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Revenge – Balanço de temporada

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Revenge é uma série conhecida por seus twists, e talvez só podemos comparará-la nesse quesito com Scandal. Porém, da mesma forma como o destino dos personagens oscila com uma velocidade impressionante, oscila também a sua qualidade. Prova disso é a segunda temporada, que teve sua parte pré-hiato mais parecendo uma paródia de série de ação, pra depois voltar ao normal na segunda. A terceira temporada veio com uma promessa de renovação total, com a mudança de roteirista chefe e o abandono quase total dos plots da temporada anterior (prisão de Nolan durou menos do que de político brasileiro, a Iniciativa sumiu mais rápido que camisa básica da Forever 21), e conseguiu manter o ritmo acelerado dos acontecimentos, mesmo que isso signifique forçar a barra. E me aproveitando ao máximo do coloquialismo, algo que já nos acostumamos é que muitas vezes Revenge força a barra. Dissertarei sobre.

O twist é um ótimo recurso em séries televisivas, que por sua duração e periodicidade podem acabar sendo repetitivas se muito constantes. Por conta disso, dar uma mexida na trama e ir contra às expectativas sempre dá um ânimo novo para quem assiste. O problema é quando um recurso torna-se mais importante que o produto, como se a sobremesa fosse mais importante do que toda a refeição. É isso que acontece com Revenge: as surpresas são supervalorizadas e a trama parece se desenrolar simplesmente para gerar twists. E muito deles são desnecessários, como a descoberta nessa temporada de que a ex esposa de Conrad é mãe de Jack. A personagem gerou a revelação pra sumir dois episódios depois. Isso levou a história pra algum lugar?

Mesmo com toda a forçação e parentescos que nos fazem pensar que se trata de uma novela das oito em que todo mundo é relacionado e filho do Antônio Fagundes, a terceira temporada teve vários pontos altos. O primeiro deles é a volta da listinha de Emily, que não víamos regularmente desde a primeira temporada. Foi legal vê-la marcando mais uns X’s nas fotos, não foi? Outro ponto alto foram os questionamentos em torno do plano da vingança. Questões morais foram adicionadas a trama, com o plot do padre que fez Emily se arrepender e pensar em perdão, e toda a pressão que Jack fez para que a ex-namorada terminasse logo sua vendeta. Outro ponto positivo dessa temporada foram os novos personagens, e aqui incluímos, mesmo que não seja unanimidade entre quem assistie, a família LeMarchal. Ainda que Margaux seja uma chata na maioria das vezes com seu sotaque francês forçado e  lançando palavras em francês para afirmar sua nacionalidade o tempo todo, foi interessante ver como Daniel conseguiu manipulá-la para quase transformá-la em uma Grayson. Já Pascal movimentou a já tensa relação entre Conrad e Victoria, e protagonizou uma das mortes mais bizarras da TV.

E como falamos de Daniel lá em cima, se desejávamos sua morte por conta da apatia e da falta de talento de Josh Bowman, nessa temporada desejamos sua morte por motivos mais concretos. Na minha opinião Daniel está mais para vilão de Malhação, e também não me convenceu nessa sua virada pro lado do mal, mas é fato que ele gerou revolta entre os fãs depois de ter atirado em Emily em seu próprio casamento, e seguiu a humilhando ao colocar a amante (aleijada na primeira temporada, mas milagrosamente recuperada na terceira) para viver dentro de casa. A vilania de Daniel ao menos rendeu boas cenas , como a épica conversa entre ele, Emily e Victoria, em que eles decidem como será o casamento de aparências depois da loira ter recuperado a memória e poder mandar o marido pra cadeia.

Agora, não era óbvio que alguém iria perder a memória nessa série? Depois de gente caindo de escada, filhos bastardos, traições e tapas na cara, faltava alguém perdendo a memória, e a terceira temporada preencheu essa lacuna novelesca. Um bom gancho após hiato, também gerou cenas muito boas como a de Emily revelando pra estúpida Charlotte que seu pai se chamava David Clarke , e também a volta de Jack sendo o estopim para o retorno das lembranças.

O que não podemos negar é que Revenge sabe fazer seasons finales. Aliás, não somente finales, como pré-seasons finales, já que os últimos episódios da temporada contrariam a máxima da calmaria antes da tempestade, e se piscar o olho, perde um twist. E não foi diferente na terceira. Alegiance, Revolution, Impetus e o gran finale Execution foram episódios excelentes, com uma tensão crescente e muito bem encaixadinhos. É como se quando já estivéssemos chateados com a enrolação e a forçação de barra, nos dessem uma surra de enredo. Mas falemos então do final.

Todos sabíamos, por conta dos anúncios da ABC, que algum personagem fixo morreria. Porém, só pra fazer a gente de bobo, tivemos duas “mortes”: Aiden e Conrad. Explico as aspas, mas começo por Aiden. A cena da morte do aliado e amado de Emily foi uma das mais fortes, senão a mais, da série. Ali, a vingança foi pro outro lado, e Victoria vingou-se da morte de Pascal, que atribui a sua ex nora, pagando na mesma moeda. O asfixiamento de Aiden deixou claro a total falta de compaixão e moral de Victoria, da qual já tivemos uma amostra com a omissão de socorro ao pai de seu filho bastardo Patrick em um episódio anterior. Madeleine Stowe foi perfeita na atuação nos mostrando, enquanto pressionava a almofada sobre o rosto de Aiden, que junto com os últimos suspiros da vítima, se esvaía também o último fio de humanidade de sua personagem. Se Victoria deixou claro que não se importa em matar, tal qual Conrad, declarou com todas as letras guerra aberta a Emily ao enviar o corpo de Aiden para a rival. Em um momento de total fragilidade, vimos talvez pela primeira vez na série a Amanda Clarke que Emily disse alguns episódios atrás que não conhecia mais.

O interessante é que a morte de Aiden parece ter sido construída para não só impulsionar a vingança de Emily, como também para levá-la  para outro nível. Amanda Clarke conheceu a dor da perda, ainda criança, mas agora é Emily, já adulta que experencia a dor de perder o homem que mais ama. A isso ainda soma-se  uma fala posterior de Victoria, que diz que Emily não conhecia realmente David Clarke. E assim vamos pro segundo homicídio desse episódio,  que gerou não um twist, mas O TWIST da temporada. Isso porque Conrad é atacado por alguém quando escapa da prisão, e esse alguém é DAVID CLARKE. Eu confesso que voltei essa cena gritando que não, os roteiristas não iriam fazer isso com a gente, mas fizeram. O fato do personagem mais falado dessa série (já brincaram de tomar um shot toda vez que seu nome é mencionado?) estar vivo traz a tona várias questões. A vingança de Emily não faz mais sentido? David, no fim das contas, é culpado, e é por isso que só aparece depois que inocentado pela filha? Conrad realmente morreu? Bom, eu ainda não estou certo da morte do patriarca Grayson, o que explica a minha resistência com as aspas lá em cima. Só me toca que com tantas mortes explícitas como gente sendo cortada por asa de helicóptero e cadáveres sentados no sofá, achei o esfaqueamento um pouco leve (usei as palavras esfaqueamento e leve na mesma frase e fiquei achando que estou assistindo muito GoT ou muito noticiário do Rio). Respostas que ficam pra já confirmada quarta temporada

E se Emily apanhou quase toda a temporada, ao menos fechou o ano com uma Victória (trocadilho maroto): com um plano de bater palmas, conseguiu fazer a ex-sogra parecer uma louca obcecada por uma teoria da conspiração, isso tudo com a ajuda da terapeuta lá da primeira temporada (trazer personagens antigos de volta sempre dá a impressão de que o roteiro era amarradinho e super planejado, não é?). Victoria gritando “SHE’S AMANDA CLARKE, SHE’S AMANDA CLARKE” amarrada em uma cama de hospital, com um beijo de despedida e desejos de melhoras mais cínico da história foi não menos do que incrível. Mesmo eu não acreditando que ela ficará lá por muito tempo, temos todo um hiato para imaginar Vic louca e histérica.

Como todo bom season finale, Execution nos deixou plots e personagens novos para a próxima temporada. Tem novo LeMarchal, tem Jack preso, tem Daniel chantageado, e tem Charlotte virando um vegetal na cama (não tem, são somente desejos de quem vos escreve). Além disso, temos uma nova vingança a ser construída. Eu já imagino flashbacks de Aiden como o melhor homem do mundo pra justificar mais planos rocambolescos. A gente  resiste a isso só pra ver a guerra aberta entre Victoria e Emily?

Séries citadas:

14 Comments

  1. Leonardo Lins

    Adoro Revenge, me apaixonei desde a primeira vez que vi. Confesso que esse post me abriu os olhos para coisas que eu não percebi, mas apesar de tudo continua sendo uma ótima série e minha preferida.

  2. biancavani

    Desisti da série (nem preciso explicar por que), mas quis saber o balanço da temp. Muito divertido, acurado e bem escrito: valeu mesmo, Matheus!

  3. Raysa Soares

    Na 1ª temporada eu achava Revenge maravilhosa, hoje acho só boa, mas continua valendo a pena assistir, só tenho medo de que estraguem tudo na 4ª temporada com esse David vivo, vamos pagar pra ver né? ótimo texto.

  4. Matheus Odorisi

    Brigado Raysa. Vamos ficar na torcida para que os roteiristas façam que esse twist seja bom para o andamento da série.

  5. Rafael Ruiz

    Primeiramente, eu comecei a assistir Revenge quando a Globo fez a propaganda. Já senti cheiro de novelão mexicano, mas, quem nunca assistiu A Usurpadora que atire a primeira pedra. hahahaha

    Assisti a primeira temporada e gostei bastante. Gostei muito. Viciei vários amigos, namorada, sogra e todos que pediam dicas de uma nova série. Mas, a segunda temporada não foi tão boa assim.

    A terceira foi nota 7. Realmente, os episódios que você citou foram muito bons. Porém, a terceira temporada foi inconstante.

    Ainda não sei o que esperar da quarta temporada. Espero que seja a última e que consigam finalizar de maneira decente essa vingança maluca da Emily.

    Essas séries deveriam ser curtas e começar com um número de episódio definido. Assim evitaria muitos twists malucos.

  6. claudia regina freitas

    São essas reviravoltas que me fazem continuar assistindo, muito bom Matheus!

  7. Helena

    A morte do Aiden foi desnecessária!!! A temporada estava ótima até esse último capítulo!

  8. rebeca

    parei de ver no início da terceira, tava achando bem chata e repetitiva, mas lendo esse texto deu vontade de voltar a ver

  9. louise

    O Aiden não podia morrer!!! Agora a Emily está fadada ao Jack!! Só eu acho que o Jack é muitoooo sonso e sem graça? Tipo mocinho chato. Emily deveria ficar com o Aiden no final..agora nem tenho mais expectativas com a série.

  10. debora

    Eu também não, foi muito triste depois de tudo que ele passou com a Emily,não conseguio realizar o sonho de viver com ela,pra mim perdeu a graça

  11. Bruna Gouveia

    Relendo o post – até hoje não acredito que eles foram capazes de sacrificar o personagem do Aiden. É algo com o qual eu nunca vou conseguir me conformar!

    Revenge foi uma boa série, tirando alguns períodos de enrolação, a série teve ingredientes e reviravoltas suficientes para me manter presa até o final. Porém, como falei acima, Aiden não deveria ter morrido. Era um ótimo personagem! Além de ser, em minha opinião, o grande amor da vida da Emily. Aiden era quem a compreendia, a aceitava e a amava por quem ela era. Sem julgamentos.

    Uma pena ela ter sido condenada ao enfadonho do JackzzzZzzz.

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