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Reviews

Review: ER – The Beginning of the End

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ER - The Beggining of the EndSérie: ER
Episódio: The Beggining of The End
Temporada: 15ª
Número do Episódio: 323 (15×16)
Data de Exibição nos EUA: 19/2/2009
Data de Exibição no Brasil: 23/9/2009
Emissora no Brasil: Warner

Esqueçamos o erro crasso da semana passada, onde as legendas da Warner não colaboraram, e vamos em frente com o episódio da vez. E não é um episódio qualquer… ER sofreu momentos conturbados durante alguns anos, o que provocou o abandono de diversos telespectadores. Entretanto, sendo essa sua última temporada, alguns fatores acabaram motivando o retorno de diversos fãs nos episódios finais. Dentre esses fatores, um deles era o mais evidente de todos: rever John Carter. E ele finalmente retornou ao PS de Chicago… Marcando oficialmente o começo do fim de ER.

Noah Wyle foi, sem dúvidas, o melhor ator do primeiro ano do seriado. Julianna Margulies, única do elenco fixo da história de ER a levar um Emmy (pouco, não?), exatamente no primeiro ano, não conta. Estou falando apenas do elenco masculino: Eriq La Salle demorou a acertar como Peter Benton e irritava com suas falas improvisadas; George Clooney tinha “apenas” o carisma (ele lia na cara dura suas falas durante as gravações); e apesar de perfeito como médico, Anthony Edwards devia bastante nas cenas pessoais.

Já Noah foi perfeito, do começo ao fim.

No papel de Carter, Wyle, apenas com 22 anos, servia como referência principal do telespectador durante a primeira temporada da série. No episódio piloto, assim como nós, o jovem é apresentado ao PS com praticamente nenhuma bagagem de conhecimento médico, trafegando de maneira satisfatória entre o humor e o drama. Sendo esse um show (extremamente) duradouro, podemos acompanhar (pelo menos aqueles que tiveram o privilégio) as mudanças e evoluções que atingiam Carter durante mais de uma década, transformando-o num personagem complexo e bem construído.

Infelizmente, as mudanças nem sempre vinham para o melhor.

Seja por ter deixado de ser pupilo de Benton (quando trocou a cirurgia pela clínica, na quarta temporada), por ter se viciado em drogas depois do ataque de Sobriki (que levou Lucy à morte no Dia dos Namorados) ou por ficar muito restrito à Abby no ano em que deveria virar líder (Mark disse “você dá o tom”, mas Carter lidou mais com os Wyczenski do que com o PS na nona temporada), o jovem Carter foi mudando cada vez mais, se distanciando e muito do adorável e irônico personagem que foi durante anos… E pra piorar tudo, topou com a África em sua trajetória final.

Seria injusto esperar que um personagem que ficou onze anos no ar fosse constantemente perfeito. Mas o problema não é ele não ter sido sempre perfeito: foi ele não encontrar uma redenção e ter um final digno.

Em suas três últimas temporadas, Carter era uma pálida lembrança do que havia sido em sua trajetória inicial, e quando eu soube de sua saída no 11º ano (eu até colocaria links de minhas reviews desse período, mas elas não se encontram no site), esperei com muita curiosidade pela redenção de Carter. Que acabou não vindo. Se antes ele se via restrito à Abby, passou a ser restrito à Makemba. Que sina: uma o incentivou a viajar pra África, a outra o incentivou a ficar por lá…

Porém, a saída de Carter não foi definitiva como a de outros personagens. Gratificantemente, Noah assinou contrato para mais oito episódios. Quatro deles foram cumpridos no 12º ano. Infelizmente, ele estava em Darfur e foi extremamente coadjuvante. Restando ainda quatro episódios na agulha, a produção resolveu não utilizá-lo no péssimo 13º ano, e o 14º, que seria o último, sofreu alterações por causa da greve dos roteiristas. Seu retorno ficou então no 15º e último ano do seriado. Felizmente, dessa vez, ele está no PS e será o protagonista.

Vale lembrar que outra grande frustração que tenho com Carter foi seu envolvimento numa disputa muito babaca entre Carbys (fãs que idolatram o casal formado por Abby e Carter) e Lubys (fãs que idolatram o casal formado por Abby e Luka). Deixe-me frisar novamente, caso não tenham me entendido: “foi uma disputa muito babaca”. O foco da discussão não era mais Dr. Carter, líder do PS, mas sim John Carter, o safado que terminou um namoro por carta e fugiu pra África. Ah, época que não tenho saudades…

Infelizmente, muito do 9º ano foi infectado pela causa Carby (Lubys até se recusam a ver essa temporada) e depois que John retorna da África, no 10º ano, a ladainha continuava: o foco passou a ser dividido com Makemba (também conhecida como Makumba ou Makenga). Então, no 11º ano, Carter vai embora como o vilão e persona non grata na série. As Carbys abandonam o seriado (já foram tarde!), Abby reata com Luka, começa a febre Luby e esquentam os debates sobre quem é melhor: Luka ou Carter.

Eu não vou entrar nesse mérito: Luka e Abby são um dos melhores casais de ER e os dois funcionam bem juntos. Mas Carter é inúmeras vezes melhor que o croata e teve a sorte de não ficar marcado como o corno da série. E por favor, nada disso é factual… Todo assunto discutido aqui é estritamente opinativo, então não precisa se irritar caso não concorde comigo. Mesmo que você esteja completamente errado. Rá!

Enfim, vivo fazendo isso: enrolo, enrolo e demoro pra chegar onde quero. Carter foi perfeito do começo ao fim no primeiro ano. Mas infelizmente ele não saiu por cima. Porém, Noah Wyle retornou novamente, podendo se retratar no canto do cisne de ER.

Noah será perfeito no começo E no fim da série?

ER - The Beginning of the EndBem, todos sabiam que Carter retornaria, mas no universo sádico desse seriado, nada vem fácil… E a felicidade em saber que era o Carter quem estava dirigindo aquele jeep (ele é rico, mas quer “passar por pobre”), foi contrastada com muita tristeza ao depararmos com sua apática feição. Doeu só de ver a cara dele. Retornando no PS modificado, Carter demonstra surpresa ao saber que ninguém com quem está falando o reconhece. “Eu sou John Carter”. E daí? Tem fã atualmente que infelizmente nem sabe quem ele é… Mas mesmo assim, vou precisar tirar uns pontos de Gates por fazer pouco de John. Vocês sabem, eu sou chato com Tony mas , pra compensar, vou mencionar que pelo menos foi legal ele saber que teve um médico (Doug) que engravidou uma enfermeira (Carol) e se mudou pra Seattle. Nesse momento, Carter olha no quadro e reconhece apenas um nome: Archie Morris.

Aproveito isso pra fazer um pequeno anexo e falar do retorno do diretor Johnathan Kaplan, em seu 40º e último episódio, atrás apenas de Chris Chulack (43) e que tem no currículo episódios incríveis, como os da morte de Lucy, o último turno de Mark e a evacuação do hospital. Esse episódio não foi seu melhor trabalho, mas Kaplan segue se sobressaindo nos pequenos detalhes: adoro sua direção, onde personagens de fundo atuam ativamente durante as cenas. Pena que a edição foi muito capenga, com personagens parecendo estar em dois lugares ao mesmo tempo ou nunca se topando no PS…

Retornando ao episódio, Carter reencontra quem é possível. Infelizmente, nada de Chunny, Haleh ou Malik. O que é uma grande pena, pois a presença deles preencheria muito melhor as cenas idiotas do casamento shakespereano . Reencontros apenas com Zadro, uma enfermeira que honestamente eu não me lembrava, Jerry, Sam, Neela e Morris. Nisso tudo, nada de muito especial, apenas a simplicidade e a realidade dos momentos que fizeram o evento valer a pena. Tirando, claro, a forçada piada de Jerry se apaixonar por John.

Anos atrás, Oliver talvez tenha dito para Dr. Morgestern “você dá o tom”. Em 1994, David falou isso para Dr. Greene. Se despedindo do PS, Mark passou a tocha para Dr. Carter em 2002. E em 2005, sem ninguém apropriado no momento de sua saída, John teve que se contentar com Dr. Morris, vomitando de bêbado naquele momento. “You set the tone, Morris”. Parecia piada. Não é mais… Piada foi a legenda chamando “tom” de “padrão”. O importante foi retomarem esse momento e fazerem questão de lembrar: Archie está mesmo dando o tom. Com Neela, a conversa tinha que ser aquilo. Os dois nunca foram próximos e Carter foi diretamente responsável pelo maior erro médico da carreira da indiana. Nessa cadeia de eventos, aliás, Gallant acabou indo pro Iraque, mas isso já é outra história.

Agora, com Sam, o papo talvez tenha sido o que mais mexeu com alguns dos esqueletos do passado. Como vão Abby e Luka depois de tanto tempo? Sam, ex de Luka, e Carter, ex de Abby, pareceram engolir no seco a felicidade do casal Luby, ou também ficaram felizes com isso? Lubys e Carbys (e Samkas também, as fãs de Sam com Luka) interpretem isso à vontade, porque eu não dou a mínima. Rá!

Entretanto, o momento mais especial da noite foi com Banfield. Curioso que ambos não se conhecem, apesar de dois fatos peculiares que os unem. O primeiro é que Angela Basset e Noah Wyle interpretaram uma dupla de agentes do FBI no filme Nada Além da Verdade. O outro chega a ser engraçado: na primeiríssima cena de Carter, onde ele aperta sem querer a campainha do saguão quando é observado pelos médicos no episódio piloto, o sistema de voz do PS chama alguém chamado “Dr. Banfield” (ehr… fiquei quase dois minutos encarando o teclado, pensando como comentar isso, mas não consigo ir além do “legal”).

Cate, a nova chefe (com tanta vontade de engravidar que pede até o óvulo da sobrinha) é então apresentada à John e ambos participam de uma conversa que serve para confirmar o que já estava óbvio: essa reta final será uma homenagem aos primeiros anos da série e que agradará em cheio aos fãs de longa data. A gaveta que emperra? A máquina que rouba dinheiro? Tudo direto da primeira temporada. Além do mais, em Heal Thyself foi criada uma ótima ponte de ligação: Cate conhece Mark, que conhece Carter. O motivo principal da contratação dele, aliás. Se você é médico, a melhor coisa do mundo é ter no currículo alguns anos de aprendizado com Dr. Mark Greene.

Porém, o que vem fácil, vai fácil. E ER é conhecido por ser cruel com seus personagens… Não quero entregar absolutamente nada aqui (não mesmo, então nem perguntem e por favor, não comentem aqui sobre os próximos episódio) mas depois de Pratt… Bem, talvez eu já tenha falado demais. O que posso comentar aqui são os prováveis pensamentos que passaram na cabeça de todos nós, ou pelo menos alguns de vocês, durante o episódio. Aproveito essa parte pretensiosa da coluna (quem lá consegue imaginar o pensamento dos outros?) pra, de bandeja, falar bem rápido sobre o “resto” do episódio. É uma saída rasa e barata, admito, mas estou estorando meu prazo e de outro jeito a review não sairia. Se não vejamos… O que passou em nossas cabeças?

Saco. Não quero ver Neela com Brenner. Vi na promo que hoje tinha o Carter. Então quero ver o Carter. Vai ser que nem no episódio do Mark? Ele só aparece na metade? Opa, Morris e Claudia. Isso parece legal. Gosto deles. Mas quero o Carter. Aff. Pra que mais de Banfield querendo engravidar? E agora quer o óvulo da sobrinha? Isso é estranho… Hey, a Lucy! Ela é fofa. Mas tá fofa “demais” nesse episódio. Legal que a mãe dela continua, mas… eu quero ver o Carter!

E o que diabo é esse drogado da renascença? Só pra provocar mais momentos “te olho quando você não me vê” entre Sam e Gates? Reatem logo! Presente pra Neela. Ray deu um CD. Ele é legal. Mas parece um adolescente platônico… Enquanto isso, Brenner e Neela fazem suas maratonas sexuais e planejam viajar pra Europa. Eu quero ver é o Carter! Argh, musiquinha… Eita, conheço esse jeep! É do Carter! É do Carter. Será que é ele? Minha nossa. É ele! Minha nossa, é ele? Coitado… Porque ele está tão abatido assim? Deus…

Carter entrou no PS. Ele parece mais de bem. Só conhece o Morris no quadro de médicos. E ninguém o conhece. Coitado. Hey! Gates deu um fora nele. Quem esse cara pensa que é? Opa, Zadro, um rosto conhecido… Banfield com a sobrinha? Não quero saber. Não quero saber. Não quero saber. Carter disse que Morris dá o tom! Massa! Um reconhecimento pro Archie. Morris e Claudia são legais. Mas não quero saber da violência policial. Tá, tá bom. Morris é ético, Claúdia é novata no trabalho, policiais são unidos, situação complicada, blá, blá, blá… Cadê o Carter mesmo?

Sam topa com Carter. Mais um rosto conhecido. O Jerry também! Banfield nem olhou direito pra ele… Bitch. Ah, não. Joannie tá com problemas. Ainda bem que Grady ajudou. E num é que Morris deu uma de Mark e fez uma ventriculostomia no PS? Olha que legal, Sam e Carter conversando sobre Abby e Luka. Droga, Banfield entrou… Sam, não vai embora! Continua conversando. Eita, hora da entrevista de emprego. PS desde 94. O tempo voa. Lembro da máquina de salgados. “‘Sim, conheci Mark Greene”. Frio na barriga… “Quando você começa”?

Pronto, não preciso ver mais nada. Tô satisfeito. Droga. Morris, não brigue com Claudia. E Joannie vai receber o coração novo? Já? Legal. Essa ligação durante o transplante não tá com cara boa. Neela, não tire o coração. Não tire o coração. Não tire o coração. Caraca… Falei pra não tirar o coração. Pobre Lucy. E agora sim ela foi perfeita. Que menina fofa, cara! Mas tadinha… Agora é o momento do final do episódio. Mais musiquinha. Sam olha pra Gates sem ele ver, que olha pra Sam sem ela ver. Reatem logo! Morris e Claudia. Será que reatam? Brenner e Neela. Mm… Porque acho que isso não vai acabar bem entre os dois? E Carter passeia em Chicago. A clínica vai abrir. Legal. Opa… O que é isso. Carter fazendo diálise?!

Meu Deus. O que ele tem? Por isso ele tava com aquela cara quando chegou. Será que tem alguma coisa a ver com a facada? Foi num dia dos namorados nove anos atrás. Aliás, hoje foi dia dos namorados. E no hospital tem uma menina chamada Lucy. E ela tem nove anos… Alguma coisa a ver? E a mãe dela? Precisa de coração? Meu Deus. Carter é tipo O. Eu lembro que ele é tipo O! O que vai acontecer? Joanie vai morrer, ela doará o rim pra Carter e Banfield adotará Lucy? Ou pior. Carter vai morrer e doar o coração pra mãe de Lucy? Eles não podem matar Carter! Vão matar o Carter? Meu, chega logo semana que vem!

Ehr…

Eu escrevi mesmo esses últimos seis parágrafos? Disfarça, Thiago.

Enfim. O retorno de Carter foi a coisa mais antecipada do último ano. Isso estava acordado entre as partes desde sua saída, no 11º ano. Mark também foi uma ótima presença, mas sua participação foi anunciada de última hora. O retorno de Carter não. Isso foi anunciado a diversos anos atrás. Daí, fica um pouco difícil o “resto” do episódio competir com esse evento. Por melhor que Lucy tenha sido (apesar de seu início exagerado), por mais que adoremos Morris com Claudia, e todo o demais, fica difícil não imaginar qualquer coisa que não fosse referente a Carter, um incômodo. Mas… Ainda assim, foi um bom episódio. Mesmo com o casamento da renascença.

No mais, preparem-se para a última viagem no tempo, afinal, John Carter retorna dessa vez como médico em ER. Só que não serão momentos só de alegria. Vai ser tudo também muito, muito doloroso. Infelizmente, todas as indagações que fiz no último parágrafo da transcrição de pensamentos são válidas. E… E na semana que vem, em um texto reduzido, falando menos sobre o passado de um personagem, e com pensamentos mais elaborados sobre os acontecimentos do episódio (juro que esses “textos adolescentes” não se repetirão). Afinal… ER está acabando e a coisa está cada vez mais real. E cada vez melhor. Vão por mim: como nunca, vocês com certeza ficarão apreensivos pelos episódios seguintes. Então… Até lá.

Séries citadas:

53 Comments

  1. Claire

    Really,Thiago??? vc gostou do Mark ter morrido? don´t be evil!rs. Primeiro sabemos da morte da mãe,depois vimos o fim do pai e em seguida… mto drama numa família só! Além disso,se era pra matar o personagem preferia que fosse num acidente bem surpreendente e/ou espetacular… acho que isso tbm seria impactante pro público e o pouparia daquele sofrimento,lento e cruel.Mas os roteiristas de ER são como vc! pouca maldade é bobagem pra eles heheh…
    Legal que gostava de TW… eu amava o Bosco!haha… e aquele epi do tiroteio no hospital,meu,fiquei grudada na cadeira,nem piscava… fiquei meio órfã quando acabou… agora com o fim de ER a orfandade será quase completa rsrs
    Vlw,Thiago! Até semana que vem…

  2. Gerson

    Concordo com vc Thiago, a saída da Abby foi fantasiosa, mostrando-a como heroína e tals, mas considero perfeita porque o epi foi centrado nela. Ao contrário da despedida do Carter, que mostrou a Abby e o Ray como herois e a fuga do Alex. Até esqueceram dele no bar!Só foi legal porque mostrou as fotos dele la e uma garotinha que ele tinha ajudado no parto 11 anos antes. Quanto a sua volta, realmente o salário poderia ter sido um problema… Então não deveriam ter se desfeito da Abby e do Pratt. Ela ja vinha querendo sair, blz, mas ele talvez pudesse ficar po…

  3. Flávia

    Pois é, Claire. A morte do Mark foi suficiente, não precisa do Carter, né? Mas confesso que nunca vi uma morte em série tão bonita e poética quanto a do Mark.

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