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Opinião

‘Ringer’ – um balanço de temporada

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Entre as três novidades da CW para essa temporada: The Secret Circle, Hart of Dixie e Ringer, tenho de confessar que assisti o piloto das duas primeiras, mas não demonstrei interesse algum em ver a terceira. A história de “gêmeas em que uma assume a identidade da outra” me pareceu um clichê e mexicano. Evitei assistir a série, mas acabei dando uma chance para ela no último mês, depois de assistir vários comerciais e ouvir comentários positivos. E preciso dizer para vocês que, esta série é o maior exemplo desta temporada de “nunca julgue uma série pelo título, premissa ou piloto”. E eu vou lhes dizer por quê.

Infelizmente, uma série estreante tem geralmente apenas 40 minutos no seu episódio piloto para apresentar sua história, o que se pretende bater em uma, duas ou infinitas temporadas e o mais importante: convencer o espectador à retornar para os próximos episódios. E os pilotos de grandes séries são sempre em sua maioria fracos. Digo isso porque acho extremamente fraco, pilotos de séries consagradas como Grey’s Anatomy, Friends, Lost entre outras! Ringer, não fugiu dessa categoria e nos mostrou um episódio morno e clichê. Ele nos apresenta as irmãs gêmeas Bridget e Siobhan, interpretados por ninguém menos que Sarah Michelle Gellar, a eterna “Buffy, a caça vampiros” (que já foi um fator único para atrair muita gente, assim como Rachel Bilson e Hart of Dixie). Enquanto a Bridget é uma ex-viciada em drogas e sem dinheiro, a outra irmã subiu na vida em um casamento milionário, que nos mostra ser praticamente de fachada.

Afastadas por terem seguido caminhos diferentes, é apenas quando Bridget precisa de ajuda que as duas voltam a se encontrar. Ela foi única testemunha de um crime, e quando está prestes a depor em julgamento, acaba por ser perseguida pelo o criminoso. Aparentemente, Shioban acolhe a irmã e em um passeio de barco, Bridget adormece e quando acorda não encontra mais sua irmã gêmea no barco, e vidros de remédios e jóias a sua volta – Siobhan teria se matado. Voltando para Chicago, Bridget decide que a única maneira de se ver livre de depor sobre o crime, e consequentemente livre da perseguição e morte, é assumir a identidade da irmã. Ao final, entretanto, descobrimos que Siobhan está em Paris, e monitorando tudo, para a sua surpresa, Bridget ainda estava viva.

Vocês acharam esta história clichê demais? Porque eu achei, e muito. Mas devido ter me simpatizado muito com Gellar (apesar de nunca ter me interessado por Buffy), resolvi dar uma chance e assistir ao próximo. E convenhamos ainda bem que fiz isso. Vocês perceberam como a série foi se completando nos seus episódios seguintes? Foi incrível. A cada episódio, um novo fator, uma nova descoberta era nos apresentada. E a cada episódio agente ficava com aquele gostinho de quero mais.

Sarah Michelle  Gellar está fantástica interpretando as gêmeas. E mesmo os efeitos especiais não terem sido a 8ª maravilha do mundo, conseguiram trabalhar direitinho. O elenco de Ringer também não é ruim. Temos o homem borracha Ioan Gruffudd como Andrew, o marido de Siobhan; o ex- Life Unexpected Kristoffer Polaha como Henry, o amante de Siobhan e marido de sua melhor amiga interpretada pela insonsa Tara Summers e fechando o elenco principal temos diretamente da ilha de Lost, Nestor Carbonell como o detetive Victor Machado. De coadjuvante, temos o padrinho de no Narcóticos Anonimos, Malcom interpretado por Mike Colter. Todos têm realizado um ótimo trabalho, completando os desesperos e aflições que Sarah Michelle tem tido que enfrentar.

Por que se eu fosse definir esses primeiros episódios com uma palavra seria aflição. Foi só eu, ou vocês também notaram o quanto de cara de surpresa e de aflita Sarah teve que fazer nesses dez primeiros episódios? Era uma bomba atrás da outra. Para começar, Bridget foi vendo que a vida de sua irmã não era um mar de rosas de luxo e glamour. Seu casamento estava em crise, era odiada pela enteada, tinha um amante na cola que por sinal era marido da sua melhor amiga, que estava desconfiada e… ufa! Acabou? Não! Bridget ainda teve que lidar com a cola dos federais atrás dela mesmos, e ainda um atentado arquitetado por… sua irmã Siobhan. E para mim foi uma das sacadas mais geniais desses primeiros episódios. Siobhan arquitetou tudo, mas ao mesmo tudo, tudo que arquitetou foi por água abaixo. Sua intenção, era de que Bridget fosse morta, e todos pensassem que Siobhan tivesse suicidado. Mas Siobhan não contava com a astúcia da irmã, que resolveu passar por ela mesmo. E ela toda glamorosa diretamente de Paris, começou a traçar um plano de estratégia para que sua irmã, e assim Siobhan morresse.


Agora uma coisa que eu preciso comentar é: Sarah Michelle Gellar merece o prêmio de “pegadora do ano”. Sério. Vocês notaram como essa mulher agarrou homem nesses primeiros episódios. Sério, eu fiquei com medo até de acontecer algo entre ela e o Detetive Machado, porque ela praticamente agarrou todo elenco masculino de Ringer. Tudo bem são duas personagens, mas mesmo assim. Sarah se comporte. (Aliás, me liga mais tarde!). Outra que preciso comentar é o modo como as histórias vêm se conectando. Para mim, foi um dos grandes trunfos de Ringer nesses primeiros episódios. Tudo o que o piloto não passou e não fez, os próximos nove episódios vingaram. Acompanhamos a batalha de Bridget para tentar não dar bandeira sobre a troca. A fúria de Siobhan ao ver que seu plano começou a fracassar. E ainda ver a irmã tomando o lugar de sua vida. Vemos também que Siobhan coloca um “amigo” na vida de Bridget. Este, vindo diretamente dos “Narcóticos Anônimos”, passa a vigiar a vida da ex-viciada e relatar tudo para Siobhan que assim como nós só vem curtindo essa história. E mesmo as histórias mais patéticas, como a do amante Henry também se tornaram atraentes. Henry passou os primeiros episódios lamentando por ser o amante jogado fora pela irmã falsa, que está colocando a vida de Siobhan nos eixos. Mas depois que Gemma descobre da troca, da traição dos dois e tudo mais, ela simplesmente desaparece. Depois vemos Henry limpando sangue na parede do apartamento, e este passa ser o principal suspeito do desaparecimento da melhor amiga. O personagem teve ótimas cenas, e fez realmente nos achar que fora ele o culpado disso – com direito a discurso de “Eu não matei Gemma” (só para nós, simples e humildes telespectadores sermos enganados, achando que ele de fato era o assassino).

Claro que assim como eu, você provavelmente ficou surpreso ao descobrir que quem estava por trás disso tudo era a verdadeira Siobhan. Que mulher esperta. E deve ter ficado mais surpreso ainda ao ver que, um amigo de Bridget que ela conhecera nos Narcóticos Anônimos, o Charlie, era o cara mandado por Siobhan para vigiá-la, e a voz misteriosa por trás do telefone que estava por trás da maioria dos problemas causados a Bridget em sua nova vida. Aliás, posso qualificar Ringer com duas palavras: Surpresa e Aflição. Putz. Eu tenho certeza que você bateu muito em alguma almofada, ou se remoeu em diversas cenas desses primeiros episódios. Pode ser franco. Eu fui um dos que gritei com a TV. Principalmente depois que descobrimos (meu Deus, mais descobertas? Tá gente, irei acrescentar nas características a palavra “descobertas”) que Gemma não está morta. Ela passou esse tempo sumida no galpão na casa de Charlie. A cena em que Malcom, revistando a casa de Charlie, acha uma porta trancada – que é justamente a que Gemma esta presa, causa uma aflição enorme. Depois disso tudo, Charlie assume o controle da situação, tenta pedir resgate pela arquiteta, mas não dá certo. Atira em Gemma e a coloca no porta-malas do seu carro. Quando este o abre para se livrar do corpo… (pausa dramática galera, porque foi realmente necessário): GEMMA NÃO ESTAVA LÁ. Caramba, vocês também precisaram de desfibrilador no último episódio exibido? Foi sensacional. Gemma lutou contra Charlies, bateu, espancou-o, tentou fugir, mas…não conseguiu mesmo escapar. Foi morta e dessa vez, agente viu. Uma pena, pois comecei a gostar da personagem, e acho que ela poderia ajudar Bridget nesta empreitada.


Claro que a série não é um mar de histórias boas e perfeições. As histórias de Juliet, filha de Henry são bem CW, e a atriz me desculpem, mas é bem Gossip Girl. Terminou dando em cima do professor, e alegando no último episódio que foi estuprada por ele. Sinceramente? Achei papo furado dela, e vocês? Enfim. Temos também algumas pérolas, como os surtos e burradas de Bridget. Alguém sabe me dizer o motivo para fazer tanta coisa errada? A burrice máster dela, foi colocar suas digitais nas evidencias do assassinato de Gemma. Por que Bridget? POR QUEEE? Aliás, ela também merece o prêmio surto do ano pela cena no piloto, quando acha que Siobhan se matou. O lema da série na internet neste momento é o seu grito por: “SIOBHAAAAN, SHIOBHAAAN”. Realmente hilário.
Bom, se eu tinha alguma dúvida de que Ringer não me prenderia, o décimo e último episódio antes da pausa foi o divisor de águas e definitivo para isso! Começo a torcer por Bridget e Andrew que fazem um casal legal. Os dois tem bastante química. Espero que Malcom não atrapalhe esta história. Além deisso, temos toda aquela aflição com Gemma, em que a verdadeira Siobhan demonstra um certo desespero com a situação. E ao mesmo tempo uma tranqüilidade. O plano dela foi por água abaixo, aparentemente. O sequestro de Gemma saiu fora de seu controle. Mas Siobhan tem um propósito. E mesmo não sabendo que a sua irmã ainda está viva, Bridget esta começando a ligar as coisas, e sabe que tem algo mais envolvido. E agora, que Siobhan está de volta a Nova York, as duas irmãs estão mais próximas do que Bridget pensa. Ao som de “Rumour Has It” de Adele, os episódios se encerraram magnificamente.

Enfim, como esses comentários, acho que você já deve ter percebido o porque de Ringer ter me cativado. Tentar manter o espectador, como disse no início é essencial para o retorno. E a série tem feito isso muito bem ao longo de seus dez primeiros episódios. Os propósitos de diversos personagens ainda estão no escuro, e com dúvidas a respeito. Mas Ringer é isso. Aos poucos a história vai sendo oferecida ao espectador, com mais uma peça do quebra cabeça, mas parece que quando uma se encaixa, outra solta. Afirmo e indico para não julgar Ringer pelo seu título, pela sua premissa ou pelo seu piloto. E eu realmente tenho boas impressões sobre esses episódios, e boa expectativa sobre o que virá. O que temos que fazer agora é esperar até janeiro para termos algumas respostas – ou não: qual o objetivo real de Siobhan? Bridget será desmascarada e presa? Juliet foi estuprada? Andrew e Bridget continuarão juntos? Veremos.

Séries citadas:

Mineiro, professor e aficionado por séries. No TeleSéries resenha as séries Hawaii Five-0 e Saving Hope. Mas também é apaixonado por Grey's Anatomy,'CSI, Rookie Blue, The Vampire Diaries, The Good Wife, Homeland, The Walking Dead e muuuitas outras...

14 Comments

  1. Claudia Braga

    Eu também estou gostando da série, apesar de achar que o canal que exibe é meio sem noção, rsrsr Mas acho que tem mesmo potencial pra crescer ainda mais! Valeu pelo texto.

  2. Liih

    Graça a vc agora eu vou acompanhar Ringer :D
    Eu to MEGA ANSIOSA pra saber oq estar por vir!
    Ameei o balanço, parabéns..

  3. Cleide Pereira

    Anderson li …. e parei tá ?
    acompanho pelo Studio e spoiler sobre a Gemma não queria ler mas concordo com tudo que vc caprichosamente disse
    adoro a Sarah desde Buffy e me alegrou vê-la de volta a telinha

    o piloto realmente foi fraco mas os episódios seguintes me pegou mesmo, a cada episódio fico ansiosa pra saber o que vai acontecer e me supreendo cada vez mais
    então vou continuar nas aflições e nas surpresas que ainda estou por ver

    :D

  4. Bruno

    Eu acho que Buffy, digo, Sarah, ficaria melhor no papel de Emily VanCamp em Revenge, que tem uma historia melhor e com mais pano pra manga, mas na qual VanCamp está meio sofrivel (sem contar muito nova para tanta preparação de vingança).

    Estou acompanhando as duas, e também Homeland – o que foi uma grata surpresa nessa season que acabou.

    Quando os executivos da TV vão aprender que hiato “mata” interesse por serie? Deviam ter aprendido com 24h…

  5. Maria Clara Lima

    É a Sarah Michelle Gueller gente. Na CW, gente! Se a série fosse ruim já valeria a pena. Acho que Ringer é o típico caso de julgamento pelo piloto. Piloto cretino – até com referência a Hitchcock mas cretino. haha

  6. Roosevelt

    Eu quase desistia de RINGER por conta do canal UNIVERSAL, mas ainda bem que dei uma chance e realmente a série me pegou. Parabéns pela análise da série Anderson.

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