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[REVIEW] House – Everybody Dies

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Terminou. Parecia que esse momento não ia chegar nunca. Eu não queria que chegasse. Sabe aquela primeira série da sua vida? A primeira que você realmente acompanha semanalmente, aquela que faz você começar a se tornar um fã de seriados? Muitos tiveram essa experiência com Friends, Lost, Arquivo X, entre outras. A minha foi com House. A série estava na segunda temporada, assisti um episódio na TV e foi amor à primeira vista. Desde então seis anos se passaram, mais de 100 episódios; vi a série no seu auge, vi todo mundo ser fã de House. Vi também muita gente começar a abandoná-la, entendia a mudança, mas não entendia por que aquelas pessoas não gostavam mais daquela maravilha. Infelizmente vi a série ser considerada por muitos irrelevante, afinal, depois de oito anos, ainda eram poucos os que realmente amavam o seriado. Nesses seis anos vi séries melhores, vi séries que me emocionaram mais, vi séries que me divertiram mais, mas não vi nenhuma série que criou em mim o carinho que tenho por House. E essa série foi capaz de me emocionar sempre que quis, lembro de passar o resto do dia com um aperto no coração depois de episódios como Wilson’s Heart ou Help Me, do jeito que nenhuma outra série conseguia me deixar.

E assim chegamos a 21 de maio de 2012, o dia em que a série mais importante da minha vida acabou. Espero conseguir compartilhar com vocês um pouco do que foi a experiência de assistir à Everybody Dies, um episódio simples e genial, feito para quem é fã da série. Digo isso, pois provavelmente quem abandonou a série em algum momento vai achar o final meio decepcionante, mas quem seguiu com House durante as oito temporadas com certeza se apaixonou pelas sensações que esse episódio trouxe.

Sendo mais racional, foi um episódio simples. Nada muito marcante para o fim da série. Não foi um House de drama pesado como o que nos acostumamos a ver quando a série encerrava suas tramas, ou até como vimos na temporada passada, em episódios como After Hours. Foi um episódio que encerrou a série de uma maneira simples, bonita e eficaz.

Everybody Dies é primeiramente um grande estudo da mente de Gregory House, com o nosso amado protagonista preso num prédio em chamas, alucinando com todas as pessoas que já passaram por sua vida. Kutner, o seu funcionário que se suicidou; Amber, a namorada de Wilson que morre no acidente de ônibus ao qual House sobrevive e depois aparece na mente do médico por uma temporada inteira; Cameron, a médica apaixonada por House, que foi tão importante em seus anos de série; Stacy, a sua esposa lá das duas primeiras temporadas (fazendo um papel que provavelmente seria de Cuddy caso Lisa Edelstein tivesse aceitado participar do episódio). Todos passam pela mente de House para conversar com o doutor à beira da morte. Cada um com a sua particularidade, estudando as atitudes de House ao longo dos anos. É uma reafirmação da vida que o médico levou por tanto tempo, coisas que já lhe foram ditas em outras situações, mas que dessa vez contam com uma diferença: a condição da única pessoa com quem House se importa de verdade, seu amigo Wilson.

House está sendo egoísta mais uma vez, afinal, qual o seu motivo para continuar vivendo? Ele está indo para a cadeia, abandonando seu amigo em seus últimos meses de vida, perdendo seu emprego e sua equipe, não restaria mais nada. Na conversa com Stacy, House deixa claro como sabe que está sozinho no mundo, falando que a vida que ela está tentando lhe mostrar (com uma esposa, filhos e etc) é impossível, pois não existe mais ninguém em sua vida. O que muda tudo é Wilson.

House pode ter criado uma relação com Cuddy durante a série, mas de verdade, a única pessoa que realmente sempre esteve lá para ele foi Wilson. Seu melhor amigo em todas as situações, para tudo que House precisou Wilson estava lá, durante oito anos. Uma relação de amizade única e especial, a melhor trama que David Shore podia ter escolhido para terminar a série. House não se importa nem com ele mesmo às vezes, e já mostrou isso várias vezes, mas Wilson é a pessoa que pode mudar House. Descobrir que o amigo está morrendo é o maior baque que ele pode sentir. Sem Wilson ele não tem ninguém. E é exatamente pela única pessoa que importa em sua vida que House resolve não realizar um último ato de egoísmo. É na verdade um imenso ato de solidariedade. House finge a sua morte para ficar livre de tudo e assim poder passar os últimos cinco meses de vida com seu amigo. “Eu estou morto, como você quer passar os seus últimos meses de vida?”. Ele dá a sua vida para poder ter um final feliz com Wilson.

House fingir a sua morte ainda é uma última grande homenagem de David Shore às histórias de Sherlock Holmes, que tanto inspiraram o seriado. A famosa história onde Sherlock finge sua morte só deixando uma pista para Watson é agora reencenada por House e Wilson.

Depois de tanto tempo no ar, House não era mais uma série que precisava de um episódio final para fechar muitas tramas ou responder perguntas. E é exatamente a simplicidade do fim que deixa Everybody Dies tão bonito. Nós não sabemos o que House vai fazer depois que Wilson morrer, mas também não precisamos saber. Sabemos que House continua vivo por aí, fazendo sabe-se lá o que, mas de qualquer jeito a série encerra deixando seu protagonista vivo para sempre. A imagem da morte de House não vai existir em nossas mentes, estamos livres para imaginar como foi o restante da vida do melhor médico que a televisão já viu.

O clima do episódio é construído por uma sequência de emoções diversas. Ao começarmos a assisti-lo já temos a tensão de House alucinando em um prédio pegando fogo, e disso segue a nostalgia de ver tantos personagens que fizeram parte dessa história. Depois o drama aumenta com House chegando perto do suicídio, seguida da cena da suposta morte após encontrar o olhar desesperado de  Wilson pela janela. Esse é o momento da explosão de lágrimas no episódio, quando você pensa “Eles realmente tiveram a coragem de matar o House”, e entra em desespero na mistura desse drama com mais uma dose de nostalgia ao ver o restante dos personagens falando em seu funeral. Taub, Thirteen, Masters, Foreman, Adams, Park, todos em frases curtas descrevendo como House mudou a sua vida. Como aquele chefe ranzinza e odioso mudou a sua vida para melhor. Mas aí o celular toca. Quando o celular começa a tocar as lágrimas começam dar lugar a um sorriso. Uma última e maior pegadinha para o médico mais brincalhão que já vimos. Num episódio chamado Everybody Dies, na verdade tivemos um grande Everybody Lies.

Ao contrário do que imaginávamos, o fim da série não vem com uma morte, mas sim com uma brincadeira. Os dois opostos que sempre estiveram presentes em House, o drama e a comédia. Se as lágrimas voltam a aparecer no fim, elas são de alegria. Para quem já viu House passar perto da morte, sofrer com alucinações, ir para o hospício, ir para a cadeia, quase morrer ao realizar uma operação em si mesmo, entre tantas outras situações onde o drama e as dificuldades predominavam, o fim se torna uma libertação, um último suspiro de alegria. Depois de tudo que passamos nesses oito anos, a amizade predominou. A música final (indicada por Hugh Laurie para os produtores) é perfeita. “Aproveite a vida enquanto você pode”, ou como diz House no início do episódio, “Você nunca viu A Sociedade dos Poetas Mortos? Carpe diem!”. Ao longo da série House vai abandonando várias coisas em busca de libertação; além dos vícios e dos relacionamentos, é marcante como House abandona Cuddy no fim da sétima temporada, tirando o peso daquele romance que trouxe mais tristezas do que alegrias. E agora, após abandonar quase tudo, House abandona literalmente a sua vida, mas em busca da felicidade.

E ainda não é só a felicidade de House que marca um episódio que traz a morte no nome. Todos mereceram seu final feliz. Taub, que batalhou tanto contra a tristeza em seu tempo na série, finalmente feliz com suas filhas e em paz com as mulheres; Cameron, que sofreu tanto até não aguentar mais a equipe, agora feliz com um marido e filho, e ainda trazendo um último golpe de nostalgia com aquela foto da primeira equipe de House em seu computador, lá onde tudo começou; e enfim Chase, que se tornou tão importante para a série, o único que foi da equipe de House desde o início, que teve a sua vida marcada em tantos momentos, que aos poucos se tornou um “jovem House”, que nessa temporada cresceu tanto se tornando um dos melhores coadjuvantes da série, conseguindo carregar tramas sozinho, sendo decisivo em uma grande virada nesta última temporada ao ser esfaqueado e causar um dos melhores momentos do ano discutindo com House. Chase se tornou o principal médico e melhor personagem da equipe, e nada mais digno do que encerrar a série assumindo o posto de House. “Robert Chase M.D.” marcado na porta da sala do setor de diagnósticos, ele com certeza aprendeu com o melhor.

Enfim, esses foram os últimos 43 minutos de House. Vai ser estranho não ter mais essa série para acompanhar daqui pra frente. Mas é com um sorriso no rosto que House nos deixa após fazer parte de nossas vidas por tanto tempo, provavelmente a depressão por ter perdido essa série vai bater em alguns dias, ou até mesmo na próxima fall season, quando todas as suas séries favoritas estiverem voltando, mas House não. E isso faz parte, mas posso dizer que fui feliz pelo tempo em que acompanhei a série, e o final digno que era tão merecido aconteceu. Todo mundo morre, mas House vai viver pra sempre no coração de quem teve a sua vida tocada pela série.

Adeus, House. Obrigado por tudo.

Enjoy yourself, it’s later than you think

Colaboração especial de Lucas Paraizo

Confira nossos especiais sobre os coadjuvantes inesquecíveis, os casos bizarros e os episódios memoráveis da série.

Séries citadas:

Os textos assinados pela Redaçao TeleSéries são textos de autoria coletiva ou notícias escritas por um redator anônimo, mas sempre revisadas com a máxima precisão jornalística.

10 Comments

  1. Bruno

    Desculpe autor desconhecido mas esse final foi Pifio. House acabou na 4a temporada, com a morte de Amber, simplesmente. Tiveram tantas oportunidades para mudar a dinâmica (o hospicio, a cadeia, o proprio relacionamento com Cuddy) e simplesmente desperdiçaram, se atendo a velha trama de sempre, no hospital.

    Essa atitude de largar tudo, não parece com House. Ele nunca se importou com ninguém, NEM COM WILSON. O relacionamento do Cuddy era muito mais importante, mas como decidiram fazer aquela besteira no final da 7a temporada não tinha como ir por ali. A aparição de Stacy pelo menos fechou essa parte, assim como a de Cameron, já que também jogaram fora a esposa russa.

    Assisti até o fim mas não posso deixar de sentir a mesma sensação que tive com o final de Lost “perdi anos da minha vida com isso”. Lastimavel um bom personagem com boas histórias cair na mesmice e ter esse final sem graça. Final DIGNO foi o de ER.

  2. marifreica

    Até hoje eu não encontrei um momento para definir o final de House. Larguei a série da tereira temporada, depois me deu crise de consciência e voltei a assistir. Mas parei de novo lá pela sexta (eu acho).

    Quando a Amber morreu, concordo com Bruno que ali já deu. Mas algumas coisas mais para frente eu curti também, como a Thirteen (e só!).

    A saída da Cameron foi estilo Izzie em Grey’s Anatomy. Tô saindo, tchau!

    Mas, sei lá… Eu canso rápido de séries dramáticas, então sou suspeita pra dizer.

    Achei que todo mundo morria no final, pelo nome do episódio, hahahaha

  3. Bruna Cora

    Esse final realmente foi perfeito e não vou escrever os motivos, pois vc já disse muito bem. Só acho que eles poderiam ter falado um pouco mais sobre a Cuddy na conversa entre House e Stacy, já que n teve como a Lisa ter voltado. Ficou parecendo que ela não é/foi importante na vida do House. De qq forma, essa foi a terceira série que me apaixonei dessa maneira inexplicável (a primeira foi Friends e a segunda Seinfeld – q comecei a assistir depois que terminou), mas posso dizer que hj ela é a primeira da minha lista! 

  4. Bia

    Eu gostei do final também. Abandonei depois da finale da 7ª Temporada mas não resisti e assisti a esse season finale. Foi emocionante e o final mostra que o verdadeiro amor de House é na verdade a amizade com o Wilson.

  5. Bianca Mafra

    Pefeito, Dierli, não foi o melhor episódio de House, mas com certeza foi o melhor final que poderia ter dado a ele, esse e o que ele destroi a casa da Cuddy! mas ainda prefiro esse

  6. Jackie

    Meu sentimento foi o mesmo que o seu. House foi a primeira série que me apaixonei e não entendo o porque de  tantas pessoas a criticarem depois de um tempo… Alguns (poucos) episódios mais fracos, outros no sense, mas Greg House e suas pecularidades,  sempre me faziam pensar, sorrir, me emocionar, me divertir afinal, porque a função de uma série é essa. Fui (e sou)  fascinada pela personalidade de House e se ele fosse real, seria uma das pessoas com quem eu adoraria conversar (claro, já sabendo que seria arrasada…rs). Realmente, há séries melhores, mais lineares e surpreendentes, mas House, na minha opinião é insuperável e com certeza é a que ficará  para sempre marcada como minha preferida. 

  7. Raq

    Também deixei de acompanhar House há algum tempo, mas suas palavras descreveram perfeitamente o que senti assistindo o final, as lágrimas, depois o sorriso de alegria, mesmo que triste pela despedida. House foi tão presente na minha vida, tenho os boxes das primeiras temporadas, passava noites e noites com a equipe e as histórias, e fui muito feliz. Fui mais uma apaixonada pelo House, sua mente, sua personalidade, as frases, as lições. E o que vou guardar dele é um carinho pra sempre, poucas séries conseguem esse mérito no coração de um fã.

  8. Jôsy

    Concordo com tudo o que você escreveu, ele foi emocionante de um jeito simples e puro, e sim eu chorei quando pensei que House tinha morrido, foi chocante e assustador, mas quando wilson recebeu a mensagem de texto “cala a boca idiota” (se eu não estou enganada), então eu simplesmente comecei a rir, pois já sabia quem a tinha enviado. O ultimo ato foi muito legal wilson bem parecido com House e House sendo House. Essa série com certeza é a melhor de todos os tempos.
    Go House M.D.

  9. Lu

    Pensei que era so eu que chorei no espisodios Wilson’s Heart ou Help Me,House concerteza vai deixar saudade o seu sarcasmo e sua inteligencia.#Houseeterno

  10. Pingback: Toda série tem seu fim | Aleatoriamente

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