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Ficção (séries virtuais)

Série Virtual – Outsiders – Breathe You In

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Série: Outsiders
Episódio:
Breathe You In
Temporada:

Número do Episódio:
1×08

CENA 1 – SALA DA MANSÃO LIEFIELD – NOITE

CATHLEEN e JOEY estão assistindo um programa na enorme TV plasma na sala. As luzes estão apagadas e JOEY segura uma tigela de pipoca, de onde CATHLEEN, eventualmente, se serve. A garota joga as mãos pro ar como se estivesse indignada.

CATHLEEN: Isso é totalmente inútil!

JOEY arqueia as sobrancelhas.

CATHLEEN: É a mesma coisa toda a semana!

JOEY: [dá de ombros] Bem, eu gosto. O cara tem coragem, é heróico e convenhamos… tem duas gatas atrás dele.

CATHLEEN: [irônica] Se eu conseguisse parar balas com minhas mãos nuas eu também seria muito heróica. Fora que ele tem duas garotas bonitas e inteligentes atrás dele e passa anos sem decidir!

JOEY: Ele já decidiu. Só que se ele ficar com ela, vai colocar a vida dela em risco.

CATHLEEN: [indignada] O quê? Eu já perdi a conta de quantas aberrações já tentaram matar essa garota. Depois de tudo que ela já viu é capaz de quando ele disser que não é da Terra ela falar “Ah, é só isso? Puff! Com esse mistério todo eu achei que você fosse gay.”

JOEY: [rindo] O quê?

CATHLEEN: [arregala os olhos] Vai ver ele é gay! Quero dizer, ninguém consegue resistir por muito tempo ao Michael Rosembaum. [bate os dentes] Ele é yummy!

JOEY: Você tá dizendo que o Superman, o herói americano que defende o povo de Metrópolis… é gay?

CATHLEEN: Completamente plausível.

JOEY: Eu quero é uma explicação para o porquê de você estar estragando minhas reprises de Smallville em pleno sábado à noite! Você não devia estar na rua com a Kennedy ou… qualquer coisa?

CATHLEEN: Bem… eu e a Kay estamos meio que brigadas.

JOEY: [incrédulo] Você brigou com a Lester?

CATHLEEN: [defensiva] Não é culpa minha!

JOEY fica meio surpreso com o tom.

JOEY: Eu não disse que era. Mas pelo visto você acha que é.

CATHLEEN não responde. JOEY abaixa o volume da TV e encara a garota mais de frente.

JOEY: O que tá acontecendo, Cathy?

CATHLEEN: Eu que vou saber? Ela tá toda estranha! Não sei se é porque eu tenho furado um pouco nossos compromissos ultimamente, mas isso é culpa da Julia! Não é culpa minha se toda vez que ela quer conversar ou sair eu tô ocupada invadindo uma instalação militar, tirando um agente do manicômio ou chutando o traseiro do Ehlios. [Joey sorri timidamente] E agora toda vez que a gente conversa ela fica falando essas frases ambíguas, sabe? Como se ela tivesse incomodada com alguma coisa, mas quer que eu me toque sozinha.

JOEY: Bem, vai ver ela tá sentindo sua falta. Meio que com ciúme ou alguma coisa assim. [ele pondera e logo arregala os olhos] Ou vai ver ela é gay.

CATHLEEN: [rindo] O quê?!

Ela ri, mas JOEY permanece sério.

CATHLEEN: [incerta] Não. Kay não é… Nããão…

JOEY não agüenta e começa a sorrir devagar. CATHLEEN faz uma cara de abismada e bate nele com a almofada.

CATHLEEN: Você tá tirando uma com a minha cara!

Joey gargalha descontroladamente.

JOEY: Tô nada! Kennedy Lester está apaixonaaada por você!

CATHLEEN: Cala a boca! Eu quero assistir!

JOEY: Ah! Agora você quer assistir?

CATHLEEN: Quieto! Ele tá conversando com ela.

JOEY tenta controlar a risada e os dois voltam a encarar a TV. Na tela vemos um close de Kristin Kreuk.

K. KREUK: Clark, se tem alguma coisa que você quer me contar… algum segredo… você pode me dizer. Você pode confiar em mim.

CATHLEEN joga os braços para o ar novamente.

CATHLEEN: [inconformada] Ah! Por favor! [grita com a TV] Ela tá implorando pra você beijá-la! [apontando] E você sabe disso! [para Joey] Ele é totalmente gay.

JOEY: [ainda controlando o riso] Mm-hum.

Ele explode em risadas novamente e CATHLEEN dá um tapa em sua nuca.

CATHLEEN: Cala a boca. [tomando a vasilha de pipocas] E me dá isso aqui.

JOEY: [rindo] Ela tá apaixonaaada. Apaixonaaada.

CATHLEEN enfia uma mão de pipocas na boca do garoto que cai pro lado rindo. Eles começam a brigar com as almofadas e a conversa vai tornado-se indistinta.


[MÚSICA TEMA – LATE GREAT PLANET EARTH, PLUMB]

CENA 2 – COZINHA DA MANSÃO LIEFIELD – NOITE

CATHLEEN está sentada ao balcão da cozinha catando restos de pipoca de uma tigela enquanto JOEY assiste o saco de pipoca girar dentro do microondas.

CATHLEEN: Tá explicado.

JOEY: O quê?

CATHLEEN: Você sabe que isso afeta seu cérebro, né?

JOEY olha um pouco assustado pro aparelho e vai sentar ao lado de CATHLEEN.

JOEY: [vacilante] Eu sabia disso.

JULIA entra e os garotos acompanham com o olhar seu caminho até a geladeira.

CATHLEEN: Oi, Julie. Você tá bem?

JULIA fecha a geladeira e olha pra eles.

JULIA: [sorri] Eu ganho um prêmio quando tiver falado “estou bem” pela centésima vez? Porque já estou começando a imaginar balões caindo do teto ou… câmeras entrando por todas as portas e Ashton Kutcher saindo de trás de um espelho em algum lugar.

Eles continuam calados.

JULIA: [enfática] Eu estou bem.

JOEY: Eu sei que a gente tá sendo meio chato ultimamente, mas só estamos–

JULIA: Preocupados, eu sei. E eu agradeço. Mas não há necessidade.

JULIA vira de uma vez o pouco de leite do copo e vai até a pia onde começa a lavá-lo de costas para os garotos.

CATHLEEN: Então… você achou alguma coisa sobre o que fez aquele massacre em White Pine?

JULIA: Ainda nada concreto. Está sendo realmente difícil descobrir qualquer informação confidencial sobre aquela base.

JOEY: E quanto ao Burke?

JULIA engole a seco, mas os garotos não vêem. Ela parece triste.

JULIA: Bem, eu sei que ele não está no apartamento que arranjei pra ele. Isso é tudo. Ele desapareceu.

CATHLEEN: Como esperado. Aquele bastardo!

JULIA força um sorriso e vira para os garotos.

JULIA: Já disse, Cathie, não se preocupe com isso. Eu resolverei esse problema e as coisas voltarão a ficar normais nessa casa.

O microondas apita.

CATHLEEN: [gira os olhos] Tão normais quanto as nossas vidas conseguem ser.

JOEY pega a pipoca e CATHLEEN, a vasilha. Os garotos saem da cozinha e então JULIA desmorona em um dos bancos do balcão. Ela parece exausta. A mulher apóia a cabeça nas mãos, mas na mesma hora levanta a cabeça novamente com uma expressão de dor. Ela passa a mão levemente em seu corte no supercílio.

CORTA PARA:
Shot do deserto. O céu clareia e o sol nasce e se põe rapidamente. Ele nasce mais uma vez.

 

CENA 3 – INT. NARANDA HIGH SCHOOL – DIA

[MÚSICA – MADE OF STEEL, OUR LADY PEACE]

CATHLEEN cruza as portas do colégio e vemos HARRISON e SAMANTHA vindo em sua direção. A garota sorri.

CATHLEEN: Oi, gente. Bom dia.

SAMANTHA: Pra você é boa sorte, amiga. Você vai precisar.

SAMANTHA aponta para trás de si com o dedão e se afasta com HARRISON. CATHLEEN olha para a direção indicada e vemos KENNEDY fechando um armário com raiva. A garota ajeita os livros e começa a vir na direção de CATHLEEN. Ao perceber sua presença, KENNEDY olha pra frente ignorando a amiga. CATHLEEN se aproxima, mas KENNEDY continua andando.

CATHLEEN: Oi.

KENNEDY: [seca] Oi.

CATHLEEN aperta o passo para acompanhar a amiga.

CATHLEEN: [gira os olhos] Até quando você vai continuar me tratando assim?

KENNEDY: [indiferente] Assim como, Cathleen?

CATHLEEN: Como seu eu fosse a pior coisa que aconteceu desde o divórcio da Aniston.

KENNEDY: Não coloca a minha família no meio disso.

CATHLEEN corre até a frente de KENNEDY e a para pelos ombros.

CATHLEEN: Disso o quê? Me diz qual é o problema!

KENNEDY: Não tem problema nenhum, Cathleen. Deveria haver algum problema?

CATHLEEN: [suplicante] Vamos, Kay, não me obriga a implorar. Você sabe o quanto eu odeio implorar.

KENNEDY lança um olhar para a garota e continua andando. CATHLEEN solta um suspiro de desistência e a câmera mostra ZACK e EHLIOS entrando pela porta da frente. ZACK dá um sorriso para CATHLEEN, mas a garota apenas vira de costas e segue na direção em que Kennedy partiu. ZACK olha para o chão e EHLIOS balança a cabeça em negativa. Eles voltam a andar.

EHLIOS: Isso tá começando a ficar patético.

ZACK: [confuso] O quê?

EHLIOS: [imitando Zack] “O quê”? Vocês podiam tentar ser um pouco menos explícitos. Algo tipo… transar com ela no meio do corredor escolar.

ZACK: [confuso] Do que você tá falando?

EHLIOS olha pra ele por um segundo, perplexo.

EHLIOS: Você me irrita!

ZACK: Espero que não muito, porque eu estou precisando de um favor.

EHLIOS: O que aconteceu com a época em que as pessoas te subornavam e bajulavam em troca de favores? Você tira totalmente a graça do momento.

ZACK olha para ele com uma expressão entediada.

EHLIOS: Tá. Fala.

ZACK: Tem com você me dar uma força essa tarde na lanchonete? O Devon teve que viajar e tem uma montanha de contas pra conferir.

EHLIOS abre um armário e ZACK encosta-se nos outros.

EHLIOS: Acho que não, cara. Hoje é dia de monitorar o Joey. Uma tarde inteira enfurnado na nossa cozinha tentando colocar biologia pela goela abaixo. E embora comparado a isso a oferta de servir jogadores burros e cheerleaders irritantes por toda a tarde pareça tentadora, se não aumentar a nota dele a Miller me mata.

EHLIOS fecha o armário.

ZACK: Droga. Cathleen, Mike e eu teremos que nos virar naquele lugar. E a propósito, a Sarah ficará o dia inteiro em casa hoje para a checagem do mês. É melhor vocês arranjarem outro lugar para estudar.

EHLIOS: [desanimado] Mais essa.

JOEY atravessa as portas do colégio.

EHLIOS: Ei, falo com você depois, okay?

ZACK concorda com a cabeça e se afasta. EHLIOS se aproxima de Joey.

EHLIOS: Ei, cara.

JOEY percebe EHLIOS e os dois caminham juntos.

JOEY: Ei.

EHLIOS passa o braço pelos ombros de JOEY.

EHLIOS: Então… você tem aquela TV plasma irada na sala, certo?

JOEY: Como você sabe disso?

EHLIOS: [disfarçando] Só um chute. Por vocês serem ricos e tal. [animado] Aposto que deve ter uns trezentos canais!

JOEY olha para o garoto, intrigado. A câmera os mostra distanciando-se.

CENA 4 – INT. MANSÃO LIEFIELD – DIA

Shot da porta. Ela se abre e JOEY e EHLIOS entram. Vemos JULIA descendo as escadas. Ela não percebe EHLIOS.

JULIA: Joey, que bom que chegou. Eu preciso que você cheque–

JULIA termina de descer os degraus e vê EHLIOS ao lado de Joey.

JULIA: Oh, oi. Boa tarde, Ehlios.

EHLIOS: Boa tarde, Srta. Liefield.

JULIA tenta disfarçar a sua desaprovação com a presença de EHLIOS.

JULIA: Não sabia que iria trazer… amigos para casa.

JOEY: Não dá pra gente estudar na casa dele e eu odeio a biblioteca da escola. Espero que não tenha problema.

JULIA: Não, claro que não. Posso falar com você um instante?

EHLIOS joga a mochila no sofá e senta, pegando o controle remoto. JOEY segue JULIA até a cozinha.

 

CENA 5 – COZINHA MANSÃO LIEFIELD – DIA

JULIA vira-se para JOEY.

JULIA: Quantas vezes terei que repetir que não quero vocês andando com esses garotos?

JOEY: [defensivo] Não é como se eu tivesse escolha! Sra. Miller nos obrigou a isso e pra falar a verdade eu realmente tô precisando aumentar minhas notas.

JULIA: Tenho certeza que você consegue fazer isso sozinho. Esses dois nessa casa não são uma opção.

JOEY: O quê? Você quer que eu vá lá e o expulse? [para por um segundo e sorri] Posso?

JULIA inclina a cabeça.

JULIA: Só vai lá e faz o que vocês tiverem que fazer por hoje. Mas depois disso acabou. Eu conversarei com a Miller.

JOEY parece um pouco contrariado.

JOEY: [dá de ombros] Okay.

O garoto começa a sair–

JULIA: Mas antes…

Ele vira-se novamente.

JULIA: …preciso que você cruze alguns dados de White Pine com uma das–

JOEY: Posso fazer isso mais tarde? Quer dizer, eu tenho toneladas de capítulos pra estudar e considerando que essa é minha última aula…

JULIA gira os olhos, irritada.

JULIA: Isso é importante.

CATHLEEN entra na cozinha, apressada.

CATHLEEN: O que é aquilo na nossa sala?

A garota pega uma maçã e dá uma mordida.

JULIA: Aparentemente o Joey está tendo um estranho impulso social, hoje.

CATHLEEN: Bem, dá próxima vez que seus impulsos sociais envolverem Ehlios, por favor, enfia a cabeça num travesseiro e grita até que eles passem.

JOEY: Deus, vocês falam como se tivesse trazido o Anticristo para essa casa.

CATHLEEN: Se você visse a maneira que a cabeça dele gira quando está assistindo esses desenhos, reconsideraria essa frase.

JOEY: Então deixa eu terminar logo essa maldita monitoria e acabar com o sofrimento de vocês.

JOEY vai para a sala de estar e CATHLEEN começa a sair da cozinha pela porta dos fundos.

JULIA: Cathleen, eu queria que você–

CATHLEEN: Não posso. Trabalho.

E com isso a garota deixa a casa. JULIA parece irritada.

 

CENA 6 – INT. MANSÃO LIEFIELD – DIA

JOEY entra na sala e encontra EHLIOS deitado no sofá assistindo TV. Nela, vemos cenas de algum anime japonês.

EHLIOS: [animado] Cara! Você tem TV Nihon! E em japonês!

JOEY: [desinteressado] É, bom pra mim.

EHLIOS: [passando os canais] Essa casa é tão maneira!

JOEY: [entediado] Dá pra gente ir?

EHLIOS, animado, levanta do sofá em um pulo.

EHLIOS: Eu quero um tour!

JOEY: Você quer um o quê?

EHLIOS: [animado] Um tour, cara!

JOEY: Eu não vou te dar um tour.

EHLIOS: Vamos, cara! [olhando em volta] Olha pra essa casa!

JOEY: [um pouco irritado] Eu estou com cara de Tamara Bailey pra você? [enfático] Não vou te dar um tour. Vamos subir e terminar logo com isso.

EHLIOS parece desanimado. JOEY vai em direção das escadas. EHLIOS aponta as mãos pra baixo.

EHLIOS: Okay, então essa é a sala de estar certo? [olha pra todos os lados, animado] E aquela é a cozinha.

Ele começa a seguir JOEY, apontando para as grandes portas corridas de vidro.

EHLIOS: E aquele é o jardim detrás, certo? [arregala os olhos] O gigantesco jardim.

JOEY revira os olhos enquanto eles chegam ao pé da escada e EHLIOS olha pra dentro da sala de treinamento.

EHLIOS: Cara! Vocês têm uma sala de combate!

JOEY: [irritado] Dá pra parar com isso?

EHLIOS faz umas caretas, imitando JOEY, mas para de falar. Eles sobem as escadas em silêncio. Quando estão quase chegando ao topo…

EHLIOS: Okay, então essa é a escada, certo?

 

CENA 7 – INT. THE ALLEY – DIA

[MÚSICA – HATE EVERY BEAUTIFUL DAY, OUR LADY PEACE]

A casa está cheia. Vemos um garoto servindo algumas mesas, mas ele não parece conseguir atender à demanda. ZACK está no balcão, rodeado de papéis. Ele digita alguns números na calculadora enquanto CATHLEEN, também atrás do balcão, mas sentada há alguns passos de distância, lixa suas unhas calmamente.

ZACK: [irônico] Sinta-se livre para começar a trabalhar a qualquer momento, okay?

CATHLEEN não responde e continua concentrada em sua tarefa.

ZACK: Porque eu realmente acho que o Mike poderia fazer bom uso de uma ajuda.

CATHLEEN continua impassível. ZACK suspira e vira-se pra garota.

ZACK: Por quanto tempo você vai ficar me ignorando? Tem como deixar isso em compasso de espera só enquanto eu estou afogando nessas contas?

Um homem de boa aparência [Brendan Routh] entra na lanchonete e senta-se ao balcão. CATHLEEN sorri com a presença dele e levanta da cadeira.

CATHLEEN: [seca] Claro, chefe.

A garota se aproxima do homem e inclina-se sobre o balcão, sorrindo abertamente.

CATHLEEN: Oi, bem vindo ao The Alley. O que posso fazer por você?

ZACK olha perplexo para a cena. O garoto recolhe a papelada de qualquer jeito e sai irritado, entrando na porta dos fundos da lanchonete. O homem parece intrigado com a atitude de ZACK. CATHLEEN observa a porta dos fundos oscilando pra frente e pra trás, com raiva.

HOMEM: Hey, na verdade eu estou querendo uma informação.

A garota endireita-se e agora fala com ele normalmente.

CATHLEEN: Claro…

HOMEM: [completando] Alan.

Ele estende a mão e CATHLEEN recebe o cumprimento.

CATHLEEN: Cathleen.

ALAN: É um prazer, Cathleen. Você sabe onde posso encontrar Sarah Jones?

CATHLEEN: Sarah? Claro. Ela mora em uma pequena propriedade do lado de fora da cidade. Não é muito longe.

ALAN: Você pode me explicar como chegar?

CATHLEEN, por sua visão periférica, olha para a pequena janela na porta dos fundos e vemos ZACK observando-a disfarçadamente.

CATHLEEN: Posso fazer melhor do que isso [ela tira o avental] Posso te levar lá.

CATHLEEN rodeia o balcão e sai puxando ALAN pela mão. ZACK adentra a área da lanchonete novamente e observa ALAN e CATHLEEN cruzarem a porta principal. Ele parece magoado.

CENA 8 – INT. RANCHO JONES – DIA

CATHLEEN e ALAN estão na varanda da casa. A garota bate na porta que logo se abre revelando SARAH.

SARAH: [surpresa] Cathleen?

CATHLEEN: Oi, Sarah. [mostra Alan] Esse é o Alan. Podemos entrar?

SARAH: Claro.

SARAH abre passagem e os dois entram. Todos se sentam à mesa da cozinha.

SARAH: O que posso fazer por vocês?

CATHLEEN: Alan acabou de chegar na cidade à sua procura.

SARAH levanta as sobrancelhas e ALAN estende a mão através da mesa.

ALAN: Me desculpe por chegar sem avisar. Eu sou Alan Howe.

SARAH aceita o cumprimento.

SARAH: Muito prazer, Alan. Do que se trata?

ALAN: Bem, Sra. Jones–

SARAH: Sarah, por favor.

ALAN: Sarah… eu vim até você por indicação de David Coven.

SARAH balança a cabeça afirmativamente denunciando que sabe de quem se trata.

ALAN: Ele me disse que talvez você pudesse me ajudar em minha busca.

SARAH: Que busca?

ALAN: Faz pouco mais de cinco meses que estou na estrada, atravessando vários estados em busca de Rebecca Bartell. Minha noiva. Quando passei por Ohio, David me abrigou em sua casa por uns dias. Depois que descrevi a ele o estranho comportamento de Rebecca ele me disse que com sorte você poderia me ajudar, mas não me disse por quê.

SARAH: Estranho comportamento?

ALAN: Durante todos os anos que passei com Becky, eu sempre soube que ela esconde algo.

SARAH e CATHLEEN se entreolham.

ALAN: Ela nunca se aprofunda ao falar dos pais e de tempos em tempos ela sumia deixando pra trás apenas um bilhete dizendo que estava bem e que voltaria logo. E ela sempre voltou em uma ou duas semanas, mas não dessa vez. [assustado] Então fiquei preocupado. Tenho seguido o rastro de Rebecca, mas para ser sincero ele sumiu há meses. Nesse ponto, eu estou simplesmente vagando e esperando para que qualquer pista apareça.

SARAH respira fundo.

SARAH: Olhe, Alan. O comportamento de Rebecca não me é estranho e sim, pode ser que eu saiba onde ela está, mas não posso te dar garantias. O grupo de pessoas que protejo é grande–

ALAN: [preocupado] Protege? Ela está em perigo?

SARAH levanta e vai até a geladeira.

SARAH: Eu não sei. É possível, mas eu não me lembro do nome de sua namorada entre as pessoas de quem cuido, então não quero alarmá-lo sem necessidade. [ela serve um copo de água] Só preciso fazer um telefonema e com sorte, sua noiva estará bem.

SARAH coloca o copo de água na frente de ALAN enquanto ele passa as mãos no rosto de forma preocupada. A mulher começa a sair da sala.

SARAH: Cathleen?

CATHLEEN levanta-se da mesa e segue SARAH. Elas se afastam de ALAN, indo até a sala de estar, onde SARAH pega o telefone e disca alguns números. A resposta do outro lado da linha vem com apenas um único toque.

SARAH: Kenny? Filtre a linha, por favor.

A mulher põe o telefone contra o ombro para falar com Cathleen.

CATHLEEN: Você acha que ela é um de nós?

SARAH: Eu não sei. É provável com todos os segredos e os sumiços sem explicação. Provavelmente fugia de algum caçador do governo. Mas agora eu preciso que você vá pra casa. Eu posso cuidar disso e acho que Julia não ficará nada feliz quando descobrir que você veio aqui.

KENNY: [Voice over] A linha está segura, Sarah.

A mulher coloca o fone no ouvido.

SARAH: Preciso que você pesquise o nome de Rebecca Bartell na lista de checagem. Dois “L”s.

SARAH volta a colocar o fone no ombro.

CATHLEEN: É, eu acho que você está certa.

SARAH tira uma chave do bolso.

SARAH: Aqui. Pegue meu carro. Zack ou Ehlios podem trazê-lo quando voltarem para casa.

CATHLEEN pega a chave.

CATHLEEN: [sorri] Obrigada. No caminho eu penso no que dizer quando a Julia ler em mim que estive por aqui. Se você precisar de alguma ajuda, por favor, me liga.

SARAH afirma com a cabeça e CATHLEEN começa a sair.

SARAH: Oh, e Cathleen… [a garota dá meia volta] Eu posso te ensinar a bloqueá-la.

CATHLEEN olha para SARAH com curiosidade, mas não diz nada. SARAH sorri enquanto a garota dá meia volta e sai da sala.

 

CENA 9 – INT. MANSÃO LIEFIELD – NOITE

JOEY e EHLIOS estão no quarto de JOEY. Eles estão sentados à mesa de estudos do garoto, rodeados de livros. JOEY parece entediado.

EHLIOS: Células responsáveis por gerar impulsos elétricos?

JOEY: Células marca-passo.

EHLIOS: Situadas no…

JOEY: [entediado] Nó sino-atrial e responsáveis pelos batimentos cardíacos.

EHLIOS: [um pouco irritado] Estou te entediando, Joey?

JOEY lança um olhar para EHLIOS, que então suspira e fecha o livro.

EHLIOS: O que eu tô perguntando? Estou entediando até a mim mesmo.

JOEY: Já chega dessa matéria, cara.

EHLIOS: Bem, sinto muito, mas se pretende passar em Biologia ainda temos mais três capítulos para nos deliciar.

EHLIOS deixa a cabeça cair sobre o livro fechado.

EHLIOS: [irônico] O que é algo que eu, obviamente, mal posso esperar pra fazer.

JOEY solta um ganido em agonia.

JOEY: Nesse momento até sua TV Nilon soa mais interessante que isso.

EHLIOS levanta a cabeça.

EHLIOS: É Nihon, poço de cultura. E quer saber de uma coisa? Dane-se. Você é rico. Pode comprar os professores ou algo do tipo.

JOEY: Por que você é tão obcecado com esse lance de eu ser rico? São só… coisas.

EHLIOS: Você diz isso porque as tem, Steve Sanders. Você e Cathleen tiveram sorte e agora só precisam encarar quem são quando estão entediados. [irônico] “Não tem Lost inédito hoje então que tal invadir uma base militar e pegar uma pizza depois?”

JOEY: [indignado] Você acha que tivemos sorte?!

EHLIOS: [irônico] Oh, me desculpa, você não tem o novo iPod? Eu retiro totalmente o que disse.

JOEY inclina-se para frente olhando nos olhos de EHLIOS com raiva.

JOEY: Você não sabe nada sobre nós! Então não se atreva a dizer que temos sorte quando não faz idéia do que já passamos!

EHLIOS: O quê? Você quer comparar cicatrizes agora? Porque eu te garanto que nesse joguinho eu ganho.

JOEY solta um rápido sorriso como se não acreditasse no que ouviu.

JOEY: Você é inacreditável.

EHLIOS: Não, cara, eu sou real. Minha vida teve problemas e eu lido com eles todos os dias.

JOEY: Lida como? Tentando transformar tudo no seu episódio favorito de Yu Yu Hakusho?

EHLIOS: Oh, me desculpa se não me envergonho de quem sou. Eu sei o que gosto e o faço. Tenho apenas 16 anos, mas já sofri o suficiente pra deixar uma inglesa mimada me podar.

JOEY engole a seco, mas não responde.

EHLIOS: Você também não deveria deixar.

JOEY: Ela não faz isso. Sei que é dessa forma que parece, mas eu não me importo.

Um silêncio desconfortável estaciona-se no local. JOEY remexe-se no mesmo lugar enquanto EHLIOs parece querer falar algo.

EHLIOS: [incerto] Então… o que é?

JOEY: O que é o quê?

EHLIOS: O que aconteceu com vocês dois pra você não reconhecer a sorte que teve de ter sido adotado por Julia?

JOEY parece ainda mais deslocado. Ele respira fundo.

JOEY: Eu e Cathleen fomos vítimas da Operação Retomada.

EHLIOS: E isso seria…?

JOEY: Quatro anos atrás o governo americano decidiu resolver o problema que nós somos para o mundo de uma forma mais… agressiva.

EHLIOS: O que você quer dizer?

JOEY: Eles armaram uma grande operação pelo mundo todo para a busca e extermínio de pessoas como nós. Julia disse que suas ordens eram para matar-nos, independente da forma que encontrassem para isso. [vacilante] Quando a minha casa e a de Cathleen viraram alvos, nossos pais foram mortos no fogo cruzado.

JOEY abaixa a cabeça e EHLIOS parece chocado com a revelação.

EHLIOS: Cara… eu… eu sinto muito.

JOEY: Está tudo bem.

JOEY parece muito triste. EHLIOS respira fundo.

EHLIOS: Meu pai me abandonou num hospital quando eu tinha quatro anos.

JOEY levanta a cabeça e olha para ele surpreso.

EHLIOS: O bilhete no meu bolso dizia que eu tinha nascido com “o sangue ruim da família”. Acho que ele não ficou muito feliz quando eu comecei a derreter os carrinhos de brinquedo com um toque.

JOEY: E quanto à sua mãe?

Passa a mão nos cabelos.

EHLIOS: Ela morreu no parto. Disso eu sei porque me lembro das noites que o filho da mãe enchia a cara e gritava que eu tinha a matado.

JOEY: [chocado] Cara… eu–

EHLIOS chega a cadeira pra frente e encara JOEY nos olhos.

EHLIOS: Mas isso não importa mais porque nós temos outra vida, cara. Me levou muito tempo mas Sarah me achou. E Julia achou vocês. O segredo é não deixar mais nada nos impedir de fazer o que gostamos, o que queremos. E pra você… agradeça por ter isso tudo aqui. [olha em volta] Porque é incrível.

JOEY olha para EHLIOS por um segundo enquanto pensa sobre o que o garoto diz. Logo depois ele abre um pequeno sorriso.

JOEY: Então. Você ainda quer aquele tour?

 

CENA 10 – INT. THE ALLEY – NOITE

[MÚSICA – HUMAN, FISHER]

KENNEDY entra na lanchonete cheia onde vemos ZACK tentando servir algumas mesas. Ele passa pela garota e dá um pequeno “Hey”, indo imediatamente para trás do balcão. KENNEDY senta num banco à frente dele enquanto o garoto começa a encher copos com refrigerante na máquina, apressadamente.

KENNEDY: Hey, onde está Cathy?

ZACK deixa um copo cair no chão e esvazia os pulmões, irritado.

ZACK: [irritado] Não está trabalhando, isso eu te garanto.

KENNEDY: Esse lugar está lotado. Você é louco o suficiente para dar folga pra ela num dia desses?

ZACK lança um olhar pra KENNEDY e depois joga um pano por cima do refrigerante derramado.

KENNEDY: Oh.

ZACK: Exatamente. [enchendo mais copos] Sua amiga me deixou na mão e saiu por aí com o primeiro cliente boa pinta que apareceu pela frente.

KENNEDY: [para si] Quer saber? Dane-se. Nem acredito que vim até aqui.

KENNEDY levanta e começa a ir embora.

ZACK: [confuso] Como é?

A garota vira-se para ele, irritada.

KENNEDY: Por um momento eu achei que você fosse o grande segredo da Cathleen e agora ela sai por aí com outro cara. Como eu fui estúpida.

ZACK para de servir os refrigerantes e encara a garota.

ZACK: E o que te faz pensar que eu poderia ser o segredo da Cathleen?

KENNEDY: [gira os olhos] Por favor? Você ao menos a conhece? Ela está lavando pratos por você! E você? [irônica] Tenho certeza que dá esse ataque de ciúmes por todas as suas outras não-existentes colegas de trabalho.

ZACK parece sem graça.

KENNEDY: Bem, eu acho que estava errada, certo? Você claramente não é o segredo dela, porque se for [ri rapidamente], bem, não é muito bem guardado. Ela está escondendo alguma outra coisa. Alguma coisa que eu claramente não sou confiável o suficiente para saber. E se esse é o caso… [dá de ombros] Eu cansei.

KENNEDY vira-se para sair novamente e ZACK rodeia o balcão, correndo atrás dela.

ZACK: Ei, espera, Kennedy. [ele a alcança] Espera.

KENNEDY olha pro garoto.

ZACK: Não faz isso.

KENNEDY: Eu não estou fazendo nada! Ela é quem está colocando limites na nossa amizade. Daqui pra frente eu vou simplesmente colocar os meus.

ZACK: Não, Kennedy, olhe.

Algumas pessoas chamam ZACK, mas ele sacode a cabeça afastando os chamados.

ZACK: Acredite em mim, quando pessoas têm grandes segredos elas ficam com medo. Você é a melhor amiga dela. Se ela não te disse algo é porque está provavelmente com medo de sua reação e não porque não confia em você.

KENNEDY olha pra ele, relutante.

ZACK: Não vá lá e faça algo que se arrependerá depois e que não poderá ser reparado. Nesse momento ela precisa saber que você está do lado dela incondicionalmente. Se você conseguir mostrá-la isso, ela se abrirá. Eu garanto.

KENNEDY passa a mão nos cabelos e sai com uma expressão confusa.

 

CENA 11 – INT. RANCHO JONES – NOITE

SARAH está falando no telefone da sala sob o olhar preocupado de ALAN, da cozinha. Após alguns momentos a mulher desliga o aparelho e se aproxima dele.

ALAN: [apreensivo] Você esteve ali pelas últimas duas horas. Por favor me diga que conseguiu algo.

SARAH respira fundo e senta na frente do garoto.

SARAH: Sim, consegui. Mas não tão boas como gostaria.

ALAN parece parar de respirar.

ALAN: Ela está bem?

SARAH sorri.

SARAH: Sim, até onde sei ela está.

ALAN respira aliviado.

ALAN: Graças a Deus.

SARAH: Rebecca Bartell não estava nos meus contatos, mas por sorte nós tínhamos um Gavin Bartell.

ALAN: O pai dela.

SARAH: Exatamente. Gavin me disse que Rebecca entrou em contato com ele há pouco mais de um mês para pedir que ele parasse de procurá-la e que… ela sairia do país.

ALAN parece se desesperar.

ALAN: Ela o quê?

SARAH: Foi um pouco difícil, mas conseguimos rastrear a ligação e achamos o hotel que ela estava hospedada em St. Paul, Minnesota.

SARAH parece tentar encontrar as palavras.

SARAH: Ela partiu num avião no último dia 27 para Shanghai.

ALAN está com os olhos cheios de lágrimas.

ALAN: Meu Deus.

Ele levanta e começa a andar de um lado pro outro, descontrolado.

ALAN: C-como isso é possível? Ela nem sabe a língua! [irritado] Quer dizer, se ela não queria casar comigo, tudo que precisava fazer era falar!

ALAN encosta-se na parede, derrotado e leva as duas mãos à cabeça, chorando. SARAH levanta-se e vai até ele.

SARAH: Se acalme, Alan. Eu não acredito que Rebecca tenha te deixado. Eu falei com Gavin, ele estava fora de si, querendo notícias da filha. Disse que Rebecca alegou ter achado alguém para protegê-la. Ele estava preocupado.

ALAN enxuga as lágrimas e encara a mulher.

SARAH: E além de mim, Alan, eu só consigo pensar em uma outra pessoa que pode alegar proteger Rebecca. [pausa] Sua noiva está envolvida com as pessoas erradas.

 

CENA 12 – INT. MANSÃO LIEFIELD – NOITE

JOEY abre a porta revelando KENNEDY do lado de fora. Os dois formam uma expressão de desapontamento.

KENNEDY: Ah, você.

JOEY: Esperava por quem? Príncipe William?

KENNEDY: [olhar pensativo] Não doeria.

Ela entra na casa e vai em direção à escada.

JOEY: Ela ainda não chegou da lanchonete.

KENNEDY dá meia volta e sai novamente da casa.

JOEY: Ei, espera. Você pode entrar e esperar por ela. Eu não mordo.

KENNEDY: Eu não duvido.

JOEY: [sorri] Entra logo. Acho que ainda tem algum suco–

KENNEDY: [riso nervoso] Não, não, não, senhor. Eu não caio nessa outra vez.

JOEY franze o cenho.

JOEY: Nessa o quê?

KENNEDY aponta pra ele, nervosa.

KENNEDY: Você!

JOEY: O que eu fiz?

KENNEDY: [irritada] Você não é humano!

JOEY parece surpreso por um segundo.

JOEY: [arregala os olhos] O quê?

KENNEDY: [irritada] Você tem essa coisa estranha em você que me faz querer conversar por horas e isso [gritando] não é normal! Antes que eu perceba estou te pedindo para me levar em casa ou te confessando meus problemas! Então pára!

JOEY: [confuso] Como você espera que eu controle algo desse tipo?!

KENNEDY: [irritada] Não me importa! Só estou dizendo para você parar!

JOEY: [inconformado] Deus, tudo que eu fiz foi abrir a maldita porta! Desculpa por não te deixar plantada aqui fora e te convidar para esperar no meu confortável sofá!

KENNEDY: [irritada] Bem, eu gostaria de lembrar do dia em que tocava a droga da campainha e não era você atrás dessa maldita porta! Meu mundo era perfeito naquela época!

[MÚSICA – BREATHE YOU IN, THOUSAND FOOT KRUTCH]

JOEY sorri por um momento.

JOEY: Sua visão de mundo perfeito me inclui como um não-porteiro?!

KENNEDY: [irritada] Minha visão de mundo perfeito não te inclui! Nela eu não penso o que ando pensando e muito menos sinto o que ando sentindo!

Um sorriso se abre lentamente no rosto de JOEY. KENNEDY cruza os braços.

KENNEDY: [grossa] O quê?

JOEY: [se aproxima] No que você anda pensando, Kennedy?

Eles se olham nos olhos e KENNEDY engole a seco.

KENNEDY: [vacilante] N-não importa.

O garoto aproxima-se ainda mais e desfaz o sorriso, olhando-a profundamente.

JOEY: No que anda pensando, Kennedy?

KENNEDY: [sussurra] Não faz isso.

JOEY levanta as sobrancelhas.

JOEY: [sussurra] O quê? Você acha que vou te beijar a força?

Eles se encaram e KENNEDY então fecha a distância entre eles, tocando os lábios de JOEY. Após um longo momento ela interrompe o beijo e o olha novamente. O garoto parece sem reação, então ela aperta os olhos e balança a cabeça, arrependida. Ela vira-se para ir embora, mas JOEY a puxa pelo braço e seus lábios se encontram novamente, dessa vez num profundo beijo. JOEY segura o rosto de KENNEDY em suas mãos e a garota passeia as mãos pelas costas dele. Após um longo beijo eles se separam e JOEY envolve a cintura da garota em seus braços. Eles sorriem.

KENNEDY: [sussurra] Você é patético.

JOEY: [sussurra] Você também.

[Música fade out]

Palmas são ouvidas e eles viram-se para encontrar EHLIOS no topo da escada. O garoto finge enxugar uma lágrima.

CENA 13 – INT. THE ALLEY – NOITE

[MÚSICA – SOMEWHERE OUT THERE, OUR LADY PEACE]

CATHLEEN entra na lanchonete usando sua chave. O local já está vazio e a maioria das luzes apagadas. Vemos ZACK sentado em uma das mesas fazendo algumas contas. Ela vai rapidamente até ele. Ele vê CATHLEEN entrando e começa a levantar-se.

CATHLEEN: [seca] Não se incomode.

Ela joga um molho de chaves na mesa e ZACK senta-se novamente, deslocado.

CATHLEEN: O carro da Sarah está lá fora.

Ela vira-se e começa a sair da lanchonete.

ZACK: [confuso] O que você estava fazendo com o carro dela?

CATHLEEN: [sem parar de andar] Não acredito te dever nenhuma satisfação, Zack.

ZACK observa CATHLEEN sair da lanchonete com a expressão de alguém que recebeu um soco.
CENA 14 – EXT. THE ALLEY – NOITE

Um carro para na frente de CATHLEEN quando ela ainda está na calçada da lanchonete. ALAN sai de dentro do carro.

CATHLEEN: [surpresa] Alan, oi.

ALAN: Oi. [ele encosta no carro] Eu vim te avisar que nós a encontramos.

CATHLEEN: [sorri] Isso é ótimo. Ela está bem?

ALAN: Sim, ela está na China.

CATHLEEN parece surpresa e não consegue segurar o riso. ALAN também ri brevemente com a garota.

ALAN: Eu sei, eu sei… mas ela está bem.

CATHLEEN: E o que você vai fazer agora?

ALAN: Eu e Sarah vamos atrás dela.

CATHLEEN: [surpresa] Nossa. Eu poderia imaginar todos os desfechos para essa sua busca, menos você indo parar na China.

ALAN: [convicto] Se é lá que ela está, é pra lá que eu vou.

CATHLEEN olha para ele com admiração.

CATHLEEN: Você deve realmente amá-la.

ALAN: Eu achei a certa para mim e não a deixarei fugir tão fácil. Você também não deveria deixar o seu.

ALAN faz um movimento da cabeça para a lanchonete e CATHLEEN olha para trás. Através do vidro vemos ZACK observando-os conversar. O garoto disfarça e começa a limpar uma mesa. CATHLEEN olha para baixo, pensativa.

ALAN: De qualquer forma… eu só vim agradecê-la por me ajudar.

CATHLEEN: Imagina, eu não fiz nada.

ALAN: Você me colocou no caminho certo para encontrá-la e isso já é um motivo suficiente para agradecer.

CATHLEEN sorri.

CATHLEEN: Bem… de nada.

ALAN: [incerto] Não tenho certeza se devia te dar uma carona pra casa.

ALAN menciona ZACK novamente com a cabeça e CATHLEEN sorri.

CATHLEEN: Obrigada, mas é melhor não. Não é longe. Posso andar.

ALAN balança a cabeça em compreensão e sorri.

ALAN: Bem, foi um prazer conhecê-la, Cathleen. Espero que nos encontremos novamente.

ALAN entra no carro e CATHLEEN observa o veículo se distanciar por um momento. A garota então aperta os ombros, se ajeitando em seu sobretudo quando um vento frio bate. A CAM sobe enquanto CATHLEEN atravessa a rua.

[Música fade out]

 

CENA 15 – EXT. RANCHO JONES – NOITE

Vemos uma câmera subjetiva se aproximar de JULIA e sua Cherokee em um barranco. JULIA está de costas para a câmera contemplando ao longe uma vista aérea de Naranda à noite. A câmera mostra SARAH se aproximando com cara de poucos amigos. Ela não encara JULIA e também passa a contemplar a vista da cidade de cima do barranco. Elas ficam em silêncio por uns momentos até que SARAH fala, um pouco irritada.

SARAH: Ouvi falar da sua visita à White Pine. Pelo seu histórico desastroso com eletrocinéticos você deveria saber melhor do que entrar em uma base altamente fortificada com um deles dentro.

JULIA continua apreciando a vista noturna da cidade.

JULIA: [respira fundo] É linda, não?

SARAH encara JULIA com uma expressão confusa.

SARAH: [irritada] É. É linda. Mas é a minha linda pequena cidade e o meu lindo pequeno barranco, e por mais infantil que isso possa soar ainda me dá o direito de saber o que você está fazendo neles.

JULIA dá um pequeno sorriso e chuta uma pedrinha barranco abaixo. Ela finalmente encara SARAH.

JULIA: [séria] Quero que você e seus garotos fiquem longe dos meus.

SARAH encara JULIA por um segundo e logo ri irônica.

SARAH: Sai da minha propriedade.

JULIA: Achei que tivéssemos um acordo.

SARAH: [irritada] E eu pretendo continuar cumprindo-o.

JULIA: Então mantenha seus garotos afastados. Cathleen e Joey estão prestes a passar por coisas importantes. Realmente não é o momento certo para vocês entrarem em nossas vidas.

SARAH vai ficando cada vez mais irritada.

SARAH: [indignada] Entrarmos na sua…? Eu vivo nessa cidade há sete anos, Julia! Eu construí uma vida aqui! Tenho um bom emprego no museu de arqueologia, tenho os garotos… tenho paz! E logo quando eu acho que vou te apagar da minha vida você aparece com sua “família”, entra na minha casa e quer me dar ordens?! [riso irônico] Não vou colocar uma coleira nos meus garotos por sua causa. Se quer Cathleen e Joey longe deles volte pra sua casa, tenha uma agradável conversa com sua família e tranque os dois no quarto à pão e água, que é a única forma de ensino que consigo imaginar vindo de você!

JULIA: [tranqüila] Não posso mudar o que aconteceu, Sarah. E nem foi por isso que vim. O que estou dizendo é que a presença de Zack e Ehlios está desconcentrando meus garotos do que deve ser feito. E eu não tolerarei isso.

SARAH toma mais um momento para encarar JULIA.

SARAH: Pode repetir isso? Porque eu tive a impressão de que soou como uma ameaça, mas quero ter certeza antes de arrastar seu traseiro pra fora da minha propriedade pelos cabelos!

JULIA não parece intimidada pela agressão verbal enquanto SARAH parece tomada pela revolta. JULIA coloca as mãos no bolso de seu sobretudo negro e caminha até o carro sem pressa. Ela abre a porta do veículo e abaixa a cabeça.

JULIA: Espero que vocês estejam bem, Sarah.

JULIA entra no carro sob o olhar afiado de SARAH. Ela manobra e vai embora. A câmera sobe, mostrando SARAH observando o carro se afastar.

 

PRODUÇÃO EXECUTIVA
Samir Zoqh
Luciana Rocha

ELENCO
Keira Knightley como Cathleen
Riley Smith como Joey
Paul Wasilewski como Zack
Ashly Lyn Cafagna como Kennedy
Bonnie Somerville como Julia

ELENCO RECORRENTE
Neve Campbell como Sarah

CONVIDADO ESPECIAL
Brendon Routh como Alan

ESCRITA E EDITADA POR
Luciana Rocha

REVISADA POR
Samir Zoqh

AGRADECIMENTOS ESPECIAIS
Clara Lima

CRIADA E DESENVOLVIDA POR
Samir Zoqh
Luciana Rocha

MÚSICA TEMA
Late Great Planet Earth, Plumb

TRILHA SONORA

Made Of Steel, Our Lady Peace
Hate Every Beautiful Day, Sugarcult
Human, Fisher
Breathe You In, Thousand Foot Krutch
Somewhere Out There, Our Lady Peace

A HYBRID STUDIOS PRODUCTION

DISTRIBUTED BY TELEVISION SERIES NETWORK
©2005

Séries citadas:

Os textos assinados pela Redaçao TeleSéries são textos de autoria coletiva ou notícias escritas por um redator anônimo, mas sempre revisadas com a máxima precisão jornalística.

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