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Ficção (séries virtuais)

Série Virtual – Outsiders – Girls Gotta Party

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Série: Outsiders
Episódio:
Girls Gotta Party
Temporada:

Número do Episódio:
1×02

[FADE IN]

 

CENA 1 – CAMPO DE ESPORTES NARANDA HIGH – DIA

[MÚSICA DE FUNDO – Why Not, Hilary Duff]

CATHLEEN e KENNEDY correm lado a lado em volta do gramado enquanto conversam, ofegantes. Atrás delas vemos outras garotas também correndo.

CATHLEEN: Cara, eu odeio educação física! Como o governo pode obrigar a gente a ficar completamente nojenta por cinqüenta minutos?

KENNEDY: [irônica] Essa deve ser mesmo a principal preocupação deles.

CATHLEEN: Não, eu falo sério, Kay. Pensa bem. Nós somos apenas gastos nos cofres públicos. Nós comemos, exigimos escola, parques, roupa, abrigo…

KENNEDY: [irônica] Festas ilegais.

CATHLEEN arregala os olhos como se KENNEDY finalmente tivesse compreendido.

CATHLEEN: E não pagamos imposto de renda!

KENNEDY: [ergue uma sobrancelha] Então essa é a vingança deles? Uma aula obrigatória de exercícios por tudo que fazemos eles gastarem?

CATHLEEN: Precisamente. O que eu tô tentando dizer é que essas coisas não valem cinquenta litros de suor!

KENNEDY: [sorrindo] Só as festas ilegais.

CATHLEEN: Ah, claro! Não vamos esquecer as festas! Você vai mesmo com o Ben na festa da fábrica hoje à noite?

KENNEDY: Espero que não! Ainda tô bolando um jeito de me livrar dele.

CATHLEEN: Então você vai terminar tudo mesmo?

KENNEDY: Não tem outro jeito. O problema é que toda vez que decido conversar com ele, terminar… eu não tenho coragem, Cath.

CATHLEEN: Quanto mais tempo você demorar pra terminar com ele, mais difícil vai ser. É melhor você fazer isso agora que vocês ainda estão no começo do namoro.

KENNEDY: Acho que você tá certa. O problema é que a Sam me disse que o Harry disse pra ela que o Ben falou que já gostava de mim há muito tempo. Sabe… eu não quero magoar ele.

KENNEDY parece cansada e para, colocando as mãos nos joelhos e pedindo por ar. Cathleen corre no mesmo lugar ao lado da amiga.

CATHLEEN: Então você vai casar com ele por causa disso? Não tô dizendo que você deva ser grossa com ele e mandar o cara pastar de uma hora pra outra. Só tô dizendo que você não pode ficar numa relação onde você não consegue nem respirar.

KENNEDY: Eu não tenho culpa de me envolver com caras tão… rarefeitos.

CATHLEEN: [rindo] Então, compre um tanque de oxigênio e seja feliz com ele.

CATHLEEN bate de leve na cabeça da amiga e sai correndo. KENNEDY ri e corre atrás de CATHLEEN. A música aumenta e a conversa se torna indistinta enquanto a câmera se afasta

 

[MÚSICA  TEMA – Late Great Planet Earth, Plumb.]

 

CENA 2 – SALA DESCONHECIDA NO NARANDA HIGH – DIA

[MÚSICA DE FUNDO – What’s My Age Again, Blink 182]

A câmera focaliza dois soldadinhos de plástico numa mesa sendo manipulados por duas mãos. A câmera abre revelando EHLIOS em frente a uma senhora [Kathryn Joosten] aparentando seus 50 anos.

EHLIOS: Me desculpe Doutora Miller, mas é que esses momentos de silêncio me dão náuseas, por isso, os soldadinhos. Sei que você irá me avaliar como infantil… bem [dá de ombros] você não seria a primeira. Então pega a senha e entra na fila.

DRA. MILLER: [anotando] Então, você tem problemas com pessoas silenciosas.

EHLIOS: Com pessoas silenciosas, não. Com pessoas que fingem ser silenciosas para chegar a algum lugar, sim.

DRA. MILLER: Eu gostaria de te lembrar que é o senhor que está avaliado aqui.

EHLIOS: E por que só eu fui chamado para ser avaliado? Eu não comecei aquela confusão sozinho.

DRA. MILLER: Senhor Grynn, a sua situação no colégio é alarmante.

EHLIOS: [revira os olhos] Não me diga.

DRA. MILLER: Você vem incomodando a calma nas decisões do grêmio desde que chegou ao colegial. E isso foi tolerado nas primeiras vezes, mas agora, vendo aonde a situação chegou devido ao seu mau comportamento, isso é inaceitável.

EHLIOS: Então o quê? Eu tô expulso?

DRA. MILLER: Não. Mas, devido aos seus últimos impulsos agressivos contra alguns membros de destaque em nossa instituição–

EHLIOS: …como o capitão do time?

DRA. MILLER: [num tom mais rígido] …eu e o diretor Fordman, acreditamos que o seu intelecto, como podemos notar em seu histórico, não está sendo totalmente aproveitado.

EHLIOS: Como assim? Vocês pretendem colocar uma focinheira em mim só porque eu falei umas verdades para aquelas aspirantes a Regina George?

DRA. MILLER: Não. Nós chegamos à conclusão que a melhor punição para você no momento é expandir suas relações sociais com outros alunos. Podemos começar com algo simples, como por exemplo monitorar outros alunos com dificuldades no aprendizado.

EHLIOS: [cauteloso e desconfiado] E vocês já tem alguém em mente.

DRA. MILLER: Sim. E acho que você vai se dar muito bem com essa pessoa. [mexendo nos papéis] Hum… aqui está… Joseph Campiti.

Os olhos de EHLIOS se arregalam e vemos uma expressão de pavor crescer em seu rosto.

EHLIOS: O quê?! Nunca!!

DRA. MILLER: [sorrindo] Vou considerar isso como um “sim”.

 

CENA 3 – REFEITÓRIO DO NARANDA HIGH SCHOLL – DIA

JOEY está almoçando sozinho. Ele coloca uma farta colherada de ervilhas na boca quando sente alguém cutucando seu braço. A câmera abre mostrando EHLIOS com uma pasta nas mãos. Ele joga a pasta sobre a mesa.

EHLIOS: Sou seu novo monitor.

JOEY, com a boca cheia de ervilhas, se esforça, mas não consegue falar. Sua expressão parece ser de incredulidade.

EHLIOS: [entediado] É… eu sei como se sente. Te vejo no sétimo horário. E não se atrase porque eu tenho mais o que fazer com a minha vida.

JOEY engole as ervilhas a seco e abre a pasta. A câmera mostra o que parece ser uma grade com horários de aulas.

JOEY: Ah, você só pode tá me zoando!

 

CENA 4 – QUARTO DE CATHLEEN – NOITE

[MÚSICA DE FUNDO – Vindicated, Dashboard Confessional]

Uma batida rítmica na porta. CATHLEEN sai de seu banheiro com um estojo de maquiagem na mão. Ela abre a porta sem se dar ao trabalho de conferir quem é e volta para o banheiro pra terminar de se arrumar. No caminho ela abaixa o volume de seu stéreo e a música diminui. JOEY no quarto e se joga na cama da garota de costas, encarando o teto.

JOEY: A tal festa da fábrica?

CATHLEEN: Sim.

JOEY: Então… você tá indo?

CATHLEEN: Sim.

JOEY: Onde é?

CATHLEEN: Na antiga fábrica de queijo.

JOEY: [cara de nojo] Parece fedorento.

CATHLEEN sorri do comentário e continua delineando seus olhos.

JOEY: Vocês todos vão?

Ela se senta na cama ao lado dele e começa a calçar sua sandália.

CATHLEEN: Só eu e Kay. É impressão minha ou essa conversa virou um tipo de interrogatório?

JOEY: Não, é só que…

CATHLEEN: Fala logo, Joey. [ela começa a procurar algo no chão] Droga! Bela hora para a tarraxa do meu brinco sumir.

JOEY: Quero dizer… Samantha vai com vocês?

Ela continua a procurar a tarracha no chão e não parece prestar muita atenção na conversa.

CATHLEEN: Não. Ela acabou de ligar. Parece que os pais dela viajaram e ela e Harry vão… [dá um sorriso malicioso] assistir Bob Esponja. [irritada] Droga. Cadê a maldita tarracha?

JOEY: Como? Bob Esponja?

JOEY leva um minuto para entender.

JOEY: [desanimado] Oh…

Ele vira-se e começa a sair, cabisbaixo.

JOEY: Me liga se acontecer qualquer coisa. Eu vou te buscar.

Nesse momento CATHLEEN, encontra sua tarraxa e vê JOEY saindo triste do seu quarto. Ela percebe a situação e bate a mão na cabeça.

CATHLEEN: Espera. Joey. Desculpa. Foi falha minha, eu nem deveria ter falado isso com você… mas, essas tarrachas demoníacas destroem qualquer maldito pensamento linear na cabeça de uma mulher.

JOEY: Sem problema. Não se preocupe comigo, Cathie. Eu estou bem.

CATHLEEN: Mesmo? Ou está querendo me fazer sentir menos culpada?

JOEY: [mostra um tímido sorriso] E você acha que eu perderia a chance de te ver se autoflagelar?

CATHLEEN: [rola os olhos] É, acho que você já está bem.

Ele vira-se de novo para sair, mas sua expressão triste permanece. CATHLEEN aperta os olhos e solta um pequeno “argh” em agonia.

CATHLEEN: [impulsiva] Você que ir?!

JOEY se interrompe mais uma vez e encara a garota.

CATHLEEN: Quero dizer… você quer ir na festa? Com a gente?

JOEY: Você tá falando sério?

CATHLEEN: Surpreendentemente… sim.

JOEY abre um sorriso completo.

JOEY: Tá bom. Me dá vinte minutos que eu já vou me arrumar.

CATHLEEN assente com a cabeça e JOEY sai correndo, fechando a porta do quarto. A garota faz seu caminho de volta ao banheiro.

CATHLEEN: [sussurrando] Kay vai me matar.

Um shot do deserto. A velocidade da cena acelera. O vento balança os poucos arbustos. As estrelas somem e o céu fica um pouco mais claro, mostrando que o Sol está para nascer.

 

CENA 5 – COZINHA CASA DE JULIA – MADRUGADA

JULIA: Eu não acredito no que você fez, CATHLEEN! Você sabe que não pode sair no meio de uma semana de aula! Veja o que acontece!

A câmera mostra JOEY e CATHLEEN sentados ao balcão da cozinha. CATHLEEN possui a roupa que usava na cena anterior, mas JOEY parece que acabou de acordar. Cathleen abre a boca, mas Julia continua falando.

JULIA: Você está atraindo atenção para si! Eu achei que minhas regras fossem claras e, acima de tudo, bem simples! Será que é tão difícil assim?

CATHLEEN: Hey! Por que eu estou tendo a sensação de que eu sou a única a levar sermão aqui?! Joey também saiu com a gente!

JOEY: [defensivo] Hey!

JULIA: Joey voltou pra casa muito mais cedo que você.

JOEY: E andando, diga-se de passagem. Tive que aturar duas milhas de Kennedy Lester reclamando que seu salto estava machucando.

JULIA: E além do mais, foi você quem o convidou!

CATHLEEN solta um olhar cortante para JOEY.

JOEY: [defensivo] Eu não disse nada!

A garota olha para JULIA como uma expressão entediada.

CATHLEEN: [pausadamente e irritada] Será. Que dá. Pra você. Por favor! Parar de vasculhar minha cabeça?! Nem na própria mente se tem privacidade nessa casa!

CATHLEEN se levanta irritada e começa a sair da cozinha.

JULIA: Eu ainda não terminei.

CATHLEEN solta um grunhido de irritação e vira-se para JULIA com os braços cruzados.

JULIA: A questão aqui não é a sua privacidade. Estamos falando da sua falta de responsabilidade. Já passou da hora de vocês perceberem que não são mais crianças e que a manutenção de algumas responsabilidades é essencial para que nossas vidas continuem tranqüilas. Que o que vocês fazem geram conseqüências. [sorri] Por isso vocês vão ficar dois semanas sem o carro.

JOEY apenas concorda com a cabeça enquanto CATHLEEN arregala os olhos.

CATHLEEN: O quê?! Você não pode fazer isso comigo, Julia! Como que eu vou sobreviver sem o carro?!

JULIA: Bem, eu vou continuar levando vocês para o colégio como faço todos os dias. E além do mais, Naranda nem é tão grande assim. Tenho certeza que você vai conseguir ir aonde quiser andando.

CATHLEEN: Eu sou uma adolescente, Julia. Locomoção nunca foi meu objetivo principal com um carro. Será que você não aprendeu nada com seus velhos tempos de 90210?

JULIA: Então sinto muito, mas seu sempre ascendente status social terá que ficar em suspensão por duas semanas. O que não é nada na verdade.

CATHLEEN: Droga! Eu já disse que não tive a intenção de ferir o cara!

JULIA: A gente ainda teve sorte, Cathleen. Eu nem sei como você conseguiu convencer o cara a não processar.

CATHLEEN dá um pequeno sorriso malicioso.

JULIA: [revira os olhos] Quê que eu tô falando? É claro que eu sei como você convenceu o cara. Você é a rainha da chantagem.

CATHLEEN: Eu salvo o mundo de mais um pedófilo e você me crucifica?

JULIA: [séria] Nada de carro, Cathleen. Ponto final.

CATHLEEN solta outro grunhido frustrado e começa a massagear as têmporas tentando se acalmar.

CATHLEEN: Okay, okay. [respira fundo] Pelo menos me dá aqueles trezentos dólares extras que eu vou precisar.

JULIA: Aqueles trezentos dólares? Quais trezentos dólares?

CATHLEEN: [revira os olhos] Olha, se é pra ler minha cabeça, pelo menos lê direito… ou não lê nada. [levanta a mão] Eu voto fortemente pela a segunda opção.

JULIA olha para CATHLEEN por alguns segundos e logo depois seus olhos se arregalam.

JULIA: O quê? Nem pensar! Eu não vou desembolsar trezentos dólares para pagar seus estragos naquela festa.

CATHLEEN: Mas, Julia…

JULIA: Nada de “mas Julia”. Consequências, Cathleen.

CATHLEEN: Mas a minha mesada já acabou e o que eu tenho guardado não dá pra pagar!

JULIA: Então arranja o dinheiro de outra forma.

CATHLEEN: Você quer que eu roube?!

JULIA: Eu não vou nem começar a pensar no porquê de roubar ter sido a primeira coisa que surgiu na sua cabeça quando eu falei em arranjar dinheiro. Bem, pelo menos não foi prostituição. [solta um suspiro cansado] Não, Cathleen. Você não vai roubar. Será que você já ouviu falar em alguma coisa chamada emprego?

Os olhos de CATHLEEN arregalam em pavor. JOEY coça a cabeça e aperta os olhos se preparando para a reação.

CATHLEEN: [chocada] Arrumar um emprego?!

KENNEDY: [voice over] Wow. Que droga!

 

CENA 6 – CENTRO DE NARANDA – DIA

CATHLEEN e Kennedy estão andando, observando o movimento entre as lojas.

KENNEDY: Pelo visto ela tava brava mesmo.

CATHLEEN: Honestamente eu não entendo o porquê. Acho que ela tá entrando em menopausa.

KENNEDY: [balança a cabeça e sorri] Então, nada de dinheiro, mesmo?

CATHLEEN:  Aparentemente, ela resolveu tomar uma postura mais Frank Fitts comigo.

KENNEDY: E o que você pretende fazer? Você não tá pensando mesmo–

CATHLEEN: Sim… estou pensando seriamente em arrumar um maldito emprego. Não vai ter jeito, Kay. E o pior é que eu não sei no que eu sou boa.

KENNEDY: Do que você tá falando? Você é boa em… [pensativa] hum… muitas coisas.

CATHLEEN: Como o quê? Descobrir quantas tonalidades diferentes de esmalte a gente consegue por 5 dólares?

KENNEDY: [sorri sem graça] É um começo.

CATHLEEN deixa os ombros cairem com uma expressão de derrota.

KENNEDY: Tá vendo o que acontece quando você abandona sua querida amiga com seu meio-irmão nerd? Falando nisso, como você conseguiu passar por aquele armário na portaria da festa?

CATHLEEN sorri maliciosamente e a câmera fecha nos seu olhos.

 

CENA 7 – EXT. GALPÃO ABANDONADO – NOITE

[FLASHBACK]

A câmera está fechada nos olhos de CATHLEEN. Ela então abre mostrando ela, JOEY e KENNEDY esperando numa fila quilométrica. Um pouco a frente vemos a fila sendo engolida pelo portão de um galpão abandonado. Três seguranças enormes checam os documentos.

CATHLEEN: Olha a quantidade de pessoas na nossa frente! [sorriso malicioso] Espera um minuto.

CATHLEEN sai da fila e vai andando até um dos seguranças.

KENNEDY: [revira os olhos] Sempre a mesma. Isso não vai dar em boa coisa. [para Joey] Anda, vem!

Os dois seguem CATHLEEN.

JOEY: E como você acha que vai conseguir furar a fila, espertinha?

CATHLEEN: [sorri maliciosa] Com um toque de fada.

Ele leva uns instantes para entender o que a garota fará.

JOEY: [arregala os olhos] Não! Você tá doida?!

KENNEDY: Será que dá pra alguém me explicar o que tá acontecendo?

CATHLEEN: Esqueça o Joey, Kay. Ele anda meio perdido, mesmo.

JOEY: [para si mesmo] Isso ainda vai sobrar pra mim.

KENNEDY: Vai lá então, Cathie. Se você conseguir usar seus “dotes femininos” ou seja lá o que for no grandalhão ali eu vou criar uma igreja com o seu nome.

CATHLEEN: Então amiguinha, vai se preparando para a minha canonização.

CATHLEEN caminha até o segurança deixando KENNEDY e JOEY a uma certa distância. Ela sorri para ele, que continua com a cara fechada. CATHLEEN então toca seu ombro, gentilmente. Flashs de memória atravessam a tela, revelando imagens desconexas. Um homem usando couro, uma cama redonda, espelhos e um chicote. Ela fala com ele como se acabasse de encotrar um velho amigo.

CATHLEEN: Hey, George! Como vão as gravações de “Elektra”?

GEORGE: [arrogante] Como é que você sabe meu nome? E que historia é essa de Elektra?!

CATHLEEN: Vamos, George! Você sabe que ficou ótimo de couro aquele dia… [sussurra] no motel em que minha mãe trabalha.

GEORGE: Do quê cê ta falando??

CATHLEEN: Vai dizer que não se lembra de mim? [finge estar ofendida] Caramba! Que falta de consideração! Logo, eu que sou tão amiga da Linda. Ah, e como está a sua esposa, a propósito?

GEORGE: Minha… minha esposa? O que você sabe? Droga! O que você quer!?

CATHLEEN: Eu adoraria poder ficar aqui conversando com você, mas sabe… [contorcendo-se] é que eu tô meio apertada. [sorrindo] Não tem como você liberar a entrada para mim, não?

GEORGE: Ok, guria, mas bico calado que eu sei que tu é de menor! Vai logo!

CATHLEEN: Valeu!

CATHLEEN entra no local seguida por KENNEDY e JOEY, mas GEORGE se põe na frente dos dois últimos.

GEORGE: Ei, você dois! Onde pensam que vão?

JOEY: Nós estamos com ela!

KENNEDY: Isso mesmo!

GEORGE: A entrada tá fechada para os amigos daquelazinha que entrou! Se quiserem entrar é melhor esperarem o trem da maturidade. [gritando] Próximo!

KENNEDY e JOEY se entreolham sem reação.

 

CENA 8 – INT. FESTA – NOITE

[MÚSICA DE FUNDO – Headsprung, LL Cool J ]

CATHLEEN vai fazendo seu caminho através das pessoas. A câmera sobe e mostra um grande galpão decorado com muito espelhos e luzes. A pista de dança está lotada. A música bomba ao fundo enquanto corpos se agitam sob a tensão das ondas sonoras. CATHLEEN se perde na dança e a câmera fecha em seu olhos.

[FIM DO FLASHBACK]

 

CENA 9 – CENTRO DE NARANDA – DIA

A câmera se afasta dos olhos de CATHLEEN e vemos KENNEDY na sua frente.

KENNEDY: E então? O que você falou pro cara?

CATHLEEN: [disfarçando] Na verdade nada. É nojento o que a possibilidade de ir pra cama com uma menor faz com alguns caras.

CATHLEEN volta a caminhar deixando KENNEDY parada e confusa.

 

CENA 10 – BIBLIOTECA DO NARANDA HIGH – DIA

JOEY e EHLIOS estão sentados, um em frente ao outro com vários livros espalhados entre eles. EHLIOS bate o pulso fechado contra a testa algumas vezes.

EHLIOS: Como você consegue ser tão burro?

JOEY: Se você vai começar a sacanear eu vou colar tua bunda nessa cadeira.

EHLIOS: Esqueceu que eu posso atravessá-la? [passa a mão através da cabeça de Joey] Feito seus pensamentos.

JOEY se assusta e pula da cadeira.

JOEY: Sai fora cara! E vamos logo começar essa droga, que eu não quero ficar a tarde toda estudando com você! [senta-se e sussurra pra Ehlios] Droga! Alguém poderia ter visto isso, seu estúpido!

EHLIOS: Calma! Ninguém tava vendo. E além do mais, o que adianta ter poderes se não podemos nos divertir um pouco?

JOEY: Só não quero suas mãozinhas pegajosas perto de mim… ou… através de mim.

EHLIOS: Calma, nervoso! Na próxima vez, eu uso um óleo para você relaxar.

Ele pisca para JOEY.

JOEY: Seu…!

A caneta na mão de JOEY começa a derreter.

EHLIOS: Cara! [afasta um pouco a cadeira da mesa] Você já  pensou em fazer carreira num fast food? Com essa seus poderes, garanto que você agilizaria o trabalho nas frigideiras. O The Alley tá contratando. Não está interessado?

JOEY: [sussurra para si de olhos fechados] Eu sou o rei do meu castelo. Eu sou o rei do meu castelo. Ele não vai me irritar.

EHLIOS: Isso é algum treinamento anti-ataque mental que a “Charles Xavier de saias” te ensinou?

JOEY: Não, é algo que vai me impedir de matar você nesse momento!

EHLIOS: Ih! Vocês da Equipe Rocket sabem exagerar quando estão nervosinhos. Olha o caso da Cathleen ontem na festa da fábrica.

JOEY: E como você ficou sabendo disso? Invadiu o vestiário feminino, pequeno tarado?

EHLIOS: Os Narandantais tem uma ótima rede de informação de dar inveja a qualquer serviço secreto, menino da cidade grande.

JOEY: Nunca vou me acostumar com o serviço informal de informação desse fim de mundo.

EHLIOS: É, e agora a Hannover tá correndo atrás de um emprego. Como eu já te disse tem uma vaga de garçonete no The Alley.

JOEY: Cathy servindo mesas? Só se ela tiver muito desesperada! E qual é o seu interesse em ajudá-la?

EHLIOS: Se você não quiser ver sua amiga usando os poderes pra dar uma de vidente na praça de alimentação do shopping… [dá de ombros] Acho que é o caminho mais digno a se seguir.

JOEY: Existem diferentes níveis de desespero. Enganar idiotas no shopping é bem diferente de serví-los.

EHLIOS: Você que sabe. Está com a informação na mão e vai deixar de ajudar sua irmãzinha.

JOEY franze o cenho, desconfiado.

JOEY: [abrindo o flip do celular] Já que você faz tanta questão. [põe o celular no ouvido e aponta pra Ehlios] E ela não é minha irmã.

EHLIOS: Tanto faz, cara. Que bom que pude ajudar. Segura aí que a gente precisa de outro livro.

EHLIOS levanta da cadeira e se dirige às prateleiras.

EHLIOS: [pra si mesmo] Hannover lavando pratos? Isso eu quero ver!

 

CENA 11 – EXT. LANCHONETE THE ALLEY – DIA

[MÚSICA DE FUNDO – Here Is Gone, Goo Goo Dolls]

A câmera passa lentamente mostrando um letreiro escrito “The Alley”. O foco desce lentamente e mostra CATHLEEN de costas atendendo o seu celular. A câmera dá um giro em torno da garota e vemos que ela está em frente a um cartaz colado no vidro da porta: “Precisa-se de ajudante”.

CATHLEEN: Valeu, por ter ligado, Joey. [desliga o celular]

A garota deixa os ombros caírem acompanhados de uma pesada respiração.

CATHLEEN: [para si mesma] Poderia ser pior.

A garota entra no local e nota que o lugar está lotado. Ela tenta recuar, mas é abordada por ZACK.

CATHLEEN: Você aqui?

ZACK: Eu trabalho aqui, Cathleen. Você nunca me viu aqui antes?

CATHLEEN: [tenta disfarçar] Lógico! É claro que sim.

ZACK: Então, você já foi atendida?

CATHLEEN: Não. [sem graça] Quero dizer, vocês estão…  precisando de… alguém como ajudante?

ZACK olha meio intrigado para a garota e então solta um pequeno sorriso.

ZACK: Você está procurando um emprego, é isso? Acho que essa não é a hora mais apropriada mas… vamos ver o que faço por você.

ZACK sorri e com um gesto pede a ela que o acompanhe até o balcão. Atrás do balcão, um homem [Josh Duhamel] que aparenta seus 30 e poucos anos se aproxima apressado e começa a contar algumas notas na registradora.

ZACK: Devon… hum… Cathleen…

DEVON não o encara e continua examinando o dinheiro no caixa.

DEVON: A chapa entupiu de novo, Hayes?

ZACK: Não, é que Cathleen… [Devon nota a garota] Ela está procurando emprego. Nós estamos realmente precisando de mais alguém por aqui.

DEVON: [sorri e levanta os braços] Eu não acredito que Deus ouviu minhas preces!

CATHLEEN: Então, a vaga é minha?

DEVON parece desesperado.

DEVON: [atira um avental nela] Sim! E você já pode começar o teste… agora!

CATHLEEN: [assustada] Para quê isso? E que teste é esse? Eu nem estudei para nada?

DEVON: [ri] Isso é um avental. E ninguém estuda para servir copos, querida. Apenas… [dá de ombros] serve.

Ele pega uns papéis e se afasta deixando CATHLEEN com um olhar apavorado no rosto.

CATHLEEN: Então… tem alguma dica pros iniciantes?

Ouvimos várias pessoas chamando pelo garçom.

ZACK: Só… não quebra nada e você vai ficar bem.

E sai apressado para atender os pedidos.

CATHLEEN: Okay. [para si mesma] Eu posso fazer isso. Eu posso fazer isso.

Ouvimos um barulho alto de vidro se quebrando.

 

CENA 12 – THE ALLEY – DIA

A câmera mostra um prato no chão, despedaçado. Ela vai subindo revelando CATHLEEN já de avental. Ela apresenta uma expressão assustada. Algumas pessoas batem palmas. ZACK vem andando apressado da cozinha com alguns pratos na mão e olha para CATHLEEN com uma expressão de repreensão.

CATHLEEN: [apontando para o prato] Newton pode explicar isso!

ZACK: [passando direto por ela] Eu também… nervosismo!

CATHLEEN: [pra sim mesma] Isso deve ser normal nas primeiras vezes.

Ela dá algumas voltas em torno de si e pára quando avista uma vassoura. ZACK coloca os pratos sobre uma mesa e percebe a garota pegando a vassoura. Ele apressa-se.

ZACK: Deixa que eu te ajudo. O movimento tá mais fraco agora.

CATHLEEN: Isso é fraco?! Tem mais gente aqui do que em toda cidade.

Ele pega a pá e começa a recolher os cacos.

ZACK: Existem dias piores, acredite.

CATHLEEN repara algumas garotas do colégio entrando na lanchonete. Elas sentam em uma mesa e CATHLEEN se aproxima.

CATHLEEN: [acenando sem graça] Oi, gente.

GAROTA 1: Ora, ora… quem diria? Miss Hannover em seus dias de borralheira. Daria uma ótima tragédia grega.

GAROTA 2: [irônica] Não seja tão cruel, Amy. Eu adorei [gesticula para o avental] isso. Onde você comprou? O dá minha empregada já tá meio velhinho.

CATHLEEN: No mesmo lugar onde você comprou aquele lixo que usou no último baile.

ZACK percebe a tensão e interfere.

ZACK: Cathleen… porque você não deixa que eu sirvo essa mesa? Vai pegar o pedido da mesa 7. Eu resolvo isso aqui… [murmurando para si] antes que alguém se machuque.

Mesmo murmurando, CATHLEEN parece ter ouvido e para por alguns instantes. A câmera fecha novamente em seus olhos.

 

CENA 13 – FESTA – NOITE

[MÚSICA DE FUNDO – Headsprung, LL Cool J ]

[FLASHBACK]

A câmera se afasta dos olhos de CATHLEEN e ela está agora na pista de dança da festa. A música bomba ao fundo, corpos se agitam sob a tensão das ondas sonoras. CATHIE se perde na dança e não repara em um homem se aproximando sorrateiro, pelas suas costas.

CATHLEEN: [se esquivando] Hey! O quê é isso?!

HOMEM: Oi gata. O céu deve estar triste hoje, afinal perdeu um anjo.

Ela olha para ele com uma cara de nojo.

CATHLEEN: Ew!

HOMEM: Nossa! É bem bravinha! Que tal um drink pra se acalmar?

CATHLEEN: Cai fora!

O homem continua a cercar CATHLEEN, sempre tentando fixar no olhar dela. Ela desvia sempre que possível e acaba ficando de costas para ele. Ele não se faz de rogado e toca as pernas dela. Imagens dispersas atravessam os pensamentos de CATHLEEN e ela se vê em posições impróprias e nunca antes imaginadas.

CATHLEEN: [afasta o homem bruscamente] Hey!! Que diabos você pensa que tá fazendo?! Isso é uma dança e “dança” rima com “dança” e não com “transa”… quero dizer… não rima nesse momento, pode até rimar em outros momentos mas agora não! [ela empurra os ombros dele] Você consegue entender a diferença?!

Todos no meio da pista param para ver a discussão. O cara olha para os lados sem graça e chega mais perto falando só pra ela.

HOMEM: Pô, qualé? Vamos continuar, não precisa disso tudo.

O homem toca na mão dela que tenta se esquivar, mas não antes de ter mais uma visão.

HOMEM: [assustado] Que foi isso?

CATHLEEN: Sua consciência dando um alerta de “emergência para idiotas”.

HOMEM: Você pensa que é esperta, né? Mas, você é igual a todas as outras! Aproveitam o máximo de um cara e depois ficam fazendo joguinhos.

CATHLEEN: Eu vou embora, pra mim já basta.

CATHLEEN se vira em direção a porta quando é impedida pela mão do homem, que segura seu braço com força. Cathleen se irrita e sorri ameaçadoramente.

CATHLEEN: Acredite em mim quando eu digo que você quer largar o meu braço. Agora.

O homem passa a mão no rosto de CATHIE, como se desafiando-a. Ela então desvencilha-se da mão dele, o empurra a uma certa distância e dá um chute giratório em seu abdômen. Ele perde o equilíbrio e bate num painel de vidro logo atrás. O painel, com cerca de dez metros de altura, começa a se quebrar, caindo como uma cachoeira congelada. As pessoas se afastam assustadas e o homem rola pelo chão saindo da área de impacto do vidro, mas não consegue evitar alguns cortes. Vemos que ele tem um corte profundo no supercílio. Sua roupa está rasgada em vários pontos e alguns ferimentos no braço e nas duas pernas também começam a sangrar. Ele, ainda no chão, olha para CATHLEEN.

HOMEM: Sua piranha! Você vai pagar caro!!

CATHLEEN: Tá falando comigo? Vai por mim, a lata de lixo de onde você veio, tava escrito “perdedor”, eu não pretendo descobrir o que ainda tem lá dentro.

CATHLEEN se retira da boate ovacionada pela multidão. Ela sai andando se sentindo a tal, mas seu caminho é obstruído por dois seguranças. Eles a levantam pelos braços e ela é carregada através da multidão.

CATHLEEN: Oopss…

 

CENA 14 – THE ALLEY – NOITE

[MÚSICA DE FUNDO – Closing Time, Semisonic]

A câmera dá um giro no local que já está quase totalmente vazio e mostra CATHLEEN, passando um pano em algumas mesas. EHLIOS entra no estabelecimento. Close no rosto dele com um sorriso malicioso.

EHLIOS: Ora, ora. O que nós temos aqui? Mrs. Dalloway perdeu seu emprego de promoter e agora faz bicos como garçonete?

CATHLEEN: [contendo sua irritação] O que você deseja?

EHLIOS sorri e abre lentamente o cardápio, mas não olha para o mesmo.

EHLIOS: Eu quero o de sempre.

CATHLEEN: Caso você não tenha percebido eu sou nova aqui.

EHLIOS: E eu com isso? Você tá precisando de acompanhamento psicológico para aceitar a sua nova função de servir?

Ela puxa o cardápio das mãos de EHLIOS e se aproxima do rosto dele, olhando-o nos olhos.

CATHLEEN: Já anotei o seu pedido.

E vai se afastando.

EHLIOS: Espera ai! Você não sabe o que eu quero, como que você já anotou?

CATHLEEN: [levanta uma sobrancelha] Você não pediu o de sempre?

EHLIOS: Pedi, mas…

CATHLEEN: Pois é, querido. Estou te ignorando. Não é o que você sempre pede ou você precisa de um acompanhamento psicológico para aceitar isso?

CATHLEEN faz beicinho.

EHLIOS: [irritado] Você-

CATHLEEN: O quê?

EHLIOS solta um grunhido de agonia e levanta bruscamente.

EHLIOS: Deixa prá lá!

Ele sai da lanchonete com passos de elefante. CATHLEEN corre até a porta e grita.

CATHLEEN: Obrigada pela preferência e volte sempre!

Ela retorna ao interior da lanchonete e vê ZACK rindo.

ZACK: Agora eu vou ter que aguentar ele reclamando de você pelo resto do dia.

CATHLEEN: Bem, amanhã tem mais. Mesma hora, mesmo local.

Eles olham em volta e se deparam com a última mesa ocupada, onde uma mulher está ocultada pelo jornal que lê.

ZACK: Último pedido da noite. [sorri pra ela] Quer fazer as honras?

CATHLEEN sorri e pega a chaleira de café em cima do balcão. Ela se aproxima e enche a caneca de café.

CATHLEEN: [tirando o bloquinho e a caneta] A senhora vai querer alguma coisa a mais?

O jornal vai abaixando lentamente e revelando o rosto de JULIA.

JULIA: Nossa! Quanta educação. Se eu soubesse que você ia ficar mansinha assim já teria te colocado para trabalhar a mais tempo.

CATHLEEN: [sorri irônica] Muito engraçado. Veio aqui pra rir da minha miséria?

JULIA: Eu fiquei sabendo que você estava trabalhando aqui e resolvi ver como estavam as coisas. Está tudo bem?

CATHLEEN: É só… estranho.

JULIA: [sorri] Mas pelo visto as suas dívidas só aumentam… com a quantidade de copos e pratos que você quebrou hoje.

CATHLEEN: [pára por um segundo, mas logo parece compreender] Você não consegue mesmo manter o seu Olho de Thundera longe de mim, né?

JULIA: [revira os olhos] E lá se vai a boa educação… Eu só estou preocupada. Depois da nossa última invasão, as coisas andam meio agitadas nas bases militares da região.

CATHLEEN: Olha a minha cara de quem tá interessada nesse papo. Eu tô cansada, Julia. Cansada demais pra… [gesticula desengonçadamente para as duas] isso. E não me agrada muito a idéia de ser vigiada. Ok?

JULIA: [levanta os braços] Okay, okay. Então, eu vou embora, já percebi que você pode se virar sozinha.

Ela toma um gole de café e veste seu casaco.

CATHLEEN: Muito obrigada.

JULIA se retira do local. ZACK se aproxima de CATHLEEN, que começa a passar o pano na mesa.

ZACK: Então… essa foi a última.

CATHLEEN: [irritada] Se Deus permitir!

ZACK: Algum problema?

CATHLEEN: Não. Nada de mais. Era apenas Emily Gilmore tentando me tirar do sério.

ZACK: E você não cobrou o café da sua mãe?

CATHLEEN: Mãe? Ela não é… [percebe a situação] Mas que caloteira!

CATHLEEN corre até a porta tentando alcançar JULIA, mas só ouvimos o barulho do carro se afastando. Ela solta um suspiro e fecha a porta se aproximando de ZACK.

CATHLEEN: Pratos quebrados… copos quebrados… café sem pagar. Eu vou ter sorte se sobrar dinheiro suficiente do meu salário pra comprar um chiclete.

ZACK sorri.

ZACK: Vem. A gente ainda tem que arrumar lá atrás.

A tela vai dissolvendo até a próxima cena.

 

CENA 15 – COZINHA DO THE ALLEY – NOITE

ZACK está raspando a chapa com uma espátula enquanto CATHLEEN coloca as últimas cadeiras em cima da mesa central da pequena cozinha. Ela olha para os lados como se procurasse sua próxima tarefa.

CATHLEEN: Então… o que mais falta fazer pra eu poder ir pra casa?

ZACK: [olha em volta] Uhm… [apontando pra chapa] isso aqui… os pratos, o chão, descongelar os hambúrgueres de amanhã…

ZACK olha através da janela a sua frente que dá para as mesas da lanchonete. Vemos DEVON sentando em uma das mesas fazendo algumas contas.

ZACK: …e o balcão. Acho que é isso.

CATHLEEN arregala os olhos.

CATHLEEN: Isso tudo? Mas já são quase onze horas! Que horas que a gente vai terminar?

ZACK: Não demora tanto quanto parece.

CATHLEEN: Eu espero que não. Porque até eu chegar em casa e conseguir tirar toda essa gordura do meu cabelo já deu a hora de ir pra aula.

Ela se aproxima da pia com uma cara de nojo, mas, relutante, liga a torneira e começa a lavar os pratos. ZACK deixa a chapa e corre até a pia, fechando rapidamente a torneira.

ZACK: Não, não, não. Depois de hoje está mais do que provado que você e pratos não se dão muito bem. [estende a espátula] Toma. Termina com a chapa e deixa os pratos comigo.

CATHLEEN olha para a chapa e sua expressão de nojo parece crescer mais ainda. ZACK abre um pequeno sorriso enquanto observa sua reação.

ZACK: Não é você e Joey em incesto, Cathleen. É só uma chapa de hambúrgueres.

Ela arregala os olhos e dá um forte tapa no ombro de ZACK.

CATHLEEN: Eewww! [fecha os olhos tentando afastar as imagens] Nunca, nunca pronuncie essas três palavras em uma única frase novamente!

ZACK dá um tímido sorriso enquanto observa CATHLEEN se aproximar da chapa e começar a raspá-la segurando a espátula com apenas dois dedos. Os dois conversam sem tirar os olhos de suas tarefas.

CATHLEEN: E eu e Joey… nós não somos irmãos.

ZACK: Uhm… Então há uma possibilidade.

CATHLEEN: [dá uma risada] Dá pra parar? [ela enfia a mão na pia e joga um pouco de água nele] Eu não posso destruir todos os pratos e copos dessa lanchonete e ainda vomitar em cima dessa chapa… Pelo menos não tudo no mesmo dia.

Ele olha para ela com um completo sorriso, mas continua a lavar seus pratos.

CATHLEEN: É só que… todo mundo tem a impressão de que nós somos irmãos. Mas não somos.

ZACK apenas afirma com a cabeça. Um silêncio desconfortável se instala por alguns momentos. ZACK tenta manter a conversa viva.

ZACK: Então… você está aqui em intercâmbio. Ou algo do tipo…

CATHLEEN levanta as sobrancelhas.

ZACK: Quero dizer… você é britânica, certo?

CATHLEEN: [forçando ainda mais seu sotaque] Como você adivinhou? [ela sorri] Eu sei, eu sei. Minha delicadeza excessiva me entrega.

Eles se olham e trocam um sorriso.

CATHLEEN: Mas não é intercâmbio, não. Pode ter certeza que se eu pudesse escolher, o último lugar em que estaria seria aqui.

ZACK: Por quê? Quente demais para uma londrina?

CATHLEEN: [sorri, mas logo retoma uma expressão séria] Não… é só que… tudo estava bem em LA– [ela olha para ele] A gente morava em Los Angeles antes de vir pra cá. [volta a rapar a chapa] E então, wham! Hora de ir pro fim do mundo no meio de Nevada.

ZACK: [irônico] Nossa, Hannover. Agora me diz o que você realmente acha de Naranda.

CATHLEEN: [irônica] Sério? Já posso deixar os eufemismos de lado?

ZACK apenas olha para ela com um tímido sorriso.

ZACK: Então… se você não é irmã dele, nem filha dela e não tá em intercâmbio…

CATHLEEN: Interessante. Eu passei a tarde toda aqui e você mal trocou três palavras comigo além do necessário e é só o sol se esconder que você começa a bancar o detetive. [ela sorri] Tem mais alguma coisa em você que só é liberada à noite, Hayes?

Ele, de repente, parece se tocar de sua indiscrição. Olha para ela parecendo realmente arrependido.

ZACK: Oh, desculpa. Eu não quis parecer enxerido nem nada… eu só tava… curioso.

Ela olha para ele e sorri com compreensão.

[MÚSICA DE FUNDO – Name, Goo Goo Dolls]

CATHLEEN: Nós somos meio que adotados. Acho que esse é o termo mais adequado. Julia nos dá casa, comida e escola. Já faz uns quatro anos. E em troca a gente dá umas contas pra ela pagar e uma enxaqueca violenta.

ZACK: E você diz que ela não é sua mãe? Isso soa como uma mãe pra mim.

CATHLEEN apenas sorri.

ZACK: E eu achando que era o único com uma situação familiar estranha. [ela olha para ele intrigada] Eu e Ehlios. Nós também não somos irmãos e vivemos com Sarah.

CATHLEEN: Isso é meio estranho.

ZACK: Nem tanto. Eu moro com Sarah desde bebê, mas sempre soube que ela não era minha mãe. E Ehlios veio morar com a gente, já faz o que… [ele pára pra pensar] Nossa, sete anos! Então não é mais tão estranho.

CATHLEEN: Não, não é isso que estou falando. Estou falando do fato de todos nós não sermos… digamos, totalmente normais e termos a mesma base familiar. Parece que estamos unidos pela assistência social.

Ela o encara com um sorriso gentil. A música aumenta enquanto vemos ZACK rir e CATHLEEN parece tagarelar, mas a conversa já está indistinta. A câmera se afasta dos dois. Eles parecem se divertir. A música diminui e a tela escurece lentamente.

[FADE OUT]

 

PRODUÇÃO EXECUTIVA
Samir Zoqh
Luciana Rocha

ELENCO
Keira Knightley como Cathleen
Riley Smith como Joey
Paul Wasilewski como Zack
J. Mack Slaughter como Ehlios
Ashly Lyn Cafagna como Kennedy
Bonnie Somerville como Julia

ATORES CONVIDADOS
Kathryn Joosten como Dra. Miller
Josh Duhamel como Devon

ESCRITA POR
Samir Zoqh

DIRIGIDA POR
Luciana Rocha

CRIADA E DESENVOLVIDA POR
Samir Zoqh
Luciana Rocha

MÚSICA TEMA
Late Great Planet Earth, Plumb

TRILHA SONORA
Why Not, Hilary Duff
What’s My Age Again, Blink 182
Vindicated, Dashboard Confessional
Headsprung, LL Cool J
Here Is Gone, Goo Goo Dolls
Closing Time, Semisonic
Name, Goo Goo Dolls

UMA PRODUÇÃO HYBRID STUDIOS
DISTRIBUÍDO POR TELEVISION SERIES NETWORK

Todos os atores aqui citados são meramente ilustrativos.
Os personagens por eles representados estão em um contexto de ficção.
Nenhum direito de imagem está sendo infringido.

©2005

Séries citadas:

Os textos assinados pela Redaçao TeleSéries são textos de autoria coletiva ou notícias escritas por um redator anônimo, mas sempre revisadas com a máxima precisão jornalística.

4 Comments

  1. Mariela Assmann

    Eu já tinha gostado do 1° episódio! Gostei mais ainda do 2°. To ansiosa pra saber pra onde vai essa história! =D

  2. Suzana Ferreira

    Mas os episódios vão acabar antes de ir a qualquer lugar…

  3. Luciana Rocha

    Que isso, Leo. Pode não ter dado pra abordar tudo que todos queriam nos 10 eps da série, mas foi uma jornada divertida. ;)

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