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Estilo

Quem você seria em ‘Girls’?

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Quando ganhei a missão de estrear a coluna de Estilo, abri meu TCC da faculdade de Jornalismo que estava esquecido lá no ano de 2011 – era um projeto sobre a Economia Criativa na Moda. Mas minhas memórias foram para ainda mais distante. No Ensino Médio, enquanto meus amigos ainda se decidiam qual graduação fariam, eu já sabia minha faculdade e a pós-graduação: Jornalismo, seguido da especialização em Moda. Os planos mudaram, me apaixonei por outras coisas ao longo do percurso – como as séries de TV! -, mas o gosto pela arte em forma de tecidos, texturas, estampas, tesouras e fuxicos nunca cessou. Por isso, essa coluna é um sonho que se realiza e, sem parecer piegas, queria dividir isso com vocês, leitores do TeleSéries.

Eu estudei na Unesp e, como muita gente deve imaginar e é de praxe em qualquer universidade pública, cercada de gente que queria fazer a diferença no mundo, promover uma revolução social inspirados pelas ideias de Marx. Assim sendo, quando eu contava que gostaria de trabalhar com Jornalismo de Moda, era de se esperar que muita gente torcesse o nariz, “porque Moda não é Jornalismo de verdade” ou “Moda é coisa de gente fútil”. Sem generalizar.

Toda vez que alguém me dizia isso, tinha vontade de fazer a Miranda Priestly, de O Diabo Veste Prada, botar o meu melhor carão blasé e discursar:

 

Na cena do filme, a personagem da diva Meryl Streep diz ao papel de Anne Hathaway (que parecia pouco interessada em seu novo ofício), “Esta ‘coisa’? Ah, entendi. Você acha que isso não tem nada a ver com você. Você abre o seu guarda-roupas e pega, sei lá, um suéter azul todo embolado porque você está tentando dizer ao mundo que você é séria demais para se preocupar com o que vestir”, começa a poderosa editora da Revista Runway. “Mas o que você não sabe é que esse suéter não é somente azul. Não é turquesa. É ‘sirilio’. E você também é cega para o fato de que, em 2002, Oscar de la Renta fez uma coleção com vestidos somente nesse tom. E eu acho que foi Yves Saint Laurent, não foi? Que criou jaquetas militares em sirilio. E o sirilio começou a aparecer nas coleções de muitos estilistas. E logo chegou às lojas de departamentos. E foi assim que chegou a você. E, sem dúvidas, esse azul representa milhões de dólares em incontáveis empregos”, dispara.

O que muita gente não sabe – ou ignora – é que a indústria têxtil é uma das maiores empregadoras do mundo e movimenta bilhões de dólares ao redor do planeta, todos os anos – segundo estudo divulgado, em 2011, pela Associação Brasileira de Indústria Têxtil, mais de 13 bilhões de dólares foram investidos no setor, na última década, aqui no Brasil.

COLUNAS | MEMÓRIA Há quinze anos estreava ‘Sex and the City’ com muito charme e personalidade

Mas o que é Moda?

“Pode-se definir Moda como um fenômeno sociocultural que traduz a expressão dos povos por meio das mudanças periódicas de estilo, estilo esse que particulariza cada momento histórico. Ligado aos costumes, à arte e à economia, a Moda tem o poder de comunicar posicionamentos sociais”, escreveu a jornalista especializada Dinah Bueno Pezzolo, no livro Por Dentro da Moda – Definições e Experiências, publicado em 2009.

Ou seja, ao contrário do que algumas pessoas pensam, Moda não é comprar em boutiques caras e esfregar a etiqueta de grife “na cara da sociedade”. Moda é uma forma de se expressar, dizer como você se sente diante do mundo, através de recortes, cores e estampas. Observando as roupas de uma pessoa é possível esboçar, num primeiro olhar, quem ela é, desvendar a personalidade dela – e aí, quem sabe, até se aproximar.

A gente vive o auge criativo da Moda e ela nunca foi tão democrática. Hoje, principalmente através das chamadas fast fashion – lojas de departamento em que várias coleções são lançadas ao ano, de forma “rápida”, como C&A, Riachuelo e Renner -, produtos com conceitos criativos e de estilo, feitos para todos os tipos de corpo e a preços modestos estão à disposição de todos. Nem sempre foi assim. Na Antiguidade, o vestuário era símbolo social e as roupas denotavam riqueza, e então, plebeus eram proibidos de se vestir como os nobres. Com a ascensão da burguesia, no século 16 – e mais tarde, com a Revolução Francesa, em 1789 -, esse cenário se modificou e as classes passaram a se vestir de forma semelhante. Com as Guerras Mundias, a transição foi definitiva e as mulheres, que tinham os maridos em combate, precisaram sair de casa para trabalhar – e se libertaram dos espartilhos, utilizando trajes práticos e confortáveis. Nessa época, com a obra-prima escassa, a Inglaterra passou a racionalizar tecidos e as roupas eram feitas para durar mais, dando início ao conceito de “reciclagem”. Com o fim dos conflitos, essas mesmas mulheres passaram a sentir necessidade de “glamourizar” o guarda-roupas, agora, sem as restrições causadas pelas Guerras – com cinturas marcadas, ombros em evidência e saias amplas, tudo bem feminino. Começou, então, a evolução da Indústria Têxtil.

Na araras da TV

Na televisão, os figurinos são cada vez mais caprichados. Muitos apontam que foi Sex and the City da HBO (1998-2004) que deu início a essa “Era Fashion” televisiva. De lá para cá, Gossip Girl, Mad Men e Girls (também da HBO) são apenas alguns exemplos de programas que inspiram consumidores e conceitos de Moda no mundo inteiro.

Nós vamos falar de Girls! A série escrita e protagonizada por Lena Dunham é a “queridinha” de espectadores e críticos, que acreditam que a atriz democratizou a televisão, um universo dominado por padrões de beleza rígidos e esqueléticos. Girls é bastante comparada à Sex and the City e a série veterana serviu de inspiração para a atração mais nova, atualmente em produção da terceira temporada.

E se antes acompanhávamos as histórias das amigas Carrie, Samantha, Charlotte e Miranda, agora, Hannah, Jessa, Marnie e Shoshanna nos apresentam uma Nova Iorque igualmente cosmopolita e uma vida de sexo, mas com menos glamour e sapatos caros – ao invés de Carrie e seu par de Manolo, temos Hannah e suas sapatilhas fofas. Girls é praticamente Sex and the City ou Gossip Girl “versão C&A”. As tendências lançadas na série são mais reais e baratas do que aquelas apresentadas nos dois shows anteriores – a gente não mora em nova Iorque, uma cidade em que você pode usar os looks extravagantes da Carrie Bradshaw sem que as pessoas fiquem encarando ou alguém tire uma foto para postar no Instagram, com a hashtag “instacômico” – e é esse o grande atrativo do programa. Cada uma das personagens, no entanto, é bem diferente uma da outra – em personalidade e, consequentemente, em estilo.

Por isso, peço licença aos meninos, porque, como o título no alto da página sugere, essa é uma conversa de garotas

Quero propor uma brincadeira: faça o teste abaixo e descubra quem em Girls você seria! Topa? Se você for rapaz, tudo bem! Com qual delas você gostaria de passar uma noite – ou uma vida? Estou curiosa!

1) Meu passatempo preferido é…
A) Escrever.
B) Pintar.
C) Planejar coisas.
D) Ver filme com o namorado.

2) Um cara perfeito é aquele…
A) Que sabe fazer acrobacias entre quatro paredes.
B) Qualquer pessoa que eu conhecer na balada.
C) Tanto faz. Pode ser um pouco mais velho, meio esquisito e fracassado profissionalmente. Desde que seja meu namorado.
D) Um empresário da Wall Street.

3) A vida perfeita é…
A) Ser uma escritora de sucesso, moderna e desejada pelos homens. Com uma família ou não.
B) Um artista renomada, livre e sem preconceitos, que conheça gente de vários lugares e culturas. Com uma família ou não.
C) Casar e ter filhos, não importam as condições; mas quero ter uma filha, para eu colocar no balé.
D) Casar, ter três filhos, trabalhar em uma galeria de artes famosa e um marido bem-sucedido.

4) Organização da casa…
A) Pode ser mais tarde? Estou indo encontrar meu namorado.
B) Para que arrumar a cama, se vou dormir de novo?
C) Vou fazer a lista do supermercado. Alvejante, sabão em pó, detergente, lustra-móveis. Vou conferir mais uma vez. Alvejante, sabão em pó…
D) Acabei de arrumar a casa sozinha, tira os sapatos antes de pisar para dentro da sala.

5) Tenho uma festa para ir à noite…
A) Legal. Blusa, saia e sapatilha. Estilo com conforto, sempre!
B) Algo cheio de brilhos e penas, que chame bastante atenção. Quando vim para a Terra, Deus disse “Desce e arrasa!”
C) Que tipo de festa? Talvez, minha blusa azul klein de ombros marcados e uma saia, até os joelhos, plissada. Vi um look parecido na Cosmo!
D) Um vestidinho básico, que não mostre muito e passe elegância. Afinal, não sou um pedaço de carne.

Se a maioria das respostas deu “A”

Você seria Hannah, a “menina-mulher”. Hannah não tem pudores quando o assunto é sexo e sonha em ter um livro publicado. Tanto no dia-a-dia, quanto em eventos noturnos, a garota não dispensa o conforto – sem perder o estilo, claro! Cardigãs coloridos e estampas divertidas fazem parte do figurino da personagem. Meia-calça e sapatilhas, idem. Por ser mais cheinha, Hannah usa vestidos larguinhos na cintura, mas que marcam bem aquela região abaixo dos seios, para valorizar o que ela tem de mais bonito. Mesmo quando a ocasião é formal, como um dia de trabalho, Hannah não perde a diversão na hora de se vestir. Ao escolher uma camisa, por exemplo, que é naturalmente mais séria, ela opta por estampas como bicicletas ou lacinhos, em tons neutros. Séria, sem perder sua personalidade.

p.s.: os colares da Hannah também são especiais, divertidos, e parecem saltar das estampas das blusas. Fica um charme! Tem um álbum completo, sobre isso, no Facebook da série.

Se a maioria das respostas deu “B”

Você seria Jessa, a “hippie” da turma. Dentre as quatro amigas, a loira é a mais experiente e já passou por situações dramáticas como o aborto. Jessa abusa de peças fluidas e transparentes, que nunca marcam seu corpo cheio de curvas. O que é sugestivo, já que a personalidade dela é também fluida, transparente… Livre e sincera. Às vezes, ela exagera, é verdade (como o vestido de penas), mas ela nunca perde a personalidade extremamente forte. Os olhos de ressaca, como os de Capitu de Machado de Assis, vêm contornados com lápis preto e a boca sempre em tom de vinho – destaque para a maquiagem de gueixa, que ficou linda! Tranças nos cabelos longos também são comuns à personagem, que é moderna o bastante para investir no chapéu (que combinados ao lenço, formam a dupla perfeita). Até a luxuosa bolsa da Louis Vuitton tem vez!

O gosto pela transparência é tanto que, certa vez, o modelito escolhido por Jessa, para trabalhar de babá, mostrava as peças íntimas da personagem. Para amenizar, ela sobrepôs uma manta fúcsia ao look. Ficou divertido! (Fúcsia também é conhecido como magenta ou pink e está super em alta).

Se a maioria das respostas deu “C”

Você seria Shoshanna, a “metódica”. Embora seja bastante antenada e saiba usar várias tendências de Moda, Shoshanna é um tanto estranha e tem mania de planejar as coisas. Começou a série virgem – apesar de não ser exatamente tradicionalista -, e fez questão de planejar todos os detalhes da primeira vez. Tearas, cintura marcada com cintos médios, ombros plissados e chapéus podem ser encontrados no closet da personagem – além de peças fúcsia, é claro. Shoshana tem uma bolsa coringa no guarda-roupas, que ela usa com um lenço amarrado em uma das alças. Ela já usou esse acessório com roupas diferentes e de cores distintas. Um dica é trocar o lenço conforme a vontade, assim, dá uma ideia de novidade, sem precisar comprar uma bolsa nova (que não é o acessório mais barato do universo, né?).

Se a maioria das respostas deu “D”

Você seria Marnie, a “careta” de Girls. Nem sou eu quem estou dizendo, foi a própria Hannah, melhor amiga da personagem, quem a definiu assim. Marnie é extremamente limpa e idealiza a vida desde muito nova. O trabalho dos sonhos, o namorado dos sonhos, a família dos sonhos. Ela é uma daquelas meninas feitas para casar, sabe? Das amigas, no quesito “fashionismo”, ela é a mais básica. Os vestidos são sempre sequinhos, de recortes retos e nunca “mostram demais”, afinal, ela tem uma imagem a zelar. Qualquer abertura na região dos seios não é profunda e o “decote janela”, no meio do peito, é o máximo de ousadia que veremos ali. O vestido fúcsia (sempre ele!), rente ao corpo – ela é magrinha -, foi o figurino que mais valorizou a beleza da jovem. Os cabelos são longos e levemente repicados e ondulados, que dão a impressão de naturalmente belos.

 

Confira a galeria com os visuais mais marcantes de Girls abaixo (clique na imagem para aumentar).

Por hora, é só. Até a próxima coluna. Espero que tenham gostado! Deixem o resultado do teste nos comentários e sugestões para as próximas edições. Quero estar antenada na opinião de vocês!

Um beijo, meninas e meninos.

p.s.: meu teste deu Hannah.

Séries citadas:

É jornalista formada pela Unesp e pós-graduanda em Gestão Cultural. No TeleSéries, escreve mensalmente a coluna Estilo. Aficionada pelas histórias de terror, sobrenaturais e de mistério, também não dispensa aquela comediazinha romântica... Pushing Daisies, Jeannie é um Gênio, A Feiticeira, Riget, Lost in Austen, Wonderfalls, Samantha Who?, Copper, Harper's Island e Hannibal estão entre suas séries preferidas de todos os tempos! :)

10 Comments

  1. Thayná

    Eu sou a Hannah!!! HHAHAHAHAHAHA!
    Gabyyyy!! OOMG! Eu também vou trabalhar com a moda na minha monografia!!! *0* Texto SUPER MARAAAAA!

  2. Gabriela Pagano

    Boa sorte com a monografia, Thayná! Tenho certeza que você vai se divertir muito, Moda é uma delícia! :)
    Obrigada pelas palavras!

  3. Raquel Perez

    Gabriela, amei seu texto, aliás adorei!!!
    Achei incrível você começar com uma pequena biografia, passar para a maravilhosa personagem da Meryl Streep, depois para a história da moda, para a moda na TV culminando com a delícia que é Girls. Parabéns, Gabriela!!! Chamo isso de ótimo jornalismo…

  4. Gabriela Pagano

    Agora que li seu comentário, Raquel, e abri um sorriso enorme! Muito obrigada pelas palavras tão lindas e motivadoras! Isso só me dá vontade de melhorar e melhorar! Fico feliz que você tenha gostado dessa introdução a um assunto que é tão gostoso! Espero que você goste das próximas edições da coluna :-)) Obrigada mesmo!

  5. ArielCristina

    Eu sou a Marnie! hehe, achei legal que a personalidade dela bateu com a minha em alguns pontos. Adorei o texto Gabi, parabéns!

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