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Review: ER – The Book Of Abby

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ER - The Book of AbbySérie: ER
Episódio: The Book of Abby
Temporada: 15ª
Número do Episódio: 312 (15×03)
Data de Exibição nos EUA: 16/10/2008
Data de Exibição no Brasil: 24/6/2009
Emissora no Brasil: Warner

É o último ano de ER. Depois dele, acabou. O raciocínio é o mesmo para suas histórias: vivenciamos uma contagem regressiva dos últimos momentos da série. Claro, ainda temos uma temporada inteira pela frente, mas todos já devem ter percebido que nem bem o ano começou, o ritmo de acontecimentos promete. Logo na premiere, tivemos a drástica e traumática despedida de Pratt e na sequencia, novos residentes e uma nova chefe dão entrada no PS, preparando terreno para uma ótima temporada.

Mas é no terceiro episódio, que pra muita gente, o momento mais importante dos últimos anos acontece e a contagem regressiva zera. Digo isso porque depois de quase nove anos, Abby Lockhart, a personagem preferida de um grande nicho de fãs recentes e atual protagonista da série, ganha sua último capítulo em The Book of Abby e fecha seu livro de participações. É isso mesmo: Abby está fora da última temporada de ER.

Maura Tierney, intérprete de Abby, iniciou sua jornada na série em 25 de novembro de 1999, no oitavo episódio da sexta temporada (Great Expatations), como enfermeira da obstetrícia que auxiliou Carol Hathaway no parto das gêmeas. Ainda como convidada pelo então produtor Jack Orman, Tierney teve esse episódio como um teste de filmagem. Pelo jeito agradou a produção, que já a colocou como personagem fixa da série quatro episódios depois, iniciando sua jornada em Abby Road. O resto, é história. E minha nossa, que história.

Antes de iniciar uns breves parágrafos (“breves”?) sobre Abby Lockhart, preciso mencionar que por muitas vezes a personagem me incomodou. Eu não a amo. Mas também não a odeio…

Criada pra substituir Carol Hathaway no cargo de enfermeira protagonista (o mesmo que Sam faria por ela no décimo ano), Lockhart teve um início discreto e não muito participativo (devido o inchaço do elenco no sexto ano e os acontecimentos contemporâneos, como a morte de Lucy). Mas foi só Juliana Margulies sair que Jack Orman, recém promovido ao cargo de Produtor Executivo no sétimo ano, fez questão de colocar todos os holofotes possíveis em Maura Tierney.

Naquela temporada, Tierney aparece mais na tela que Alex Kingston (Corday) e Laura Innes (Weaver), duas das atrizes mais antigas da série, vira alvo da disputa entre Kovac e Carter, tem um imenso destaque familiar graças às (sensacionais) participações de Sally Field, além de ser responsável pela última indicação ao Emmy de ER em uma categoria principal, concorrendo como melhor atriz coadjuvante em 2001. É um currículo impressionante para essa que, tecnicamente, era sua primeira temporada. Mas nossa, como eu a odiava…

Calma que eu chego lá. Já falei antes que, hoje, não odeio Abby. Mas também não a amo…

No início do sétimo ano, houve um acontecimento que marcou minha impressão de Abby pra sempre, e que infelizmente, não foi modificada. No episódio The Dance We Do, Mark finalmente diz à noiva que está com câncer no cérebro. O personagem principal da série acabou de dizer que vai morrer, e como termina o episódio? Numa cena de Abby, chorando na banheira, porque sua mãe sumiu após outro surto psicótico. Na época eu pensei algo como: “Que diabos?! Quem essa novata pensa que é pra ficar com a últimma cena desse episódio? E no que a produção estava pensando?!”

E assim, por muito tempo, se seguiu. Durante as três temporadas capitaneadas por Orman (sete, oito e nove), e principalmente as restantes, incluindo as de seu pupilo Zabel (12 até 14), Abby Lockhart de maneira irritante monopolizou as tramas do seriado. Não que seja culpa da atriz ou da personagem, sei lá, mas sempre achei muito esquisita essa opção de se exagerar nas tramas pessoais de Abby. Nem parecia mais ER. Parecia “The Abby Lockhart Show”.

O seriado então, que por muito tempo lutava pra se manter como um sério drama médico, se rende de vez ao tom novelesco, principalmente após a morte de seu protagonista maior, Mark Greene. Abby namora com Luka e o casal vira a coisa mais linda do mundo. Nascem as Lubys. Abby namora com Carter e temos as Carbys, criaturas neuróticas que beiram a insanidade (sem ofensa!). Abby volta à fazer medicina e agora é a melhor médica da série. Ela engravida de Luka e Joe é a coisa mais fofa da face da Terra. Luby volta à tona e vira eixo gravitacional pra grande parte do público de ER (em peso, o feminino-adolescente). Daí ficamos à um pulo daquela besteira de só verem um episódio pra acompanhar os casal se abraçando, seus momentos Lubys fofos… argh! Cadê o drama médico que estava aqui?!

Okay. Manter um seriado com qualidade por tanto tempo é muito difícil (no campo dos dramas médicos, todos ouviram falar das recentes dificuldades criativas de Grey’s Anatomy e House, certo?) mas a presença de Abby não ajudou muito. Não estou negando em nenhum momento as qualidades da personagem ou da atriz. Abby é uma personagem incrivelmente versátil e Maura Tierney é o último dos grandes nomes de peso da série. Quero dizer, o que essa mulher fez em Blackout, o episódio de Abby traindo Luka com Moretti, ainda me deixa de queixo caído. Mas o que ela trouxe de revés no contexto da série, não me agrada nenhum pouco.

É proibido ter romance em ER? Não mesmo. Carol e Doug, Mark e Lizzie, Luka e Abby: ótimos casais. A diferença entre eles? O tempo de exposição de tela. Minha nossa, o tanto que se usou pra explorar o casal Luby beirou o insuportável pra mim. Algo que não deveria acontecer num seriado chamado Emergency Room. E não bastando tirar o foco da premissa da série, a estranha exploitation de Abby tirava o tempo de tela dos outros personagens. Sem entrar muito a fundo na história, tiro Susan Lewis como exemplo.

Sherry Stringfield foi a maior paixão de minha infância. Nos três primeiros anos de Susan na série, vemos uma médica didática com alunos inexperientes, uma linda amizade com Mark e complicações pessoais que não tomavam muito tempo de tela. No ponto! Daí, infelizmente, Sherry sai da série, volta anos depois, tem uma ótima e nostalgica oitava temporada, mas cai no esquecimento logo em seguida. O grande sonho de Lewis era ser mãe (a personagem saiu no 3º ano da série pra acompanhar a sobrinha em Phoenix), aí no 11º ano ela engravida… e não vemos seu parto. Ou absolutamente NADA sobre seu filho Cosmo.

E o que acontece com Abby? A gravidez é em segredo, ela quase morre, o parto é o gancho de temporada, Joe vira praticamente personagem fixo… Por essas e outras, Sherry Stringfield se mandou fugida da série no final do 11º ano, pois todo destaque era oferecido apenas para Abby. E hoje tenho a estranha sensaçao de que Sherry não quer ver Maura nem pintada de ouro. Temos ainda os males que ela causou indiretamente na série (muita fã só quer ver a novela dela com Luka) ou em outros personagens (Carter saiu como vilão depois de se mandar pra África, mesmo com aquele maaaaaaaaaaala do Eric Wyczenski caindo na cova de Milicent).

Dito isso tudo, historicamente, qual a impressão que ficamos de Abby na série? Bem… Preciso dizer mais? Estou fazendo um texto enorme aqui, sequer falei do episódio ainda, porque Abby é importante demais pra ER.

ER - The Book of AbbyEm sua saída derradeira, David Zabel (o já dito pupilo de Orman) enfoca como nunca (dessa vez de maneira justa) Abby em seu primeiro turno como Atendente mas último no County. Entre uma e outra passagem bíblica (apesar dela ser completamente anti-religião, o Livro de Jó fez jus à sua trajetória sofrida), Abby se despede de seus colegas daquela maneira egoísta que só ela sabe (evitando grandes festas e comoção), com momentos que dignificam sua personagem: defendendo Sam (pobre Sam que precisa ser socorrida, né não?), comicamente falando com Dubenko e Grady, conhecendo e se despedindo de Banfield, ensinando Frank a dançar, seus momentos com Archie e no muro de Haleh.

Não chorei nesse episódio. Em nenhum momento. Mas esbocei umas lágrimas no abraço final e sincero de Morris, além, claro, da despedida com Haleh. Foi meio estranho, bizarro, e talvez até fantasioso. Claramente, muitos dos personagens (mesmo os vivos) não tiveram um contexto pra colocar seus nomes nas paredes, mas, tudo bem. Negócio que violando a quarta parede, até mesmo nome de ex-produtores da série estão no muro de Haleh. Seguem eles: L. Woodward, Del Amico, Barnett, Hathaway, Finch, Benton, Corday, N. Baer, Doyle, B. Arollo, Lewis, J. Orman, Ross, Knight, Gallant, S. Gemmill, Chen, Pratt, Malucci, Greene, Weaver, Salamunovich e Romano (como dito no episódio, Carter se recusou a manchar o muro).

E Abby é a única que teve chance de colocar dois: o dela e do marido corno Luka Kovac. Me desculpem tocar pesado novamente nessa história da traição, mas Kovac merece: o que Goran Visnjic fez em seu último episódio de ER foi patético! Como diabos ele só me aparece na última cena pra dar um beijo na mulher, sem ao menos ter uma fala? E se tentarem se recordar, Kovac não teve exatamente uma despedida da série… o que não condiz com seu passado de protagonista. Isso pegou mal demais.

O que não pegou mal foi com Abby. Certo, eu não a amo. Mas também não a odeio. E ela definitivamente tem seu lugar na história do seriado. Assim como hoje nossa geração ouve falar de séries antigas como MASH, Cheers ou Dallas, daqui a alguns anos quando falarem de ER para as gerações futuras, duas atrizes serão mencionadas como as mais importantes da série: Juliana Margulies, que interpretou Carol por seis anos (indicada ao Emmy seis vezes, premiada uma), e Maura Tierney, que interpretou Abby por oito e meio (sendo indicada uma vez).

E disso todos tem que estar cientes: gostem ou não de Abby, ela é um dos nomes fortes da série, que por bem ou por mal, marcou ER por muitos anos. É uma pena que ela não fique na série e saia justamente na última temporada. Pena mesmo. Mas a boa notícia é que a audiência não cai nenhum pouco (pelo contrário) e sem ela dominando os holofotes, graças a Deus, a produção resolveu dedicar um tempo igualitário pra todo mundo do elenco. Além da volta do enfoque na medicina. E com isso, a série melhora e muito.

Na semana que vem, ER segue pela primeira vez na década sem Abby. Em um episódio até muito bom, diga-se de passagem. O livro de Abby pode estar fechado, mas o da série continua por mais alguns episódios. Mas… Agora é o momento de falarmos dessa grande personagem que, surpreendentemente conseguiu sair viva e inteira. Bom pra ela. E vá lá, bom para os que ficam.

Séries citadas:

53 Comments

  1. Pingback: Review: ER – Shifting Equilibrium e I Feel Good » TeleSéries

  2. Thiago

    Não é para tanto, Thiago. Sua visão da segunda geração de ER é extremamente pessimista e incoerente. Assim como você crítica os fãs da segunda geração que perderam o “glorioso começo” de ER, você também está sendo cético em não assumir os triunfos da série em seus anos posteriores. Assisti ER desde o princípio, partilho da sua opinião sobre os personagens originais e o estilo único da série em suas primeiras temporadas. Mas é verdade é que uma série longa como essa teve que se reinventar para não ser cancelada. Foram a segunda (e terceira) geração de personagens que garantiram a longevidade da série também, junto com a primeira. Os aotres originais iam, aos poucos, deixando a série. Stringfield, então, não pode falar muito pois abandonou prematuramente a série, perdendo o seu lugar ao sol (pois até então ela era a grande protagonista feminina, possível affair com Mark – tinha tudo para dar certo). E deixou a série novamente no primeiro episódio da 12a temporada (tudo bem, concordo que os roteiristas e produtores acabaram com a doce Susan original, deixando-a irreconhecível). Mas e quanto a Abby? Veja bem, não gosto mais dela do que Corday ou Susan, ou Weaver, mas ela esteve sempre lá. Ñão abandonou a série duas vezes, agradou vários fãs. Na sequência em que Mark conta que tem um tumor, mas o episódio termina com Abby na banheira, não vejo porque grande susto. Obviamente, a sequência de Mark é mais importante, mas o personagem está saindo muito em breve, e é Abby quem está chegando. Do ponto de vista narrativo, é normal. Os produtores não podem apenas investir em um arco perto do fim. Naquele momento, é necessário mostrar a continuidade, que seria, sim, para o seu desgosto, a Dra. Lockhart. E ela teve sim uma abertura maior de sua vida pessoal – talvez porque apenas o drama médico não estivesse mais convencendo a audiência. Afinal, como convencer milhões de pessoas a asistirem um mesmo seriado por 15 anos? Veja bem, as pessoas podem não se interessar apenas por casos isolados de medicina ao longo do anos. Podem querem uma continuidade, em acompanhar as vidas dos personagens que gostam.  Os fãs antigos, os novos, não sei. Negócio é que é necessário saber se reinventar. Ou então manter-se no estilo original e ver a série ser cancelada na 9a temporada. Todos adoramos Mark, Doug, Carol, Susan, Peter, Carter… mas eles deixaram a série! O saudosismo aos tempos antigos não garante novas temporadas, e se a série chegou a 15a foi graças a eles, mas também a Abby, Kovac, Pratt, Neela, Morris, Sam. Só não vou dizer Gates, pois aí já seria demais.

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