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Review: The L Word – Losing the Light

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Cena de Losing the Light
Série: The L Word
Episódio: Losing the Light
Temporada:
Número do Episódio: 36 (3×10)
Data de Exibição nos EUA: 12/03/2006
Data de Exibição no Brasil: 15/10/2007
Emissora no Brasil: Warner

Eu já comecei este texto umas dez vezes, de dez formas diferentes. Não dá. É difícil escapar do impacto da cena final, da Alice sentada no chão do corredor ao som de “You Are My Sunshine” sendo tocada por uma flor cantora. A estrutura toda do episódio (sete narrativas simultâneas, todas ocorrendo em tempo real — o reloginho à la 24 Horas não nos deixou esquecer disso) foi montada para culminar neste momento; por mais que ele tenha sido um oásis de qualidade em meio a esta temporada bastante irregular, e por mais que eu considere que este é o melhor episódio da série nas quatro temporadas, é difícil. É dolorido falar deste episódio, porque este vai sempre ser conhecido como “aquele em que a Dana morre”. E eu nunca tinha perdido um TV-friend antes; ou melhor, perdi vários, mas sempre para o cancelamento, nunca para a morte.

A ironia deste episódio é que ele não tem uma única cena de grupo, porque cada uma estava lidando com uma situação particular específica, mas pela primeira vez na temporada eu tive a sensação genuína de que elas são um grupo de amigas. Talvez porque nem sempre é a proximidade física que garante um relacionamento significativo, mas sim algo menos palpável, uma certa conexão espiritual que te faça sentir sozinho, mas nunca solitário. Não sei.

Então que neste episódio tivemos Bette fugindo do retiro espiritual (lembra do final do episódio anterior, quando ela diz “eu preciso da minha casa, da minha arte”? Eu acho que eu me sentiria do mesmo modo) e fazendo terapia de grupo em uma parada de ônibus com quem eu acredito sejam os membros ostracizados da família Manson. Tivemos Helena em uma audiência referente à denúncia de assédio sexual de Dylan (e descobrimos que na verdade foi o namorado dela quem armou todo o plano, para se vingar da Fundação Peabody por nunca ter aprovado nenhum de seus projetos anteriormente); tivemos Shane e Carmen na maior DR (“discussão da relação”) da história da série; e tivemos Kit enfrentando sua insegurança com relação a Angus, o tipo de insegurança que só se tem quando se resolve apostar no que é novo, quando é necessário se entregar.

Nós vimos Tina começando um relacionamento sério com Henry e mais uma vez tendo que lidar com a percepção geral de que sua filha é adotada por ser de outra raça (e o fato de que ela agora está com um homem, e esse homem é branco, não ajuda muito a desfazer o equívoco). Eu devo admitir, eu fiquei um pouco incomodada que ela não tenha respondido ao casal que a interpelou algo como “estão enganados, ela é minha filha natural”, ou até mesmo um “por que eu deveria falar da minha vida pessoal com estranhos completos? Passar bem” (eu sou tosca, não adianta). Agora, falar isso estando de fora é fácil; mas quantas vezes não aconteceu de pessoas me interpelarem, me dizerem algo altamente invasivo, e apenas horas depois eu ter pensado “mas eu deveria ter dito tal e tal!”, só para me consumir de culpa depois por ter ficado quieta feito uma palerma? Então, não posso atirar a primeira pedra.

Enquanto isso, Tim, o ex-marido de Jenny, está visitando a cidade, e ele, Jenny, Max e Becky, a atual esposa de Tim, participam de um “encontro de casais”. O encontro deles rende a melhor tirada do episódio: após Jenny ter feito toda uma cena sobre como Max era uma garota e agora é um transexual pré-operação (deixando Max visivelmente embaraçado, por que Jenny, sendo Jenny, conseguiu fazer essa revelação com o pior timing possível), Tim responde para a esposa, meio resignado:

Becky, se prepare: da próxima vez que virmos Jenny, é provável que ela esteja com um pastor alemão. Não adianta. Isso é clássico dela: não basta só ser lésbica, ela agora também tem que ter uma namorada que é um namorado.

Tim: que saudades! Por favor, volte para a série, nem que seja só para cenas esporádicas dando a real sobre a Jenny, sim?

Cena de Losing the LightMas enfim… Este é “aquele em que a Dana morre”, e não tem como escapar disso. É também aquele em que a Alice fica do seu lado o tempo inteiro no hospital, é aquele em que Dana diz “eu te amo” para Alice, é aquele em que Tonya reaparece para uma participação especial (e eu tenho um medo dessa mulher!), é aquele em que Dana morre. Exatamente quando Alice resolve passear pela primeira vez em cinco dias. É aquele em que tiraram a vida de uma das minhas personagens favoritas, e eu não sei se foi a Erin Daniels que pediu para sair, se foi uma solução tomada no decorrer da trama para dar assustar mais mulheres com a possibilidade de câncer de mama (ok, eu marquei minha mamografia para a semana que vem depois desta), ou o que levou a Ilene Chaiken a tomar esta decisão. Só sei que eu não gostei. E que re-assistir este episódio, por mais bonito e bem feito que ele seja, é dolorido, e eu espero não ter que revê-lo tão cedo na minha vida.

Séries citadas:

é jornalista, professora de inglês e autora do blog Moda Fora de Moda. Fã de The Closer, The Office e How I Met your Mother, e viúva inconsolável de Arrested Development e Lost. Tem um gato chamado Tony Soprano.

55 Comments

  1. megaraah

    pergunta que pode ser de idiota, mas é de alguém q começou a assistir a série no youtube desde o 1 episódio e exatamente hoje chegou no 8 da terceira temporada. lógio q já fui pra frente e vi a cena mais comentada dessa pagina q obviamente tb me chamou muito a atençao, mas a cena em que a Dana tira o sutiã e mostra a operação para a Alice me tocou tanto, como parecendo que ela não teria coragem jamais de mostrar isso para a Lara ou para qualquer outrapesosa no mundo que não fosse a Al… a pergunta é… a Erin Daniels teve mesmo câncer na vida real? pois acabei de ler na wikipédia que a erin escutou na vida real as palavras “você temcancer de mama” (só procurar na wikipedia o nome dana fairbanks q no meio do texto tem).
    responde pra mim alguém?

  2. Helena

    Esse episódio foi o ápice de emoções, talvez onde ela quiz passar uma reflexão de como nós sempre ficamos inertes, sem poder mudar as coisas, de apenas aceitar, o que não foi fácil pra mim, confesso….uma morte a qual tenho certeza, ninguém esperava, onde cada uma de nós acreditava numa recuperação, talvez numa volta com Alice, todo mundo nutrindo uma esperança oca, frustrante, porém foi o impacto dessa morte que trouxe aos outros personagens um alerta….triste….

  3. Ana

    Eu havia visto o 4ª temp. na warner, mas parou d passar, então resolvi baixar as outras temporadas e estav assistindo ontem esse episódio…achei mto triste e inesperado!! A Dana não podia ter morrido!! Ela é uma das personagens que tinham q ficar na série até o final!! E tb o fato dela ter morrido de cancer…ela q era uma atleta com um corpo invejável, morrer com uma cicatriz enorme no seio (lembro do episódio em q ela mostra pra alice), careca, num hospital, sem ninguem ali com ela (isso pq a alice não saía do lado dela hora nenhuma, o dia q ela saiu pra passear um pouco, a dana morre…trágico!)!! Foi terrível!!

  4. Sergio

    Essa cena da Alice no corredor do hospital foi foda! Foi muito realista e chocante como algo que não esperamos na vida real e acontece… Quando a flor de brinquedo começou a cantar então foi sinistro.

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