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Ficção (séries virtuais)

Série Virtual – Outsiders – Disclosure

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Série: Outsiders
Episódio:
Disclosure
Temporada:

Número do Episódio:
1×09

CENA 1 – RANCHO JONES – DIA
ZACK está ao telefone. Ele tem uma expressão entediada no rosto. Do outro lado podemos ouvir a voz de SARAH.

SARAH: [Voice over] E por favor, cheque novamente os Montoya. Eles não reportaram de volta na checagem desse mês.

ZACK: [entediado] Ok, Sarah.

SARAH: [Voice over] E certifique-se que Ehlios não coma apenas batatas enquanto eu estiver fora.

ZACK: Ok…

SARAH: [Voice over] E não esqueça de desligar o gás–

ZACK: Sarah, pela última vez, nós estamos bem. Quatro braços, quatro pernas e nenhum piercing. Apenas concentre-se em achar a mulher. Nós nos viramos aqui.

Ouvimos um suspiro do outro lado do telefone.

SARAH: [Voice over] [preocupada] Só… só toma cuidado, ok? Estarei em casa o mais rápido possível. E ligue pro Kenny se precisar de alguma coisa. Qualquer coisa!

ZACK: [entediado] Ok, Sarah.

SARAH: [Voice over] Tá bom, tá bom. Agora vou parar de ser a avó chata e voltar para a tia Sarah legal. Então… já tomou alguma atitude com relação à Cathleen?

ZACK arregala os olhos assustado.

ZACK: O quê?! [gaguejando] Do que você… Como você–

Ouvimos Sarah rindo do outro lado da linha.

SARAH: [Voice over] Ehlios me contou algumas coisas. Ele tá bem frustrado com você ultimamente. Mas não se preocupe, eu não te torturarei. Pelo menos não agora que não posso ver se rosto de desespero.

A mulher ri um pouco mais e ZACK rola os olhos.

SARAH: [Voice over] Te vejo em no máximo uma semana. Te amo.

ZACK: Te amo também.

ZACK desliga o telefone.


[MÚSICA TEMA – LATE GREAT PLANET EARTH, PLUMB]

 

 

CENA 2 – SALA DESCONHECIDA – DIA
[MÚSICA DE FUNDO – SUSPENDED, MATT NATHANSON]
A câmera desliza por alguns instrumentos de sopro e percussão, numa ampla sala com pouca iluminação. Ela continua seu lento caminho para a direita até vermos JOEY e KENNEDY sentados no chão, em um dos cantos da sala. Eles se beijam por alguns momentos até que a garota se afasta um pouco com um sorriso.

KENNEDY: Ainda quer voltar pra aula?

JOEY sorri puxando a garota de volta e a beija brevemente.

JOEY: Faz só uma semana e você já tá me desviando pro mau caminho.

KENNEDY: Ah, tá, então nessa história eu sou a manipuladora e você é o coitadinho?

JOEY: [sorri] Mas é claro.

KENNEDy dá um tapa no braço do garoto. Ele ri e a puxa. KENNEDY se ajeita, sentando e reclinando-se no garoto. Ele passa os braços ao redor dela.

JOEY: E o quê você vai dizer aos seus pais no jantar de hoje quando te perguntarem o que aprendeu na escola?

KENNEDY: Direi que aprendi o caminho para a sala de ensaios da banda onde fiquei durante dois períodos dando uns amassos num garoto irritante que ainda me culpa por estar perdendo as aulas de química. [sorriso forçado] Eles ficarão tão orgulhosos.

JOEY: É uma ótima forma de acabar com todos os pratos da sua casa.

KENNEDY: [pouco caso] Nah, não é como se eles realmente fossem escutar o que eu estou dizendo. Na verdade eu acho que só sua suposição de que eles perguntarão alguma coisa já é pedir muito.

JOEY parece sem graça.

JOEY: Kennedy, eu–

A garota sorri.

KENNEDY: Hey, não seja tão sensível. Eu estou bem. [dá de ombros] Esse jantar é só uma formalidade. Uma forma de eles dizerem que entre as viagens ainda lembram que possuem uma filha. Eu finjo gratidão, dou os parabéns pelo grande negócio fechado e se Deus permitir tudo estará acabado antes que eu perceba.

JOEY: Sabe, você podia tentar conversar de verdade com eles pra variar. Talvez pudesse resultar em algo bom.

KENNEDY: As coisas já estão boas do jeito que estão. E quer saber? Tudo que fazemos é falar sobre mim. Tá na hora de você começar a aceitar os holofotes também, Campiti. Me diz algo sobre a sua vida.

JOEY se remexe, desconfortável e KENNEDY vira-se novamente para encará-lo.

JOEY: [limpa a garganta] Eu? Hum… minha vida não é tão interessante.


CENA 3 – INT. LOCAL DESCONHECIDO – NOITE
Um pulso vem na direção da câmera, encobrindo-a totalmente. Ouvimos o barulho de um soco e a câmera mostra um soldado caindo desmaiado. Corta para o agressor que está vestido de preto e possui um capuz também negro sobre o rosto. JOEY retira o capuz num puxão e enxuga um pouco do suor da testa. Ele olha em volta e vemos que está num pequeno espaço circular onde há um grande holofote. O garoto se aproxima do parapeito e a câmera subjetiva mostra uma base onde poucos guardas transitam da parte de baixo. JOEY olha para os lados até localizar alguém vestido de preto lutando com um dos soldados em um dos cantos escuros ao pé da torre em que estava. O garoto então vai até o holofote e o arrasta, focando-o no interior da base.

JOEY: Já tenho sua cobertura, Alfa 1.

Vemos pela visão de JOEY um soldado se aproximando perigosamente da penumbra onde CATHLEEN nocauteia um dos guardas. JOEY toma posse do holofote e foca o soldado que se aproxima. O homem para e leva as mãos aos olhos imediatamente, protegendo-os da luminosidade. A câmera mostra CATHLEEN agora arrastando o soldado com quem lutava para a escuridão total e JOEY tira o holofote do segundo soldado, passando a passear com ele calmamente. O local onde CATHLEEN está agora fica ainda mais escuro.

JOEY: [Voice over] Temos um se aproximando às sete horas.

CATHLEEN encosta-se contra a parede, escondendo-se, e ao fundo vemos o soldado passar, apertando os olhos. Quando ele distancia-se ela abaixa e vemos alguns soldados inconscientes empilhados no canto. CATHLEEN começa a revistá-los.

CATHLEEN: Peguei o cartão.

CATHLEEN guarda o cartão em um dos seus bolsos e começa a despir um dos soldados.

JOEY: [Voice over] Só falta esse último nessa área. Prepare-se para entrar.

CATHLEEN: Algum sinal de nossos amigos?

JOEY olha para todos os lados e vemos a cabeça de ZACK emergir sobre um dos muros externos. A CAM move-se rapidamente e vemos, embaixo do muro, o mesmo soldado aproximar-se do local onde ele começa infiltrar a base.

JOEY: Acabei de vê-los. Mova-se mais rápido!

JOEY limpa a garganta e grita.

JOEY: [voz grossa] Hey, soldado!

O guarda vira-se, olhando para o topo da torre. Nesse momento JOEY coloca novamente a jato de luz nos olhos dele. O homem cobre os olhos e tão rápido quanto o jato de luz veio, JOEY o tira de cima do guarda. Com a diferença súbita de luminosidade o soldado cambaleia, parecendo um pouco tonto. Pela visão de JOEY vemos ZACK, EHLIOS e SARAH agora entrando com segurança na base.

SOLDADO: [irritado] Qual diabos é o seu problema, soldado?!

Ele aperta os olhos e os abre novamente. Por uma fração de segundo vemos o vulto negro e embaçado de CATHLEEN na visão do homem. A tela fica negra novamente com o soco e o último soldado vai ao chão. CATHLEEN olha rapidamente para os três invasores que se afastam correndo e passa a arrastar o soldado.

CATHLEEN: Então agora vamos ajudá-los?

JOEY: [Voice over] Eu não sei o que passava na sua cabeça quando aceitou esse desafio idiota, mas não dá pra deixar eles serem pegos por um descuido.

CATHLEEN: [rola os olhos] Você é tão bonzinho que me irrita. [irônica] Talvez se você pedir por favor pros gentis militares que estão lá dentro eles nos dêem os desenhos sem esforço.

JOEY: [Voice over] Dá pra você se concentrar? Nós temos três desenhos pra recuperar.

A garota joga o soldado de qualquer jeito sobre os outros. Ela ajeita algumas roupas dos soldados que estão dobradas em um canto e coloca o cartão de acesso entre elas.

CATHLEEN: Joseph Campiti. Só trabalho, nada de diversão. Sabe, você deveria arranjar uma namorada. Rápido!

 

CENA 4 – INT. NARANDA HIGH – DIA
[MÚSICA DE FUNDO – SOONER OR LATER, MICHAEL TOLCHER]
A câmera mostra KENNEDY e vemos CATHLEEN ao lado dela. A garota fala mas KENNEDY não parece ouvi-la.

CATHLEEN: Kay? Kay!

KENNEDY sai do transe.

KENNEDY: [olhando pros lados] Humm…

CATHLEEN: Hello? Estamos falando do Joey aqui.

KENNEDY: [rapidamente] Joey– E-eu não gosto do Joey.

CATHLEEN franze o cenho.

CATHLEEN: [confusa] Ow-kay.

Sob o olhar confuso de CATHLEEN, KENNEDY abre seu armário e deixa boa parte de seu rosto lá dentro, evitando contato visual com a amiga. CATHLEEN balança a cabeça como se afastasse o assunto.

CATHLEEN: Então… eu tava pensando… talvez a gente possa fazer alguma coisa hoje a noite. Sei lá. Alugar uns filmes, pedir uma pizza. Ele fica quietinho como sempre e você nem vai perceber que ele tá lá.

KENNEDY nota JOEY passando atrás dela. O garoto abre um pequeno sorriso então ela vira o rosto rapidamente para seu armário e começa a ajeitar alguns livros. JOEY coça a cabeça rindo e se afasta.

CATHLEEN: As oito lá em casa tá bom?

KENNEDY fecha o armário.

KENNEDY: [hesitante] Na sua casa?

CATHLEEN: [enfática] Sim, na minha casa. Geez, onde você está com a cabeça? Você sabe que não posso sair durante a semana, mas Julia não vai ficar brava se você passar uma noite lá em casa.

KENNEDY: [arregala os olhos] Passar a noite?

CATHLEEN: [estranhando] Tem alguma coisa de extraordinária nisso?

KENNEDY: [nervosa] Não– não… é que… hum… essa noite não dá. Eu tenho que– Meus pais! Sim, meus pais estão chegando de Frankfurt e eu queria jantar com eles.

KENNEDY se afasta olhando pro chão, nervosa, enquanto CATHLEEN levanta uma das sobrancelhas. Ela corre até a amiga.

CATHLEEN: Espera, espera, espera.

KENNEDY aperta os olhos, respira fundo e vira novamente para encarar CATHLEEN.

CATHLEEN: Tem certeza de que estamos bem, Kay? Eu e você?

KENNEDY: Sim, Cathy. Pela última vez, está tudo bem entre nós. Aquilo foi um… lapso de sanidade. Um lapso que faz total sentido…

CATHLEEN a olha, sem graça.

KENNEDY: … mas estamos bem agora. Seja lá o que você tenha para esconder, só quero que saiba que pode confiar em mim.

CATHLEEN: Kennedy, eu–

KENNEDY: E por mais que eu adore ver você fazendo de tudo pra me agradar, nós já passamos dessa fase. É só que… [hesitante] eu tenho esse jantar hoje à noite. Não dá pra dormir na sua casa.

CATHLEEN: Há menos de uma semana atrás você estava reclamando que eu estava distante e agora você tá arranjando desculpa pra não ir lá em casa. [incrédula] Vamos, você tá dizendo que quer jantar com os seus pais. Você acha mesmo que eu vou acreditar nessa?

KENNEDY: Olha, eu já falei que essa noite não dá, tá bom?

E com isso ela se afasta deixando CATHLEEN com uma expressão confusa no rosto.

 

CENA 5 – EXT. BASE – NOITE
EHLIOS segura o soldado que estava deitado pelo colarinho. SARAH ajoelha-se do lado dos dois

SARAH: Ehlios, eu te disse pra não deixa-lo inconsciente. Fica mais difícil pra ler alguma coisa com ele desacordado.

A câmera mostra ZACK que parece se concentrava a área.

EHLIOS: O que você queria que eu fizesse? Pedisse com jeitinho para que ele deixasse a gente tirar algumas informações confidenciais do cérebro dele?

ZACK abre os olhos e vira-se para SARAH.

ZACK: Okay, tudo limpo.

SARAH se concentra e depois de alguns momentos ela abre os olhos.

SARAH: Eu disse. Os desenhos não estão mais no laboratório de criptografia. Eles o levaram pro cofre!

EHLIOS: Você tem o número?

SARAH: Não. Esse não sabe de mais nada.

ZACK: [off] Ah, droga.

SARAH e EHLIOS viram-se para ZACK. O garoto aponta para algo atrás dos dois. A câmera mostra uma pequena câmera de vigilância.

 

CENA 6 – INT. BASE – NOITE
Em um pequeno monitor em tons de azul vemos SARAH passando a mão algumas vezes na frente da câmera. A câmera se afasta e vemos CATHLEEN sentada na frente de vários monitores de vigilância. A garota tem uma caixa de donuts no seu colo e está com os pés estirados sobre a mesa de controles da sala. Atrás dela vemos dois soldados nocauteados. Ela sorri e morde um donut.

CATHLEEN: Tsc tsc tsc… tão amadores.


CENA 7 – EXT. BASE – NOITE
SARAH passa a mão na frente da câmera mais duas vezes e vira-se para os garotos.

SARAH: Bem, acho que já teríamos sido pegos há algum tempo se isso estivesse funcionando.

EHLIOS se aproxima da câmera e faz sua mão atravessar o aparelho. Algumas fagulhas saem dele e uma fumaça sobe.

EHLIOS: [dá de ombros] Só por via das dúvidas.

SARAH: Vamos logo.

Os três correm.

 

CENA 8 – SALA DE AULA – DIA
JOEY entra na sala de aula onde alguns alunos já tomam seus lugares. Ele olha em volta e vemos EHLIOS sentando em uma das cadeiras escolares. JOEY se aproxima e senta do lado do garoto.

JOEY: Hey, cara.

EHLIOS: Hey.

JOEY: [tom baixo] Posso falar com você por um instante?

EHLIOS: Se for sobre o que eu vi…

JOEY: Exatamente.

EHLIOS: Eu não vou falar nada.

JOEY: [sorri] Obrigado, cara.

JOEY vira-se para frente e os dois ficam em silêncio, dando a entender que a conversa terminou. EHLIOS sorri sarcasticamente e balança a cabeça em negativa.

EHLIOS: [tom baixo] Ela te disse pra vir aqui e perguntar, não?

JOEY olha para EHLIOS e vira-se para ele novamente.

JOEY: É que… nós vamos levar as coisas com calma. Por agora é melhor se ninguém souber.

EHLIOS sorri e balança a cabeça novamente.

JOEY: O quê?

EHLIOS: [dá de ombros] Nada. É só que quando eu pensei que você estava fazendo algo por você mesmo, agora te vejo preso não só à Cathleen como também à Kennedy. É irônico. Só isso.

JOEY parece indignado

JOEY: [tom baixo] Eu não estou preso a ninguém! Nós só… nós estamos começando, seja lá o que temos agora.

EHLIOS: E ela não quer ser vista com você por outras pessoas.

JOEY pondera por algum momento, mas logo discorda com a cabeça.

JOEY: Não é desse jeito.

EHLIOS rola os olhos e joga a cabeça pra trás.

EHLIOS: Santo Deus, todos os homens da nossa espécie estão ficando dementes. Eu quero um pouco desse vírus logo pra não ter que estar consciente na destruição de vocês.

JOEY: Você só diz isso porque não tem ninguém pra você.

EHLIOS fica em silêncio por um momento com as palavras de JOEY.

EHLIOS: Você simplesmente não entende. Quando se trata de pessoas como nós, é cada um por si.


CENA 9 – INT. BASE – NOITE
Shot de uma porta branca. Uma mão a abre e vemos os monitores de vigilância uma poltrona de costas para a câmera. A poltrona vira-se e vemos CATHLEEN com um grande sorriso e uma caixa de donuts na mão. A câmera mostra EHLIOS, ZACK e SARAH olhando para a garota.

CATHLEEN: [melódica] He-llo.

EHLIOS parece não acreditar no que vê.

EHLIOS: Então nós trabalhamos e você come?

CATHLEEN: Consigo fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Meu combo especial do momento e comer donuts, ajudar vocês a entrarem na base, ajudar vocês a andarem pela base e chutar seu traseiro. [sorri] Tudo ao mesmo tempo. Não é divertido?

EHLIOS sorri sarcasticamente de volta

EHLIOS: Oh, você não faz idéia.

EHLIOS começa a fechar a porta e CATHLEEN arregala os olhos. Ela joga a caixa de donuts de lado e corre pra porta, agarrando o braço de EHLIOS quando ele está para fecha-la. Uma visão aparece em sua mente.

SARAH abre os olhos.

SARAH: Eu disse. Os desenhos não estão mais no laboratório de criptografia. Eles o levaram pro cofre!

A visão termina. EHLIOS torna sua mão intangível e os dedos de CATHLEEN passam através dela. Ele fecha a porta rapidamente e sua mão fica vermelha sobre a fechadura.

EHLIOS: Agora sim a diversão vai começar.

SARAH: As coisas seriam tão mais fáceis se vocês levassem nossas missões a sério.

Os três passam a correr pelo corredor.


CENA 10 – INT. BASE – NOITE
CATHLEEN força a maçaneta do lado de dentro da sala, mas a porta não cede. Ela aperta o ponto na sua orelha.

CATHLEEN: Alpha 2, mudança de planos, os desenhos estão no cofre.

CORTA PARA:

JOEY dentro de um tubo de ventilação.

JOEY: O quê?! Isso é do outro lado da base!

CATHLEEN: [impaciente] Então é melhor você se apressar, não? Ah… e a propósito…

Volta a forçar a maçaneta descontroladamente.

CATHLEEN: Eu tô presa!

 

CENA 11 – INT. THE ALLEY – DIA
CATHLEEN e KENNEDY se sentam em uma das mesas da lanchonete.

KENNEDY: Você não deveria ir se arrumar ou algo do tipo?

CATHLEEN: Pra quê a pressa? Meu experiente só começa em 15 minutos.

ZACK passa por elas, mas apenas olha para CATHLEEN. A garota pega um canudo e começa a brincar com ele. KENNEDY se reclina sobre a mesa.

KENNEDY: [sussurra] O que aconteceu entre vocês dois?

CATHLEEN: Dois quem?

KENNEDY faz uma cara de tédio.

KENNEDY: Você e Jared Leto, porque vocês foram feitos um pro outro.

CATHLEEN: [sorriso forçado] Você também acha?

KENNEDY lança um olhar para CATHLEEN e a garota passa a mão nos cabelos. Ela pensa por alguns segundo até que sua expressão fica um pouco triste.

CATHLEEN: Não é pra acontecer.

KENNEDY: Bem, a princípio devo admitir que essa sua atitude Cordelia Chase me preocupou um pouco, mas depois de acostumar com a idéia…

CATHLEEN se encosta na poltrona.

CATHLEEN: Nem começa, Kay.

KENNEDY: O quê? Vocês dois formam um casal bonitinho.

CATHLEEN: Eu não sei aonde estava com a cabeça quando considerei alguma coisa com ele.  E agora eu me sinto mal porque só tratando-o assim eu vou conseguir sair dessa situação. Eu nunca quis deixar ele mal nem nada, foi só que… eu só percebi depois. [respira fundo] Nós simplesmente… não combinamos.

KENNEDY: Você já tentou? Quero dizer… [sugestiva] às vezes você pode se surpreender com alguém que nunca achou que fosse possível.

CATHLEEN franze o cenho e analisa a amiga por alguns momentos.

CATHLEEN: O que isso quer dizer?

KENNEDY se mexe no mesmo lugar.

KENNEDY: Nada, só estou dizendo que às vezes vale a pena dar uma chance à alguém improvável.

CATHLEEN: [desconfiada] Como quem?

KENNEDY: Ninguém! Meu Deus, estamos falando de você aqui.

CATHLEEN: Tem certeza? Porque eu podia jurar que estávamos falando de você e do Sr. Improvável.

KENNEDY parece nervosa.

KENNEDY: [rapidamente] Bem, não estamos. [levanta] E eu… eu tenho que ir.

A garota vai se afastando e CATHLEEN ri.

CATHLEEN: Volta depois do expediente. Eu sei que você vai fugir desse jantar!


CENA 12 – INT. BASE – NOITE
SARAH, EHLIOS e ZACK correm pelos corredores da base. Eles param em frente à uma porta branca.

SARAH: Mais rápido, Ehlios!

EHLIOS pega a mão de SARAH e os dois atravessam a porta. Vemos dois soldados dobrarem um corredor há uns vinte metros. Ambos correm em direção á eles. Um deles saca uma arma e aponta. Ao primeiro disparo, ZACK se encosta na porta e os passos no corredor não são mais ouvidos. A câmera mostra novamente os soldados e vemos os dois paralisados. A mão de EHLIOS é colocada para fora e ZACK a pega, atravessando a porta.

Ainda do lado de fora vemos CATHLEEN e JOEY virem pelo mesmo caminho que os soldados. Eles passam correndo pelos homens paralisados.

CATHLEEN: Pelo menos estamos no caminho certo.

Mais passos são ouvidos e os garotos olham para trás. Vemos mais cinco soldados correndo atrás deles.

JOEY: Corre!

Três dos homens param para ajudar os soldados paralisados, enquanto os outros dois se atrasam com o tumulto do corredor. Os garotos chegam à porta e ZACK passa o cartão de acesso. Os dois entram na sala com pressa e JOEY começa a derreter a fechadura da porta.

EHLIOS, SARAH e ZACK que estão na frente da grande porta do cofre olham para os recém-chegados.

EHLIOS: [irônico] Oh, ótimo.

EHLIOS atravessa a porta do cofre acompanhado por SARAH e rapidamente estende a mão através da porta para ZACK, deixando JOEY e CATHLEEN sozinhos na pequena sala. Eles se aproximam do painel numérico do cofre.

JOEY: Julia vai nos matar se deixarmos esses desenhos escaparem.

CATHLEEN: Então vai!

JOEY tira do bolso um pequeno aparelho, e o coloca em cima do painel. Ele passa o cartão de acesso e logo após o teclado numérico emana alguns bipes e a luz vermelha do painel se torna verde. CATHLEEN gira a grande manivela e a porta começa a se abrir. Ao entrar vemos SARAH, ZACK e EHLIOS envoltos numa camada prateada. JOEY e CATHLEEN entram no cofre e no mesmo momento um alarme começa a soar.

JOEY: Oh, droga.

A porta do cofre se fecha e dos quatro cantos vemos um gás sair. CATHLEEN e JOEY começam a tossir.

EHLIOS: Vamos! Rápido!

ZACK tira os desenhos de uma redoma de vidro enquanto EHLIOS vai até JOEY e CATHLEEN ajudando-os a apressarem-se.

SARAH: [pra Zack] Coloque o campo neles!

ZACK se concentra por alguns segundos mais logo abre os olhos.

ZACK: Não posso! É gente demais!

SARAH: Vai, Ehlios!

A porta do cofre começa a emanar bipes e CATHLEEN cai no chão, tossindo.

EHLIOS: Me dá a sua mão!

CATHLEEN pega a mão de EHLIOS e a levanta. Ele tenta fazer sua mão atravessar a parede do cofre, mas ela não se torna intangível. Ele tenta novamente, mas continua sem sucesso. A porta do cofre começa a abrir-se.

EHLIOS: [frustrado] Não consigo! Deve ter algum tipo de fonte de calor do outro lado!

JOEY: É a tubulação do gás!

ZACK: Meu Deus, nós estamos presos!

SARAH: Estamos coisa nenhuma.

A mulher pega a mão de JOEY.


CENA 13 – INT. BASE – NOITE
Os soldados entram no cofre. Todos eles possuem máscaras de gás e o local está totalmente enevoado. Eles correm para dentro do cofre através do gás e ao chegar na parede do cofre vemos a visão se abrir quando o gás começa a sair por um enorme buraco aberto na parede. Os soldados também saem da base através do buraco e vemos um carro levantar poeira há algumas dezenas de metros e se afastar com velocidade. Eles abrem fogo, mas o carro some na noite.


CENA 14 – INT. THE ALLEY – NOITE
ALGUÉM:
[off] Hey.

CATHLEEN se assusta com uma mão no seu ombro e vira-se para encontrar ZACK. O garoto parece sério. CATHLEEN faz uma cara de tédio.

CATHLEEN: Oh, oi.

ZACK: Podemos conversar?

CATHLEEN olha ao redor.

CATHLEEN: Em público?

ZACK toma um momento para observá-la, um pouco irritado.

ZACK: Sim, em público. Achei que nós já tivéssemos passado disso.

CATHLEEN: Nós? Desculpa, mas nós não passamos por nada. Eu passo, você passa, eles talvez passem, mas nós nunca passaremos. Se for algo referente ao trabalho tenho certeza que você pode esperar até o expediente, chefe.

CATHLEEN dá um tapinha no ombro de ZACK e passa por ele, em direção aos fundos da lanchonete e de frente para a câmera. Vemos que a expressão da garota agora parece apavorada. Ela engole a seco e respira fundo.

 

CENA 15 – EXT. RANCHO JONES – NOITE
CATHLEEN está parada com as mãos nos bolsos de seu sobretudo. ZACK se aproxima com alguns papéis nas mãos e fica frente a frente com a garota.

CATHLEEN: O quê? Agora eu tenho que lidar com o segundo em comando? Traga-me César.

ZACK: [sorri] Sinto muito, mas você terá que contentar-se com Magnus. César está um pouco ocupado agora.

Os dois olham para a varanda da casa onde EHLIOS está sentado em uma cadeira ouvindo SARAH, que anda de um lado para o outro e parece furiosa com o garoto.

CATHLEEN: Tanto faz. Só cumpre a parte do acordo e me entrega os dois desenhos.

ZACK: [confuso] Como assim? Você deveria nos dar o seu. Fomos nós que chegamos ao cofre.

CATHLEEN: E fomos nós que tiramos vocês de lá!

ZACK: Acho que estamos num impasse.

CATHLEEN: De forma alguma. Eu posso te deixar inconsciente com um toque. Eu vou levar esses desenhos pra casa.

ZACK: [ri] Pode nada. E mesmo se pudesse eu tenho uma tal proteção na mente que às vezes nem a Sarah consegue entrar. Se alguém pode fazer ameaças aqui sou eu.

CATHLEEN levanta as mãos.

CATHLEEN: Hey, hey, hey. Não tô a fim de brincar de hidrante outra vez.

CATHLEEN o observa por um momento.

CATHLEEN: Então me dá metade do bebê e estamos quites.

ZACK: [ri] O quê?!

CATHLEEN: Nós temos três desenhos. Um e meio pra cada lado.

ZACK: Eu não vou rasgar o desenho! Pode danificar o código.

CATHLEEN: Não seja tão covarde!

CATHLEEN toma rapidamente um dos desenhos da mão de ZACK. Quando ela está prestes a rasgá-lo um brilho prateado toma seu corpo e CATHLEEN é paralisada.

CATHLEEN: Dá..a… oê… osto… or… aor?

ZACK parece confuso e parte da névoa prateada sai do rosto de CATHLEEN.

ZACK: O quê?

CATHLEEN faz algumas caretas, testando os músculos do rosto.

CATHLEEN: Obrigado, agora eu posso rolar meus olhos para você.

CATHLEEN rola os olhos e ZACK sorri timidamente. O garoto aproxima-se dela e pega o desenho que ela tentava rasgar. Ele então se aproxima ainda mais abrindo, delicadamente, o casaco da garota. ZACK, há poucos centímetros do rosto de CATHLEEN, coloca a mão dentro do casaco dela.

CATHLEEN: [sussurra] Por que os homens sempre preferem com algemas? Eu quero brincar também.

Ele retira do sobretudo dela um desenho com uma noiva.

ZACK: Agora sim, você pode ir pra casa e brincar.

CATHLEEN: Isso é tão injusto. A gente não leva nada por ter ajudado vocês a entrar e a sair daquela base militar? Onde está a gratidão?

ZACK parece meio confuso, mas se mantém firme.

ZACK: Se você acha que vai conseguir algo de mim com essa chantagenzinha emocional…

CATHLEEN: Eu não estou te chantageando! Só estou dizendo que nós nos arriscamos naquele lugar por vocês e não vamos ter nada em troca. Logo você que eu julgava ser o racional.

ZACK analisa por alguns momentos a garota e CATHLEEN faz uma expressão de súplica e pisca várias vezes. ZACK suspira rendido e a garota cambaleia por um segundo até ficar de pé novamente.

ZACK: Não acredito que estou fazendo isso.

CATHLEEN: Sabia que tomaria a decisão certa, ó sábio Magnus.

ZACK pega o desenho do bebê e o rasga no meio, dando metade para a garota.

ZACK: Aqui está.

CATHLEEN pega sua parte e coloca dentro do sobretudo.

CATHLEEN: Muito obrigada.

ZACK: Sabe, nós formamos um time e tanto lá atrás.

CATHLEEN concorda com a cabeça num gesto carregado de sarcasmo.

CATHLEEN: Com certeza. Vamos não fazer isso de novo, em breve.

Ela dá dois tapinhas no rosto de ZACK e dá as costas, indo em direção à Cherokee onde JOEY espera no volante.

CATHLEEN: [sem parar de andar] Sei que sou excelente no que faço mas… encare, Hayes. Nós nunca daríamos certo.

A garota entra no carro deixando ZACK com um tímido sorriso no rosto.

CENA 16 – INT. THE ALLEY – NOITE
Na lanchonete vemos poucas luzes ligadas e cadeiras sobre algumas mesas, denunciando que o horário de funcionamento acabou. Vemos JOEY e KENNEDY em uma das mesas com livros e cadernos à frente deles, mas sorriem e parecem conversar. Enquanto isso CATHLEEN esfrega o balcão e ZACK termina de colocar as cadeiras sobre as mesas, olhando para CATHLEEN vez ou outra. EHLIOS entra e todos voltam o olhar para o garoto.

EHLIOS: Então… encontros duplos no The Alley?

KENNEDY gira os olhos e começa a recolher suas coisas.

KENNEDY: Acho melhor eu ir embora.

A garota levanta e JOEY passa a recolher suas coisas também.

EHLIOS: Acalme-se, Lester. Só vim pegar minha carona pra casa. Não estou aqui pra interromper nenhuma noite romântica. Afinal, eu entendo a necessidade de um primeiro encontro depois de um beijo daqueles.

CATHLEEN parece confusa por um momento, mas logo olha incrédula para KENNEDY e JOEY. O garoto abaixa a cabeça enquanto KENNEDY olha com raiva para EHLIOS.

CATHLEEN: [abismada] Oh, meu Deus, é o Joey!! O Sr. Improvável!!

KENNEDY: Não!

KENNEDY aperta os olhos e vira-se para a amiga.

KENNEDY: [vacilante] Quer dizer… não é como se a gente…

CATHLEEN: [abismada] Oh, meu Deus, você ficou com o Joey?!

KENNEDY se aproxima do balcão.

KENNEDY: Cathy, eu ia te–

CATHLEEN: [abismada] C-como você pode… é… é o Joey!

JOEY: [ofendido] Hey! Como assim “é o Joey”?

Vemos ZACK tirar um molho de chaves do bolso enquanto ouvimos ao fundo KENNEDY, CATHLEEN e JOEY discutindo. ZACK joga as chaves para EHLIOS, que as pega.

ZACK: Cara, vai pra casa. Depois eu pego um ônibus… ou sei lá.

EHLIOS: Espera, você vai ficar aqui com os Rockets? Vamos pra casa.

ZACK: Você vai primeiro. Eu vou tentar apagar seu incêndio aqui.

EHLIOS: Por que você se importa tanto com essas pessoas?

EHLIOS aponta para os três jovens discutindo. Um falando por cima do outro.

EHLIOS: Eles não poderiam se importar menos com você.

ZACK, com uma expressão um pouco irritada, pega a mão de EHLIOS e coloca a chave nela.

ZACK: Só vai.

ZACK dá as costas e começa a se aproximar da discussão dos três—

EHLIOS: [tom alto] É ela, não é?

ZACK interrompe seus passos e os outros param de falar quando tem sua atenção tomada por EHLIOS. ZACK vira-se lentamente para o garoto e respira fundo, como se tentasse se controlar.

ZACK: [calmo] Ehlios, nem pense em fazer isso agora. Você pode esperar pra conversarmos sobre isso em casa?

EHLIOS: Não, cara, porque estou vendo você entrando em algo que não te fará bem. [aponta pra Cathleen] Essa garota não gosta de você!

CATHLEEN abaixa a cabeça e KENNEDY e JOEY parecem desconfortáveis.

EHLIOS: Nenhum deles gosta! Mais quantos cortes serão necessários pra você entender isso? Pra eles você é só um garçom.

ZACK engole a seco e JOEY, percebendo a situação, dá um passo a frente.

JOEY: [calmo] Ehlios, acho que você está passando dos limites.

EHLIOS: Não, não estou, Joey. Estou cansado de ver sua irmãzinha pisando nele—

ZACK: [calmo] Ehlios, pela última vez. Nós não vamos conversar sobre isso agora.

EHLIOS: E conversaremos quando? Ah, sim, no dia que você já tiver caído—

ZACK parece ir ficando gradualmente irritado.

ZACK: [irritado] Por que você se incomoda tanto quando tudo que eu quero é fazer alguma coisa dar certo pra mim nessa droga de vida que levamos!

EHLIOS olha para ZACK completamente surpreso com o tom incomum do garoto.

EHLIOS: [mais ameno] Mas ela não é a resposta pra isso, Zack. Sinto muito mas você ta trazendo mais sujeira pras nossas vidas.

ZACK: [irritado] É a minha vida! Isso não é da sua conta, Ehlios. Só porque você se tranca na sua bolha e se isola do mundo não quer dizer que eu tenha que fazer o mesmo!

EHLIOS sorri ironicamente e balança a cabeça em negativa, mas levanta as mãos em rendição.

EHLIOS: Okay, faça o que quiser, mas ela fará com você o mesmo joguinho que faz com todos os outros e depois que conseguir transar contigo, ela vai te dar um fora. Do mesmo jeito que fez com Harrison.

A expressão de ZACK vai da surpresa à revolta muda enquanto CATHLEEN prende um suspiro ao ouvir as palavras e seus olhos se enchem de lágrimas. KENNEDY aperta a mão da amiga e JOEY avança no colarinho de EHLIOS.

JOEY: [irritado] Okay, já chega! Vaza daqui!

EHLIOS tira as mãos de JOEY da sua blusa.

JOEY: [grita] Some, Ehlios!!

EHLIOS olha para os quatro que o encaram com ódio. Ele parece confuso por alguns segundos. O garoto então aperta os olhos e sai da lanchonete em passos largos.

Um silêncio toma o local.

KENNEDY passa o braço pelos ombros da amiga que, ainda estática, parece abalada com a situação. De costas para as duas está ZACK, também perplexo, ainda observando o local por onde EHLIOS saiu. JOEY dá meia volta e estende a mão para a namorada.

JOEY: Kay, acho melhor nós irmos.

A garota olha para a amiga, preocupada.

KENNEDY: Você vai fica bem?

CATHLEEN se recompõe.

CATHLEEN: Sim, vou. Eu cuido disso.

KENNEDY: Okay.

KENNEDY tira uma mexa de cabelo do rosto da amiga e sorri. Logo após ela pega a mão de JOEY e os dois saem da lanchonete. O sino da porta toca por longos segundos até que o silêncio volta a assolar o local. CATHLEEN, ainda observando ZACK de costas, cruza os braços e se encolhe, como se estivesse com frio.

ZACK: [nojo] Você transou com ele?

A garota respira fundo num suspiro tremido.

CATHLEEN: [tom baixo] Sim.

ZACK vira-se para encarar CATHLEEN. Ele tem uma expressão magoada no rosto, mas sua voz continua firme.

ZACK: E quando foi isso?

CATHLEEN: Logo depois que eu cheguei a Naranda.

ZACK balança a cabeça positivamente algumas vezes, com um olhar ferido.

ZACK: E ele já estava com Samantha.

CATHLEEN parece encolher-se ainda mais. A garota pisca várias vezes e olha pro teto quando a primeira lágrima corre seu rosto.

CATHLEEN: [voz trêmula] Sim.

ZACK: Quem mais sabe disso? Quer dizer… t-todo mundo sabe? Eu sou o único que não–

CATHLEEN enxuga a lágrima com rapidez.

CATHLEEN: Somente Kay e Joey.

A garota faz um grande esforço pra não chorar.

CATHLEEN: [riso nervoso] E de alguma forma Ehlios, aparentemente.

[MÚSICA – BAD DAY, DANIEL POWTER]

ZACK: [tom um pouco mais alto] Então ele está certo? Ehlios estava certo o tempo todo! O que estamos fazendo aqui, Cathleen? O que eu estou fazendo aqui?

CATHLEEN: [quase grita] Eu não sei, Zack! E eu sinto muito.

CATHLEEN respira mais uma vez e agora consegue controlar as lágrimas.

CATHLEEN: [irritada] Eu sinto muito se por um segundo eu achei que podia ter algo diferente e te arrastei pra isso tudo. Eu não posso! E eu sei disso! De alguma forma aquilo que você me disse naquela cozinha me trouxe de volta a realidade. [riso nervoso] Olhe pra mim! Eu não lavo louças e sirvo hambúrgueres! E eu nunca ficaria num serviço até meia noite e meia só pra conversar com um garoto. Vazia, despreocupada, sem se envolver com ninguém, isso é quem eu sou!

ZACK balança a cabeça em negativa.

ZACK: Eu não acredito nisso–

CATHLEEN: [riso irônico] E num mundo irônico e bizarro Ehlios é o único que aceita isso! Ele não tenta me salvar porque eu não preciso de salvação. [enfática] Você não precisa tentar me salvar, Zack, porque eu gosto de quem sou.

ZACK: [irritado] Não!! Eu…

ZACK olha pros lados e passa a mão nos cabelos.

ZACK: [tom baixo] Eu gosto de você, Cathleen. Eu não sei quanto a você, mas isso não acontece comigo com muita freqüência. A pessoa que você está descrevendo… não é quem eu conheço.

CATHLEEN: [irritada] E é isso que estou tentando te dizer, Hayes! A pessoa que você gosta… [sorri] não existe.

ZACK: [irritado] Por que você está fazendo isso? Por que você está sempre afastando as pessoas quando elas tentam realmente chegar à você? Quer dizer… você afastou a Kennedy porque tem medo demais de deixá-la saber quem você é e agora você está fazendo o mesmo comigo!

CATHLEEN: [grita] Eu acabei de te dizer quem sou!!

ZACK: [grita] Mas eu não aceito isso!!

A garota começa a tirar o avental.

CATHLEEN: [dá de ombros] Aí o problema já não é mais meu.

CATHLEEN joga o avental no peito de ZACK.

CATHLEEN: [seca] Lide com isso.

Ela passa por ele e começa a sair da lanchonete.

CATHLEEN: Eu me demito.

ZACK vira-se.

ZACK: [tom baixo] Não faz isso.

CATHLEEN: [sem parar de andar] Encare, Hayes. Nós nunca daríamos certo.

ZACK fecha os olhos e ouve a porta bater. Shot da lanchonete vazia e ZACK sozinho no centro. O garoto solta os ombros e agora tudo que ouvimos são os sons dos sinos de entrada.


CENA 17 – EXT. THE ALLEY – NOITE
CATHLEEN sai da lanchonete encarando o chão e tremendo. Ela levanta a cabeça e lá está a Cherokee preta, estacionada a sua frente. Através da janela vemos JOEY no volante e a porta de trás se abre revelando KENNEDY. A garota estende a mão.

KENNEDY: Entra.

CATHLEEN começa a chorar e entra no carro, deitando no colo da amiga. A porta se fecha e o carro parte.

CENA 18 – EXT. RANCHO JONES – NOITE
O jipe canta pneu na entrada da casa. EHLIOS sai do carro, irritado. Ele sobe os degraus da varanda e atravessa a porta da casa, jogando as chaves do carro sobre a mesa. O garoto sobe as escadas.


CENA 19 – INT. QUARTO DE EHLIOS – NOITE
EHLIOS bate a porta do quarto com força e se joga na cama, aumentando o volume do som no controle.

[MÚSICA – PRESSURE, STAIND]

A câmera gira velozmente ao redor dele várias vezes depois sobe e vira-se, filmando-o de cima. O garoto aperta os olhos e a câmera desce com rapidez e pára subitamente no rosto dele. Nesse momento ouvimos o barulho de algo se quebrar. EHLIOS senta na cama assustado.

EHLIOS: Zack?!

Sem resposta, EHLIOS coloca os pés no chão e vemos ao fundo um pouco de fumaça entrar por debaixo da porta. Uma luz crepitante reflete no chão do quarto. Ele levanta-se assustado e olha para a porta. Ele coloca a mão na fechadura, mas logo a balança no ar, com uma expressão de dor. O garoto estende a mão e aproxima-a devagar da porta, mas não consegue atravessá-la. Ele tenta mais algumas vezes sem sucesso e dá um soco na porta.

EHLIOS respira fundo e dá um salto no ar. Ao cair, ele atravessa o piso do segundo andar e bate com força na mesa da cozinha.

O garoto abre os olhos e vemos seu rosto em pavor. A câmera mostra o pequeno lustre no teto da cozinha pegar fogo e balançar perigosamente. EHLIOS joga-se para o lado, caindo no chão, na mesma hora em que o lustre vem abaixo e a mesa começa a pegar fogo. EHLIOS geme de dor e tosse.

O garoto afasta-se sentado e encosta-se na parede. Vemos duas paredes já foram tomadas pelo fogo. Ele tosse com mais força e se esforça para levantar. Olhando para a porta tomada pelo fogo, EHLIOS cobre o nariz com a camiseta. O garoto vai até a porta e dá um rápido chute com a parte de baixo do pé. Sem sucesso o garoto tenta novamente o arrombamento e sua calça começa a pegar fogo. Ele grita e cai sentado no chão, tirando a camisa rapidamente. EHLIOS bate a blusa na perna até que o fogo se apaga e então protege o nariz com o tecido. Tossindo muito, vemos EHLIOS piscar cada vez mais lentamente, até que o garoto cai desmaiado no chão da cozinha.


CENA 20 – INT. SALA DESCONHECIDA – NOITE
Num escritório luxuoso um homem engravatado entra rapidamente. Vemos uma poltrona alta virada de costas para ele. O homem parece com medo.

HOMEM: Senhor Heller, sinto informar-lhe que nossa segurança foi incapaz de impedir o roubo dos desenhos criptografados. Os cinco intrusos acabaram de deixar nossa instalação com posse dos documentos.

ULISSES fica em silêncio e o homem engole a seco, parecendo ficar ainda mais nervoso.

ULISSES: Ligue para a Liefield imeditamente. Ela saberá o que fazer.


CENA 21 – INT. SALA DESCONHECIDA – NOITE
A sala está escura e uma fraca luz de abajur clareia uma gaveta aberta. Dentro dela é jogada uma foto de uma noiva e por cima vemos cair uma foto de um bebê vestido de urso polar. As duas metades da foto estão coladas por uma fita adesiva. Por último vemos uma foto de uma menina correndo num campo verde cair sobre as anteriores. A gaveta é fechada. A câmera sobe revelando JULIA com o rosto sujo de fuligem. Ela apaga a luz do abajur e tira a blusa preta ficando apenas com o sutiã e a calça, também preta. JULIA dirige-se até o banheiro, onde a luz acessa reflete sutilmente no quarto não iluminado. Ela entra no banheiro e fecha a porta, tornando o quarto totalmente escuro. Tela preta.

 

PRODUÇÃO EXECUTIVA
Samir Zoqh
Luciana Rocha

ELENCO
Keira Knightley como Cathleen
Riley Smith como Joey
Paul Wasilewski como Zack
Ashly Lyn Cafagna como Kennedy
Bonnie Somerville como Julia

ELENCO RECORRENTE
Neve Campbell como Sarah

ESCRITA E EDITADA POR
Luciana Rocha

REVISADA POR
Marcos Damata

CRIADA E DESENVOLVIDA POR
Samir Zoqh
Luciana Rocha

MÚSICA TEMA
Late Great Planet Earth, Plumb

TRILHA SONORA

Suspended, Matt Nathanson
Sooner Or Later, Michael Tolcher
Bad Day, Daniel Powter
Pressure, Staind

A HYBRID STUDIOS PRODUCTION

DISTRIBUTED BY TELEVISION SERIES NETWORK
©2005

Séries citadas:

Os textos assinados pela Redaçao TeleSéries são textos de autoria coletiva ou notícias escritas por um redator anônimo, mas sempre revisadas com a máxima precisão jornalística.

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