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Review: The O.C. – The End’s Not Near, It’s Here

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Cena de The End's Not Near, It's HereSérie: The O.C.
Episódio: The End’s Not Near, It’s Here
Temporada:
Número do Episódio: 92
Data de Exibição nos EUA: 22/2/2007
Data de Exibição no Brasil: 12/4/2007
Emissora no Brasil: Warner

Welcome to The O.C. Bitch! Assim fomos apresentados a uma série com trajetória polêmica e discutível, causadora de uma rápida relação de amor ou ódio. No piloto conhecemos personagens que nos marcariam por anos e que conseguiriam criar um nível de empatia com o público dificilmente encontrado em outras séries. O show tinha essa grande proposta de querer expor a elite de um dos condados mais ricos dos Estados Unidos e mostrar que mesmo com seu estilo de vida luxuoso e controlado, esses milionários californianos não levavam a perfeita vida que tanto gostavam de exibir à sociedade. Orange County foi sem dúvida uma ótima escolha de locação. Contendo todos os atrativos possíveis para a formulação de boas histórias para jovens, como as famosas festas de biquíni nas casas de praia, a série tornou-se sensação teen e projetou seu quase desconhecido elenco ao estrelato. Mas The O.C. não se baseava somente nisso. As tramas adultas envolvendo traições amorosas e corporativas acabavam por atrair um outro nicho de telespectador, juntando famílias inteiras para assistir a esse guilty pleasure.

É nesse contexto que é construída a antagônica e viciante premissa da série. Criando um ciclo representativo, Sandy incorpora um garoto pobre vindo de um bairro marginalizado dentro dessa comunidade que não costuma ser hospitaleira com seus novos membros. Ryan, o garoto do gueto, desencadeia a queda dos padrões, das máscaras e das mentiras que seus novos vizinhos haviam erguido e construído para viverem no status e na posição social que o dinheiro exige das pessoas. Ele representa ainda a dualidade – destruindo as aparências das relações e das reações que não já não existiam ou não eram inerentes a esses personagens, ele acaba por salvá-los, dando a oportunidade de se encontrarem e serem verdadeiros na busca por si mesmos.

No finale temos a resolução dessa trama de uma forma brilhante. Tudo se encaixou perfeitamente. Os simbolismos e as referências usadas deram um bonito toque de continuidade à série. E mesmo parecendo meio corrido com os pulos no tempo de uma novela global, Josh Schwartz conseguiu fazer um bom trabalho, cumprindo a missão de terminar sua série em somente 43 minutos.

Os acontecimentos são retomados seis meses após o terremoto e esse pulo teve fator crucial para o episódio não ficar muito arrastado e preso aos reflexos da tragédia na vida de cada um. Ao mesmo tempo em que não vemos, a série foi competente o suficiente para explicar sua elipse nos deixando a par desses fatos. Alguns podem dizer que o terremoto foi algo forçado ou até mesmo desnecessário, mas a importância dele para o final da série é imensa. A partir dele, é como se os personagens e as histórias recomeçassem, tivesse um novo amontoado de situações a serem resolvidas para finalmente terminar.

Os Cohen mudaram-se para a casa da Julie e Ryan e a Taylor tentaram fazer com que seu relacionamento desse certo, mas acabaram terminando por algo banal, como quase aconteceu em episódios anteriores. Seth e a Summer entraram na terrível rotina antes mesmo do casamento. Julie engravidou de Frank e este a largou, deixando o caminho livre para o Bullit voltar. Tudo isso foi explicado na primeira parte que flui como qualquer outro episódio de The O.C. Temos momentos leves e de descontração na cozinha, só que dessa vez na casa das Cooper. Somos cúmplices do último plano arquitetado por Ryan e Seth ou os bonitos momentos em que os Cohen encontravam-se reunidos decidindo seu futuro.

Mas é na parte final que temos as grandes resoluções da série. O pequeno cliffhanger deixado sobre qual seria o homem escolhido por Julie foi bem legal. Gostei dessa história, apesar de ficar bem novelinha a Kirsten e a Julie grávidas no mesmo ano. O Frank se arrependendo após levar uma dura da Kaitlin e correndo até a mesma capela que apareceu nos dois primeiros finais de temporada da série foi de bom gosto, principalmente por zuar com esse grande clichê, ao passo que Frank acaba se declarando por Julie no viva-voz. Ela acaba escolhendo por ficar solteira e em um dos melhores finais de personagens, ela contradiz tudo aquilo que sempre buscou por todas as temporadas. A Julie sempre foi dependente dos homens, tanto financeiramente quanto emocionalmente. Vê-la buscando encontrar um caminho por si só, sem precisar de nenhum apoio é um dos maiores sinais de crescimento e amadurecimento que um personagem já mostrou. Foi muito tocante podermos ver essa mudança da bitch manipuladora e egocêntrista que conhecíamos no passado, fechando o ciclo da personagem de maneira excelente.

Outra questão que tinha ficado em aberto era a proposta feita pelo GEORGE para Summer. Na alusão ao reality show Deal or No Deal, “Briefcase or No Briefcase” foi a válvula que o casal encontrou após o terremoto, que acabou os levando para uma comodidade e uma rotina nada saudável. Mostrando outro grande amadurecimento necessário e tão esperado pelos fãs, Seth finalmente percebe que não é suficiente somente manter aqueles que amamos ao nosso lado, certas vezes é melhor deixá-los ir para um futuro melhor. É com essa filosofia que ele incentiva sua amada a colocar o pé na estrada e se dedicar a aquilo que tanto aprendeu a amar. É bonito ver que depois de tanto tempo, dele não sendo capaz de deixar o Ryan partir no final da primeira temporada ou até mesmo sempre tentando conquistá-la e mantê-la ao seu lado, ele é capaz de deixá-la ir.

Cena de The End's Not Near, It's HereNa cena da despedida temos um dos momentos mais tocantes do episódio, pois você realmente consegue sentir que ela acredita que ele é o destino dela, e mesmo indo salvar o mundo, eles são daqueles casais que mesmo separados, sempre serão um casal. O serão, pois presenciamos ao final do episódio o casamento dos dois. Mesmo não deixando nada para a imaginação em se tratando de Seth e Summer, foi um ótimo final, e a colocada de língua para fora dela revelou aquilo que eles sempre foram, o elo leve e descontraído da série por todos esses anos.

Ryan e Taylor sofreram para chegar até aqui. Ela teve que fingir ser sua terapeuta de sono, lutar contra a sombra da Marissa na vida dele, vestir uma fantasia de marmota e até mesmo aturar a dificuldade de expressão característica dos Atwood. E, depois disso tudo, a relação que ajudou a salvar essa quarta temporada termina a série de forma subentendida. Foi legal o Josh prestar esse respeito aos velhos fãs da finada Marissa, mesmo que o olhar trocado no casamento do Seth e da Summer deixe aquela sensação de que eles ainda sentem algo um pelo outro depois dos anos em Berkeley e na Sorbonne. Foi legal também saber que eles finalmente transaram, já que a química entre eles era inegável.

O Sandy conseguiu o que ele sempre desejou: deixar Newport para trás. Muito tocante vê-los empacotando toda a casa que tanto estávamos acostumados a assistir – e até mesmo utensílios o cortador de bagel, ferramenta essencial na cozinha dos Cohen. A idéia partiu do Seth e do Ryan, que acabam entrando em uma cruzada para recuperar a sua antiga casa em Berkeley. Adorei esse arco, pois foram inúmeras as referências aos tempos de faculdade da Kirsten e do Sandy e ver isso representado no final deu um grande significado a história do casal. Gostei do detalhe do novo dono da casa ser o garçom que vivia aparecendo na primeira temporada, além é claro das forçadas de barra como ele ser planejador de casamentos e seu parceiro um “parteiro”. Além disso, gostei do simbolismo da Kirsten dar a luz à Sophie Rose Cohen na mesma casa que o Seth nasceu. Uma boa forma de fazer os personagens seguirem com suas vidas.

A partir daí temos as resoluções finais dos demais personagens. Kaitlin vai para a faculdade e aparentemente parece estar se dando muito bem por lá, talvez pondo em prática seu lado superdotado antes visto no The Chrismukk uh? Julie também vai para a faculdade e se forma aos gritos de sua mais nova família vestindo a camisa do Time Julie. Sandy vira professor de direito na universidade. Ryan se torna arquiteto e, cumprindo o mito da caverna, encontra um garoto, assim como ele no piloto, sem destino e futuro, e o oferece ajuda. Completando o ciclo do personagem de uma forma esperada mas bem significativa, esse final acabou por dar significado e importância para todas as quatro temporadas que acompanhamos. Já que assim como Ryan ganhou uma nova vida ao se tornar um Cohen, ele trouxe vida para sua nova família, ele proporcionou a Marissa mais três anos de vida e agora ele é capaz de dar essa chance a um outro garoto, a chance de mudar a sua vida e a de tantos outros.

Outro elo importante que a série mostra é a constante lembrança à Marissa, mesmo em seu final. Quando Summer entrega o colar à Julie e ambas começam a chorar uma no ombro da outra, temos um dos momentos mais comoventes da série. E o flashback da Marissa, ali na calçada do episódio piloto, sendo ela a última imagem que o Ryan tem antes de deixar Newport para sempre é de uma significação tão profunda e bonita que novamente ratifica a importância dessa personagem para a trama e principalmente para a vida de Ryan.

Olhando para trás e assistindo à primeira vez que os versos “California, here we come” foram tocados, é nítido o quanto os personagens cresceram e mudaram. Eles nunca foram construídos em sua maioria para serem amados ou idolatrados, mas foram idealizados na proposta da identificação. Mesmo vivendo as situações mais absurdas, você acabava por se enxergar nas reações, nas nuances de temperamento de cada um.

E mesmo partindo agora, eles nos deixam com a certeza de terem vivido, é certo que no meio de grandes dramas muitas vezes inacreditáveis, mas viveram. E o propósito da vida não é simplesmente esse, ser vivida ao extremo? Vinicius de Moraes já dizia que a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro nessa vida. The O.C. pode muito bem ilustrar essa frase na trajetória que seus personagens traçaram por esses quatro anos. Vimos relações começarem, famílias serem perdidas e formadas, amizades serem fortalecidas a cada dia e outras arrancadas, amores começarem, morrerem a beira da estrada ou viverem felizes para sempre. Acompanhamos momentos de alegria e comédia, momentos de tristeza e decepção, mas acima de tudo, acompanhamos o nascer e o desenvolver de uma das mais bem fundamentadas séries da atualidade. Nunca se deixando levar muito a sério, The O.C. marcou toda uma geração com sua música, suas histórias, seus personagens e sua cultura pop.

Cena de The End's Not Near, It's HereComo eu. The O.C. foi a primeira série que comecei a acompanhar e ela foi capaz de me apresentar um mundo novo, um mundo no qual eu podia me identificar e me encontrar naqueles personagens tão característicos e herméticos, mas ao mesmo tempo tão fáceis de serem refletidos em qualquer um. Agradeço por tudo aquilo que a série representou pra mim, refúgio em certos momentos e puro divertimento em outros. Agradeço pela oportunidade dada pelo TeleSéries de poder narrar e detalhar mais os episódios numa época em que todos acabavam com o show. Agradeço aos que leram minhas colunas e que guardem na memória os bons momentos de The O.C., sua primeira e para sempre lembrada temporada, os pontos altos da segunda (como o beijo Homem-Aranha), relevem o fracasso de alguns episódios da terceira e se deliciem sempre com a renovação que a quarta temporada nos trouxe.

É certo que The O.C. se foi e que a Califórnia nunca mais será a mesma, mas personagens como Ryan, Seth, Marissa, Summer, Kirsten, Sandy, Julie, Taylor, Caleb, Luke, Anna, Oliver, Kaitlin, Alex e tantos outros, permanecerão no nosso imaginário para sempre. Parabéns The O.C. pela sua jornada, tenha certeza que não serás esquecida tão cedo.

You say life is a song, but you’re scared to sing along, until the very ending.

Séries citadas:

É jornalista, pós-graduado em Jornalismo Digital pela Pucrs e trabalha com produção de conteúdo para Internet desde 1995. É editor de internet do Jornal do Comércio, de Porto Alegre. Fundou o TeleSéries em agosto de 2002. Na época, era fã de The West Wing, The Shield, Família Soprano e Ed. Atualmente é viciado em The Good Wife, NCIS, Game of Thrones e Parks and Recreation.

51 Comments

  1. Wilian

    The OC foi a melhor série do gênero. As histórias , as músicas, tudo será lembrado e transmitido de geração para geração.
    Como você disse , The OC me amparava nos momentos em que eu precisava. Eu posso dizer tbm que a série me ensinou muita coisa!
    Me arrependo muito de não ter acompanhado a série em tempo real e ter vivido a ansiedade pelo episódio e ter me emocionado ainda mais. Mas por outro lado eu agradeço por eu ter ,mesmo tarde demais, começado a acompanhar a série.Afinal, nunca é tarde demais !

    Considerações ao Josh Schwartz

    Josh foi um excelente diretor executivo e criador dessa série. Uma enorme salva de palmas a ele!

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