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Opinião

Pushing Daisies – O mundo fantástico de Tim Burton, sem Tim Burton

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Lee Pace e Anna Friel em Pushing Daisies

Pushing Daisies estreou no dia 3 de outubro nos EUA envolto a muitas expectativas, já que a série havia chamado a atenção dos críticos pelo formato e temática um tanto inusitada para a televisão.

Após a exibição do primeiro episódio, a série entrou para o seleto hall das preferidas pelos críticos americanos. A audiência também não desapontou e em alcançou 12,83 milhões de telespectadores, a quarta maior estréia da fall season.

A série foi indicada a três Golden Globes: Melhor Comédia, Melhor Ator em Comédia (Lee Pace) e Melhor Atriz em Comédia (Anna Friel). Os concorrentes são fortes em todas as categorias, porém acredito plenamente que Pushing Daisies vencerá pelo menos um prêmio e este será o de Melhor Comédia.

Os motivos são plausíveis: além da crítica idolatrar a série, o Globo de Ouro adora ser o primeiro a reconhecer uma boa produção. Quanto as categorias Melhor Ator/Atriz, a disputa é mais acirrada e talvez não haja muitas chances de vitória para Pace e Friel.

Para entendermos porque esta é a melhor comédia do ano, precisamos conhecer um pouco do universo em que é situada.

A história é centrada em Ned (Lee Pace), que pode trazer de volta a vida tudo que estiver morto apenas com um toque. Porém se encostar novamente na criatura que “ressuscitou” esta morrerá para sempre.

O dom traz outra complicação, o efeito da mágica deve durar apenas 60 segundos e Ned tem que encostar novamente no que trouxe a vida, ou o Universo será obrigado a equilibrar a força cósmica, matando qualquer um que esteja próximo e que tenha a mesma proporção de energia do “ressuscitado”. Se isso ocorrer, aquele que foi afetado pela magia ganha a vida daquele que o universo sacrificou.

Ned utiliza pela primeira vez o dom quando sua mãe morre devido a um aneurisma ao varrer a casa. Ele descobre também as conseqüências de manter alguém vivo por mais de um minuto ao perceber que o pai de sua vizinha Chuck (Anna Friel) morre para equilibrar a energia universal. E a segunda lição vem ainda no mesmo dia, quando ele encosta em sua mãe novamente e ela morre em definitivo.

Os enterros acontecem no mesmo horário e lugar. Chuck e Ned se apaixonam naquele dia, porém ficam separados por 19 anos.

Ned cresce e vira um famoso “fazedor de tortas” e detetive (já que pode perguntar aos mortos quem os matou e ganhar as recompensas oferecidas). Em uma das investigações ele descobre que Chuck foi assassinada e vai ao seu enterro para perguntar quem a matou. Porém ao trazê-la de volta a vida ele não consegue devolvê-la a morte e alguém paga o preço.

Desta forma somos introduzidos ao mundo de Pushing Daisies, um universo repleto de elementos mágicos, fantasiosos e caricatos.

A expressão “Pushing Daisies” em português tem duas traduções possíveis. A primeira seria “Empurrando Margaridas” (de baixo do túmulo para cima) e “Comendo Capim pela Raiz”.

A história é repleta de elementos ambíguos dos contos de fadas da Disney como o amor platônico entre Ned e Chuck, que aqui é literal (não há como ocorrer), mostrando que o amor não pode superar todas as barreiras e a prova disto é que nunca poderão se tocar, como se o dom de Ned se tornasse uma maldição ou o feitiço de uma bruxa. Porém temos do outro lado, a apresentação de um amor puro e espiritual, que independe da carne, já que ambos estão unidos pelo coração.

Temos também Olive (Kristin Chenoweth), a personagem apaixonada incondicionalmente por Ned – que não retribui o sentimento – despertando a ira de uma mulher rejeitada que tentará destruir o casal perfeito, para ter ao seu lado quem ama. Porém ao perceber que não pode separá-los, ela “aceita” o fato e se redime.

Os vilões são extremamente caricatos, se movem de maneira estranha, falam de forma diferente, se comportam de maneira sombria e, quando conseguem capturar o seus inimigos e colocá-los em uma situação de morte contam o seu plano malévolo de dominação do mundo. Além de, é claro, sempre que possível disparar aquela típica gargalhada.

Há musicais quando um personagem está apaixonado e por fim, como não poderia faltar em nenhum conto de fadas, temos o narrador onisciente e onipotente, que tudo sabe e tudo vê, guiando a história, antecipando fatos e guardando segredos.

Agora, se junto a tudo isso ainda houvesse algo mais, o que seria? Um toque mágico no roteiro e um visual incrível ao estilo de Tim Burton, que apesar de não ter nenhuma ligação com a produção da série, aparece inegavelmente como influência criativa.

Em Pushing Daisies podemos encontrar infinitas referencias aos filmes do diretor, como a Noiva Cadáver, em que um jovem passa pelo conflito de casar-se com uma morta e viver para sempre e feliz no reino dos “pés juntos”, ou voltar a terra dos vivos e casar-se com seu amor, mas suportar um mundo cheio de intrigas, armações e mortes.

Encontramos alegorias a Peixe Grande, em que um pai conta a todos histórias – supostamente vividas por ele – cheias de mágica, monstros, aberrações e até mesmo idas ao mundo dos mortos, que são desacreditadas por seu filho por serem apenas fantasias. Mas, no enterro do pai o filho vê presentes todos aqueles personagens integrantes das histórias e percebe que eles são pessoas reais e que a fantasia é um ponto de vista para fazer a vida algo mais doce e engraçado.

Temos também referencias a Lenda do Cavaleiro sem Cabeça, no episódio em que um suposto fantasma vestido de preto e montado em cavalo negro mata seus inimigos, exatamente como no filme. Um esquilo gracioso roendo nozes em plena rua é a alusão a Fantástica Fábrica de Chocolates.

E como último ícone chegamos ao campo de margaridas com o céu de um azul estonteante em que vemos Ned correndo, o que claramente remete a pós-morte, ao paraíso, como se o garoto tivesse o poder divino de dar e tirar vidas, como se fosse um Deus, só que humano.

Juntos a todos estes aspectos a série consegue balancear de forma genial comédia e drama. Ambos são encaixados em perfeita sintonia com o trunfo de centralizar a magia apenas no personagem principal, evitando criar um lugar repleto de criaturas mágicas falantes e poderosas, não ofuscando os aspectos da história que podem ser encontrados no mundo real. Mas, ainda assim proporcionando ao telespectador a sensação de estar um mundo paralelo, mágico e não irreal em sua totalidade, que permite a todos se identificar com pessoas e situações.

Afinal, se a fantasia é só um ponto de vista para disfarçar a realidade e adocicar a vida, basta escolher em qual direção você quer olhar.

Séries citadas:

24 Comments

  1. Alessandro

    Pushing Daisies é, sem dúvida nenhuma, a melhor estréia da temporada! E merece muito ganhar vários Globos de Ouro!

  2. Osório Coelho

    Perfeita a comparação com Tim Burton, dono de um estilo por vezes surrealista e de difícil assimilação, que torna a experiência um pouco complicada, mas compensadora.

  3. Ricardo

    Já assisti três episódios da série via download. Simplesmente fantástica! Uma dúvida, que época passa a série afinal?

  4. Carina

    Parabéns pelo ótimo texto! Espero que vc faça as rewiews dos episódios.

  5. fernando dos santos

    O texto está ótimo mas faltou colocar o nome do criador da série e mencionar se ele já tem outro sucesso anterior no currículo.

  6. Kravis

    Eu estou estupidamente ansioso por esta série desde antes mesmo dela estrear nos EUA, não só por sua ótima premissa, mas principalmente pelo seu criador, a mesma mente brilhante por trás de Dead Like Me e Wonderfalls.

    Naquela enquete de série mais esperada?
    Votei em Pushing Daisies.
    Já digo desde agora que serei um dos maiores fãs.

  7. Rafa

    Ja vi todos os 9 episódios que rolaram no states….e digo que se pelo menos PD não ganhar a de melhor série comédia isso será uma tremenda injustiça….a série é perfeita em todos os seus episódios…tem toques de comédia e drama na medida certa….qualquer um que ver algum episódio vai se apaixonar…..Tomara Deus que volte para uma segunda temporada….

  8. Paulo

    Otima preview, eu ainda nao vi Pushing Daisies, mais todo mundo diz que a série é boa, hoje mesmo vou baixar pra conferir!

  9. Victor Hugo

    Oi! Excelente Review sobre a série Pushing Daisies. Eu gosto muito da série, já assisti a todos os 9 episodios já exbidos nos EUA e posso dizer que em nenhum momento a série decepiciona em sua execução. Alias o protagonistas NED, CHUCK, OLIVE E O DEtetive que acompanha eles q esqueci o nome são interessantes e faz com que vc se importe… Alias as participações dos atores ( q faz o irmão de Christine na série)no epsisodio de Halloween foi boa assim como a Molly como a concorrente dele no episodio 8. Assim junto com Reaper, considero elas duas as melhores séries desta fall season e é uma pena que a greve dos roteiristas tenham privado de ter mais histórias da série, pelo menos por enquanto.

  10. Neto Paes

    Só pelo fato de ser do criador de Dead like me e wonderfalls, já fiquei super empolgado pra ver. Só espero que não tenha o mesmo fim que as outras. E vou te contar, ô cara pra gostar de temas mórbidos hein?!

  11. Leonardo Toma

    A maneira como Fuller trata o assunto morte em suas séries é espetacular.

  12. Fernanda

    “Só espero que não tenha o mesmo fim que as outras.” neto, wonderfalls teve uma trajetória curta, mas ainda conseguiu um final decente. dead like me e esse filme novo é que me preocupa. esperando ansiosamente pela estréia de pushing daisies por aqui. e pensar que bryan fuller já trabalhou naquela b*sta de heroes…

  13. Rafa Bauer

    Eu acho que lembra Tim Burton na maneira de encarar a morte, mas neste final de semana revi Amelie Poulain e posso dizer que a série é praticamente um decalque do filme.

    Amelie trabalha numa lanchonete que lembra a que o protagonista de Pushing trabalha.

    Ela é bizarra, solitária e quer ajudar as pessoas, também como o protagonista.

    A direção de arte, fotografia, tudo lembra Amelie. Até aquele lance de ficar falando “tantos anos, tantos meses, tantos dias, tantas horas, minutos”… já vemos nos primeiros minutos do filme francês…

    Não que isso seja um demérito. Conseguiram ampliar bem o mundo de Amelie, introduzindo novos elementos…

  14. Silvia_05

    Vi o piloto e não caí de amores. Muito fantasioso pro meu gosto. Mas achei interessante a qualidade da produção e a ousadia do projeto em ser 1 série.
    De qualquer maneira, darei uma nova chance prá PD quando passar aqui. Tô atrasada com outras, tipo Damages, NCIS, Bones, Boston Legal,…

  15. Aline

    Acho que além de lembrar os filmes do Tim Burton, a série lembra MESMO um pouco o estilo do filme francês ‘O Fabuloso Destino de Amélie Poulain’ que é óootimo e segue o mesmo estilo *-*

  16. Francisco

    A série é atemporal, para quem perguntou. O criador disse que nao tem tempo definido, ele coloca caracteristicas de varias epocas, tornando a historia ainda mais fantastica.

    PD tem um problema: como toda série diferente, inovadora, se torna cansativa. Parei de ver no episodio 6. Fiquei enjoado das historias sem muita emoçao, meio paradas, e superficiais… kero mais profundidade nas historias e nos personagens!

  17. fernando dos santos

    Fiquei sabendo que Bryan Fuller o criador de PD escreveu alguns dos melhores episódios da primeira temporada de Heroes.Ele continuou no time de roteiristas da série no segundo ano ou saiu para se dedicar exclusivamente a Pushing Daisies?

  18. Rafaelly

    Com essa greve dos roteiristas, estou dando uma olhada em séries que ainda não tinha tido a oportunidade de assistir, como Pushing Daisies, How I met your mother e Damages. As duas últimas estou amandao (Aliás, se cuida Sally Field pq Glenn Close humilha nessa série!),mas Pushing Daisies, apesar de ser interessante e bem feita, realmente não é meu tipo de série…O estilão Tim Burton não me fisgou não!Mas a atriz que faz a Chuck está bem pra caramba no papel!

  19. Gabriel Bonis

    Pushing Daisies é fantástica! E o melhor é que já tem uma temporada completa garantinda e é bem provavel que seja renovada para uma segunda, apesar de audiência ter caído um pouco e se mantido em uma média de 9 milhões…

    O estilo da série é incrivel e as histórias são perfeitas, não acho que sejam superficiais, sem emoção ou paradas, até pq a premissa é essa, uma história de fantasia comica, uma dramédia. Não precisamos saber muito mais sobre os person agens do que vêm sendo revelado até agora, pq esse é um dos trunfos da série…

  20. eugifran

    nossa PD é de longe a melhor estreia dessa temporada….
    ela e supernatural, pra mim, estão empatadas na melhor serie dessa temporada….
    os personagens são extremamente carismaticos…
    as historias envolventes…
    tem tudo pra dar certo…
    o meu medo é só isso que alguem a em cima comentou…
    com o passar do tempo as pessoas podem perder o interesse… oq pode levar ao cancelamento…
    espero que não aconteça…
    PD é otimo.
    espero que a greve acabe logo e tenha novos episodios….

  21. Pingback: TeleSéries » Destaques do dia: Quinta-feira, 10/4/2008

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