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Review: A estréia de Donas de Casas Desesperadas

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Cena de Donas de Casas Desesperadas

O que esperar da versão brasileira de um seriado americano, gravada na capital argentina, com uma protagonista que fala português mas mora em Nova York?

Assistindo televisão eu aprendi muita coisa. Em CSI, Grisson me ensinou que em 90% dos casos a resposta está na própria pergunta. E porque começar um texto sobre Donas de Casas Desesperadas recorrendo a uma citação de um seriado sobre médicos legistas? É que o resultado exibido na tela foi como um corpo após embalsamado: mesmo tranquilo, vestido e com boa aparência, é frio e sem alma.

Não dava para esperar mais do que isso. O elenco, infelizmente, está aquém do original – com a surpreendente exceção de Isadora Ribeiro. Em seus melhores momentos, Lucélia Santos está apenas repetindo Teri Hatcher. A opção por dublar os coadjuvantes e economizar ainda mais no elenco só torna diversas contracenas marcantes ainda mais artificiais: a relação de Susan/Suzana com a filha, a convivência de Lígia/Lynete com os trigêmeos, a obsessão de Elisa/Bree com a família (e infindáveis outras marcações) tornam-se tão enfraquecidas dramaticamente quanto são distantes português e espanhol. Isso sem falar nas óbvias adaptações “inadaptáveis” – e a solução foi clara. Elas simplesmente não foram realizadas.

Mesmo assim, o resultado é favorável para a RedeTV! (e espera-se que o razoável resultado incentive algum tipo de iniciativa mais legítima). Afinal, como resistir a proposta? Ter um produto com a cara Disney, cuidado plástico em todos os detalhes (enquadramentos, cenários, iluminação e figurinos são mesmo de primeira, coisa que outras emissoras com anos de novelas próprias ainda não alcançaram) pagando apenas por um elenco de 12 brasileiros e dividindo alguns custos de produção? A emissora acaba abrindo um espaço inédito em sua história na produção própria de dramaturgia, e com um certo respaldo escorado em alguns nomes, e tudo que precisou fazer foi concordar em abrir mão de todo o resto. Como em qualquer pacto com o diabo, o pedido está aí, realizado, com o dinheiro dos patrocinadores de relativo peso bancando a empreitada – e a alma… está em algum outro lugar, perdida, esquecida, enquanto o corpo – quase um boneco de cera, de tão bem cuidado – é velado nos lares brasileiros toda quarta feira, às onze da noite.

***

Donas de Casa Desesperadas vai ao ar nas noites de quarta-feira, às 23h, na RedeTV!

54 Comments

  1. Lucas "Gandalf" Leal

    Silvia compra de peritos tem em qualquer lugar do mundo, a unica diferença é que por sermos um pais de terceiro mundo isso é mais facil aqui que lá…

    eu acho que série de policial ou de investigação funciona sim…é só saber trabalhar e mostrar um pouco da realidade que o publico vai se enxergar ali e a série decola facil…

  2. glauber

    Excelente o texto da crítica. Nao entendo eh porque essa porcaria dubla atores brasileiros.

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