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Opinião Reviews

Review: Ó Paí, Ó

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Cena de Ó Paí, ÓEu não tenho problemas em assistir cinema nacional, séries nacionais, novelas, etc. Se eu gosto, eu vejo. Quando assisti Ó Paí, Ó, o filme, lembro que a experiência foi das melhores. A história não era tão leve quanto eu pensava. E mais do que a alegria do Carnaval, souberam mostrar com competência a violência e os problemas enfrentados por aqueles que não podem pagar para usufruir de todo o ‘conforto’ disponível atualmente. No caso da Bahia, os preços abusivos do abadás.

Ao ler que o filme seria transformado em seriado confesso que fiquei com receio de mudarem a essência da história. Dar uma cara mais ‘sulista’ ao projeto para que o público da região sudeste ficasse mais aberto a ‘novidade’ de não se ver na TV. Coisa que os norte-americanos gostam muito de fazer quando adaptam séries de outros países. E que pode não funcionar e acabar não agradando ninguém. Como no caso de Coupling.

Acompanhando o site do seriado li duas declarações dos responsáveis por trás do projeto que dão uma idéia do objetivo da série. A diretora-geral Monique Gardenberg declarou que “vários assuntos sérios serão tratados com muito humor, de uma maneira leve”. Guel Arraes – de quem sou fã confessa – disse que “incluiu nos episódios muito da vivência das pessoas na Bahia, como é o dia-a-dia real delas, quais são as dificuldades que elas encontram, como é seu cotidiano”.

Cena de Ó Paí, ÓNo primeiro episódio posso garantir que tiveram sucesso em tratar com humor os problemas comuns a muitos de nós. A personagem Neusão – vivida pela atriz, desconhecida por mim, Tânia Toko, está às voltas com as dívidas que não param de aumentar por conta do dinheiro que não consegue arrecadar em seu bar já que ela vende fiado e raramente tem o retorno. Ela precisa também lidar com Queixão (personagem criado para a série e vivido por Matheus Nachtergale) que resolve vender bebidas na calçada em frente ao estabelecimento com preços bem mais baixos. Afinal, ele não paga imposto. E sabe Deus aonde consegue as mercadorias.

Durante todo o episódio todos os personagens por motivos diversos precisam de uma determinada quantia em dinheiro e nós acompanhamos as formas para se atingir o objetivo. E no final todos conseguem a grana (R$50,00) que passa de mão em mão até chegar as mãos de Neusão, que deposita a nota no banco, numa maneira bem interessante de apresentar ao público que não teve a oportunidade de assistir ao filme a ligação entre esses personagens. Além de uma crítica bem humorada a pirataria, a religião, as instituições bancárias – a cena do gerente do banco explicando a Neusão o porquê do aumento diários dos juros foi bem engraçada e ao mesmo tempo deu aquela raiva que só quem já pegou empréstimo sabe o que é -, a polícia e ao racismo.

Se eles tiveram sucesso em mostrar o cotidiano da parte da Bahia que eles retratam, isso eu já não posso saber. Afinal, eu não sou baiana e nunca sequer visitei Salvador (objetivo que pretendo alcançar em breve). A maior parte do meu ‘conhecimento’ sobre a Bahia vem de livros (Jorge Amado, João Ubaldo Ribeiro, etc) e da própria TV. E levando em conta que como carioca posso afirmar que nem todo mundo vive como nas novelas do Manoel Carlos e nem todo mundo ‘estuda’ como o povo de Malhação. Essa parte eu deixo para quem for da Bahia julgar.

Eu fiquei com vontade de acompanhar a história. Não é nenhuma obra-prima, pelo menos não ainda, mas os atores são muito bons, a direção está bem feita. E a trilha sonora está bem divertida. Recomendo a assistirem sem tentar comparar com as séries americanas. Ou com as novelas do Aguinaldo Silva.

* * *

Ó Paí, Ó é exibido pela rede Globo nas noites de sexta-feira, às 23h20.

Séries citadas:

Pós-graduada em História Contemporânea, pretende fazer mestrado usando séries como fonte. Seriados fazem parte da sua vida desde sempre. Magnum, Casal 20, Macgyver, Super Vicky são alguns deles. Assiste aproximadamente 40 séries (incluindo algumas já canceladas). Está aprendendo a abandonar séries mas sempre acaba colocando outras no lugar.

28 Comments

  1. Ale Rocha

    Muito bem-vindo este review. Não vi o filme, mas fiquei interessado pela série. Pelas propagandas, estava ansioso pela estréia, mas infelizmente perdi o primeiro episódio. Pelo texto, acabei mais interessado ainda.

  2. Paulo Antunes

    Oi Tati,
    Obrigado pela primeira colaboração assinada ao site!

    Fico feliz que você tenha escrito o texto, e não eu, que sou mais cheio de preconceitos.

    Em primeiro lugar é preciso tirar o chapéu para os produtores e para a Globo pela ousadia. Fazer seriado fora do eixo Rio-SP não deve ser mole. E também apostar em uma narrativa que, assim como Alice na HBO, foge dos formulismos consagrados pela TV americana.

    Dito isto, já posso meter pau! Rerere.

    No fundo, o que aconteceu depois que acabou o programa é que eu fiquei com vontade de dizer “tá, e daí?”. Achei tudo meio vazio, meio sem conteúdo, sem história.

    Nitidamente aquele não foi um piloto, foi só mais um episódio. E fiquei com a impressão de que se eu não tivesse visto este primeiro e começasse a assistir pelo segundo programa, teria a mesma sensação.

    E tem mais umas coisas que me incomodaram. Primeiro a música de abertura do Caetano. Cacete, o seriado tá aí para abrir as portas para uma nova geração de artistas – e eles me vem com Caetano?

    A outra coisa é que o padrão Guel Arraes/Jorge Furtado de qualidade, que já foi revolucionário, pra mim virou algo mais ou menos parecido com as vinhetas do Hans Donner. Se tornou onipresente e meio que pasteuriza a programação inteligente da Globo. Parecia que eu estava vendo A Comédia da Vida Privada com sotaque baiano.

    Mas ok, é tipo 9mm: São Paulo. Ninguém na imprensa vai se atrever a falar mal. E nem sei se deveriam…

  3. Tatiana Siqueira

    Eu assisti o filme, e mostraram o lado verdadeiro e não “glamour” do carnaval. A série consegui assistir um pedaço e o que deu pra ver, foi interessante.

  4. Morgana

    nem me interessei em ver a série…é que eu gostei tanto do filme q me deu um receio de assistir.Mas,tentarei essa semana.Sua review me ajudou na decisão..hahahaha
    =*

  5. Cesar Adriano

    Não vi e mesmo assim já deu pra SENTIR que a coisa é a mesma de sempre, ou seja, fotografia em estilo desenho animado, estereótipos regionais dos brasileiros, música dos mesmos figurinhas de sempre e nada de inovação.
    Inovação seria mostrar os problemas de quem por exemplo gosta, vive e tenta fazer sucesso num mundo mais rock n roll na Bahia, afinal, isso sim seria mostrar algo diferente e interessante.

  6. Vinicius Silva

    Olá, Tati. Adorei a resenha, mas vamos lá.

    O peronagem Queixão foi a pior coisa do episódio. O Nacthergale não conseguiu trazer a essência que o Boca (Wágner Moura) tinha no filme, talvez até mais com a cara do Pelourinho.

    Eu concordo com o Antunes (e isso é difícil de acontecer). A história é vazia assim como é o filme. Falar da pobreza do Pelourinho ou do dia-a-dia dessas pessoas é uma cartilha furada, já que eles não conseguem traduzir isso. A crítica aos bancos foi realmente interessante e gostei como o episódio terminou, a nota de 50 reais passando de mão em mão.

    Em relação à mercadoria conseguida por Queixão, deve sair com o dinheiro que ele consegue arrecadar, até porque, ele também trabalha diretamente com a Pirataria. A cena da polícia levando Roque também foi muito mal feita, completamente forçada.

    Eu não sou muito fã do filme, então fica até difícil assistir à série sem lembrar da obra em questão. A série não mostra nada de diferente, pára nos estereótipos e vai funcionar como uma bela comédia para o eixo Rio/São Paulo.

    Tanto o filme quanto a série se debruça sobre as mesmas coisas. E, como moro em Salvador, fico chateado ao ver que eles não tem a ousadia de querer mostrar algo diferente, de mostrar manifestações que os outros não conheçam mas que acontecem na cidade. Ficamos com a mesma noção de personagens estereotipados, histórias comuns.

    Ainda bem que existem escritores como Jorge Amado e João Ubaldo Ribeiro para se ter orgulho.

  7. Marco

    Eu tenho problemas em assistir cinema nacional, séries nacionais, novelas, etc.

    Brasileiro não sabe fazer música, tampouco cinema. E TV, até então uma exceção, desaprenderam no decorrer dos anos 90.

    Não tenho paciência para Favela Movie, Calango Movie etc. Como se não bastassem, inventaram o Axé Movie.

  8. Leonardo

    Eu gostei. Sem dúvido a pesonagem Neuzão foi o destaque do episódio e a histório do dinheiro de mão em mão foi bem legal.

    Em tempo, a estréia deu 23 pontos de audiênica, primeiro seriado esse ano (Dicas de um Sedutor e Guerra e Paz foram os outros) a dá essa audiênica nesse horário de sexta, que dava no máximo 18 com os outros seriados.

  9. marília

    bom…

    eu sou soteropolitana! por incrível que pareça eu não vi o filme, o que de certa maneira aguçou minha curiosidade pela ´serie, que digo logo de antemão, que adorei, pq ri, pq identifiquei aquilo que tava li, senti familiaridade e pq no fim, achei a história bem amarradinha. (ou seja tudo que a tati já falou no ótmo review!)

    agora à polêmica: muita gente que viu adorou, outra parte tinha receio de que a série ficasse caricata.

    bom, lógico que nem todo mundo de SSA vive e fala daquele jeito. Mas há a identificação, o denominador comum, pq se eu não sou exatamente daquele jeito, eu conheço gente que é e querendo ou não… muita daquela baianidade tem um quê de verdade. o próprio título, a gente fala mesmo por aqui “ó paí ó” pra mostrar alguma coisa, geralmente de desagrado ou deboche.

    eu não acho a história estereotipada e nem considero Axé movie, ou Axé série. Eu acho é que diante do que acontece hj em dia na cidade, é até bem romântico e leve.

    Me preocupo com a representação é lógico. Mas o que vi foram atores baianos atuando com uma verdade que eles conhecem o que dá um imenso valor a obra. Bom, acho que caricatura e estereótipo vc vai ver se cair na mesma redução das coisas de sempre, o que aliás, td mundo faz, pra facilitar a vida. Mas do mesmo jeito que eu acho que nem todo mundo de NY é um upper east sider, eu sei que nem todo mundo daqui é igual a Roque. Mas que existem figuras como ele, Neusão e Reginaldo por aqui, isso tem. Se fosse assim, todo mundo da periferia de SP seria igual as Antônias.

    é um retrato. cheio de tipos e pronto. e ao contrário do amigo local, não me envergonho. Principalmente pq a história de Neusão tinha um sentido não ficando meramente na exposição dos tipos do Pelourinho de SSA.

    com relação à qualidade tecnica, eu achei muito boa.

    Eu sei que muita gente daqui mesmo, conhecidos meus, estudiosos e estudantes de comunicação (como eu já fui) discordam de mim. Mas por hora, essa é minha opinião. Eu não gosot de exigir mais das obras do que elas simplesmente se propõem. Se emburrecem, envergonham, fazem representações nocivas e equivocadas é outra história. Aqui, tá se discutindo o valor do entrenimento (não que eu ache que as duas coisas andem separadas)

    Vou parar o tratado por aqui, pq at´eu já tô confusa.

  10. Janaina Araújo

    Sou Carioca da Gema mas completamente apaixonada por Salvador e pela Bahia. Assisti ao filme e gostei muito, até porque como turista o lado do carnaval que eu conhecia era o outro, mas não tive a oportunidade de ver a série e confesso que como a Morgana comentou acima fiquei/estava com medo da série estragar o “clima” do filme, mas pela resenha que acabei de ler, e diga-se de passagem muito bem escrita e envolvente, a série continua com o mesmo espírito do filme, portanto posso dizer que “não vi mas já gostei”. Ah! perguntinha que não quer calar: A “Byoncee” aparece na série??

  11. Paulo Fiaes

    hey Tati,

    sou suspeito pra falar, mas gostei muito da review.

    eu não gosto de filmes brasileiros, ainda mais quando envolvem a Bahia(onde eu moro), mas pelo seu texto deu vontade de conferir.

    Pior que 02 baianos já se manifestaram aqui, VInicius que é um bom amigo meu falou que não gostou, e ele ao contrário de mim, acompanha muito o cinema nacional, e Marilia falou que é bom, vou pergunar aos meus amigos que asistiram pra saber quem está certo, rsrs.

    Sou da opinião de alguém que falou que poderia mostrar um outro lado de Salvador, eu sou roqueiro, meus amigos são roqueiros, tenho um amigo que tem banda de HC, e pode parecer pouco em comparação com o publico de axé, mas na verdade não é. o grande problema em Salvador é que não temos opção, a maior parte da cidade,são de lugares que tocam axé, ou pagode e no máximo um forró, logo costumo ter amigos meus que só ouvem rock em casa, mas que se acostumaram a sair pra show de axé(pagode ou forró) por falta de opção. O carnaval daqui é outra coisa que costumo dizer, quem tá de fora tem uma imagem, mas quem mora aqui sabe que é completamente outra, a nao ser claro, as pessoas que se deixam manipular de forma fácil, e come pilha de poucos ricos que vão ficar mais ricos as custas dos pobres que não tem dinheiro pra gastar, mas que gastam e passam o ano endividados.

    bom, ja deu pra perceber que sou muito critico com a cidade, voltando ao que interessa, gostei muito mesmo da review, e tentarei dar uma chance a série, ate pra poder ter uma opinião formada sobre a mesma.

  12. ana melo

    Marilia , concordo com em tudo que vc falou , eu pensso exatamente assim e não eh porque sou nordestina , não vejo novela porque não gosto , mas o cinema nacional e series estão boas e acredito que vão ficar melhor , temos atores maravilhosos , diretores , autores enfim artitas que sabem fazer , cienama , musica , teatro etc.
    so digo : viva a cultura brasileira em todas as suas formas.
    abraço

  13. Vitor Oseriestv

    Confesso q achei o filme muito melhor do que a série… mas temos q admitir, a globo qnd quer fazer um bom drama consegue.

    Três dramas, de três periferias diferentes (cidade dos homens-rio de janeiro; antonia-são paulo e agora ó pai ó-bahia) q foram mt bem feitos (embora eu não tenha curtido antonia).

    ps.: Pq o Wagner Moura não está na série? E a “sindica” crente puritana já esqceu dos filhos? Tipo q a unica ligação do filme com a série foi roque cantor…

    A historia dos pivetes esqcida, daqla brasileira vinda da europa tambem, o aborto tb… tomara q nos proximos episódios venham trazendo devolta o clima q o filme tinha

  14. Ta.

    Ah concordo com Cesar Adriano e Marcos (tirando a parte da música, pq tem muita música brasileira q n deixa a desejar a nenhum país , nem msm USA)

    Mas é sempre aquela velha história: pobreza, violencia e o “jeitinho brasileiro”. São os velhos esteriótipos de sempre, a mesma paisagem de sempre, simplificando a mesma história de sempre, mudando as vezes os autores, as vezes o local de onde é gravado, e dessa vez foi isso sairam da favela do Rio e foram pras de Salvador.

    Não assisti, e n posso criticar a série e filme, mas sim o fato de o brasileiro só querer mostrar esse lado da moeda o pobre coitadim do brasileiro pobre q com um jeitinho dribla a vida. Ah me poupe se me vem com essa história achando q vo me interessar passo muuuuito longe.

    Acho q a Tv tem q começar mostrar coisas novas, histórias novas, uma trama mais complexa q foi o caso da Favorita pararam de ficar mostrando os favelados, chega tem um Brasil enorme para ser retratado e a população n ta dividida em quem mora de frente a praia e quem vive na favela.

    Acho q é hora de inovar. Brasil tem capacidade, pra ser grande na sétima arte, só tem q deixa esse velho papinho de lado.

  15. Fernando dos Santos

    “A outra coisa é que o padrão Guel Arraes/Jorge Furtado de qualidade, que já foi revolucionário, pra mim virou algo mais ou menos parecido com as vinhetas do Hans Donner. Se tornou onipresente e meio que pasteuriza a programação inteligente da Globo. Parecia que eu estava vendo A Comédia da Vida Privada com sotaque baiano.”

    Concordo totalmente.Hoje em dia estes dois só oferecem mais do mesmo, tanto na tevê como no cinema.

  16. Cesar Adriano

    Desculpe retornar ao assunto, mas um exemplo: Já vi alguns documentários estrangeiros na tv, que mostram o povo da amazônia, (não sou de lá), de um jeito mais realista e autentico, que qualquer Globo Reporter da vida.
    Esses dias vi o pedaço de um onde as mulheres estavam jogando bola no barro ao som de uma música rasgada, parecia uma have!!!

  17. Marco

    Ta,
    O que existe de bom musicalmente no Brasil?
    As vacas sagradas da MPB? Aquelas que estão aí desde os anos 60?
    O que surgiu depois? O chamado Rock Brasil dos 80? Não vale, é arremedo barato de Cure, Joy Division, Police e Gang of Four. E, mesmo assim , nada de novo veio depois, os velhos fantasmas continuam vivos – é ululante que não vale citar meliantes musicais como Marisa Monte , Ana Carolina , Zeca Baleiro e afins.

    Acho muito estranho os baianos que vêem algo de real nessa série, conheço bem Salvador e o que foi ali representado é apenas um pastiche que determinadas regiões do país adoram emular e crer.

  18. Ta.

    Ah é complicado discutir sobre música pq n sei nada conceitualmente. Mas eu gosto sim, adoro música, o ritmo, letras… MPB tirando a Vanessa da Matta q é nova, são os velhos nomes de sempre, mas há uma rotatividade nos assuntos e melodias contrário do que se vê na Tv e cinema brasileiro, mais ainda no cinema, Brasil n é só bixo e favela.

    Concordo com o Fernando sempre é mais do msm e depois reclamam que n dá biheteria o cinema brasileiro, logo retorno financeiro, e é óbvio e lógico todo mundo já cansou da mesma coisa.

  19. Tati Leite

    Bom, primeiro eu quero agradecer ao Antunes por deixar eu escrever. E agradecer aos elogios e as críticas. Dito isso, vou tentar responder aos comentários em tópicos pra não me perder.

    Wagner Moura: Acredito que a opção dele por fazer teatro esse ano tenha sido fundamental pela não participação dele na série. Eu li (e assisti) algumas declarações dele dizendo que gostaria de se afastar da TV por um tempo. E, até onde sei, ele não assinou contrato de exclusividade com a Rede Globo justamente por isso.

    Trilha-sonora e Caetano Veloso: O Caetano – que para mim virou muito resmungão mas que eu admiro como compositor, apesar de não curtir muito as composições mais novas – foi o responsável pela trilha do filme. Eu lembro até de Lázaro Ramos cantando no carnaval em Salvador a música composta especialmente para seu personagem. Então não acredito que iriam mudar agora, pelo menos por enquanto. Até pq, pensando com o bolso, facilita na questão dos direitos autorais no caso de já existir um contrato prévio permitindo que as músicas sejam usadas. Porque fatalmente a Globo vai lançar um DVD da série.

    O seriado em si: Acho válida as opiniões sobre o medo de arriscar, sobre a falta de um roteiro mais elaborado, etc. O que tentei escrever foi que a série não deve ser encarada como uma obra-prima e nem deve ser comparada ao filme. A idéia acredito que nem seja essa mesmo. Querendo ou não, é um público diferente. Pensando mais sobre o filme percebi que algumas coisas foram ignoradas. Não só os filhos da dona da pensão mas também o fato de que no filme a personagem do Lazáro Ramos consegue cantar em cima do trio. A príncipio pensei que a série começasse justamente antes do período em que se passa o filme. Mas daí como explicar a ausência dos meninos?!? Aliás, alguém notou que os figurantes que aparecem pegando os 50 reais com o turista são bem parecidos com os mesmo atores-mirins que fazem o filho da beata?!?
    Para mim, Ó Pai Ó será como Toma Lá da Cá, ou como eu encaro alguns seriados norte-americanos (guardadas as devidas proporções), é entretenimento leve. Para passar o tempo. Para divertir. E, o melhor, com caras novas. Mostrando que o Brasil é mais que Leblon e Av. Paulista.

    Baianos x Baianos: Eu preciso comprar uma passagem para Salvador tipo ‘ontem’ para poder me posicionar. rsrsrs. Acredito que a diferença de opiniões se deve ao fato de como cada um encara a sua cidade e como cada um cresceu. Usando o RJ como exemplo: Eu fui criada na zona norte mas tive bastante contato com a zona sul da cidade. Posso dizer que tive um pouco dos 2 mundos. E dependendo da situação eu me identifico mais com um lado que com o outro. Depois que passei a encarar a TV de forma mais crítica me incomodo muitas vezes da forma como a zona norte é retratada por alguns autores. Geralmente todo núcleo mais pobre é brega, gosta das mesmas coisas, das mesmas músicas, falam berrando… e não é bem assim. Da mesma maneira que nem todo carioca gosta de praia e sol quente na cabeça (eu, por exemplo, adoro inverno). Só que eu confesso que algumas vezes não me reconheço no esteriótipo apresentado mas acabo reconhecendo muita gente que faz (ou fez) parte da minha vida. E rio ao assistir. Mesmo eu não sendo baiana, eu convivi e convivo com baianos. Meu padrinho era baiano e meus amigos mais antigos são filhos de baianos. E muitas vezes o jeito de se expressar me lembrou muito a minha infância.

    Uma coisa que não tem a ver com a série mas eu não vou aguentar ficar quieta: não concordo com a crítica sobre a música brasileira. Acredito ter muita coisa legal. E essa história que copiamos bandas estrangeiras, isso não é critério, pq essas mesmas bandas se inspiraram em alguém e isso faz parte do processo. Gênios são poucos mas isso não quer dizer que os outros são todos uma porcaria.

  20. Paulo Fiaes

    sobre musica, os mutantes inspiraram trocentas bandas gringas, e ate hj tem gringo pagando pau. eu acho banda internacional mais completa do que as nacionais, principalmente no rock, mas tem mto artista nacional bom, recentemente humberto gessinger foi eleito por uma revista inglesa como o melhor letrista do mundo, ou seria compositor, n sei, o q falo é que uma revista inglesa deu valor que ele merece ter, enquanto aqui no Brasil criticamos todos os artistas, sendo que é comprovado que temos muitos artistas talentosos.

  21. tico

    Não conhecia o site, mas procurando informações sobre “o paí, ó” acabei chegando aqui.
    Lendo as mensagens anteriores e após o 2º episódio da série, acho que algumas coisas ficaram esclarecidas.
    Ao que tudo indica (e pelo título dos episódios exibidos e dos subsequentes), cada um deles focará determinado personagem, como já aconteceu com a Neuzão no 1º, bem como Reginaldo e Maria no 2°. Isso explica a falta q sentimos de muitos personagens no 1º episódio, que, na minha opinião, foi bem inferior ao 2º. Este último foi mais fiel ao filme e soube dosar a participação da maioria dos personagens, inserindo mtos q ficaram de fora do 1º(Beyoncé, Cosme e Damião, Dalva…)
    Sobre a linha cronológica da narrativa, considerando q o filme aborda um único dia na vida dos personagens, a série poderia se passar antes ou depois desse dia. Pelo q foi apresentado no 2º episódio, especialmente a presença dos filhos da evangélica (Cosme e Damião), percebe-se q o tempo da série é anterior àquele dia de carnaval mostrado no filme, o q tb explica a ausência da Psilene (Dira Paes).
    Sobre o Wagner Moura, li q ele estava envolvido com um projeto no teatro ou cinema e não pôde participar da série, o q levou à criação do personagem Queixão (Matheus Nachtergale). Sobre as críticas ao Matheus, o achei mais convincente no 2º episódio, q inclusive esclareceu uma coisa: o Queixão não é baiano. Na verdade ele é sergipano, o que de certa forma explicaria o seu “destoamento” em relação aos demais personagens, especialmente no sotaque.
    Penso q falharam ao não intruduzir melhor os personagens no primeiro episódio. Quem nao assistiu ao filme não deve ter entendido mto a ligação entre cada um deles, o q logicamente prejudica a apreciação do programa.
    Sobre as críticas a respeito da série ser estereotipada/caricatural, não as acho pertinentes.
    Sou baiano, e, embora não fale com aquele sotaque nem me comprote daquela forma “exagerada”, sou capaz de reconhecer cada um daqueles personagens em diversas pessoas aqui da Bahia, conhecidos meus, inclusive.
    É claro q a série não é um retrato fiel da Bahia, mas seguramente é um retrato fiel do PELOURINHO, local onde a trama acontece. No Pelourinho as pessoas se comportam daquele jeito, falam daquele jeito, vestem-se daquele jeito…é exagerado? é, mas é a realidade daquele local (e das periferias da Bahia de um modo geral).
    Lógico q um morador dos bairro nobres e de classe média de Salvador jamais se reconhecerá num daqueles personagens, mas com certeza já viu vários deles na rua e na tv. Basta assistir aos progrmas locais tipo “Que venha o povo”, “Bocão”, “Balanço geral”…O quadro “Bafafá” do programa do Bocão é praticamente um “ó paí, ó” da vida real.
    Aos leitores de fora da Bahia, sugiro fazer uma pesquisa no youtube sobre esses programas “tipo-Ratinho” e verão q AQUI existe sim gente como o Reginaldo, a Maria, a Yolanda, a Joana…
    Àqueles q frequentam o carnaval daqui, basta dar uma olhadinha nos blocos de pagode, nas praias menos badaladas e vcs verão e ouvirão tudo q está na série.
    Eu sinceramente nao entendo como alguns baianos acusam a série/filme de ser estereotipado. Até compreendo o protesto de q a Bahia é mto mais do que aquilo q é mostrado na tela, que nem todos os baianos são daquele jeito (pq efetivamente não são), mas sinceramente não me parece que a proposta da série/filme seja mostrar outra coisa além da vida e dos moradores do PELOURINHO (não do Itaigara/Pituba/Caminho das Árvores/Barra/Ondina e outros bairros de maior poder aquisitivo).
    Acredito sim q a série e, antes dela o filme, está sendo bem verossimil na transposição da Bahia-pobre para a tv.
    Por fim, acho ótima a iniciativa de mostrar na tv algo além das favelas paulistas e cariocas, bem como do sertão nordestino, afinal de contas o restante do país tb é espectador e há mto coisa para ser explorada além dos já citados.
    Aqui na Bahia a série é um sucesso. O Ibope do primeiro episódio foi de 46 pontos. A identificação é geral, justamente pq há verdade naquilo q é mostrado. Infelizmente a experiência de assistir à série, para nós aqui, é mais prazerosa do que a vivenciada pelo restante do país.
    Eu mesmo tenho crises de riso com alguns trejeitos e expressões verbais utilizadas na série. Algumas coisas q falo ordinariamente, outras q não falo mas ouço mto por aqui. O comportamento de alguns personagens…Lembro, no filme, do modo como o Wagner Moura cruzava os braços e encolhia os ombros, tipico dos malandros daqui. Enfim, aspectos notórios e outros sutis de uma Bahia que, para meu espanto, é desconhecida até mesmo por alguns baianos.

  22. tico

    Esqueci de falar da trilha sonora no meu, já longo, comentário anterior…
    Sobre o fato de o Caetano cantar o tema da série, a galera tá esquecendo q a musica é cantada pelo Jauperi. O Caetano só entra no refrão e na segunda parte da musica, q nao aparece na abertura. Então vamos dar um desconto e reconhecer q foi dada oportunidade a um competente desconhecido, pq o Jau é um ótimo cantor e um bom compositor (que os roqueiros de plantão não me crucifiquem…)
    A respeito do restante da trilha sonora, mais uma vez á uma questão de foco: o filme retrata a periferia da Bahia, então que ninguém espere ouvir nada mto sofisticado.
    Considerando q filme usou e abusou de axés, eu até comentei com alguns amigos q o 1º episódio foi tímido neste aspecto, pois utilizou mais sambas desconhecidos e, comparado ao filme, a trilha estava bem discreta, creio eu q devido às criticas q a imprensa do sul escreveu sobre o excesso de axés no longa.
    Neste ponto o 2º episódio tb foi mais fiel ao filme, pois a bainidade da trilha foi melhor explorada e é fato que a periferia daqui é embalada por axé, pagodão e reggae (além do recém-surgido Arroxa, q no episódio apreceu na versão “arroxeira” da música “Don´t Matter”, do Akon. É uma pena q ela tenha sido cantada pelo Raimundinho em inglês, pois aqui na Bahia ela é conhecida na versão “Não vale mais chorar por ele”, uma tradução tosca, com direito a rap e tudo mais…seria hilário ver isso na tela!.

  23. Luiz Oliveira

    PARABENIZO A GLOBO QUE SURPREENDEU PELA OUSADIA DE APOSTAR NUMA SÉRIE URBANA FORA DO EIXO RIO -SÃO PAULO. FOI UMA BELA QUEBRA NA MESMICE, SENDO AINDA MAIS BACANA POR ESSA QUEBRA TER SIDO FEITA PARA UMA COMÉDIA E NÃO PELO ENFOQUE DO DRAMA. ESPERO QUE A SÉRIE SEMPRE CONTE COM UM TIME DE REDATORES ENTROSADO E RENOVADO, DE FORMA QUE NÃO SE ESGOTE A INSPIRAÇÃO , GARANTINDO , ASSIM,ACREDITO, A LONGEVIDADE DA SÉRIE. SOU BAIANO, SOTEROPOLITANO, MORANDO FORA DA BAHIA E AQUILO ALI, AFIRMO, É UM RETRATO FIEL DA COMUNIDADE DO BAIRRO DO PELOURINHO EM SALVADOR E DO BAIANO MAIS CARENTE. QUANTO AO ARGUMENTO DE QUE ALI É MOSTRADA UMA BAHIA CARICATA E ESTEREÓTIPADA, NÃO VEJO DESSA FORMA, UMA VEZ QUE A COMÉDIA DE UM MODO GERAL TRABALHA JUSTAMENTE COM ISSO. SALVADOR É UMA METRÓPOLE NACIONAL, COM SEU LADO COSMOPOLITA, MODERNO E SOFISTICADO, COMO QUALQUER CIDADE GRANDE, COM PESSOAS DE TODOS OS TIPOS E GOSTOS. MAS A PROPOSTA DO PROGRAMA NÃO É MOSTRAR ESSE LADO, NA VERDADE ESSA QUEIXA VEM DA CARÊNCIA QUE O BAIANO SENTE, COMO QUALQUER PESSOA QUE VIVA FORA DO EIXO MAIS EXPLORADO PELAS PRODUÇÕES TELEVISIVAS(RIO/SP), DE NÃO SE VER NA TV, ENQUANTO POVO, DE FORMA INTEGRAL, COMO PODEM OS CARIOCAS E PAULISTAS, GERANDO UMA CERTA IGNORÂNCIA DO RESTO DO PAÍS EM RELAÇÃO A QUEM VIVE EM SALVADOR, QUE NÃO É SÓ O TIPO RETRATADO NA SÉRIE.

  24. carlos mailton

    algem sabe me dizer qual eram as musica que passaram no filme Ó Paí, Ó

  25. Pingback: O que NÃO vou assistir hoje na TV – terça, 22/6/2010 » TeleSéries

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