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Série que fez história na TV, ‘CSI’ se despede com um episódio ruim

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O final de CSI que eu desenhei na minha mente era muito diferente e melhor do que Immortality, o episódio duplo de despedida da série que foi ao ar no último domingo, dia 27 de setembro, nos Estados Unidos. Nos meus sonhos, CSI teria terminado há um ou dois anos atrás, quando se despedir com apenas 12,17 milhões de telespectadores (e comemorar estes números) seria impensável. Eu achava que CSI terminaria em um filme, ou mesmo iniciasse uma franquia cinematográfica, como aconteceu com Star Trek e The X-Files.

No meu episódio final, Gil Grissom, D.B. Russell e Raymond Langston (por que não? Laurence Fishburne fez parte desta história) dividiriam algumas cenas juntos. O último crime envolveria alguém que já passou pelo elenco: o assassinato de um ex-colega, como Sofia, Riley, Wendy… E o episódio traria de volta ainda todo o elenco original. CSI não é só Grissom e Catherine e Sara. Nick estaria lá. E Warrick também – ou em um flashback, ou em cenas de arquivo, ou numa pequena mas emocionada menção.

Mas não foi isto que tivemos. Immortality trouxe de volta Gil, Catherine e Lady Heather. (Até a Finlay foi covardemente descartada, aparentemente para economizar no cachê da Elisabeth Shue). Foi o que a casa ofereceu.

CSI merecia mais, bem mais.

Eu defendo a opinião que CSI é uma das três séries mais importantes do século XXI em termos de influência na cultura pop (as outras são Sopranos, que é de 1999, mas abriu o caminho para todos os dramas adultos que vieram depois; e Lost). CSI refundou o gênero do procedural drama quando foi ao ar pela primeira vez, em outubro de 2000. É a série que trouxe a ciência para o gênero policital. Sem CSI não existiria NCIS, Criminal Minds, Crossing Jordan, Las Vegas, House, pra não falar de seus próprios spin-offs e de todas as outras séries de ficção que a produtora de Jerry Bruckheimer emplacou nos últimos 15 anos.

Por isto, mais que um desfecho, CSI merecia um grande episódio final, com um caso policial arrepiante, com grandes diálogos e incrivelmente bem dirigido (gente, esta série já teve Quentin Tarantino e William Friedkin atrás das câmeras!). Mas Immortality foi fraco, quase tosco. Abrimos com dois atentados suicidas a bomba, num crime que acaba tendo motivação… passional? Os crimes acabam criando as circunstâncias para a volta de Catherine (a primeira explosão foi no Cassino da família) e uma pista coloca Lady Heather entre as suspeitas (e aí Grissom é chamado para colaborar). Ou seja, tudo o que não se poder ter numa investigação criminal – envolvimento pessoal – acaba sendo reunido aqui.

Para chegarmos na solução do crime, temos duas investigações paralelas: DB descobre a identidade do assassino com uma impressão digital inserida de propósito numa imagem digitalizada (ou seja, o assassino queria ser encontrado). Já a pista para localizá-lo é de uma complexidade inédita: uma singela abelha que levará Grissom a criar uma sofisticada e inacreditável forma de mapear uma floresta para encontrar o seu esconderijo. As soluções não são boas.

O episódio, no entanto, vai agradar a todos aquele shipparam por muitos anos o casal Sara e Grissom. O episódio é dos dois: digo mais, o episódio tem mais cenas românticas ou de discussão da relação dos dois que provavelmente os 335 episódios anteriores da série.

Além de Grissom e Sara, apenas Catherine e DB tem cenas de despedida. Não temos um desfecho para Brass, Morgan e Sanders, o mesmo para os simpáticos legistas e os lab rats (a presença de Hodges, talvez o mais simpático coadjuvante da série, é mínima).

CSI - Immortality

Os fãs da série não devem ter percebido, mas há uma fina ironia na primeira cena de Grissom no episódio. Detido pela polícia de San Diego, Grissom mostra as mão suja de sangue e diz (na boa legenda feitas pela @maraligro):

– Barbatanas de tubarão. Parece que alguém embarcou um tubarão.

Em inglês, a fala é:

–Shark fins. Looks like somebody jumped a shark.

Jump the shark, literalmente pular o tuburão, é a giría televisiva usada para descrever uma cena ou um episódio absurdo de uma série de TV, que sinaliza o momento que os produtores perderam completamente o controle da obra e estão desesperados para reter a atenção da audiência. Não, não foi nesta series finale que CSI se perdeu. Isto aconteceu há vários anos atrás – talvez na partida de Grissom, ou na morte de Warrick, ou em um dos muitos casos que extrapolaram os limites do bom senso.

Mas a cena explica porque este episódio final é tão ruim: os bons tempos de CSI definitivamente ficaram para trás.

Séries citadas:

É jornalista, pós-graduado em Jornalismo Digital pela Pucrs e trabalha com produção de conteúdo para Internet desde 1995. É editor de internet do Jornal do Comércio, de Porto Alegre. Fundou o TeleSéries em agosto de 2002. Na época, era fã de The West Wing, The Shield, Família Soprano e Ed. Atualmente é viciado em The Good Wife, NCIS, Game of Thrones e Parks and Recreation.

2 Comments

  1. Davino Zolet

    Trataram os personagens sem muito respeito.
    Brass? (único personagem desde o primeiro episódio) tão companheiro e nem uma cena no hospital após o incidente com o fogo.
    Saudades do Niki.

  2. Paulo Serpa Antunes

    Pois é, aquele incêndio foi demais.
    Na verdade parece que o roteiro tentou criar uma cena forte para cada um: a da Cath, do Greg e da Morgan teria sido a cena da bomba.
    Mas não era isto, a gente queria era um momento especial com cada um!

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