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Opinião Reviews

Review: House – The Down Low

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House - The Down Low

Série: House
Episódio: Segredos (The Down Low)
Temporada:
Número do Episódio: 120 (6×10)
Data de Exibição nos EUA: 11/1/2010
Data de Exibição no Brasil: 25/2/2010
Emissora no Brasil: Universal

Vocês se lembram daquela época em que House era o melhor seriado da TV e que o TeleSéries publicava semanalmente reviews dos episódios? Good times, good times.

No início de março o Anderson Vidoni me pediu para fazer a resenha de The Down Low. Esqueci de ver o episódio. Então finalmente assisti. E então veio a preguiça. E House até entrou em hiato no Brasil e The Down Low até já reprisou e… Nada. Até que hoje eu tomei a iniciativa de escrever.

Isto tudo poderia servir de pretexto para mais um texto analisando porque House se tornou tão pouco relevante de uns anos para cá. Mas como da última vez que eu fiz isto (review de Wilson, leia aqui) o resultado foi tão controverso (a maioria dos leitores criticaram a série com mais intensidade do que eu mas, o que doeu mais, foi o comment dizendo que eu fiz uma generalização e que não resenhei o episódio), decidi não fazê-lo. Vamos ao episódio.

The Down Low reforça tudo o que eu penso da série na atualidade – falta coesão aos roteiros. House parece um destes times de futebol grandes, que vão jogar no interior contra o lanterna do campeonato e não se esforçam, jogam só pelo 1 a 0. The Down Low é um episódio bom, mas que com um mínimo de esforço poderia ser ainda melhor.

O episódio começa mostrando uma transação entre mafiosos que dá errado. Na cena seguinte os mafiosos já estão no que parece ser o ambulatório do hospital, mais escuro do que o normal, sendo atendidos pelo próprio House. Como chegaram até ali é um mistério. Juro que dei rewind no DVR, achei que tinha pulado um bloco do programa. É este tratamento apressado (aliado a uma falta de conexão entre os episódios, que às vezes me dá a impressão que poderia assistir fora da ordem e não perceberia o problema) que vem desapontando.

O caso do paciente da semana, interpretado por Ethan Embry (Brotherhood), foi bom, com diversas reviravoltas ligadas ao fato dele ocultar informação (era um policial infiltrado) e dos médicos não terem acesso ao ambiente em que trabalhava (uma lavanderia que servia como esconderijo para drogas). O final, intercalando cenas da batida policial, ao mesmo tempo em que o paciente morria no hospital (de síndrome de Hughes-Stovin) foi ótimo.

Mas o que todos vão lembrar deste episódio, mais uma vez, são das pegadinhas. E neste episódio eles exageraram, já que foram duas: Thirteen e companhia tentando fazer o Foreman pensar que ganha menos que os demais e, a mais marcante, House e Wilson disputando a vizinha interpretada por Sasha Alexander, a saudosa Kate de NCIS.

House - The Down Low

O humor é um elemento importante de House. Mas há o limite do humor. É engraçado ver House tentando interrogando o mafioso e dizendo que aquilo funciona para o Jack Bauer. Ou implicando com o Chase (A Cameron ficou com o seu cabelo no divórcio?). E, tá, é engraçado ver o House se passando por gay. E também é divertido ver Wilson e House disputando uma mesma mulher (já funcionou outras vezes). Duro é quando o humor, que deveria ser um acessório, se torna o elemento principal do episódio.

O problema de The Down Low é justamente este – um dia iremos lembrar deste episódio como aquele em que o Wilson pediu o House em casamento. Se é que iremos nos lembrar.

Séries citadas:

É jornalista, pós-graduado em Jornalismo Digital pela Pucrs e trabalha com produção de conteúdo para Internet desde 1995. É editor de internet do Jornal do Comércio, de Porto Alegre. Fundou o TeleSéries em agosto de 2002. Na época, era fã de The West Wing, The Shield, Família Soprano e Ed. Atualmente é viciado em The Good Wife, NCIS, Game of Thrones e Parks and Recreation.

13 Comments

  1. Rubens

    Engraçado é que um tipo de critica recorrente que eu vejo em alguns reviews de blogs brasileiros é exatamente em cima daquilo que eu sempre considerei A MELHOR e mais fantástica característica dos seriados americanos (os quais eu assisto desde a década de 60): Seriado americano NÃO É NOVELA, NÃO TEM TROCENTOS CAPÍTULOS que precisam ser assistidos em ordem, contando basicamente uma única historinha (graças a deus!).

    Cada episódio de um seriado americano normalmente é estanque, tem inicio/meio/fim, e conta uma história única. Voce pode assistir a um episodio separado dos demais, pode perder episodios, que isso nao deveria influenciar em quase nada.

    Essa é uma das maiores belezas da tv americana, voce senta-se diante da tv, e tem entretenimento completo durante uma hora, não precisa ficar preso a horarios e voltar a assistir na semana que vem para “saber o que vai acontecer”. Eu amo isso. A maioria dos seriados não são aquela encheção de linguiça (que enche é o saco do telespectador) como Lost, muito menos são como as novelas brasileiras.

    Por isso, nao entendo quando alguem critica algo como “conexao entre os episodios” (ou seja, a pessoa quer mesmo é ter aquele esquema sem fim das novelas), ou detalhes completamente bobos como “como o mafioso chegou ao hospital” (que importancia tem isso para a historia, cacilda? Quer ter historinha toda mastigadinha como uma novela de Janete Clair?)

    Eu quero apenas me sentar diante da tv e ter um bom entretenimento por uma hora. Se no episódio seguinte todos os acontecimentos deste forem completamente ignorados e esquecidos (como, por sinal, já “esqueceram” aquele porre que era a doença da Thirteen), não dou a mínima para isso! Os seriados americanos sempre foram assim, graças aos céus! :-)

    Resposta do Paulo: Eu não quero que House seja uma novela, mas eu exijo um mínimo de continuidade e cronologia Rubens. O tipo de televisão escapista que você defende acabou, pouca procura conteúdo deste tipo hoje em dia (uma que me pareceu ser assim é Human Target, que não vai bem). As pessoas querem personagens vivos, com vida privada, complexidade psicológica. Eu digo justamente o contrário de você – hoje não existe seriado sem o que você chama de “encheção de linguiça”. CSI, The Good Wife, NCIS, até Lei & Ordem! Todos tem algum tipo de desenvolvimento de personagens, um certo grau de serialização abaixo da carística procedural destas séries. No caso de House, meu sentimento era que esta temporada iria avançar na abordagem de todo processo pós-internação do House, o que não aconteceu… Daí a decepção. Se era para o médico não mudar, que não tivessem feito aquele episódio!

  2. Bruno

    Mermão….acho que tu nunca foi fã de House de verdade… Essa sexta temporada está muito boa. Esses episódios em que House não foi o protagonista foram muito bons. O de Cuddy principalmente. Pequenos erros e tentativas de inovação acontecem em todas as séries… Essa da pegadinha com o Foreman, por exemplo, foi forçada, mas não tira o mérito do episódio e muito menos da série…

  3. Lara Lima

    Eu resenhei este episódio para a coluna Lá Fora e critiquei justamente o humor e alguém me criticou dizendo que eu tinha perdido o senso de humor. Mas na verdade achei o episódio inteiramente sem graça porque a sua tentativa de humor foi forçada e desesperada. Também não gostei do paciente, achei muito esquemático e até bem clichê. Resumindo, eu me lembro do episódio porque escrevi sobre ele.

  4. Raphael Pinheiro

    House é uma das poucas (poucas mesmo. A outra é Lost) que baixo, sou fã desde o início e sempre louvei a evolução do seriado. Acho que ganhou sua melhor cara pelo final da segunda temporada (nos Euphoria pt 1 e 2) e consolidou-se no terceiro ano. Defendi as polêmicas quarta e quinta temporada como necessárias para o crescimento da história, evitando repetições e estagnações no desenvolvimento dos antigos personagens – mesmo que isso tenha custado o alijamento de alguns deles do ponto central. Com o início dessa temporada, os produtores tinham uma chance de ouro para dar nova guinada e mostrar que estavam no comando mais uma vez – ledo engano. Toda a nova concepção que parecia que House iria experimentar e demonstrar após sua detox foi pro ralo. O personagem nunca deixou de ser fascinante, mas virou marionete nas mãos de quem o quer mais ou menos ranzinza e implicante, conforme seguir ao propósito do episódio. Essa linha-guia da qual o Paulo falou está em falta, sim.

    E a maior prova é que eu parei de ver no episódio que antecede o “Wilson” e não retomei até agora. Tô com muita preguiça. E quando eu tenho preguiça de uma série, é alerta laranja.

    Acusar o Paulo de não ser fã de House de verdade é de uma leviandade típica de quem não lê o TeleSéries com frequência. Eu mesmo prefiro os reviews dele aos do Anderson, que era bom pra caramba mas nos últimos tempos deixava o próprio mau humor com o seriado contaminar seus reviews irremediavelmente (vide o caso 13).

  5. bia mafra

    Infelizmente o atraso nao me permite achar nada do episodio nem da resenha. logico que lembro da historia, mas mal, nao podendo assim emitir a minha opiniao sobre o episodio.
    Nao acho que house esteja tao terrivel assim, na verdade acho que eles estao caminhando devagar para um desfecho, humanizando o house aos poucos para poder tentar dar um final. senao, qual seria o final de house???

  6. Cleide

    foi por causa do seriado House que achei o TeleSéries,
    o primeiro review que li foi o “Skin Deep”, ainda em 2006, do Anderson e me alegrou muito encontrar um texto tão bem escrito que parecia que eu estava revendo o episódio, ou seja, o seriado era tão bom que os textos do episódio parecia fluir facilmente

    acompanhei os reviews da 2a. temporada e da 3a. temporadas maravilhada

    a 4a. temporada até dou o crédito de não agradar devido a greve dos roteiristas, ainda deu para acompanhar

    mas a 5a. e a 6a. está difícil mesmo de engulir
    é pena pois os reviews do Anderson sempre me deu uma ótima leitura, mas fazer o que de uma série que se perdeu de maneira tão infantil
    :/

  7. Flávia C.

    Triste ver uma série que a gente gostava tanto indo por esses caminhos duvidosos, né? Eu ando bem decepcionada.

  8. Tiago

    Gostei do episodio a serie esta indo bem nesta temporada, eu começo assistir e vou ate o fim sem ficar passando pra frente. E concordo com o Rubens os episodios tem que ter começo meio e fim, se nao passou como eles chegou no hospital imagina sao bandidos certo? Roubou um carro na rua e levou o amigo pro hospital, e nenhuma serie americana tem continuismo, tem varias series que perdi algumas temporadas, mas estou assistindo as temporadas atuais e entendo perfeitamente.

    Resposta do Paulo: Chegaram no hospital e conseguiram justamente uma consulta com o mais fodão dos médicos, que vive fugindo de atender pacientes na clínica?

  9. Thiago Sampaio

    Bia, o atraso meio que acabou colaborando com a proposta dessa review: ela termina exatamente nos perguntando o que é mais memorável… e fica sendo exatamente o Wilson pedindo House em casamento. Adorei a idéia do policial infiltrado, mas House se prendeu demais na comédia e isso fica um pouco perigoso em dramas mais sérios…

    Quanto ao comentário do Rubens: cara, sinto muito se sua vida é tão estresante e triste assim a ponto de vc precisar de um escapismo desses. Sério, sinto muito mesmo e espero que você melhore. Eu, por outro lado, prefiro e muito desenvolvimento de personagens e adoro saber que a história vai de um ponto A prum ponto B. É como com um bom livro: pra que um romance que pode ter capítulos pulados?

    No mais, uma incogruência em seu comentário: “que importancia tem isso para a historia, cacilda? Quer ter historinha toda mastigadinha como uma novela de Janete Clair?”. Pra começar, série contínua não é novela. E aqueles que apreciam histórias fechadas em 45min são exatamente aqueles que gostam de tudo mastigadinho, que não possui capacidade de fazer conexões com o que viu até pouco tempo…

  10. antonium

    eu concordo com a resenha.house tem uma espectativa muito grande com o seu conteudo e agora os roteiristas estão apelando para o humor porque estão tão perdidos quando foi Lost no passado. não sabem como direcionar a vida do house por causa das mudanças de personalidade,o elenco secundário não ajuda em formular boas histórias e os pacientes estão morrendo é de tédio.escapismo existe em certo grau em qualquer seriado afinal os casos de house não são comuns e nem seus métodos.o problema sempre é esse:a dosagem de verosimilhança;sempre os espectadores vão querer que o seriado ou novela se pareça com a realidade mas que paradoxalmente é uma obra de ficção. dosar isso constitui o talento dos roteiristas e a capacidade de interpretação dos atores.enfim continuo vendo house para aguardar um final para essa “novela mexicana”que o seriado se revela agora….

  11. Nanda

    “E aqueles que apreciam histórias fechadas em 45min são exatamente aqueles que gostam de tudo mastigadinho, que não possui capacidade de fazer conexões com o que viu até pouco tempo…”

    Bingo.

  12. Bruno

    Raphael, realmente não leio o Teleséries há muito tempo, mas não me prendo a opinões dos outros. Geralmente não leio resenhas sobre episódios, gosto de ter minha própria opinião. Já dei muito fora indo pelo gosto de críticos. Prefiro ter minha opinião. Ainda acho que House está muito bem nessa temporada, que está entre as melhores pra mim, estou entre essa e a 4a temporada.
    Quanto aos seriados serem novelas ou não, acho que a informação não está muito correta, acho que se você perde alguns episódios de uma série, vocêperde muito mais do que se perder 3 meses de novela…

  13. Pingback: House: 5 To 9 (05×13)

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