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Reviews

Review: Torchwood – Combat

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Cena de CombatSérie: Torchwood
Episódio: Combat (Combate)
Temporada:
Número do episódio: 11
Data de exibição na Inglaterra: 24/12/2006
Data de exibição no Brasil: 13/11/2007
Emissora no Brasil: People+Arts

Há muito tempo eu venho dizendo que não gostei desse episódio, mas que havia a possibilidade de ao revê-lo eu mudar a minha visão. Pois bem, a mudança não foi radical, mas consegui achá-lo um pouquinho melhor do que antes.

Já começamos com uma pequena alteração: flashbacks de Owen e Diane durante o famoso bordão inicial. Fica patente que o enfoque da vez será mais uma vez Owen Harper (para desespero de muitos).

O episódio começa com Jack perseguindo um Weevil (e não se dando muito bem, diga-se de passagem) e Gwen jantando com Rhys. Jack a vê pelo lado de fora do restaurante e solicita sua ajuda e ela prontamente aceita, pois obviamente vinha procurando uma forma de se livrar do jantar com o namorado. Rhys não gosta nadinha da idéia de Gwen sair mais uma vez sem dar uma explicação adequada, e pior, demonstrar que preferia estar em qualquer outro lugar menos ali com ele.

Jack e Gwen encontram o Weevil, somente para vê-lo sendo raptado por homens encapuzados. De volta à base, o grupo tenta entrar em contato com Owen, sem sucesso. O médico estava se martirizando pela partida de Diane em um bar e diligentemente ignorando as chamadas no celular. Totalmente deprimido, acaba entrando em uma briga no bar com o namorado da garçonete.

Toshiko consegue localizar a van que capturou o alienígena e ela e Jack vão até o galpão onde o carro havia estacionado. Lá encontram o corpo de um homem completamente destroçado por um Weevil, mas também cheio de hematomas feitos por humanos. O celular do homem morto toca e Jack atende, prometendo caçar e destruir quem quer que tenha levado o homem à morte.

Finalmente conseguem entrar em contato com Owen que faz uma autópsia no corpo e decidem procurar a imobiliária que alugou o galpão. Owen é o escolhido para se passar por um empresário em busca de um imóvel.

Enquanto isso, Jack ordena que Gwen vá para casa e passe algum tempo com Rhys, mas em represália ao comportamento que a namorada vem apresentando, ele decide sair com os amigos e deixa a policial em casa sozinha.

Owen se infiltra na imobiliária e conhece Mark Lynch, um sujeito que parece conhecer o íntimo de Owen e o seu desespero por um sentido na vida. Os dois marcam um jantar para o mesmo dia, onde Owen reencontra o sujeito com quem brigou no bar anteriormente e mais uma vez resolvem os problemas na pancadaria.

Mark parece encantado com toda a raiva que o médico guarda dentro de si e o convida para ir à sua casa. Lá, Owen descobre um Weevil aprisionado e sendo usado como ‘saco de pancadas’ por Lynch. O corretor demonstra saber que Owen faz parte do grupo que o vem seguindo, mas mesmo assim o convida para conhecer o que seus amigos vêm fazendo com as criaturas.

Nesse meio tempo, Jack e Ianto interrogam uma outra vítima que sobreviveu aos Weevils e tomam conhecimento das atividades do grupo de Lynch. Assim, decidem soltar um dos alienígenas que mantêm na base para conseguirem chegar aos humanos que têm se aproveitado das criaturas. Infelizmente durante a perseguição acabam perdendo contato com o Weevil e voltam à estaca zero.

Gwen por sua vez, espera Rhys em casa e decide contar a ele que o traiu com Owen, mas covardemente usa retcon no namorado para que ele não se recorde da confissão no dia seguinte. A reação não é a esperada e Rhys pega no sono antes de ter a chance de perdoá-la (ou não).

Desesperada, Gwen volta à base da Torchwood, onde percebe que o celular do homem morto recebeu uma mensagem, informando o local de um encontro. Ela se comunica com Jack e todos vão até o galpão, onde descobrem uma espécie de clube da luta.

Owen é o lutador da vez e encontra-se encerrado em uma gaiola juntamente com um Weevil. Jack intervém, o Weevil se descontrola e ataca Owen, mas é impedido por Jack que atira na criatura.

Mark, ao ver o que acontecia ao seu redor, entra na gaiola e é morto brutalmente pelo alienígena, sem que Jack faça qualquer coisa para ajudá-lo.

Owen termina o episódio observando os weevils aprisionados por Torchwood, comparando a reação animal que ambos possuem.

*********

Primeiro, é sempre bom saber que o roteirista desse episódio foi Noel Clarke, mais conhecido dos fãs do whoniverse por ter interpretado Mickey nas duas primeiras temporadas do novo Doctor Who. Eu não gostava do Mickey lá, e não gostei muito do seu roteiro aqui. Tive a sensação de estar assistindo o primo pobre de Clube da Luta. Até o discurso do Tyler Durden o Lynch fez.

Vejam bem, eu gosto da exploração da natureza violenta que todo ser humano tem. Clube da Luta é um dos meus filmes preferidos. Mas aqui tudo pareceu meio fora de propósito. Eu sinto que a colocação desse episódio nesse ponto da série não foi acertada. Eu creio que não havia espaço para esse episódio nessa temporada, fosse aqui ou em qualquer outro ponto. Até entendo a necessidade de demonstrarem o declínio do Owen, já que isso será o ponto nevrálgico dos próximos dois episódios, mas a forma como tudo foi feito não me agradou.

Owen é um ser humano vazio. O seu sarcasmo e crueldade é apenas uma demonstração do quanto a vida é sem sentido para ele. Diane supostamente veio preencher esse vazio. Tolice! Em momento algum eu enxerguei amor da parte do Owen. Ele é obcecado, eu já disse isso. É verdade que sua vida não tem nada de real valor, mas colocar em uma mulher que se sente tão perdida no tempo e com as pessoas ao redor dela como ele se sente, só poderia acabar desse jeito.

Deixem-me retificar minha frase: a vida do Owen tem coisas de valor, ele é que nunca se deu conta disso. Jack daria a vida por ele, Tosh o ama de todo o coração, Gwen, independente do seu ‘affair’ o vê como alguém que merece consideração e até respeito, e Ianto…bom, esqueçam Ianto nessa explicação. Mesmo assim o médico é tão centrado em si mesmo que não percebe que tem muito mais do que muita gente. E por isso se jogou de cabeça num relacionamento fadado ao fracasso. Era como se quisesse alimentar algo que o levasse obrigatoriamente à ruína.

Cena de CombatE foi justamente a perda que o levou ao clube da luta de Lynch. Não a perda de Diane, mas a perda de si mesmo. Owen simplesmente não sabia mais quem era e isso, meus amigos, realmente deflagra uma raiva que não se tem como explicar. Por isso quando chegou a hora de lutar com o Weevil, ele relaxou e aproveitou o momento. Owen estava cansado de si mesmo, e, acredito eu, principalmente cansado de perceber que não poderia mais se esconder no seu egoísmo. Torchwood também o estava mudando, mas não exatamente para pior como aconteceu com Gwen, e não estou muito certa que ele saiba lidar com isso.

Agora, perceberam que pelos comentários até parece que não achei o episódio tão ruim. Não se deixem enganar. Construir um raciocínio é possível mesmo com um roteiro ruim.

Mas para esse texto não ficar quilométrico, vamos prosseguir. São dois os motivos para eu ter odiado menos o episódio dessa segunda vez que assisti:

1º) Foquei em outros pontos. No caso, no restante da equipe. Na primeira vez meu foco estava exclusivamente no Owen.

2º) Entre a minha primeira vez e a segunda, li vários reviews e discussões acerca do episódio. Quase todo mundo concorda que o episódio é o mais fraco e totalmente fora de lugar na temporada, mas ler a indignação de todos me forçou a olhar para os pontos positivos. Até porque eu tinha que fazer a resenha e não queria ficar xingando o pobre coitado do Owen do início ao fim.

Então, vamos falar da Gwen. Dessa vez a policial deu com os burros n’água. Aprontou com o namorado até agora, excluiu Rhys de seu dia-dia, vinha sentindo o reflexo da vida dupla que tem levado (não apenas com Owen, mas com a própria Torchwood), e pagou o preço por isso. Estava tão centrada em si mesmo, que sequer chegou a perceber que Owen tinha se ‘apaixonado’ por Diane. Foi preciso Tosh lhe avisar do relacionamento. (A propósito, Tosh, apesar de tudo, nunca deixa de perceber Owen) E eu creio piamente que foi somente porque ele pôs um fim ao caso deles que Gwen procurou Rhys. Não porque amasse Owen, ela nunca amou. Na verdade, nunca duvidei dos seus sentimentos pelo namorado, mas ela ficou tão encantada com a vida que Torchwood lhe proporcionou e com a desculpa perfeita para experimentar novas emoções e deixar seu lado mais agressivo e safado finalmente sair, que ela simplesmente colocou o namorado de lado.

Não foi apenas agora que ela percebeu que as coisas com Rhys estavam afundando, mas ela não tinha coragem de tomar alguma atitude em relação a isso. A reação de Owen foi o pontapé que desencadeou sua atitude. Infelizmente, sua decisão foi tão covarde quanto a que vinha tomando até agora. Confessar sob a segurança do retcon é a covardia máxima. Jogar a bomba apenas para sentir-se perdoada foi o cúmulo do egoísmo. Nesse momento devo parabenizar Noel por ter escrito essa cena exatamente desse jeito. Foi ótimo ver Rhys dormindo sem lhe dar o tão sonhado perdão. E foi ainda melhor vê-la sozinha na base, sabendo que a vida está desmoronando e que é bom ela tomar alguma atitude corajosa em relação a isso rapidamente, se é que quer manter alguma coisa no lugar.

Eu quero vê-la bem com Rhys, de verdade. Mas quero que seja de uma forma real e não movida apenas pelo egoísmo e culpa. Rhys merece o respeito de Gwen, muito mais do que qualquer outro ali.

E como eu já escrevi demais, quero só comentar mais uma coisinha: finalmente Ianto e Toshiko apareceram mais. Amei ver o Ianto finalmente saindo da base, chegando até mesmo a ir com Jack ao interrogatório daquele membro do clube. E a reação da Tosh ao perceber que Jack fez do pobre Weevil uma isca…mas me pergunto se o Jack realmente não colocaria um humano ali…sei não.

Inclusive, gostei muito do final, quando o Jack demonstra mais uma vez que pode sim tomar decisões difíceis, e assim como já havia feito ao entregar Jasmine às fadas, aqui entregou Mark à morte certa nas mãos do Weevil. Há momentos que até eu tenho medo do Jack. Ele tem uma humanidade como poucos possuem, mas quando deixa seu lado mais profundo falar, saiam de perto.

E lembrei-me de algo agora. Lynch comenta com Owen que os Weevils somos nós milhares de anos à frente, quando tudo o que nos restar for a nossa raiva. Seria interessante se na verdade os Weevils fossem humanos modificados, não? Improvável, mas interessante mesmo assim. Por algum motivo lembrei-me do episódio final da terceira temporada de Doctor Who (que ainda não passou aqui). O que é a humanidade quando tudo o que a define é tirado dela? O que realmente resta dentro de cada um de nós?

Só mais dois episódios. Espero com todas as minhas forças que eles não cortem o episódio seguinte. Jack Harkness é lindo por tudo o que traz implicado em suas cenas. Se cortarem o impacto não será o mesmo.

Séries citadas:

Michele Reis Martins, a Mica, é advogada e mantém o blog Esperando o Esperado. Fã de Arquivo X, Highlander, Buffy, Doctor Who e sci fi em geral.

6 Comments

  1. Daisy

    Acho que será bem provável eles mutilarem ou eliminarem o próximo episódio. É ridículo o que o People&arts faz com os seriados.

  2. Olga Nogueira

    Gwen é um absurdo de egoísmo. Não creio que Rhys adormeceu com a pílula do esquecimento antes de poder perdoá-la. Quero crer que ele não queria perdoá-la e torço para que ele se revolte com o tratamento que vem recebendo de Gwen e a abandone. E ela não ama Rhys coisa nenhuma, Mica. Nem Rhys, nem Owen, nem ninguém. Ela só ama a si mesma e talvez correspondesse ao Jack, caso ele viesse a se apaixonar por ela, por ele ser o líder de Torchwood e também por ela saber que ele é imortal. Tudo isto lhe daria status. Gwen é uma pessoa péssima.

  3. Olga Nogueira

    Acho curioso vc chamar Owen de médico. Nuunca percebi qualquer atitude médica da parte dele. Acredito que essa seja a profissão dele mas que ele não exerce em nenhum momento ali. Ele me parece correr atrás das estranhezas que surgem do mesmo jeito que os outros. Somente Toshiko me parece ser especializada em algo, no caso computação.

  4. Will

    Hola,
    Pessoal, não gostei muito deste deste episódio (nota 8,5)…para mim Torchwood é Jack Harkness. Eu não tenho duvidas sobre o próximo episódio, tenho certeza que o People&Arts vaí CENSURA. Vou gravar só para ver o que rola.
    Will

  5. Mica

    Owen mesmo já disse que ele gostava da medicina na teoria, mas quando chegou à prática não foi muito agradável para ele. Basicamente ele a pratica nas autópsias ou quando um dos membros do grupo se machuca.

    Ontem revi o próximo episódio (Jack Harkness) e fiquei encantada mais uma vez. E até imagino quais serão os 20 segundos cortados. E até dá para fazer o corte sem dar muito na vista, infelizmente. Mas será que só cortarão essa cena? Sei não…

    Não farei maiores comentários agora pq tenho que sair. E desculpem-me por ter escrito tanto…no próximo eu falo menos, eu prometo.

  6. Thiago FLS

    Realmente, “primo pobre de Clube da Luta” é uma boa maneira de definir esse episódio. E já deve ser o quarto episódio que termina com Jack resolvendo a situação na base do “deixa rolar”, que era interessante no começo, mas já está virando um clichê.

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