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Opinião Reviews

Revendo: Família Soprano – Down Neck

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Família Soprano+temporada

Família Soprano - Down NeckSérie: Família Soprano (The Sopranos)
Episódio: Down Neck
Temporada:
Número do episódio: 7
Data de exibição nos EUA: 21/2/1999
Data da reprise na Warner: 19/10/2008

Sinopse: A.J. é suspenso da escola por roubar e beber vinho sacramental. O psicólogo faz testes para saber se o garto possui DDA. Tony se preocupa se o garoto sabe sobre o seu estilo de vida e relembra como foi que descobriu que seu pais era da máfia. Tony lembra ainda que seu pai cogitou se afastar da máfia, mas Lívia não deixou. A.J. conta para Lívia que o pai faz terapia.

Opinião: Não sei se vocês sabem, mas Família Soprano foi muito criticada pela comunidade italiana nos Estados Unidos, acusada de perpetuar estereótipos negativos dos ítalo-americanos. A série faz isto mesmo e eu até acho isto divertido, traz um humor pro seriado. E é curioso ver que a exploração de estereótipos é a base do humor judaico e a cultura protestante também aceita isto bem. Já entre católicos, este tipo de humor sempre gera um Deus nos acuda…

Neste episódio aqui, repleto de flashbacks, a questão do estereótipo fica ainda mais exagerada. Em flashbacks, vemos como foi a infância de Tony. A primeira vez que ele viu o pai batendo em um homem (no meio da rua); ele descobrindo que o pai usava a irmã como escudo para reuniões da máfia; e, claro, Lívia mostrando seu lado mais doce – ameaçando furar o olho do Tony com um garfo.

Este episódio me deixa em conflito. Eu gosto de ver como Tony se debate sobre toda as questões decorrentes do comportamento do filho e os paralelos com sua infância. Afinal, ele quer que o menino siga seus passos? Ele não quer que o menino siga os seus passos? Se ele pudesse ele estaria fazendo outra coisa? Quem é o culpado pelo caminho que ele escolheu – o pai ou a mãe? Temos livre arbítrio ou estamos fadados a seguir os passos dos pais?

Mesmo com toda esta riqueza de conteúdo, eu não gosto muito do episódio. Acho a edição meio trouxa, a narrativa meio caída. É bom, mas não acho tão bom como os primeiros episódios.

Uma cena: Não tem uma grande cena para destacar aqui. O bacana do episódio é a dinâmica entre Tony e Melfi nas sessões. Os diálogos fluem, Tony está mais solto, Melfi mais objetiva, o roteiro mostra a evolução da terapia (e com isto parece que a química dos dois atores aumentou também).

MVP: Nancy Marchand. A velha é terrível e eu adoro isto nela.

Família Soprano - Down NeckCuriosidades:
• Milagre! É o primeiro episódio da série sem mortes.
• Contagem de corpos: continuamos com seis.
• O ator Joseph Siravo aparece pela primeira vez na série, em flashbacks. Ele é “Johnny Boy” Soprano, o pai de Tony.
• Tony tem duas irmãs. A mais velha, Janice, que Tony acreditava ser a preferida do pai, mora na Califórnia, se converteu ao hinduísmo e mudou o sobrenome. Neste episódio ela aparece criança, em flashbacks. Na segunda temporada, Aida Turturro fará o papel de Janice adulta.
• Na noite que Johnny Boy é preso, Tony e Janice assistem ao The Ed Sullivan Show na TV. A banda que aparece tocando são os The Young Rascals.
• O episódio foi dirigido por uma mulher. Lorraine Senna Ferrara, com passagens por Babylon 5 e Lois & Clark.
• O roteiro é do produtor executivo Mitchell Burgess em parceria com Robin Green. Os dois são casados.

Um diálogo: É ótima a conversa entre Lívia e A.J. na clínica, contrapondo a ingenuidade do garoto e a visão preconceituosa do mundo da avó.

Livia (em tom incrédulo):

Mandaram você para um psiquiatra?

A.J.:

Sim.

Livia:

Isto é uma loucura! Não faz sentido! Isto é coisa para judeu ganhar dinheiro.

Um música: Os flashbacks tem um trilha muito bacana. “Mystic Eyes”, da banda Them (de Van Morrison), toca quando Tony se esconde no porta malas do carro para seguir o pai e Janice.

Séries citadas:

É jornalista, pós-graduado em Jornalismo Digital pela Pucrs e trabalha com produção de conteúdo para Internet desde 1995. É editor de internet do Jornal do Comércio, de Porto Alegre. Fundou o TeleSéries em agosto de 2002. Na época, era fã de The West Wing, The Shield, Família Soprano e Ed. Atualmente é viciado em The Good Wife, NCIS, Game of Thrones e Parks and Recreation.

6 Comments

  1. Glenn Quagmire

    “E é curioso ver que a exploração de estereótipos é a base do humor judaico e a cultura protestante também aceita isto bem. Já entre católicos, este tipo de humor sempre gera um Deus nos acuda…”

    Esse manja!

  2. Babi

    Pois é, Paulo, eu fico pensando que os seriados atuais são muitíssimo chatos.
    A vida não é politicamente correta com ninguém, mas os programas são.
    Na minha humilde opinião, isso limita a arte. Não se discute mais. Os programas não nos fazem pensar e aqueles que fazem a audiência de uma maneira geral, rejeita…
    Só vi o último epi dos Sopranos e agora vejo no sacrifício pela Warner. É uma série excelente mas “esquisita” se comparada ao “padrão de qualidade” atual. Abraço.

  3. Felipe

    Não é dos meus preferidos até agora, não gostei muito da forma como usaram os flashbacks.

    Mas acho que o objetivo era criar um vínculo maior entre o público e o Tony. Não tem como não ficar com dó. E a cena final também funciona muito bem, ‘humanizando’ mais o Tony.

  4. Lucas

    Adoro esse episódio, meu preferido da primeira temporada. Acho o uso de flashbacks ótimos.

  5. anderson

    Sobre os esteriótipos, falo como genuíno descendente de italiano, estou achando perfeita a retratação dos ítalos americanos na série.
    A dinâmica familiar, as relações entre pais e filhos, a “admiração” pelo trabalho e figura paterna, e as reações dramáticas das matriarcas da família(hilariantes, a mãe do Tony dizendo “O Senhor podia me levar” é perfeito)
    Claro que em um programa de TV essas coisas são retratadas com certos exageros, mas são baseados nas caracteristicas de quase todas famílias com descendência italiana. E esse episódio achei muito bom, aliás todos até agora, estou entendo porque essa série é super cultuada.
    Pena a Warner nos brindar com aquelas legendas sofríveis, mas isso é chover no molhado.

  6. Flavia

    Concordo com a Babi: qualquer coisa politicamente incorreta hoje não consegue passar do pensamento do autor, e as que passam recebem censura do público… Será por isso que as novelas da Globo sofrem tanto com o Ibope?

    E amo minha avó, filha de italianos, mas ela é tão dramática quanto a mãe do Tony!

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