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Review: Fringe – The No-Brainer e The Transformation

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Fringe - The No-BrainerSérie: Fringe
Episódio: The No-Brainer e The Transformation
Temporada:
Número do Episódio: 12 e 13
Data de Exibição nos EUA: 27/1 e 3/2/2009
Data de Exibição no Brasil: 2 e 9/6/2009
Emissora no Brasil: Warner

Mais do que analisarmos os episódios, os textos de Fringe tem servido para debatermos sobre o universo das séries em si, Paulo Serpa Antunes fazia isto com suas reviews e eu pretendo continuar nesta linha. Dito isto, temos os episódios The No-Brainer (1×12) e The Transformation (1×13) que, na minha opinião, foram episódios muito bons, principalmente porque os personagem começam a se encaixar na trama. Mas é fato que estes episódios não serviram pra nada em relação a trama principal, e creio que com isto muita gente os esteja chamando de fillers.

Vamos voltar um pouco no tempo, na época em que Fringe estava em pré-produção, com toda expectativa em cima dela por ser “o novo Lost” de JJ Abrams. Lembro que nas entrevistas os produtores faziam questão de ressaltar “que os episódios da série teriam começo, meio e fim, mas que haveria uma grande trama por trás”. Lembro que eles também falaram a respeito dos personagens dizendo que o crime da semana seria resolvido, mas seria no decorrer das temporadas que os personagens se transformariam. Resumindo, é como se eles dissessem que seguiriam a formula de CSI ao mesmo tempo em que trabalhariam também o que há de melhor em Lost, que é o desenvolvimento dos personagens. E se objetivo deles era realmente este, eles começam a encontrar o tom da série.

E o Antunes comentou aqui sobre o fato de que todos querer ser o novo Lost, mas tem medo de ser o novo Lost. A questão que temos que analisar é: por que as series que tentaram ir por este caminho falharam? Acho muito vago e arrogante falarmos que “o publico é burro” ou “o publico não tem paciência” pra explicar o fato das séries como Invasion, Surface e Jericho, entre outras, não terem se mantido no ar. Assim como acho esta mesma resposta acima vaga pra explicar a queda de audiência de Lost.

Claro que o publico tem a ver com isto, porque assim como no cinema os filmes inteligentes não tem atraído multidões, a TV também sofre deste problema. E eu realmente queria saber o porquê. Um critico de cinema do qual não me recordo o nome falou que isso se deve ao fato dos Estados Unidos estar em crise e que com isto a indústria passou a fazer do cinema um lugar pra se divertir – e por mais que eu respeite este crítico, eu não concordo.

A questão é que Lost me parece ser o projeto de vida de Damon e Carlton, claro que isso é opinião pessoal, e não, não estou dizendo que a série já estava escrita desde o começo, o que quero dizer é que sim, eles já tinham boa parte da série desenvolvida. Já nas outras séries de sci fi, eu percebo algo bem diferente: que eles apresentam uma boa ideia para o piloto, mas não parecem ter ideia alguma para onde a trama deve ir. E isto pra mim parece ser mais prejudicial do que o que o publico querer ou não assistir.

E aí, voltando pra Fringe, eles (equipe criativa) quando resolveram fazer a série tinha dois grandes problemas pra resolver: um seria atrair o interesse do publico que se sente enganado por séries com longos arcos e poucas respostas, e outra seria a própria série não cair no mesmo erro de ter uma boa idéia para piloto, mas depois dali não saber pra onde ir. E estes dois últimos episódios a meu ver parece terem algo fundamental para o sucesso da série: o controle sobre a obra.

A minha questão é que o controle sobre a obra pode ser a resposta para o sucesso.

Então finalmente falamos dos dois episódios de Fringe, vamos analisar que pra trama principal da temporada (que sejamos justos, ainda não ficou muito clara qual é) o episódio não nos trouxe nada. Talvez apenas resolução final sobre John que, cá pra nós, acabou manchada pelo fantasminha de Denny Duquette em Grey’s Anatomy, que meio que detonou todas as aparições de mortos vivos em qualquer série nesta temporada. Mas, o que mais funcionou nestes dois episódios de Fringe, onde todos queriam saber de David Jones, da Massive Dinamic, e do Observador, enfim, o que funcionou nestes dois episódios foi que não nos foi entregue aquilo que queremos. Sim, porque o publico se tornou mimado, e eu vejo que toda vez que a série quer agradar seu publico, como todo bom mimado, ele enjoa daquilo que tanto queria.

E com Fringe não nos entregando o que queremos, podemos acompanhar o cada vez mais unido grupo de Olivia, e mais do que isso, o desenvolvimento melhor dos três personagens. Dito isto, eu diria que Joshua Jackson finalmente nos entregou uma boa atuação no episódio The No-Brainer, com a preocupação dele com Walter, que na verdade era medo de perder o pai que nunca teve, e a cumplicidade cada vez maior entre ele e Olivia. Não poderia deixar de destacar a participação de atriz Mary Beth Peil, que para os ex-teens não deixou de ser um reencontro de elenco de Dawson’s Creek, já que Mary Beth fazia o papel de Evelyn, a doce e companheira avó de Jen.

Fringe - The TransformationNo episódio The Transformation tivemos um destaque maior em Olivia e a resolução definitiva sobre John. Não vou mentir que não gostei deste recurso utilizado pela série. E com o inicio desde episódio com um monstro saindo do banheiro do avião, termos boa parte do episódio com Olivia dentro do tanque dando beijo em John foi broxante, mas ainda assim, é o tal controle sobre a obra que falo. Vejam bem, não estou falando que controle sobre a obra é apenas entregar aquilo que não esperamos, nada disso, mas eles (equipe criativa) tinham que dar um fim na historia de John, e com isso casaram tudo que havia sido feito em relação ao personagem até então. A conversa que Olivia viu de John com mais dyas pessoas e até o teor da conversa casava perfeitamente com o monstro do avião.

E creio eu, que o fato de John não ser um vilão abre portas pra que Peter não seja tão bom quanto parece. Porque, vejam bem, Peter nos foi entregue no piloto como alguém de caráter ambíguo, mas até agora ele me parece ser o único ali que Olivia pode realmente confiar, chegando até se colocar na mão da sempre suspeita Nina Sharp para agradá-la. Com isso, me recuso acreditar que o caráter dúbio dele seja apenas porque ele tem contatos no mercado negro pra conseguir algumas coisas. Eu espero e acredito que o personagem seja mais do que isso, por isso acho que se Olivia realmente tivesse sido traída por John e depois fosse traída por Peter, seria repetitivo, e nós sabemos o que acontece quando uma série começa a se repetir plots…

Sobre os monstros da semana, ou seriam as bizarrices das semanas? Sério, o monstro fazendo a festa no avião talvez tenha sido a melhor abertura da série na temporada, que estão se tornando cada vez mais geniais. A do episódio No-Brainer onde vemos uma mão saindo da tela assusta, e como diz minha querida amiga Simone Miletic no blog dela, cada vez mais temos medo que filmes de terror abalem nosso psicológico de uma maneira e com isso “derreta” o nosso cérebro. E, por coincidência, esta semana li em um site que houve um filme de terror no Sundance que deixou os telespectadores chocados, e nesta mesma matéria onde eles estavam exibindo o trailer deste filme, eles não aconselham a menores de 18 e pessoas impressionáveis a assisirem. E, veja bem, eles estão falando do trailer do filme.

Termino então com a pergunta, até onde o que acontece em Fringe pode ser verdade? Ou está perto da verdade?

Séries citadas:

9 Comments

  1. Claudemir Antonio Zamproni

    Tenho assistido e gostado de “Fringe” principalmente pelo fato de ter vindo preencher uma lacuna, pois há muito estava fazendo falta uma série preocupada com esse diferencial: o incrível, o fantástico e o extraordinário acontecendo ali, em qualquer lugar (no avião, por exemplo, em “The Transformation”). Acho que a trama que envolve todos os episódios tem caminhado bem, a pequenos passos, mas justamente para não resultar num acúmulo de informações que possam começar por confundir em virtude de sua demasia. Não tem entregue muitas respostas, mas acredito que, ao fim da temporada, elas venham para nos satisfazer.

  2. Fernando dos Santos

    Eu sempre achei incabível comparar Fringe com Lost.
    Lost é uma trama serializada enquanto Fringe é uma série de episódios fechados que possui uma mitologia que vai periodicamente crescendo e evoluindo.
    Neste sentido, eu acho que Fringe se assemelha a Arquivo X.A estrutura de ambas me parece semelhante.

    Eu acho que o fracasso na tevê aberta nos ultimos anos de diversas tramas serializadas como Surface,Invasion,The Nine,Jericho e tantas outras mostra que é o espectador americano cansou do formato.Acredito que seja pelo fato dele exigir que se acompanhe a trama sem perder nenhum episódio o que fica muito difícil de conseguir ao longo de 22 episódios.Antigos fenômenos de audiência como Lost,Heroes e 24 Horas não conseguem repetir as audiências de anos passados.

    Por outro lado nos canais a cabo as tramas contínuas ou serializadas vão bem.HBO,Showtime,FX e AMC costumam adotar este modelo e com êxito.Eu acho que não é mera coincidência o fato de que nestas emissoras as temporadas costumam ser mais curtas, com no máximo 13 episódios.

  3. Paulo Serpa Antunes

    Paulo,
    Acabei não comentando a tua review da semana passada, que gostei muito, apesar das alfinetadas :)
    E fico feliz de ver que você me substituiu bem, ainda mais por cima bancando o desafo de fazer o que eu chamo de “review além da review”, que é super difícil!
    Gostei do teu insight sobre ter o controle da obra. Mas confesso que ainda tenho dúvidas se em Fringe., JJ, Orci e cia. estão com o controle da obra.

    Sobre o episódio 1×13 eu confesso que não gostei da solução do arco do John. Como assim existe um tipo de missão secreta do governo a qual eles não tem como confirmar. Sério?

    Na verdade eu gostava da ideia do John ser um traidor. Fazia sentido e justicava todo o sofrimento da Olivia. Parece que os roteiristas mudaram o plano apenas para tornar a Olivia menos infeliz (o mesmo serve para a chegada da irmã e da sobrinha) e, portanto, mais simpática para o telespectador. Não acho que este seja o caminho adequado.

    Repetindo, realmente não tenho certeza se eles tem o controle da obra.

  4. Paulo Fiaes

    Antunes,

    nem eu tenho certeza disso.
    mas eu acho fundamental pra série se manter este controle sobre a obra, e bom, podemos n gostar de várias coisas em Fringe, mas sejamos justos q ate agora a historia vem se encaixando, e principalmente, sem furos.

  5. Luiz

    Paulo, já estava ficando com saudade… Bem, minha pergunta da semana é a seguinte: você viu alguma coisa sair voando do avião pouco antes dele se espatifar no chão? Será que era o Observador, o ET de varginha ou qualquer outro defeito especial? Eu vi na hora e depois revi no youtube e realmente aparece alguma coisa saindo daquele avião. Não acredito que aquilo possa ser um defeito de imagem! Em algum momento deve ser resgatado, não acha?

  6. Eduardo

    Interessante levantar Damon Lindelof e Carlton Cuse na comparação Fringe/Lost. Essa questão do projeto de vida, e da série bem planejada pode ter alguma validade na comparação.

    Vale ressaltar que nem Roberto Orci ou Alex Kurtzman chegam aos pés de Lindelof e Cuse, em termos de planejamento ou até mesmo consistência e caracterização em roteiros. Alias não é um currículo de se gabar muito, e filmes blockbusters pipoca menos ainda, quando o assunto é criar um novo Lost.

    Mesmo um diretor como Alex Graves não tem muito como inspirar na direção, por essa falta de planejamento. E olha que Graves foi um dos produtores/diretores principais de West Wing, inclusive comandando o debate ao vivo entre Santos e Vinick.

  7. Camila

    Lost perdeu publico por que se tornou ridiculamente irreal, é possivel aceitar uma ilha mistica ou cheia de misterios, mas viagens no tempo como quem diz que vai mudar de cidade fica dificil de engulir.

    a falha que foi Danny em Grey’s não justifica a aparição do morto vivo em Frige ter sido desnecessaria. por que a Amber em house, era a aparição de uma morta viva e foi incrivel. Não importa a aparição em si, mas como ela é feita. E quase tudo em Frige tem sido capenga.

    Essa ideia brilhando que foi feita ao formularem Frige é utilizada em Arquivo X, Buffy, Angel, Smallville e mais um zilhão de series por ai… Até mesmo House vêm bebendo dessa água agora

    Frige não é inovadora, não se arrisca, não tem grandes historias, grandes atores… Nada que possa dizer “Nossa!”. Não passa de uma serie mediana.

  8. FAO

    “a indústria passou a fazer do cinema um lugar pra se divertir” – e por mais que eu respeite este crítico, eu não concordo.

    Se não é pra divertir, o que seria o cinema cara pálida?
    Eu gosto de Fringe, e sim, me divirto. Se pra alguns é ruim ou não, não ligo, interessa é ue quando sento pra ver, esqueço dos meus problemas e nem vejo a hora passar. E isso com váááárias séries e filmes.
    E filme cult? To fôra!

  9. Bruno

    Episódios novamente medianos. Quando vi o tanque pensei prontamente “de novo?!”

    Como Hicks sobreviveu, por que ele não poderia confirmar a estória de John junto a NSA? E responder sobre a crypto do disco de vidro?

    Pacey não convence como durão nem faz nada digno de QI 190. Esse papel deveria ser mesmo era de Brian Austin Green.

    E Olivia confiar de pronto no que Maria sem braço disse que descobriu no disco?! Qualé!???

    Alias ela lembra muito outra loura sem graça, a de The 70th Show.

    Lembrei que esqueci de comentar antes que o Observador aparece de relance logo antes do Hungry Power Man entrar no elevador uns episódios atrás. Alguém já tentou observar se o Observador realmente aparece em todos os episódios?

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