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Reviews

Review: House – Family

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Cena de HouseSérie: House
Episódio: Família (Family)
Temporada:
Número do Episódio: 67 (3×21)
Data de Exibição nos EUA: 1/5/2007
Data de Exibição no Brasil: 2/8/2007
Emissora no Brasil: Universal

Chegamos à reta final da terceira temporada e as coisas começam a ficar mais claras, mas nem tudo ainda foi servido para nós, o pedido de demissão do Foreman, porém, é um dos pratos principais. E mesmo eu adorando o último episódio e também os três que restam, considero Family o melhor capítulo desde o Half-Wit e o melhor daqui para o fim.

E o que tivemos aqui foi a mistura do drama característico da série inserido no momento atual dela, o dilema em que a família esteve envolvida durante o episódio foi um dos mais tensos já vistos no seriado. Em certa altura os pais estavam vendo ambos os filhos morrendo ou tendo que escolher um deles para viver. Wilson também não escapou e foi apertado e questionado pelo House como nunca antes. E nem vou falar das atuações de Leonard e Laurie que dispensam maiores comentários, mas sim novamente ressaltar o trabalho de Omar Epps, que sempre que é exigido mostra serviço com marcantes performances.

E o tivemos, novamente, como centro das atenções entre os coadjuvantes. Ainda abalado pelo que aconteceu na semana passada, Foreman passa o episódio todo cauteloso, sempre buscando todas as alternativas para o tratamento, sempre conservador. House estava considerando até o demitir, mas não foi preciso isso já que ele pede demissão. Ao fim, o pupilo vê como ultima alternativa de salvar o paciente persuadir e violar o irmão dele para pegar a medula óssea, isso tudo sem anestesia, já que ele não poderia tomar uma. E vemos Foreman se transformar em seu pior pesadelo: House. E novamente a conversa no fim dos dois foi brilhante e exemplifica bem toda a situação.

Chase e Cameron

A saga deles continua, mas agora de forma bem tímida como foi a investida de Chase. Não que isso seja ruim, foi apenas o necessário. E pudemos ver a Cameron incomodada com a situação – mesmo sendo apenas um lembrete, aquilo está mexendo com ela. E sabe que estou gostando agora dessa situação deles, não havia me incomodado, mas também não tinha gostado tanto, mas esse lance mais sutil faz mais o meu gosto do que a Cameron toda assanhada que vimos antes. E coloco abaixo a frase desta terça feira do pupilo para a sua amada:

É terça-feira. É o dia que eu te lembro que gosto de você e quero que fiquemos juntos.

House, Hector e a bengala

O doutor está tendo problemas com seu novo companheiro de casa, o cachorrinho do seu amigo que acabou ficando com ele. Mas acontece que o pequeno cão está destruindo tudo que vê pela frente: tênis, livros, jornais, bengala e etc. Mas o pior é que ele acha as pílulas de vicodin e fica chapadão, a cena dele lá caído lembrou a do House que já vimos, além de ter sido divertidíssima.

Esse cachorro era um verdadeiro castor e roeu tanto a bengala do doutor que acaba ela acaba quebrando no meio do corredor do hospital, qualquer semelhança com a cena da temporada passada não é mera coincidência. Wilson diz e House explica:

Não fui eu dessa vez.

Não, foi seu maldito cachorro. Ele mastiga tudo.

Ele quer se livrar do animal, mas sem ter muito trabalho, então deixa a porta aberta e quando chega além de ver o bicho dormindo na sala, vê também que seu aparelho de som já não se encontra mais na casa. Mas encontra consolo quando sem querer querendo machucando o cãozinho. E a cena de despedida do doutor com o cachorro é maravilhosa, os dois mancando e tomando vicodin juntos e aquela olhadinha que o Hector dá no final, só torna a cena mais descontraída e divertida. A música que toca nessa hora é de Brett Dennen, “Ain’t No Reason”.

Mas um dos melhores momentos da série e do episódio é quando House e seu fiel amigo vão a uma loja comprar uma nova bengala. Hugh Laurie de cachimbo, Sherlock Holmes, brilhante citação do seriado. Junte a isso o ele se desculpando com o Wilson e sua nova bengala com o desenho de chamas. E para deixar tudo ainda melhor, com AC/DC ao fundo com “Highway To Hell”. Melhor é impossível.

Paciente da semana

Temos dois pacientes essa semana. Wilson tem um paciente que está com leucemia e iria receber uma doação de medula óssea de seu irmão, mas infelizmente ele indica ter alguma doença e tem que estar totalmente saudável para a doação. E é ai que entra o House, que tem que dar um jeito de descobrir e curar a tempo o garoto para poderem salvar o irmão que tem apenas cinco dias de vida sem o procedimento.

Mas o Foreman não está e vão buscá-lo, ele se encontra na igreja. O doutor e toda turma se dirigem para lá e lá mesmo discutem um pouco sobre o diagnóstico do garoto. Mas House não perde a chance, e então diz para Foreman:

Já terminou de falar com seu amigo imaginário?

Com tão pouco tempo e milhares de infecções, concluem que a melhor maneira de tentar achar a problema do garoto é o fazendo ficar mais doente, assim ela se manifestará mais rápido e poderão fazer algo. Foreman que está com os dois pés atrás, tenta ir pelo caminho convencional e House o deixa andar com as próprias pernas por enquanto. Então ele parte com o Chase para a casa do paciente enquanto o doutor e o Wilson vão falar com os pais dos pacientes.

Chegamos a outro ponto muito interessante do episódio que é o Wilson pegando permissão dos pais para os tratamentos. Sabemos que ele é um mestre nesse assunto, mas ele sempre joga a responsabilidade de toda a decisão para cima dos responsáveis. House já percebe isso no momento em que observa tudo, mas é depois que virá a tempestade.

Chase e Foreman estão na casa do paciente e lá conversam sobre perdas de pacientes que os dois tiveram. Foreman desabafa e faz uma constatação que não gosta muito:

Não sou como você. Sua paciente morreu porque estava distraído pela morte do seu pai. Eu tomei uma decisão pensada. Você agiu como um ser humano. Eu agi como House.

Descobrem depois que o garoto tem algo no coração, mas uma cirurgia poderá curá-lo a tempo do transplante ou podem o tratar com antibióticos e um mês depois ele estará bem, porém seu irmão morto. Foreman não quer arriscar a vida de mais um paciente e leva o caso até a Cuddy, que da seu voto para o doutor e a cirurgia. Curiosa ela pergunta sobre a colher de chá que House está dando para ele, que explica a situação de seu pupilo:

Acho que ele tem distonia. Steve Blass, Scott Norwood, David Duval. Todos tem distonia. Grandes atletas, que perderam a confiança e imediatamente ficaram péssimos.

E você está dando tempo a ele para lidar com isso?

Quatro dias e depois ele está despedido. Você não se recupera da distonia.

Mais uma vez buscando permissão dos pais para um procedimento, agora Wilson age conforme o House havia falado, assumiu a responsabilidade. Mas o doutor estava afiado hoje com os pais e toda hora soltava uma, fiquei até com medo de ele tomar alguma pancada deles. Preocupados, os responsáveis perguntam se o registro de doações de medula se eles poderiam encontrar algo e o doutor diz:

Talvez eles cheguem aqui num unicórnio.

Continuando a saga de permissão dos pais, Foreman os persuade para aceitarem e tentar o transplante da lista que é de compatibilidade parcial e tem grandes chances de dar errado. Wilson tenta argumentar e falha aceitando a decisão dos responsáveis até sem tentar muito. House então durante uma discussão com o amigo diz:

Foreman fez o que achou certo. Você, por outro lado, amarelou. Quando era hora de decidir, não teve coragem de dizer o que fazer. Se aquela criança morrer, é porque o Foreman estava errado e porque você é um covarde.

O transplante não dá certo como era esperado e as chances voltam a ser depositadas no irmão que está com uma doença misteriosa. E mais uma vez vão até os pais para conseguirem autorização para um procedimento que matará um irmão e fará o outro melhorar, mas depois de tudo que ocorreu eles não querem deixar seu filho para trás e escolhem o arriscado caminho de tentar salvar os dois. E realmente depois de tudo pelo que passaram, dá para ver nos olhos o cansaço e falta de paciência deles. Ponto para os atores.

Um dos três melhores momentos do episódio é quando House tem uma conversa com o garoto que tem leucemia e tenta o convencer a ajudar seu irmão, doando sua vida e para tranqüilizar seus pais que estão desesperados. Apesar de um pouco grande, colocarei abaixo as palavras do doutor:

Você está morrendo. Nada mudará isso. Remédios só farão com que seja mais fácil. Catorze anos no planeta. A maior parte gasta sofrendo. Morrendo antes que pudesse dirigir um carro, tirar o soutien de uma garota, beber uma cerveja. Acredite em mim, tem muita coisa que você não fez. Coisas muito boas. Deve ficar difícil para acreditar em Deus ou justiça. Um objetivo maior. Mas sua vida não tem que ser insignificante. Pode salvar seu irmão.

Mas felizmente Foreman e Wilson descobrem o que há de errado com o outro irmão fazendo com que esse não precise mais fazer isso. A casa deles fica em cima de uma antiga fazenda e ele pegou histoplasmose. Como a famíilia vivia numa área urbana não pensaram nela antes. Mas o problema é que não poderá doar a medula para o irmão.

Foreman está cuidando do garoto e diz que o irmão dele estava disposto a dar a vida pela dele, pergunta se ele faria o mesmo. O garoto meio que concorda com a cabeça e o pupilo resolve extrair a medula a força praticamente. Isso devido ao moleque estar doente demais para uma anestesia. Para salvar o outro paciente Foreman passa por cima de tudo e todos para isso. E temos aqui a cena do episódio com o garoto sendo amarrado na cama devido as fortes dores que sentirá. A cena é forte, a agulha sendo enfiada no osso e garoto gritando para parar e perguntando se já foi o suficiente, a resposta do pupilo de que precisará de muito mais causa um impacto ainda maior.

O transplante funcionou e agora os irmãos estão bem. Diferente do último episódio aqui foi melhor não haver mortes, na verdade essencial já que o Foreman se transformava no House. E falando no doutor, ele fica orgulhoso da atitude de seu pupilo. Os pais não devem fazer nada já que seus dois filhos acabaram bem, tudo acabou bem. É claro que o garoto pode ter ficado traumatizado, mas isto é melhor do que se seu irmão tivesse morrido.

Chegamos a conversa final entre mestre e aprendiz. House diz que ele fez o bem, mas o pupilo está irredutível, depois do caso da semana passada e principalmente esse, ele está com medo do que ele está se tornando, do que é capaz de fazer para salvar um paciente e de como pode perder também. Ele desabafa para o doutor que depois responde:

Eu odeio ser capaz de ouvir um garoto gritando de dor e não me questionar nem por um momento se estou fazendo a coisa certa. Eu odeio que, para ser um médico como você, eu tenha que ser igual a você como ser humano. Eu não quero me transformar em você.

Você não vai. Você é como eu desde seus oito anos de idade.

Cena de HouseMuita pressão, muitas coisas para pensar e ele não está conseguindo lidar com tudo. O medo tomou conta dele e também o está conduzido. Ele se demite e agora iremos ver como tudo irá correr nos próximos episódios, já que faltam ainda três episódios e é muito cedo para um cliffhanger, então vamos ver o que esses roteiristas vão aprontar com a gente. Finalizando temos a declaração final de Foreman e seu pedido de demissão:

Você salvará mais pessoas do que eu. Mas ficarei feliz de matar menos. Considere isso meu aviso prévio.

Séries citadas:

14 Comments

  1. Leon

    Anderson, como sempre, excelente review para um excelente episódio. Achei mbom demais esse episódio muito legal mesmo.

    Me deu um medo quando house falou pra wilson que ia demitir o Foreman… pra no final ele pedir demissão do mesmo jeito ! PERFEITO !

    O negocio dos “8 anos de idade” eu perdi alguma coisa ? ou isso foi algo aleatório que House soltou ? Na hora me pareceu uma forte referência a abuso na infancia.

    Quanto ao que foreman falou quando comparou ele mesmo a house, acho que ele não levou em consideração que quando house faz aquelas loucuras, é mais por ciencia e realização do trabalho do que por “salvar o paciente”. Aquela cena da punção foi ótima. (o caso do foreman).

    omar Epps é sensacional !

    Que venha o final de temporada (e que temporada !) !

  2. Cesar

    Valeu, Anderson! Perfeito!

    Uma pergunta: que série é capaz de ter House + AC/DC + Hector?

    Bastam as sub-tramas para “House” se mostrar uma série espetacular.

  3. Simone Miletic

    PERFEITO!

    Para mim o melhor episódiod a série até hoje, conseguiu me deixar com a boca seca.

    Anderson: ótimo review, a altura do episódio!

    Beijos

    Si

  4. Carina Medeiros

    Fiquei chocada, impressionada e maravilhada com a cena da punção que Foreman realiza no garoto! Expondo melhor: fiquei maravihada pela coragem de se fazer uma cena de “tortura”de um garoto e pelo realismo que vimos na mesma. São situações assim que nos impressionam e nos fazem ver o quanto House é uma série excepcional! Tão boa que podemos ver ótimos episódios quando são focados no protagonista e/ou nos coadjuvantes. Próximos episódios: fortes emoções.
    Ah, não poderia deixar de comentar a atuação final de Hector: aquele olhar de despedida foi muito lindo!
    E mais uma vez, a rewiew está à altura do episódios! parabéns Anderson, sou sua fã!

  5. Fer Funchal

    oi, querido.
    finalmente estou em dia com as minhas prestações do baú, i.e., tô em dia com House. acho que descobri o que eu não gosto na terceira temporada. depois comento contigo no email. tô na correria. agora, é só um “oizinho”, mesmo.

  6. Silvia

    Esse episódio é um CLÁSSICO! Tem de tudo, na dose certa! A cena de despedida de Hector valeu pela temporada toda! O que uma convivência com o House não faz, hein? – faltou o Foreman assistir essa cena (se o cachorro ficou parecido com o House, porque ele não ficaria).
    Só achei muita forçação a cena do House com o paciente de leucemia, pois o menino estava fragilizado demais. Sei que ele “usou” disso pro garoto convencer os pais, mas poderia ser uma cena mais sutil ,até pro House.
    Anderson, ótimo esse review!!!

  7. Olga Nogueira

    Como é, Cristiano???? A TVA vai ter os canais globosat???? Poderia me dar mais detalhes?

  8. crisguilhon

    Adorei toda essa temporada d House, mas esse episódio foi simplesmente perfeito.

  9. Paulo Antunes

    Anderson,
    Será que eu sou o único que gostei mais do episódio anterior House Training? Este aqui teve algumas coisas que eu não gostei. Diferente de você eu não gostei dos pais dos garotos, achei os atores fracos. Aliás, acho que foi isto que eu não gostei do episódio – o fato que este talvez tenha sido o maior drama de todos os pacientes da história da série (poxa, os pais são levados a fazer uma Escolha de Sofia), mas faltou mostrar isto, a carga dramática não foi suficiente.

    Ainda assim um ótimo episódio.

  10. Anderson Vidoni

    Leon,
    obrigado. E esse lance da idade foi mais algo aleátorio mesmo. E tem razão sobre o House, mas nem tanto, ele tenta salvar o paciente também, mas a outra necessidade dele do quebra cabeças é forte.

    César,
    combinação imbátivel, quem diria o AC/DC em House? Perfeito. E no resto concordo.

    Simone,
    obrigado. Eu não chego a tanto, mas também achei maravilhoso.

    Carina,
    obrigado. E essa cena eu considero uma das melhores da série até hoje.

    Fer,
    não deixe de mandar a mensagem, to querendo saber e também o que achou desse episódio.

    Silvia,
    obrigado. E acho que tenho que concordar com o clássico. A parte com o cachorrinho foi realmente ótima. E o House nunca é sútil, até para pedir desculpas ele complica.

    Cristiano (Highlander_Master),
    Será que na próxima temporada contarei com seus comentários por aqui? Vai ser uma boa para quem tem outras operadoras, espero que dê tudo certo.

    crisguilhon,
    foi é bem por ai mesmo.

    Paulo Antunes,
    tem gente que prefere o anterior mesmo, eu mesmo adoro ele, mas prefiro esse um pouco mais. House Training tem um clima leve como um dia aberto e vai se transformando ao longo do episódio como se tivesse chegando uma frente fria, primeiro o vento, dai começa a ficar nublado e escuro até que começa a chuva. É assim que vejo o clima dele e acho que é esse seu charme.

    Sobre esse episódio, eu realmente gostei dos pais, não foram ótimos, mas bons com o tempo que tinham. E concordo que foi um dos maiores dramas da série e se fosse em outra ocasião isso tudo poderia ser bem mais explorado, mas aqui tinhamos várias outras coisas acontecendo. E ainda assim achei que foi bem desenvolvido o drama. E só a cena do Foreman fazendo a punção sem anestesia já me deixa mais inclinado a preferir este ao anterior.

    Mas é normal a preferência por um ou por outro, a diferença de qualidade entre os dois não foi tanta.

  11. Silvia

    Como gosto da grande parte dos episódios, fica difícil escolher, mas curto bastante é a evolução dos personagens. Os episódios anterior e este se complementam, pois mostram o drama do Foreman. Mesmo se parecendo com o House, coisa que ele não quer que aconteça, aqui ele teve que transpor os limites. É preferível tentar tudo do que conviver com um erro seu e a conseqüente morte do paciente – acho que essa foi a lição que o House deixou prá ele.

  12. Ana

    As cenas da bengala+AC DC e do Hector foram espetaculares… O caso dos irmãos e a atuação dos médicos também, novamente o Omar impressionando em cena. Mas o que mais me chamou a atenção foi o House chamar o Wilson de covarde: achei demais (no sentido ruim), até para o House foi um muito forte. A expressão do amigo disse tudo…foi muito pesado! Belas atuações, ótimo episódio, review sem palvras! :)

  13. Daniel de Ávila

    A coisa mais interessante que vejo nesse arco final da 3º temporada é o fato do Foreman estar lutando para não ficar igual ao House, sendo que de todos os púpilos, ele é o que sempre tentou demonstrar que podia ser igual ao House.

    Mas com certeza esse foi mais um grande episódio, para mim o grande detalhe fica com a usual sutiliza do House ao citar os atletas com distonia, nada mais politicamente incorreto.

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