois.

MULHER: Posso ajudá-los?

JOEY: [voz trêmula] Sim…

JOEY olha para KENNEDY rapidamente e depois para a mulher, mexendo-se no mesmo lugar, desconfortavelmente. KENNEDY levanta as sobrancelhas, encorajando-o.

JOEY: [voz trêmula] Eu queria saber se… [ele tosse] É… Será que–

KENNEDY: –por acaso uma garotinha chamada Anna mora aqui?

O rosto da mulher se torna instantaneamente rígido. Ela fecha a porta contra o corpo deixando apenas sua cabeça e parte do corpo à vista.

MULHER: [seca] O que vocês querem com ela?

JOEY: Bem… É que eu… Eu queria vê-la pra saber se a sua Anna é minha Anna–

MULHER: [defensiva] Sua Anna? Eu posso te garantir que aqui não tem nenhuma Anna sua, garoto. E, afinal de contas, quem são vocês?

JOEY abre a boca, mas nada sai dela, então KENNEDY, mais uma vez, tenta ajudar.

KENNEDY: Bem, meu nome é Kennedy. [alguns passos são ouvidos vindo de dentro da casa] E se estivermos no lugar certo, eu acredito que ele seja–

Uma garotinha [Abigail Mavity] se revela por trás da mulher, abrindo totalmente a porta. Ela arregala os olhos e abre um enorme sorriso.

ANNA: –meu irmão!

O rosto de JOEY vai de nervoso a alegre quando ele também sorri amplamente para a garota.

 

PRODUÇÃO EXECUTIVA
Samir Zoqh
Luciana Rocha

ELENCO
Keira Knightley como Cathleen
Riley Smith como Joey
Paul Wasilewski como Zack
Ashly Lyn Cafagna como Kennedy
Bonnie Somerville como Julia

CONVIDADOS ESPECIAIS
Josh Duhamel como  Devon
Abigail Mavity como Anna
Kristin Davis como Jennifer

ESCRITA POR
Samir Zoqh
Luciana Rocha
Marcos Damata

EDITADA POR
Luciana Rocha

REVISADA POR
Marcos Damata

CRIADA E DESENVOLVIDA POR
Samir Zoqh
Luciana Rocha

MÚSICA TEMA
Late Great Planet Earth, Plumb

TRILHA SONORA

Space, Something Corporate
You Make Me Feel, Jeremy Toback
Nothing Is Good Enough, Aimee Mann
Kiss On Me, Tyler Hilton
Yume No Naka, Kare Kano Theme

A HYBRID STUDIOS PRODUCTION

DISTRIBUTED BY TELEVISION SERIES NETWORK
©2005

Séries citadas:

Os textos assinados pela Redaçao TeleSéries são textos de autoria coletiva ou notícias escritas por um redator anônimo, mas sempre revisadas com a máxima precisão jornalística.

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