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Opinião Reviews

Review: A Lei e o Crime

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A Lei e o CrimeA questão sobre um mercado para seriados brasileiros vai muito além de encontrarmos um hit, uma série que seja quase uma unânimidade e desperte em anunciantes, emissoras e telespectadores o desejo de ver mais deste tipo específico de teledramaturgia. A questão é outra: é de encontrar a fórmula para isto, encontrar um jeito genuíno de fazer seriado de televisão no Brasil.

Em 2008, a Fox fez sua tentativa, tentando abrasileirar a fórmula do seriados policiais americanos com 9mm:São Paulo. A Globo seguiu namorando a classe C e D, com sua abordagem leve da vida nas favelas, desta vez visitando Salvador com Ó Paí Ó. Na HBO, Alice apostou em um drama jovem e veio com a boa idéia de criar um vínculo com o telespectador através de uma visão apaixonada da cidade de São Paulo.

Com algum atraso, chegou a vez de Record investir no gênero. Já era hora. Se existe uma chance de se derrubar a hegemonia da Globo, ela se dera através do investimento em novas fórmulas e não em emular o comportamento de emissora líder (ou em telenovelas com super-heróis).

Assim como as séries acima, A Lei e o Crime tem suas carências e tem seus méritos. Mas o mais importante é que ela tem uma proposta, tem um caminho e o caminho é autêntico.

A Lei e o Crime se propõe um seriado diferenciado. Mais que um típico drama policial, que quer mostrar através de uma série de personagens os múltiplos lados (e as motivações) do confronto entre polícia e crime organizado. A fórmula remete a alguns shows americanos diferenciados, como Line of Fire e Brotherhood e mesmo Família Soprano (sem o charme da máfia).

Num primeiro momento vai parecer ousado o fato de não termos mocinhos ou bandidos – o que poderá ser o fracasso da série, uma vez que não permite muito espaço para o telespectador se identificar.

A Lei e o CrimeMas grande sacada do roteiro de Marcílio Moraes, no entanto, não é a tentativa de fugir do maniqueísmo típico do gênero ou a opção por um ponto de vista diferenciado para abordar a criminalidade. A sacada é que A Lei e o Crime tem uma narrativa de telenovela. A série é no fundo uma telenovela com diferentes núcleos, histórias de fácil compreensão, diálogos simples. Moraes não estudou Lei & Ordem, Nova York Contra o Crime, The Shield, provavelmente nunca viu estes programas. Ele fez o que sempre fez, escreveu como sempre escreveu, talvez com um esmero maior, de quem tem que entregar menos páginas por dia.

A diferença para as telenovelas vem na segunda fase da produção – nas locações, na direção de arte, na fotografia e na direção esperta de Alexandre Avancini. Aqui a série me fisgou. Há um ponto do episódio que não importa mais se o roteiro é estúpido – o motivo banal para Nando (Ângelo Paes Leme) matar o sogro, a vingança desmedida de Romero (Caio Junqueira) ou a forma tosca como o arrastão dos traficantes dá errado. A série enche os olhos, com a iluminação indireta, seus múltiplos cortes, os ângulos diferenciados de câmera, a boa edição.

(E eu ia reclamar do som. Mas depois do péssimo áudio que a estréia da minissérie Maysa apresentou, com cenas quase mudas, sem nenhum som ambiente, ficou mais difícil criticar A Lei e o Crime).

E, claro, temos a favela e os tiroteios. Na pior das hipóteses, A Lei e o Crime valeria a pena pela longa seqüência que mostra Nando assumindo o controle do morro – com direito a granadas da mão, bazucas e assassinato a sangue frio, numa cena que não deve nada as melhores seqüências de The Unit e outras séries de guerra.

Não, A Lei e o Crime não é uma série para nós que temos os olhos treinados de assistir bons seriados de TV. Mas é uma porta de entrada para este universo. É um belo caminho.

Séries citadas:

É jornalista, pós-graduado em Jornalismo Digital pela Pucrs e trabalha com produção de conteúdo para Internet desde 1995. É editor de internet do Jornal do Comércio, de Porto Alegre. Fundou o TeleSéries em agosto de 2002. Na época, era fã de The West Wing, The Shield, Família Soprano e Ed. Atualmente é viciado em The Good Wife, NCIS, Game of Thrones e Parks and Recreation.

69 Comments

  1. Thiago Felipe

    Eu como um assíduo telespectador das séries americanas policiais, achei muito boa a idéia de uma série policial ambientada na minha cidade que é o rio de janeiro. A série retrata bem a nossa realidade. Contudo, a série pecou em diversos aspectos bem apontados pelo Paulo. Acho que qualquer um achou ridícula aquela cena do túnel. Ridículas também foram as cenas do baile funk e do tiroteio, que foram totalmente mal feitas.

  2. Lontra

    Pessoal

    Eu vi a série. Sem nenhuma expectativa. Sou fã de The Shield, NY, Law, etc etc etc como a maioria aqui.

    Tirando o fato de algumas cenas serem um pouco escuras e alguns dialogos meio “quadrados” a série é muito boa.

    Sempre temos por ponto de partida dizer que se é brasileira é ruim, mal feita, ou mesmo sermos muito mais críticos com as séries brasileiras do que com as gringas.

    Gostei e estou acompanhando a série, o episódio de ontem foi muito bom, espero que assim continue.

  3. douglas

    já que tem muita gente aqui que paga pau pra americano está bom de vocês se mudarem pra Estados Unidos, mas não esqueçam que imigrante ilegal lá vai é pra cadeia

  4. .silas vippy

    ah quanto bla bla bla.

    nao curto muito a globo, já vou dizendo, mas porem contudo todavia adoro seriados, e fico muito feliz se seja lá quais forem a emissoras lançarem seriados, seja com um elenco conhecido ou não, seja comédia ou ação, seja da record ou da globo, o que importa é que o telespectador saia ganhando em nível de cultura tanto sobre detalhes domésticos em comédias pastelão ou de característica social, no caso de “A Lei e o Crime” e “Maysa” (que querendo ou não influenciou a sociedade no passado). Boa sorte para os roteiristas, falta um pouco mais de senso para o brasileiro um pouco mais de cultura através de seriados.

    ah adoro “A LEI E O CRIME”, “TOMA LÁ, DÁ CÁ”, “A GRANDE FAMÍLIA”, são ótimas, são brasileiras, são da TV aberta, e tenho muito orgulho disso.

    PARABÉNS AOS PROFISSIONAIS QUE TRABALHO NO INTUITO DE POPULARIZAR ESSA FORMA DE COMUNICAÇÃO ENTRE OS BRASILEIROS.

  5. laudiceia leite

    Na verdade o seriado é otimo prende a atenção da gente até mesmo porque tem muito da nossa realidade assisti o primeiro capitulo e fiquei muito afim de continuar assistindo a todos os outro mas tem um problema é tarde demais e as peessoas que trabalham acordam cedo,então voçes poderiam colocar num horario mais acessivel pra todos.Tenho certeza que so tem a ganhar essa emissora.
    Abraços

  6. Marcelo Santos

    Lili, lí seus comentários e concordo com o que escreveu. Criar uma série como essa, no Brasil é algo que merece nossos aplausos, e nem todos tem a capacidade de compreender isso, seja devido a carência de cultura ou por costume mesmo.

  7. Sebastião Marques...

    Assisti ao 1º capitulo da série egostei muito, mas infelizmente não consegui assistir aos outros seguintes, pois o horário é muito tarde, e em plena 2º feira mano…aí foi pra acabar mesmo…Com tanta criatividade para fazer a mini série não um horário mais favorável para nos que trabalhamos, ainda mais seguido daquele domingo cansado de churrasco e cerveja com a familia e os amigos, quando é 2º a noite tamo só o pó.vo esperar pra ver se lança um dvd pra eu poder comprar pra assistir, pois pelo 1º capitulo em que assisti vale a pena…Salve a todos…

  8. Ana Lúcia - BH/MG

    A série é ótima! Aliás, a Record já vem superando a Globo em novelas há muito tempo. Pelo jeito vai se sobressair também com os seriados, pois fa a coisa certa: atores que faziam papéis medíocres na Globo têm a chance de se mostrarem muito mais na Record e arrebentam. Alguns exemplos: Heitor Martinez, Ângelo Paes Leme e Francisca Queiroz, só pra começar. Parabéns!!

  9. Armando

    Galera

    Muito boa essa discussão

    Tanto as críticas quanto os elogios

    Só algumas correções, e outras poucas considerações:

    – O Marcílio não é sociólogo – ele fez letras. Quem é sociólogo é o Tiago Santiago, autor dos Mutantes.

    – Ele não escreve sozinho – embora seja o autor e o único responsável pelo tom e rumo da história, conta com uma equipe de várias pessoas.

    – os dois primeiros episódios foram escritos como uma história fechada, um especial de final de ano. Mas a qualidade do texto fez com que todos se animassem e decidissem transformá-lo em um seriado. Então só mesmo a partir do terceiro ou quarto episódio que passa a ter cara de seriado (isto está em diversas entrevistas que ele deu)

    Uma coisa me confundiu: afinal, o ideal é emular os seriados americanos, ou não? se a proposta é parecida, dizem que copiou. Se a proposta é fazer algo diferente, dizem que de seriado não tem nada. Afinal, qual é o ideal?

    Muitas críticas dizem que o seriado parece novela. Não vou questionar se parece ou não, apenas perguntar: em que sentido? Porque tem uma trama central que toma conta dos episódios? Realmente, não é como Law & Order ou CSI, onde cada episódio tem uma trama com começo, meio e fim, e se perder um não perdeu a continuidade. Seriado é sempre assim? Nesse caso, onde ficam Deadwood, Galactica, Damages, para citar apenas alguns?

    Os seriados americanos realmente estão anos luz à nossa frente, isso é indiscutível. Pudera: sabe quantos seriados já foram exibidos nos últimos 60 anos? Por quantas revoluções eles passaram? E nem isso é suficiente para que todos sejam bons. das dezenas de seriados que estréiam todos os anos, quantos se transformam em Sopranos ou CSI? E quantos são cancelados depois de meia-dúzia de episódios, de tão desapontadores?

    Será que é justo comparar justamente com os poucos que se destacam?

    Alguém aqui tem alguma idéia de quanto custa um episódio de Lost, de Cold Case, de Mad Men? Jura mesmo que dá pra comparar? Alguém aqui sabe quanto custa um episódio de Lei e o Crime, ou mesmo de 9mm ou Alice?

    Nos Estados Unidos os seriados são exibidos na prime time, horário nobre – que é onde está o dinheiro e o público desejados. Logo, é nos seriados que se concentram os maiores esforços. Aqui o horário nobre é ocupado por novelas – os seriados passam mais tarde, justamente porque ainda estão procurando seu público. São um risco, não uma certeza. Dá para cobrar igual?

    Aliás, aproveitando: o foco da TV brasileira – e por consequência da MAIORIA do público, não os poucos privilegiados que podem e preferem ver seriados americanos (como eu) – é novela. Será que um seriado feito exatamente nos moldes americanos daria certo? Será que não é mais interessante fazer uma ponte, uma obra que tenha elementos tanto de novela quanto de seriado, para acostumar e fidelizar o público?

    São apenas questões para serem pensadas, não estou querendo defender nada nem criticar ninguém. São só algumas coisas que passaram pela minha cabeça quando vi A Lei e o Crime pela primeira vez.

    abs

  10. lucilene

    ess eu numca vi igual melhor q essa tou pra ver
    adotei mesmo adoro esse Nandinho naum tem comparação mesmo esse é a série q podemos assistir e naum tem o q reclemar bjs xauuuuu

  11. Brenda

    Nota 10 Para Caio Junqueira, como o policial Romero em A lei e o Crime, o ator está excelente como o policial corrupto Romero sabe dar intensidade ao personagem, Caio é jovem bonito e o mais importante é muito talentoso e está provando a cada personagem que faz ser versátil. Caio nota 10.

  12. Thiago Pedro

    Nota 10 para o seriado! Indico a todos a assistirem. Não perdi um só capítulo. Achei uma tacada dentro da Record. Tá muito é show. Conto os dias para chegar na segunda!

  13. kelly Gusmao

    Numa boa…prá quem está conhece a tv aberta sabe que, hoje em dia, tá difícil achar alguma coisa de conteúdo pelo menos relevante.

    Aí entra a grande sacada da Record. A Série é ousada, bem gravada, transita pela ficção e realidade de uma maneira consistente e simples.

    E indico com certeza!

    Até porque, em terra de cego quem tem um olho é rei…e a tv brasileira anda de bengala há muito tempo..

  14. vanessa de oliveira gonzalez

    eu gostaria muito que os responsaveis pelo boomerang me ajudassem a realizar um sonho que venho lutando a seis anos e de conhecer os ex integrantes do rbd pessoalmente ja mandei em varias emissoras cartas pedindo ajuda para conhece-los de perto e ir ate o mexico eu nao tenho condiçoes financeiras para ralizar esse sonho antigo ate fiquei em depressao e panico por nao te-los conhecido eu os amo muito mesmo e minha sobrinha de 10 tmb meu nome e vanessa tenho 28 anos e fa dos rebeldesmeu email vanessarbdm@hotmail.com

  15. vanessa de oliveira gonzalez

    por favor me ajudem vcs sao minha ultima esperança em conhecer os ex integrantes do grupo rebelde acabando a novela rebelde passe para nos fas dos rebeldes a novela classe406 ou la familiarbd obrigada pela atenção

  16. L

    Fazendo uma limpeza nos favoritos, encontrei este post.

    Nossa, faz mais de um ano que houve essa confusão com os comentários da “Lili”, os quais eu definitivamente não deveria ter feito!

    Meu nome não é Lili. Nem Letícia. Nenhuma delas existem.

    Apenas pensei que a melhor forma de encerrar tudo isto seria “criar” uma personagem que seria a “irmã da Lili”. Quis escrever algo engraçado para mostrar que quem me chamou de “chata” por defender a (Não tão grande assim, convenhamos) qualidade da série cometeu um erro enooooorme.

    Provavelmente ninguém lerá este comentário, mas mesmo assim… peço desculpas a todos, ao autor da review pela “brincadeira”.

    Foi também uma maneira de relaxar, em meio à toda a ansiedade causada pela 2a. fase do vestibular da Unicamp, no qual graças a Deus, eu fui aprovada.

    abraços,
    continuem com o ótimo trabalho!

    att,
    L.

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