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Primeiras Impressões – The Fosters

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The Fosters é uma série que já antes de seu lançamento vinha dando o que falar, dado o seu tema central: a relação de uma família composta por duas mães e seus filhos. Eu, particularmente, esperava que a série fosse razoável, mas fico feliz de admitir que quebrei a cara.

A nova atração da ABC não é razoável, é extremamente boa. The Fosters trata questões consideradas polêmicas com naturalidade e problemas sérios como algo que deve ser combatido, não apenas alardeado. Além disso, o faz de forma maestral, visto que a série não vale a pena somente pelo foco temático, mas pela arte mostrada pelo elenco e pela equipe.

A série conta a história da família Foster, chefiada por Lena Adams (Sherri Saum), diretora de uma escola, e Stef Foster (Teri Polo), policial. Lena e Stef têm três filhos: Brandon (David Lambert), filho biológico de Stef que mostra grande aptidão para a música; Jesus (Jake T. Austin), filho adotado do casal que possui problemas de déficit de atenção; e Mariana (Cierra Ramirez), gêmea de Jesus, também adotada, que é considerada a esperta da casa devido a suas notas.

O piloto foca bastante na chegada de Callie à família. Callie (Maia Mitchell) é uma jovem introduzida como problemática, que vai para a casa dos Foster provisoriamente – Lena oferece abrigo à menina para ajudar um amigo. É bastante interessante o efeito da chegada da menina: em todas as cenas de Callie com as outras “crianças”, ela parece ser uma peça no lugar errado – a garota destoa muito do mundo em que Brandon, Jesus e Mariana vivem, até no aspecto visual. Acho que esse foi um jeito de reforçar o quanto uma criança ou um jovem se sente deslocado logo após ser adotado.

Outra coisa interessante no piloto é o retrato da rotina da família, que não difere em nada da rotina de uma família dentro dos padrões. Assim como em famílias ditas normais, existem as regras da casa e todo o resto.

Callie parece não querer ficar com os Foster, mas descobre-se mais tarde a grande razão para a tentativa de fuga: a garota tem um irmãozinho – Jude (Hayden Byerly) – que sofre maus tratos do pai adotivo. Sem medo nem pudor, os roteiristas já começaram a série bombardeando o público mostrando um problema sério, mas mais comum do que se imagina.  Estão de parabéns esses roteiristas, que conseguiram começar a série com uma boa apresentação do contexto e das personagens e já trazer algo forte para marcar o episódio.

O conflito de Callie é o mais forte, mas não é o único mostrado no episódio. Mariana também está com problemas: encontra a mãe biológica pelas costas das mães adotivas e vende os remédios de seu irmão para levar dinheiro a ela. O problema de Mariana é explorado razoavelmente no piloto – perdendo a prioridade para Callie – mas não acaba aí.

Em Consequently, o problema de Callie e Jude já está resolvido – Jude é salvo das garras do pai adotivo pela irmã com a ajuda de Brandon, em uma cena muito intensa no fim do primeiro episódio. O segundo episódio explora bastante o problema de Mariana e as consequências dele, principalmente para Jesus, que fica sem seus remédios. Além disso, explora também a possibilidade de um triângulo amoroso envolvendo Brandon, Callie e Talya, namorada de Brandon. No piloto já até tinha rolado uma química entre o Brandon e a Callie, mas o caráter do possível relacionamento é confirmado pelos ciúmes intensos de Talya.

Gente, a Talya é uma chata de galocha e não merece o Brandon. Ainda não estou muito a favor do lance entre ele e a Callie, mas como é que se aguenta uma Talya? Não dá, não dá. Fiquei pensando depois se é assim que nós, mulheres, soamos aos ouvidos de outras pessoas quando estamos com ciúmes… Deuzinho do Céu, espero que não.

Após a frustração de Mariana com a mãe biológica no piloto, a menina se sente mal por estar fazendo algo escondido das mães e prejudicando o irmão. Por pouco a menina não sofre as consequências de distribuir os remédios, visto que Lena encontra uma das alunas cheirando o pó contido nas pílulas. A aluna pega – amiga de Mariana – culpa Callie, que quase se ferra bonito. Mariana toma coragem para contar às mães que esteve vendendo as pílulas, mas Jesus salva sua pele, tomando para si a culpa de tudo. Esse episódio é outro que mostra a cumplicidade entre os gêmeos – cumplicidade essa já mostrada no piloto, em uma cena em que os dois falam entre si em espanhol.

De novo, os roteiristas dão um tapa na cara da sociedade mostrando que a venda de drogas – que deve ser combatida, o que é mostrado e reforçado pela atitude de Lena e Stef de repreender Callie quando a garota é indicada como culpada – não se restringe a pessoas de origem econômica humilde e, às vezes, é feita por um “bem maior” – no caso, Mariana queria ajudar sua mãe.

Achei interessante o cunho moralizante da série, todo esse lance de mostrar situações polêmicas com naturalidade e problemas a serem combatidos como problemas a serem combatidos, não como pecados mortais. Além disso, acho que o elenco merece um destaque bem grande – cito aqui principalmente o Jake T. Austin, que eu acompanho desde Os Feiticeiros de Waverly Place e que cresceu MUITO como ator -, visto que em apenas dois episódios já conquistou. Apesar do bom trabalho dos atores, as personagens não são instantaneamente cativantes, o que pode fazer com que algumas pessoas não gostem ou desvalorizem a série. São personagens fortemente realistas, acredito eu, e são raras as pessoas que cativam outras instantaneamente como as personagens das séries fazem.

Potencial? Altíssimo. The Fosters é uma série que abre espaço para uma discussão mais profunda de assuntos que são simplesmente inseridos de modo superficial na área do entretenimento televisivo nos dias atuais e questões polêmicas a serem discutidas é o que não falta na sociedade de hoje. Além do tema, a arte da série é bem feita e condizente com o contexto psicológico da história.

Então, assistam, vale à pena.

Séries citadas:

Futura jornalista. Medrosa e sonhadora que só. Escritora de margem de caderno, adora os Beatles, filmes e livros em geral. Fácil de agradar. Sitcoms são o melhor acompanhamento para as refeições e o resto das séries, para qualquer horário livre. Doida de pedra e antissocial, nerd até à medula. Apaixonada pelas culturas britânica, hindu e hippie. Sintam-se à vontade pra me amar.

Website: http://tempoedimensoesrelativasempalavras.wordpress.com/

1 Comment

  1. Paullo Kidmann

    Eu gostei mas estou meio com um pé atrás se vou assistir, pois as séries da ABC Family tem temática muito teen, mas esse não é o problema o meu problema com as séries da ABC Family é a falta de maturidade dos personagens sei lá…A Série é ótima, vale a pena assistir…e concordo com todo o seu texto mas para mim que sou um pouco chato vou pensar um pouco para ver se assisto mesmo!!

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