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Review: Everwood – An Ounce of Prevention (episódio 80)

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cena de An Ounce of PreventionSérie: Everwood
Episódio: An Ounce of Prevention
Temporada:
Número do Episódio: 80
Data de Exibição nos EUA: 10/4/2006
Data de Exibição no Brasil: 4/5/2006
Emissora no Brasil: Warner

Seja através do drama, da comédia, seja qual for o modo, Everwood sempre arruma uma forma de transmitir sua mensagem. E a vida não é assim?? Não usa de momentos que nos fazem rir, chorar, mas que servem para nos ensinar algo? Everwood segue sua fórmula e hoje nos fez rir e muito nas cenas de Brannah (Hannah e Bright), chorar nas cenas de Andy e Ellie e encheu nossos corações de esperanças nas cenas entre Andy e Ephram e Kyle e Ephram. Para muitos pode ter sido apenas mais um episódio da temporada mas para mim, até então, foi um dos melhores. E não me refiro aos assuntos temas tratado, mas da forma inteligente e sensível que o roteiro caminhou, da forma que as histórias se encontraram e como isso transformou os personagens. Era isso que eu estava com saudades em Everwood, de episódios como esse! Episódios que você assiste, ri, se emociona muito e no final fica com aquela cara de bobo todo emocionado e pensando “como eles conseguem escrever algo tão lindo e perfeito assim!!”

Não estavam com saudades de Bright e Hannah? Se estavam, esse episódio serviu para rirmos muito com a discussão sobre o cotidiano do casal. Hannah achando a relação deles muito parada, resolve preparar um jantar típico havaiano, mas isso causa um terrível mal-estar nos dois. Isso rendeu cenas muito cômicas, sem mencionar no diagnóstico de Harold para o problema. Eu ri muito, mas também me emocionei pela forma que conduziram o tema. Toda relação passa por isso, nunca será perfeita o tempo todo, mas não é razão para considerá-la chata ou terminar. Bright admite que o cotidiano deles as vezes é chato, mas que isso será assim com qualquer casal, haverá momentos que enjoarão um do outro e vão querer fazer outras coisas, mas isso não significa que não se amam. São momentos e basta administrá-los. Pra finalizar, os dois dormem juntos na mesma cama, sem sexo, mas foi mais um progresso na relação deles. Detalhe, Hannah estava muito divertida e um encanto com suas caras e bocas.

Harold e Rose seguem com o processo de adoção, onde preenchem formulários. E Harold, por amor e proteção ao sonho da mulher, informa que não há histórico de câncer ao preencher os dados dela. Provavelmente essa questão tem peso fundamental em um processo como esses e o ato de Harold retratou perfeitamente o tema do episódio – não podemos proteger quem amamos de suas dores, mas nós tentamos quase sempre fazer isso, errando por amor, por cuidar demais, por proteger demais. Se isso é certo, é errado, não sei dizer, em alguns casos só posso dizer que é compreensível e perdoável.

No episódio, Andy se viu entre seguir sua conduta médica e entre ser simplesmente humano quando Ellie o procura para fazer exames para descobrir se possui o gene do câncer devido ao seu histórico familiar – ela perdeu a mãe e sua irmã fez uma mastectomia. O teste dá positivo, indicando que ela poderá vir a ter a doença. Andy, no papel de médico, lhe mostra as possibilidades para lutar contra isso, inclusive a retirada dos seios, que reduziria as chances dela ter câncer para apenas 10%. Isso desencadeia uma bomba: a irmã de Ellie não aceita isso e cobra Andy por ele ter tido essa conduta e não ter dito que não concorda com tal cirurgia tão agressiva. É quando Andy se volta ao passado e lembra que quando ele interviu na vida de um paciente ele foi longe demais, pois não podemos controlar tudo. Ellie vê a irmã como uma heroína, uma sobrevivente a doença e por isso pensa em lutar igual, mas a vida não é assim quando se trata do câncer, tudo é mais profundo, mais enraizado como a doença. As marcas, seqüelas, sensações e lembranças o seguem pra vida toda, é como se fosse uma sentença de morte quando se sabe da doença que luta de forma tão suja. Andy a procura para aconselhá-la a não fazer, mas Ellie já havia decidido não fazê-la e revela que o intuito disso foi preservar seu pai, sua irmã, para que o pior já tivesse passado, para que não sofressem mais. Mas é como Andy diz a ela, não podemos prever essas situações, não podemos evitá-las, nos resta apenas enfrentá-las quando acontecerem. Mais uma vez o episódio se reencontra, Andy diz algo a Ellie muito verdadeiro, assim como ela tem o gene e pode apresentar a doença, o que podemos dizer sobre a felicidade?? Poxa, ela está aí também, na mesma medida que podemos sofrer podemos ser felizes também, ser bem mais felizes. A cena é linda, Andy com certeza faz uma análise de todo seu passado, Julia, Colin, Madison, Ephram e não foi fácil para ele chegar a esse ponto e dizer isso a Ellie, transmitir esperança. Foi lindo, eu me emocionei em todas cenas deles. Passar pelo câncer é uma batalha injusta e dura demais, não se sai inteiro ou ileso dela.

cena de An Ounce of PreventionE Kyle também nos emocionou muito nesse episódio, e não apenas ele, Ephram também. Desde o começo da temporada todos queriam saber quem se revelaria gay, Reid ou Kyle?? E nesse episódio descobrimos que é Kyle e que ele também está se descobrindo, porém com toda dor e dificuldade do momento. Tudo começa quando Ephram tenta convencê-lo a ir ao baile com uma bonita garota do colégio e ele insiste que não, Ephram o força e ele vai, o que desencadeia todo o drama. O baile é um desastre e Kyle sai arrasado. Ephram, em uma conversa com Reid, não aceita que Kyle seja gay, não entende e por isso mesmo faz de tudo para ajudá-lo e insiste no baile, não apenas por não aceitar, mas é uma espécie de proteção a Kyle, de evitar que ele sofra no futuro sendo gay. Toda essa transição é perfeita, linda e muito emocionante, mais uma vez Ephram recorre a Amy e ela o aconselha docemente, dizendo que ele só tentou protegê-lo, mas que infelizmente não temos esse poder sobre a vida das pessoas. O processo de descobrimento/aceitação de Kyle sobre ser gay foi muito bem apresentado, é um momento muito delicado entender-se gay, aceitar isso é uma passo difícil, talvez doloroso, mas necessário para busca de sua felicidade. O mundo é injusto, vai tentar julgá-lo, vai tentar derrubá-lo e as pessoas são más, especialmente na idade de Kyle. E o mundo não é uma utopia onde Jack Mcphee anda no colégio normalmente ou vai com namorados a um baile sem sofrer deboche ou provocação. Nessa idade ou se é o cara que sai com todas as garotas ou se é gay, não importando se realmente é gay ou apenas tímido. Então para Kyle toda a dificuldade para assumir isso é elevada ao cubo, toda sua falta de entrosamento, timidez que já seriam fatores complicados pra um adolescente recebem este peso a mais. O episódio foi fundo na questão, foi doce e lindo ao mesmo tempo, mostrando todo o drama que um jovem pode passar até se aceitar. E Ephram se superou, ah se todos tivessem um amigo assim para ajudar. Ele não foi perfeito, foi apenas humano, no começo não entendeu, se julgou homofóbico e se condenou por isso. Mas percebeu que não era nada disso, e a amizade falou mais alto e seu apoio e compreensão a Kyle foi muito emocionante, É apenas o começo, apenas a ponta do iceberg, e não será fácil para Kyle aprender a se amar e a se aceitar como é. Ephram diz:

Ninguém odeia você nesse momento, Kyle, a não ser você.

E é isso que ele precisa aprender a trabalhar e que bom que não está sozinho. E ele, sem saber, ajudou Ephram e entender o que Andy fez no passado, quando mandou Madison embora. Achei isso de uma total crueldade, talvez eu ainda ache isso, mas entendi que errou por amor e proteção e foi exatamente o que Ephram tentou fazer no episódio, protegendo Kyle.

Quantos reencontros, quantas reviravoltas nesse episódio. Pai e filho lidam com seu passado mediante situações do presente. O drama de Ellie e Kyle serviu para mostrar aos dois os erros cometidos e como entendê-los hoje, como corrigí-los. Isso foi o que mais me encantou nesse episódio, a forma que o roteiro levou Ephram a Andy novamente e a forma que a relação dos dois se reconstrói a cada episódio. A dificuldade da vida de outras pessoas servem para os dois entenderem suas vidas, suas atitudes, crescendo com isso, tornando-os capazes de ajudar aqueles que amam, que precisam. Isso mesmo, ajudar e não impedir que sofram. Não temos esse poder, podemos apenas estar ao lado, compreender, estender a mão, dar um abraço, uma palavra de conforto, até mesmo sofrer juntos de quem queremos bem. Mas impedí-los de viver isso não cabe a nós.

Como tudo tem um significado na série, uma razão de ser! São vários dramas, histórias diferentes, mas todas revelam de uma forma ou outra um caminho para encontrar a sua felicidade, para enfrentar seus problemas, para aprender com os seus erros. Assim é nossa formação, assim nos conhecemos e é quando precisamos aprender a gostar de nós mesmos. E quando a dor vier, se vier, nos resta enfrentá-la e superá-la, pois não há como barrá-la. Mas se coisas ruins podem vir sem avisar, a felicidade também vem dessa maneira. Como Andy disse, ela pode estar aí ao lado… As últimas e belas cenas terminam ao som de Ben Folds com a música “I´m Luckiest”, com Andy e Ephram mais uma vez conversando no sofá da sala provavelmente porque naquele momento a felicidade de ambos estava ali, mesmo sem percebê-la.

Séries citadas:

9 Comments

  1. Rique

    Oie migão!!
    Mais uma vez, vc nos brinda com uma resenha fantástica sobre essa, que é uma das séries mais fantásticas já produzida!!! Concordo com tudo que vc falou!!
    Fica com Deus!!
    Abração, do super amigo,
    Rique

  2. Brunella

    Gostei muito da resenha, mas dicscordo (e muito) na referência que vc deu ao Jack Mcphee. Acompanhei DC inteira, inclusive tenho em casa para ver e rever, e não quero falar de gostos, pq acho que não se discute, entretanto, não diga que era “tudo bem” para o jack assumir ou que ele não tenha sido retalhado por isso… Ele foi, em cada temporada temos pelo menos dois enfoques nas dificuldades dele ser gay e um assunto diferente a ser discutido: preconceito, violência, aceitação, etc…
    bjs

  3. Eudes Antonio

    Vc disse tudo nessa resenha!Adorei!Realmente esse episódio foi mto emocionante,tava com saudade desses bons roteiros de Everwood,pra mim foi o melhor episódio de todos.Só discordo da sua citação do Jack de Dawson’s Creek,as coisas naum foram tão fáceis pra ele tbm naum,talvez naum retrataram mto isso na série,mais teve episódios em que ele se questinou e sofreu por causa da sua orientação sexual.

  4. Marquinho

    Ola, obrigado dos comentários, acho muito bom essa troca de idéias. Sobre Dawson´s eu assistia a série porque gostava muito da Jen, do Jack, Andy e mais tarde a Audrey e concordo com vocês, Jack teve muitas dificuldades e problemas no processo dele. Isso foi mostrado muito bem na temporada 2, naquela transição entre o namoro com Joey e a descoberta sobre ser gay, na temporada 3 com Ethan que considerei um dos momentos mais emocionantes de Jack na série, quando ele termina a temporada sendo abraçado pelo pai. Com tudo isso concordo que ele também teve um caminho difícil, porém a partir de Tobey, o baile na temporada 4, a fraternidade na temporada 5, eu não sei ao certo, mas na minha visão (posso estar errado) o mundo de Jack em DC foi retratado de como poderia ser e não como é na realidade. Mas posso estar enganado, eu apenas sempre tive essa impressão em DC analisando como um todo, por isso citei aqui. Não afirmo que foi fácil para Jack, porque não foi, mas certas coisas achei meio utópicas. Mas não se preocupe eu gostava muito dele em DC e fiquei muito feliz com o final da série quando tanto ele quanto Jen tiveram o espaço maior que sempre mereceram na série.
    Abraços

  5. Paulo Antunes

    Acho curioso ressaltar que este deve ser o terceiro ou quarto episódio da temporada que termina com o doutor Brown e o Ephram conversando na sala. Está se tornando uma marca da temporada – mais ou menos como as cenas na sacada de Alan Shore e Danny Crane em Justiça sem Limites.
    Repare, as conversas entre pai e filho dão desfecho no episódio, suprimindo a falta que faz as locuções em off do Irv.

  6. Paulo Fiaes

    concordo com Paulo e com Marquinhos, ja havia notado que everwood tem terminado com Andy e ephran conversando, mas n acho que seja para criar uma marca e sim mostrar que finalmente pai e filho estao se tornando amigos. concordo tambem que esses desfechos tem substituidos as narrações de irv, porem ainda prefiro irv em off.

    sobre o que marquinhos falou, eu sou um fanatico por dawson creek, mas convenhamos que mesmo tendo episodio que mostrasse jack sofrendo, nenhum episodio mostrou de forma clara o medo dele por assumir e ser discriminado. talvez na segunda temporada tenha tido um ou dois eps. mas mesmo assim, dawsons creek sempre mostrava que nao era problema para outros jovens jack ser gay, sendo q na realidade é uma das maiores discriminações que existem. eu penso q a sociedade é homofobica e racista. somos inconscientemente criados para ser assim. muitos dizem que nao tem nada contra, desde que nao tenha alguem proximo a ele q seja gay, eh complicado, por isso concordo com Marcos que foi utopico a homosexualidade mostrada em Dawsons creek, mas mesmo assim gerou otimos momentos.

    sobre este ep de everwood, foi perfeito, fica dificil entender pq a serie n vai ser renovada. pelo q li esta na frente em audiencia de supernatural, veronica mars e one tree hill. sinceramente se everwood acabar vai se criar um vazio que talvez essas outras series citadas n criem; resta esperar agora

  7. Paulo Fiaes

    agora em um mundo perfeito, a cw teria one tree hill, everwood, smallville, veronica mars, seria otimo ne?

  8. Júnior

    Primeiro: não demore tanto prá publicar sua resenha eu fico ansioso aguardando. É por causa de episódios assim que eu assisto Everwood e concordo com tudo que vc disse, menos em relação a DC…tudo de bom.

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