Log In

Notícias

Primeiras Impressões – Silicon Valley

Pin it

Num universo cheio de grandes ideias, algoritmos e egos inflados, ainda assim existem pessoas que não sabem lidar com essa situação. É a partir dessa “premissa” que a história de Silicon Valley se desenvolveu aos poucos durante seu primeiro episódio intitulado Mininum Viable Product. 

O seriado

Na série, Richard (Thomas Middleditch) é um programador introvertido que vive em uma incubadora de start-ups com seus amigos Big Head (Josh Brener), Gilfoyle (Martin Starr) e Dinesh (Kumail Nanjiani. Eles aparecem como um grupo de jovens desajustados que vivem ao lado de Erlich (T. J. Miller), milionário da Internet nada normal, que os hospeda de graça na casa dele. Em troca disso, os rapazes dão 10% de seus projetos para ele.

Além do ambiente nada comum da incubadora, há o ambiente da Hooli. Esta é uma empresa de tecnologia, que lembra muito o mundo do Google, Facebook e afins, em que Richard trabalha por meio período. Mesmo que se espere que o ambiente da Hooli seja empreendedor/inspirador, a empresa aparece como uma sátira em que os trabalhadores perfeitos vão a encontros de bicicleta e fazem trabalhos sociais (forçados). Nessa mesma linha de sátira, aparece Gavin Belson (Matt Ross), um clássico “empresário dos sonhos”, que luta pelas causas sociais, é invejado por muitos e é bem sucedido. Mas, na realidade, ele é mais um dos egos inflados do meio tecnológico, que vive com a puxação de saco de seus funcionários/adoradores.

Pied Piper

Nesse meio tempo em que Richard vai trabalhar na Hooli, seus “colegas” de trabalho percebem que ele criou um algoritmo inacreditável e que pode ser revolucionário. Com o algoritmo desenvolvido para seu site Pied Piper, seria possível comprimir dados para a procura de direitos autorais em músicas. E não para por aí. Essa iniciativa poderia até mesmo fazer com que outras formas de recebimento de informações, como em vídeos e fotos, fossem ainda mais rápidas.

A descoberta desse algoritmo faz com que Belson e o investidor bilionário Peter Gregory (Christopher Evan Welch) passem a fazer propostas e mais propostas. A oferta de dinheiro feita pelos dois deixa Richard cada vez mais nervoso e resulta num ataque de pânico do personagem. Vale ressaltar a cena em que Richard se consulta com o médico e, mesmo o profissional da saúde, oferece uma ideia de um aplicativo para avisar sobre ataques (de coração ou de pânico) antes mesmo de eles acontecerem. O coitado nem acredita na situação e deixa o lugar atordoado.

Médico: O que você acharia de um aplicativo que te avisaria no celular antes de um ataque do coração ou um ataque de pânico?
Richard: Parece incrível.
Médico: A iniciativa está no protótipo ainda, mas nós estamos buscando investidores. Então, caso você aceite os milhões de Belson, eu vou te passar esse número…

Outro ponto da cena do hospital é que o médico também fala que é comum eles receberem casos de ataques de pânico. Um exemplo disso foi um rapaz que, depois de ter tomado a decisão radical sobre sua empresa, atirou em si mesmo e ficou cego. “Mas preste atenção se você for atirar na sua própria cabeça. Não mire a arma na têmpora, senão você vai destruir as ligações dos seus olhos apenas”, avisou o médico.

A decisão fica nas mãos de Richard e ele decide dar o primeiro passo para uma jornada extensa. Mesmo que ele tenha acreditado que seus amigos não poderiam ficar do seu lado – principalmente Erlich, a.k.a. chato criador do Aviato -, as coisas acabam se saindo muito bem. Num meio em que é arriscado vender ou não uma ideia/trabalho, ele decide se arriscar.

Outros pontos…

Estereótipos: sim, como outras séries de comédia há os estereótipos com os personagens. Eles usam roupas parecidas, vivem numa bagunça na incubadora, comem macarrão instantâneo e afins. Há um momento no episódio que o próprio criador da Hooli fala para um terapeuta que “eles são todos iguais e andam em grupos de 5 pessoas e vão alternando”, sendo que um é oriental, outro é indiano e assim por diante. Nisso, o seriado “encosta” um pouco do que a gente vê em The Big Bang Theory, mas é como se Silicon Valley fosse algo “mais sério”.

Abertura/final do episódio: a abertura é simples e dinâmica. Dá até para lembrar um pouquinho daquele vídeo feito pelo HootSuite sobre Game of Thrones e redes sociais. O final do episódio também foi muito bacana, depois de o protagonista ter tomado sua decisão, o Green Day fechou o Mininum Viable Product com a música Minority.

Referências: as brincadeiras são feitas na palestra do TED com o discurso “fuja da universidade, os grandes empreendedores largam-na”, há piadas com Steve Jobs/Wozniak sobre um ter programado e o outro não ter feito nada, além do fato de Erlich ter valorizado muito mais o aplicativo feito por outro membro do grupo – para encontrar mulheres – do que o algoritmo feito por Richard.

Apesar de algumas pessoas terem pensado que seria mais um seriado difícil de se compreender as piadas, eu acho que Silicon Valley não foi tão complicada. O seriado foca em um nicho específico e faz brincadeiras com os famosos geeks e grandes empreendedores tecnológicos. Ele foge um pouco do que se espera de uma comédia nerd – como os clássicos de audiência na TV – e não te faz gargalhar. Acho que atualmente isso é difícil, mas o seriado cumpre seu papel quando consegue trazer tecnologia, diversão e um humor sarcástico para os espectadores.

Séries citadas:

22 anos, jornalista formada pela Unesp de Bauru. Suas primeiras séries foram: Lois & Clark, Veronica Mars, Gilmore Girls e Smallville. Atualmente acompanha: The Big Bang Theory, The Middle, além dos Top Chefs e Master Chefs.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Log In or Create an account