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Review: Lost – Because You Left e The Lie

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Lost - Because You LeftSérie: Lost
Episódio: Because You Left e The Lie
Temporada:
Número do Episódio: 86 (5×01) e 87 (5×02)
Data de Exibição nos EUA: 21/01/2000
Data de Exibição no Brasil: 9/03/2009
Emissora no Brasil: AXN

Como seres humanos, é de nossa natureza nos apegar. Às vezes, recorremos a algo material que possa nos trazer consolo: uma fotografia, uma peça de roupa, até mesmo um aroma. E às vezes, nós recorremos a nós mesmos: nossos valores morais, nossa esperança, nossa noção de verdade. Nós juntamos tudo e formamos nossas identidades, o pilar central de nossa sobrevivência, que é a fonte mais importante de um dos nossos sentimentos mais indispensáveis, o sentimento de segurança.

Because You Left e The Lie traçam um dualismo interessante entre os Oceanic 6 e seus companheiros deixados para trás na Ilha. Os sobreviventes são despidos de todas as suas posses. Sejam meros objetos sem importância além do conforto, sejam instrumentos vitais à sua vivência ou propriedades com valor apenas sentimental, eles se foram e não devem ser recuperados. E a única coisa a que podem recorrer são a eles mesmos, seus conhecimentos e sua força, sua capacidade de se adaptar rapidamente à realidade constantemente mudada pelos clarões.

Já aqueles que saíram da Ilha podem contar não apenas com todos os luxos que a sociedade moderna pode proporcionar, mais também com a tranqüilidade de não serem atacados por flechas flamejantes no meio da noite ou capturados por Outros que cortam a sua mão como forma de aviso. Mas ao basear sua nova vida em uma mentira, eles permitiram que parte de sua identidade ficasse apoiada em um terreno instável. E agora esse terreno está se despedaçando sob seus pés.

É interessante ver a série se reinventar completamente, inserindo uma forma nova de narrativa e ver os personagens tendo que se reinventar também. Locke, que ainda estava saboreando a idéia de se tornar o grande líder que passaria a guiar os Outros, encontra-se sozinho na selva, mudando rapidamente de messias espiritual para o caçador e homem da natureza. Sawyer, Juliet, Miles e Dan deixam definitivamente de ser forasteiros, e deslizam para o papel de líderes. Apesar de nervoso e frustrado, Sawyer ainda inspira autoridade; Juliet o equilibra perfeitamente com sua serenidade e diplomacia; Miles é mais pragmático e se preocupa em conseguir comida para o grupo. E Dan é aquele segurando todas as chaves. Ele é quem tem o entendimento do quê está acontecendo, e que vai conduzir os Losties e nós telespectadores por essa nova fase da Ilha e sua maldição, os pulos no tempo.

Em Los Angeles, Jack, outrora um homem cético e racional, se agarra com toda a sua fé à possibilidade de quê o retorno à Ilha vá colocar sua vida de volta nos eixos. E para isso ele até mesmo está disposto a se deixar ser usado por Ben, que até onde eu consigo perceber, continua o mesmo homem: obcecado, manipulador e de humor peculiar. Contudo, ele parece ter perdido seu controle sobre Sayid, e eu me pergunto com quê objetivo o iraquiano resgatou Hurley, e o quê causou sua mudança de sentimentos em relação a Linus.

Kate tem sua paz destruída quando um advogado aparece a sua porta com um mandado para um exame de DNA em Aaron e, assim como Locke, retorna a seus instintos e foge. E acaba se reunindo com Sun, que fria e vingativa, parece ser a personagem que mais mudou sua maneira de ser. Ela estava claramente mentindo a Kate sobre perdoá-la pela morte de Jin e se sua ameaça de matar Ben não assusta (estamos falando de Ben Linus!), é definitivamente um pouco perturbador ver o quanto sua dor a transformou.

Lost - The LieMas de todos os Oceanic 6, é Hurley a verdadeira estrela do começo dessa quinta temporada. Foi triste ver o Dude tentar convencer seus companheiros a contar a verdade ao mundo, em vão. Ele acaba não apenas retornando ao hospício, mas agora tem encontros esporádicos com alguns dos mortos da Ilha, somando-se agora a Charlie e Mr. Eko, a policial Ana Lucia Cortez, quê lhe dá um conselho possivelmente vital que ele não segue: fique longe da polícia. Acho que ele consegue a proeza de ser a pessoa que menos se encaixa no mundo real, e tragicamente é o mais solitário de todos, quando na Ilha ele contava com afeto quase indiscriminado.

Eu penso que para se reencontrarem consigo mesmos, Sun, Jack, Kate, Sayid e Hurley terão que voltar á Ilha. Eles acreditaram que suas vidas seriam melhores fora da Ilha, e considerando o quão terrível foi a experiência deles, é compreensível. Mas aquele pedaço estranho e perigoso de terra é aonde eles pertencem, onde suas identidades são verdadeiras e completas. Eles precisam voltar não só para salvar a vida dos quê ficaram para trás, mas para salvarem suas próprias vidas.

Se os Oceanic 6 ficaram com a grande missão, os Losties ficaram com o contexto mais interessante. Afinal, se eles estão viajando pelo tempo, quando eles podem parar e quê tipo de coisas podem ver? A vida de Rousseau, o naufrágio do Black Rock, as possibilidades são infinitas.

Observações:

• O operário da Dharma que tentava perfurar a parede que separa a Orquídea da roda de burro acaba com dores de cabeça e sangramento nasal, condição similar a de Charlotte, porém aparentemente muito mais intensa. Porém, ao contrário da inglesa e de Minkowski, ele não chegou a viajar no tempo. Poderia ser que a doença dos três está relacionada à descarga da energia a que Chang se refere em seus cérebros? O operário teria recebido a descarga devido ao furo que tentou fazer na parede abaixo da Orquídea, e Charlotte e Minkowski teriam sido afetados pela descarga regular e provavelmente menor de energia que talvez precise ser liberada em seus cérebros para que viajem no tempo, já que é essa energia que o manipula.

• Locke estava com os Outros, mas só ele parece ter viajado no tempo. Richard chega a lhe afirmar que ele desapareceu no ar, e aparentemente, ele foi o único. Isso é intrigante. Porque uns são afetados pelos clarões e os Outros, não? Não pode ser algo relacionado à queda do vôo 815, afinal Daniel, Charlotte e Miles não estavam no avião, e nem Juliet, que além disso está na Ilha há três anos e já foi uma Outra. Sua traição é suficiente para torná-la suscetível às viagens enquanto o resto de seu antigo grupo parece inafetado?

• Nós já sabemos o objeto, dos oferecidos por Richard Alpert em Cabin Fever, que Locke deveria ter escolhido quando criança: a bússola. O líder dos Outros dá a John o instrumento como forma de reconhecimento entre os dois, porém eu acho que Locke continua a preferir a faca. E não dá para discordar dele, afinal, é com ela que ele salva as vidas de Sawyer e Juliet.

• O Dr. Chang deixa claro logo no começo dessa nova parte da jornada que há regras e Daniel Faraday nos revela aquela que deve ser a mais importante. “O quê aconteceu, aconteceu”. Lembram-se de De Volta para o Futuro e todas as mudanças paradoxais? Bom, esqueçam. Se alguém não assistiu os 12 Macacos, eu recomendo que corram e peguem na locadora, porquê parece que Lost virá com a mesma base para as viagens no tempo. A interferência dos sobreviventes em épocas não contemporâneas as suas não apenas não modificará os acontecimentos. A linha cronológica é estruturada da maneira que é por causa dessas interferências.

• As regras, porém, não parecem se aplicar a Desmond. Daniel afirma que o Brotha é milagrosamente e unicamente especial, algo que nós já sabemos há bastante tempo. Mas a razão do escocês ser tão especial continua a se tornar mais complexa. Talvez Desmond não seja diferente porque, como pensamos, ele pode viajar no tempo, mas sim porque ele tem consciência não só das próprias viagens, mas das de outras pessoas também.

Lost - The Lie• E ainda em relação a Faraday e Desmond, o físico pediu a Hume que encontre sua mãe. Eu automaticamente pensei na misteriosa Miss Hawking, que conversa com Des em Flashes Before Your Eyes. E alguém acha que é coincidência que ela tenha aparecido no final de The Lie, se revelando uma aliada de ninguém menos que Benjamin Linus?

• Não chegamos a ver a nova estação, mas podemos nos considerar oficialmente apresentados a ela, não? A Flecha é uma estação de inteligência, dedicada a coleta de informações sobre os hostis e o desenvolvimento de estratégias de Defesa. Ou seja, é versão Dharma da CIA.

• O filho de Chang e sua esposa não tem uma aparência típica oriental, mas eu ainda acho que poderia ser Miles.

Esta review foi escrita especialmente para o TeleSéries. A Thais escreve sobre a série também seguindo a cronologia americana, no site Séries Addict.

Séries citadas:

É estudante de comunicação. Não vive sem The Good Wife, Parks and Recreation e 30 Rock. Ah, e Gossip Girl, que apesar do bom senso, ainda nao conseguiu largar.

16 Comments

  1. anderson

    Falem o que quiser, mas temporada começou de modo fantástico.
    A mim ficou mais claro essa questao d eviagem no tempo, a frase de faraday “o que aconteceu, aconteceu” eh bem pertinente, e a comparação do tempo com um rio tambem foi uma boa saca, vc navega nele, porém nao altera seu curso.
    Ao que me parace os Oceanic 6 sao “a constante” da ilha, e por isso necessitam voltar.
    Começo promissor.

  2. Dan Artimos

    o começo está promissor e as coisas só vão aumentando no decorrer dos episódios, este é maravilhoso mostrando o que todos queriam saber, e os sobreviventes da ilha? o que houve com eles? adorei ver pelo drama que passaram depois que os Six sairam…

  3. Paulo Antunes

    Baita review, Thais.

    Mas não querendo ser chato, mas já sendo. Acho que esta foi a pior season premiere de Lost. Não sei nem descrever a sensação: às vezes parecia arrastada, às vezes apressada.
    E eu sempre me queixei dos episódios centrados em um personagem, mas desta vez senti falta disto – talvez o problema seja este, a linha narrativa foi bastante diferente da tradicional da série.

    Já o segundo episódio foi demais. AMEI rever a Ana Lucia, minha Lostie favorita. Agora quero rever a Libby!

    Bom, será que uma alma caridosa pode me lembrar quem é esta Mrs Hawking? Eu lembro que ela aparecia pro Desmond num dos episódios flashback dele, mas não lembro do contexto.

  4. leoff

    Essa premiere foi MUITO melhor que a da quarta temporada, na minha opinião. O 5×02, do Hurley, talvez seja o “menos melhor” até agora, o que mostra o nível altíssimo desse 5o. ano.

    Paulo, a Sra. Hawking era uma velha que trabalhava num antiquário e disse a Desmond que não devia comprar um anel de noivado para a Penny. Daí explicou as regras de se alterar o passado e que ele tinha de ir até a ilha. Foi no “Flashes Before Your Eyes” (3×08).

  5. Flávia

    A impressão que dá é que Oceanic Six seriam então a constante da ilha, como Penny era do Desmond e o próprio Desmond era do Faraday, não? Eu gostei muito dos episódios, para mim é impossível não gostar de Lost. Mas concordo com o Paulo, foi a season premiere mais arrastada da série até agora…

  6. Rubens Fructuoso

    Eu amo Lost e achei esse início de temporada uma chatice.

  7. Ângelo Romão

    Também AMEI rever a Ana Lucia, que era minha Lostie favorita também. Ela e Mister Eko foram dois presentes da segunda temporada assim como o Ben e a Juliet foram da terceira.

    Tive sentimentos muito contraditórios com essa premiere. Enquanto acho que as viagens no tempo são a ferramenta perfeita para (finalmente) desvendarmos partes-chave da história da ilha, não gostei nem um pouco do tom cômico que predominou durante a perseguição sofrida por Hurley: um momento que deveria ser extremamente perturbador e dramático.

    Isso não quer dizer que eu não tenha me deliciado com a camiseta “I love my shitzu”. :D

    Também achei um erro a narrativa ser muito focada na ação (ok, o ataque de flechas flamejantes foi emocioante) ao invés do desenvolvimento psicológico das personagens. E rezo para que não transformem o Sayid numa Sidney Bristow de cuecas.

    No mais, Dr. Marvin Candle gravando um Orientation video, física quântica e a Sun transformada numa calculista. Como não gostar disso?

  8. biamafra

    como ja disse antes, ver lost eh um exercicio mental, a viagem no tempo eh sempre uma coisa confusa. ja imaginou os que estao na ilha e nao sabe em que tempo estao? se ta no passado ou no futuro? outra coisa, eu posso ter perdido algum episodio ou aquelas flechas nunca aconteceram? quem sao aqueles?

  9. Cesar Adriano

    Lost sempre tem boas estórias, e não é todo dia que se ve o bom e velho Locke se borrando de medo!!! apesar que achei meio estranho um cara tão destemido daquele ficar apavorado com inimigos ocultos no mato????!!! ele já ta careca de enfrentar isso, já enfrentou coisa pior…mas enfim, foi um bom começo.

    Sempre acho interessante viagem no tempo, mas não precisa inventar mil frescuras pra coisa né? pô! aquela sra. parece um Nostradamus profetizando o fim do mundo, usando até pêndulo????? menos né batista. Assim eu fico com saudades da Samantha Carter!!!

    O que me incomoda mesmo é o excesso de ramificações que as estórias estão seguindo, daqui a pouco vamos parar no tataravô do Locke, ou nos filhos do pessoal da ilha.

  10. Filipe

    Outro filme para entender a viagem no tempo de Lost é Harry Poter e o prisioneiro de Askaban.

    E eu acho que todos na ilha são afetados pelas viagens no tempo. O Richard que apareceu para o Locke, portanto, era um Richard do passado. Quando eles se falaram de novo, também era um Richard do passado. O Richard do presente também deve ter viajado no tempo, ou seja, co-existiram dois Richards por um tempo na ilha. Todos os que estão na ilha estão viajando no tempo. É isso o que eu acho.

  11. Milhouse

    Sério: por que, porque, por quê, porquê.

    Aprenda-os, use-os, ame-os.

  12. Flávia

    E não ia falar nada, até porque a review está boa, tem ótimas idéias. Mas além dos “porquês” esse “que” com acento circunflexo a torto e a direito também é dose… É só um toque, para tomar cuidado com isso.

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