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Reviews

Review: Friday Night Lights – Eyes Wide Open

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Cena de Eyes Wide Open
Série: Friday Night Lights
Episódio: Eyes Wide Open
Temporada:
Número do Episódio: 2
Data de Exibição nos EUA: 10/10/2006
Data de Exibição no Brasil: 22/6/2007
Emissora no Brasil: Sony

É perfeitamente compreensível que Friday Night Lights tenha passado uma temporada inteira com a corda no pescoço. O seriado correu riscos demais, todos evidentes desde seu episódio piloto.

As ousadias começam pelo tema. Uma série ambientada no mundo repleto de testoterona do futebol americano pode muito bem ter afastado o público feminino e também os fãs de outros esportes. Não é incomum ver no Brasil mesmo gente torcendo o nariz para a série – arriscando correlações com a barra pesada Playmakers ou a bobinha The Game, ambientadas neste mesmo universo esportivo.

Se o objetivo era um público jovem ou mesmo masculino, aquela câmera trêmula e aqueles enquadramentos estranhos podem muito bem ter afastado parte dos telespectadores, esteticamente conservadores. Um jovem que acha One Tree Hill ou 7th Heaven a melhor coisa da TV não vai se adaptar facilmente a esta série. O mesmo vale para um homem adulto, fãs de esportes e acostumado com a estética tradicional das séries policiais (mesmo com todas as evoluções trazidas por CSI).

Outra barreira para a série é aquele irritante sotaque texano dos personagens, coadjuvantes e locutores de rádio. Não tem gente que detesta sotaque de nordestino em novela da Globo? Imagine então perguntar para um jovem de Los Angeles ou Nova York se ele se identifica com a cultura sulista retratada no programa.

Veja bem, nada disso impede que Friday Night Lights seja uma grande série. Mas são essas as pequenas pedras que certamente atrapalharam o seriado de atingir um público maior.

Há ainda outro curioso problema no seriado. Em uma era onde a TV é dominada por anti-heróis, como Gregory House, Sebastian Stark e Alan Shore, há espaço para termos como protagonista um homem normal? A América quer realmente ver um coach Taylor no ar?

Antes mesmo da série estrear no Brasil eu li muito elogios para a interpretação de Kyle Chandler (e ele realmente está bem). Mas fiquei algum tempo imaginando como seria este treinador. Como me faltam referências de treinadores televisivos – lembrei apenas dos divertidos personagens de Craig T. Nelson e Jerry Van Dyke em Coach e do durão mas paternal Whitey de One Tree Hill – acabei partindo para paralelos futebolísticos.

Seria Taylor um paizão motivador como Luiz Felipe Scolari? Ou um estrategista excêntrico como Vanderlei Luxemburgo? Nem lá, nem cá. Depois de um episódio e meio de Friday Night Lights, Taylor vai se revelando simplesmente um homem de bem, mas um treinador ordinário. Talvez um Cuca, um Caio Júnior, um Muricy Ramalho ou um Alexandre Gallo.

É por isto que aqueles 10 minutos cortados da série pela Sony foram tão importantes. Quando o Eric Fernandes (nosso colunista de Grey´s Anatomy nos avisou por e-mail que um pedaço do episódio não havia sido exibido pelo canal, o Juliano Cavalcante escreveu no reply: “Taylor levando o Saracen pra treinar é a segunda melhor cena da série toda”. Juliano foi sábio.

A sequência onde Taylor visita o garoto, conhece sua vó e o leva para treinar sozinho no estádio é fantástica, emocionante e fecha um episódio ainda melhor do que o piloto. Mesmo assistindo nos 200 por 300 pixels com baixa resolução do YouTube é fácil perceber como a cena é brilhante.

Cena de Eyes Wide OpenDifícil é entender se o que motiva Taylor a dar atenção especial para o garoto é um desejo de dar uma chance para que ele supere as críticas ou o simples instinto de sobrevivência. Possivelmente as duas coisas – Taylor pergunta para Saracen se ele lançou a bola de olhos abertos ou fechados, como quem questiona se ambos chegaram até ali por sorte ou por mérito.

O treinamento dos dois, sozinhos, no estádio vazio mas ruidoso, é uma das cenas mais fortes da TV americana nesta temporada. Ela define o que é Friday Night Lights: uma série sobre homens comuns buscando a superação.

O que é uma tremenda ousadia nestes dias de House e Shark.

Séries citadas:

É jornalista, pós-graduado em Jornalismo Digital pela Pucrs e trabalha com produção de conteúdo para Internet desde 1995. É editor de internet do Jornal do Comércio, de Porto Alegre. Fundou o TeleSéries em agosto de 2002. Na época, era fã de The West Wing, The Shield, Família Soprano e Ed. Atualmente é viciado em The Good Wife, NCIS, Game of Thrones e Parks and Recreation.

14 Comments

  1. Paulo Fiaes

    Otima review Boss,

    faço de minhas palavras as sua, como disse na outra review, FNL é uma série boa, mas de repente tenho escutado muito barulho em torno dela, e não é para tanto. mas com certeza, a série ousa a cada episódio em retratar a vida dos adolescentes de uma forma mais crua. principalmente para os padrões americanos.

  2. Thomaz Jr

    Ótima coluna.
    Eu não sou de gostar de dramas telesivos. Até hj gostei de poucos.
    Mas, me rendi a FNL. A série consegue ser humana. Coisa que não vejo nesses dramas no ar, onde os personagens são tão perfeitamente herois ou anti herois. Como o Dr. House
    Para um personagem parecer humano ele deve ser mediocre como os de FNL.
    Acho que FNL ousou mto e preinciplamente nesse ponto de criar personagens mediocres. Algo raro na TV aberta. Uma dos poucos dramas com esse que eu assisti foi A SETE PAlMOS.
    A cena de qdo Taylor visita o novo QB foi ótima tanto em termos tecnicos como tbm tocante.
    Espero que ele sobreviva mas uma temporada.

  3. Raphaela

    A cena do treino do coach com Matt foi fantásticaaaaaaa!
    Não sei o que há com essa série que quem acompanha, adora em todos os termos.Há clichês sim mas não dá pra comparar com séries como The O.C, Dawson’s, nem One Tree Hill, até por que não acho FNL série teen.~
    É tanta paixão que a NBC a renovou mesmo com a baixa audiência, e cancelou Studio 60 , outra bem aceita pela crítica!
    FNL na cabeça, adoro!
    Tem gente que acha dramalhão , mas prefiro que od personagens sejam profundos e maduros do que tão idiotinhas quanto Seth , Summer ou malucos como Marissa. Desculpe me os adoradores de The O.C

  4. camila*

    Eu não gostei muito do piloto, mas nesses dois últimos episódios a série foi me conquistando.
    Não importa se têm ou não clichê, o que importa é como esse clichê é abordado e já deu pra perceber que os personagens são muito mais do que aparentam…o esteriótipo da cheerleader e do quarterback perfeitos e inabaláveis já foi destruído. Os personagens são bem construídos e acho que ainda pode-se descobrir muito sobre eles. Muito mais importante que o ambiente de futebol americano em que esses personagens se encontram, são os próprios personagens. Depois de um tempo, até os movimentos irritantes da câmera não estavam mais me incomodando.

  5. Julaino Cavalcante

    Eu enxergo o Taylor como uma cruza de Felipão e Bernardinho. Talvez não com o brilhantismo técnico desses dois, mas principalmente no que diz respeito ao trato com os jogadores.

  6. Vinicius

    “Um jovem que acha One Tree Hill ou 7th Heaven a melhor coisa da TV não vai se adaptar facilmente a esta série.”

    nao foi la um comentario muito feliz seu, mas tudo bem.

  7. Lucas Barreto Gomes Leal

    admito que achei sua primeira review ‘comum’ e simples demais, mas essa acho que foi uma das melhores que eu li no site até agora ;)
    só me deu ainda mais vontade de ver a série, que até agora eu estou enrolando pra ver apesar de ter gravado pra assistir depois…espero que seja boa mesmo!

  8. Cristina

    Friday Night Lights cada vez mais próximo do Emmy. A série sobreviveu ao segundo corte para a escolha das séries que serão nomeadas na categoria drama:

    Boston Legal
    Dexter
    Friday Night Lights
    Grey’s Anatomy
    Heroes
    House
    Lost
    Rome
    The Sopranos
    24

  9. Vicente

    Só pra constar: Sou fã de “One Tree Hill” e de “7th Heaven” e também estou gostando de “Friday Night Lights”…

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  11. malu

    Só pra constar: Sou fã de “One Tree Hill” e adoro Friday Niht lights

  12. Vinicius Veloso Garcia

    Adoro One Tree Hill, e nem por isso não acho fantástaica FNL…simplesmente um espetáculo essa série, todo o enquadramento, as atuações, simplesmente perfeitos…quando comecei a assistir a série, assisti só os primeiros 25 minutos do piloto e tive que parar..sério, se tivesse parado ali, nunca teria me apaixonado por FNL!!…depois de mais de 1 mês, retomei os 25 minutos restantes, e o que vi foi um espetáculo de piloto, com aquela cena triste do até então desconhecido ao público Jason Street…aquele final cinematográfico é q me fez continuar vendo a série, apesar de futebol americano não me atrair…olha, não me arrependo nem um pouco, o que vi em diante é uma série excelente, que sabe cativar sem forçar, simplesmente me conquistou, e hoje já não soa desconhecido p mim o QB1 Matt Saracen, Smash Willians, Tim Riggins, Lyla Garrit, Jason Street, Taylor…enfim, de olhos cheios, coração aberto, não podemos perder!!

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